Mensagem oficial da CNBB sobre a polêmica que tomou conta do Brasil

Por meio de nota, divulgada em coletiva de imprensa na sede provisória da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), a presidência da CNBB manifestou mais uma vez sua apreensão e indignação com a grave realidade político-social vivida pelo país, que afeta tanto a população quanto as instituições brasileiras. No texto, a entidade repudia a falta de ética que se instalou nas instituições públicas, empresas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que “traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no descrédito”.

A Conferência criticou também a apatia e o desinteresse pela política, que cresce cada dia mais no meio da população brasileira, inclusive nos movimentos sociais. Apesar de tudo, a entidade diz que é preciso vencer a tentação do desânimo, pois só uma reação do povo, consciente e organizado, no exercício de sua cidadania é capaz de purificar a política e a esperança dos cidadãos que “parecem não mais acreditar na força transformadora e renovadora do voto”.

“A arte é como uma porta aberta para o infinito, para uma beleza e para uma verdade que vão mais além da vida quotidiana” (Bento XVI – 2011)

Vencer a intolerância e o fundamentalismo

Confira, abaixo, a nota na íntegra:

“E Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom” (Gn 1,31)

Os bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunidos em Brasília de 24 a 26 de outubro de 2017, dirigem esta mensagem ao povo brasileiro, diante de recentes fatos que, em nome da arte e da cultura, desrespeitaram a sexualidade humana e vilipendiaram símbolos e sinais religiosos, dentre eles o crucifixo e a Eucaristia, tão caros à fé dos católicos.

Em toda sua história, a Igreja sempre valorizou a cultura e a arte, por revelarem a grandeza da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, fazendo emergir a beleza que conduz ao divino. “A arte é como uma porta aberta para o infinito, para uma beleza e para uma verdade que vão mais além da vida quotidiana” (Bento XVI – 2011). O mundo no qual vivemos, ensina Paulo VI, precisa de beleza para não cair no desespero (Cf. Mensagem aos Artistas – 1965).

Reconhecemos que “para transmitir a mensagem que Cristo lhe confiou, a Igreja tem necessidade da arte” (São João Paulo II – Carta aos artistas 1999). Somos, por isso, agradecidos aos artistas pela infinidade de obras que enriquecem a cultura, animam o espírito e inspiram a fé. Merecem destaque a pintura, a música, a arquitetura, a escultura e tantas outras expressões artísticas que ressaltam a beleza da criação, do ser humano, da sexualidade, e o espírito religioso do povo brasileiro. Arte e fé, portanto, devem caminhar unidas, numa harmonia que respeita os valores e a sensibilidade de cada uma e de toda pessoa humana na sua cultura e nos seus valores.

Lamentavelmente, crescem em nosso meio o desrespeito e a intolerância que destroem esta harmonia, que deve marcar a relação da arte com a fé, da cultura com as religiões. Se, por um lado, a arte deve ser livre e criativa, por outro, os artistas e responsáveis pela promoção artística não podem desconsiderar os sentimentos de um povo ou de grupos que vivem valores, muitas vezes, revestidos de uma sacralidade inviolável. O desrespeito e a intolerância, por parte de artistas para com esses valores, fecham as portas ao diálogo, constroem muros e impedem a cultura do encontro. Preocupam, portanto, o nível e a abrangência destas intolerâncias que, demasiadamente alimentadas em redes sociais, têm levado pessoas e grupos a radicalismos que põem em risco o justo apreço pela arte, a autêntica liberdade, a sexualidade, os direitos humanos, a democracia do País.

Vivemos numa sociedade pluralista, por isto, precisamos saber conviver com os diferentes. Isso, contudo, não subtrai à Igreja o direito de anunciar o Evangelho e as verdades nele contidas, a respeito de Deus, do ser humano e da criação. Em desacordo com ideologias como a de gênero, é nosso dever ressaltar, sempre mais, a beleza do homem e da mulher, tais como Deus os criou, bem como os valores da fé, expressos também nos símbolos religiosos que, com sua arte e beleza, nos remetem a Deus. Desrespeitar estes símbolos é vilipendiar o coração de quem os considera instrumentos sagrados na sua relação com Deus, além de constituir crime previsto no Código Penal.

Animamos a sociedade brasileira a promover o diálogo e o encontro, por meio dos quais as pessoas, em suas diferenças, respeitam e exigem respeito, e permitem sentir a riqueza que cada um traz dentro de si.

Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira dos brasileiros, nos ensine o caminho da beleza e do amor, da fraternidade e da paz.

Brasília, 26 de outubro de 2017

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

CF 2018: Superação da violência só será possível com a união de todos

Cartaz Oficial da CF 2018

Cartaz Oficial da CF-2018

Um grupo de pessoas com as mãos dadas, de diferentes idades e etnias, representando a multiplicidade da sociedade brasileira é a mensagem exposta no cartaz da Campanha da Fraternidade 2018. Especialmente no Ano do Laicato, a Igreja no Brasil convida a todos, por meio da CF 2018, a refletir sobre a problemática da violência, particularmente em como superá-la.

No cartaz, segundo o secretário-executivo das Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Luís Fernando, as pessoas que nele formam um círculo e unem as mãos indicam que a superação da violência só será possível a partir da união de todos. “A violência atinge toda a sociedade brasileira em suas múltiplas esferas, o caminho para superar a violência é a fraternidade entre as pessoas que se unem para implementar a cultura da paz”, explica.

A escolha do Cartaz, de acordo com o padre Luís Fernando, foi feita com base em duas etapas. A primeira foi aberta a participação da população que pôde enviar sugestões de arte por meio de um edital aberto ao público e a segunda passou pela avaliação do Conselho Permanente da CNBB. “A partir dessa escuta é que chegou a atual configuração do Cartaz”, sublinhou.

Com o tema “Fraternidade e superação da violência”, a CF 2018 além de mapear a violência, colocará também em evidência as iniciativas que existem para superá-la, bem como despertar novas propostas com esse objetivo.  “A Igreja no Brasil escolheu o tema da superação da violência devido ao crescimento dos índices de violência no Brasil. Esse tema já foi discutido na década de 80, num contexto em que o país vivia a recessão militar e dentro desse contexto foi possível mapear diversas formas de violência”, afirma padre Luís.

Ele explica ainda que o lema da CF “Vós sois todos irmãos” foi extraído do capítulo 23 do Evangelho de São Mateus, no qual Jesus repreende os fariseus e mestres da lei, por suas práticas não serem coerentes com os seus discursos: “Os fariseus e mestres da lei valorizavam a sociedade hierarquizada. Jesus propõe-lhes então um novo modelo mais comunitário e fraterno “Vós sois todos irmãos”.

“O lema da Campanha da Fraternidade 2018 é um convite para a superação da violência por meio do reconhecimento de que cada pessoa humana é irmão, é irmão e se assim o é então não se pode deferir contra ele (a) atos de violência”, finaliza padre Luís.

Subsídios

Além do cartaz, todo ano a Igreja no Brasil disponibiliza subsídios e materiais para ajudar as comunidades, famílias e cidadãos a vivenciarem o propósito da Campanha. Esses materiais estarão à disposição do público no site da Edições CNBB a partir da última semana de outubro.

Padre Luís Fernando explica ainda que o principal subsídio é o texto-base que apresenta uma reflexão do tema a partir do método ver, julgar e agir. Além disso, haverá ainda subsídios para alunos do ensino fundamental, médio e grupos juvenis. Já para ajudar na oração quaresmal, uma vez que a CF é lançada durante este período haverá também celebrações em família, via-sacra, vigília, eucaristia, celebração da misericórdia e celebração ecumênica.

Confira a cobertura do Portal Kairós sobre a Campanha da Fraternidade 2018.

 

CNBB

Cartaz Oficial da CF 2018

Conheça o Cartaz da Campanha da Fraternidade 2018

Em 2018, a Campanha da Fraternidade chamará atenção para um problema que se apresenta de diferentes formas em vários ambientes e situações: a violência.

Apresentamos o Cartaz Oficial da Campanha da Fraternidade 2018

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Cartaz Oficial da CF 2018

Cartaz Oficial da CF-2018 que será usado em todas as comunidades

 

Cartaz Alternativo da Campanha da Fraternidade 2018
Cartaz Alternativo da CF-2018

Cartaz Alternativo da CF 2018

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Regional Oeste 1 da CNBB já discute o tema da CF 2018

Regional Oeste 1 expõe o perfil da violência em Mato Grosso do Sul e discute ações para Campanha da Fraternidade de 2018

Encontro reuniu Bispos e coordenadores de pastorais de todo o regional

Com o intuito de discutir as ações que integrarão a Campanha da Fraternidade de 2018, que tem como tema “Fraternidade e superação da Violência”, o Regional Oeste 1, reuniu representantes de diferentes repartições públicas e instituições sociais, que apresentaram o perfil sobre os vários aspectos da violência em Mato Grosso do Sul. Os dados apresentados servirão de ponto de partida para as ações que a Igreja irá realizar no regional durante o próximo ano.

A temática foi discutida durante a 55ª Assembleia Geral Ordinária de Pastoral do Povo De Deus, realizada dentre os dias 14 e 15 de outubro em Campo Grande. A convite de Dom Dimas Lara Barbosa, Arcebispo da Arquidiocese de Campo Grande e presidente do Regional Oeste 1, Bispos e coordenadores de pastorais do regional, participaram das discussões e diante dos altos índices de violência constatados no Estado, os participantes reforçaram a urgência de se trabalhar a superação da violência em todos os aspectos da nossa sociedade.

“As discussões foram ótimas e mostraram a amplitude da realidade do tema que abordaremos na Campanha da Fraternidade do ano que vem. Vimos que a violência é um tema que está presente em todas as comunidades e que acomete todas as realidades. Teremos um grande desafio e um amplo campo de trabalho que contará com a união de todas as pastorais e movimentos da nossa Igreja para juntos darmos um importante passo para a superação da violência e a valorização da vida”, disse Dom Dimas.

Durante as apresentações a presidente da Xaraes Consultoria e Projeto, Aparecida Gonçalves, disse que o Brasil é o quinto país onde mais se mata mulher, sendo que as cidades sul-mato-grossenses de Aparecida do Taboado, Amambai e Caarapó estão entre as 100 cidades brasileiras com a maior incidência de assassinatos de mulheres.

Sobre a juventude, a promotora Vera Aparecida Cardoso Bogalho Frost Vieira, titular da Promotoria da Infância e Juventude de Campo Grande, comentou que vê a urgência da elaboração de políticas públicas que atuem de forma preventiva. Segundo ela, grande parte dos adolescentes que cometem infrações e são encaminhados para as Unidades de Educação de Internação em Mato Grosso do Sul, têm em comum a desestabilização familiar e o uso de drogas. A partir desses índices, as infrações avançam para roubos, tráfico e até mesmo, latrocínio.

O juiz federal aposentado, Odilon de Oliveira, que também participou dos painéis, enfatizou a necessidade do fortalecimento da Família, tendo em vista, que ela é a matriz geradora da vida e, como muitas crianças têm crescido em um ambiente desestabilizado e repleto de violência, ela acaba refletindo essa criação, dando continuidade a violência e a desvalorização da convivência fraterna e da vida. “Temos que conscientizar os pais de que eles exercem uma função delegada por Deus. Se queremos um futuro melhor, temos que trabalhar no fortalecimento e na valorização das famílias”, disse o ex-juiz federal que viaja o Brasil ministrando palestras.

Outras formas de violência como as mortes no trânsito, atentados aos povos indígenas, aos idosos, às relações sociais e a vida em sua totalidade também foram apresentadas pelo médico psiquiatra, José Carlos Rosa Pires de Souza; o Procurador da República, Emerson Kalif Siqueira; a chefe da divisão de educação do Detran/MS, Inês Pereira Esteves; o membro titular da Comissão Regional de Justiça e Paz, Lairson Palermo e a coordenadora diocesana da Pastoral da Pessoa Idosa, da Diocese de Dourados, Alice Rosa Viegas.

Todos os temas foram debatidos em grupos e servirão de ponto de partida para a elaboração das ações que serão desenvolvidas pela Igreja em Mato Grosso do Sul durante a Campanha da Fraternidade de 2018.

Diác. Roberto Rabelati

 

Ray Santos
jornaldiadia.com.br

Formação CF-2018: Crescer sem Violência, parte 02

Que Exploração é Essa?

Que exploração é essa? – Episódio 01: A denúncia ajuda o próximo
Que exploração é essa? – Episódio 02: Redes hoteleiras
Que exploração é essa? – Episódio 03: Turismo
Que exploração é essa? – Episódio 04: Perigo virtual
Que exploração é essa? – Episódio 05: Quebrando rótulos

Que Exploração é Essa? O Projeto Crescer sem Violência apresenta a série “Que exploração é essa?”, resultado da parceria da Childhood Brasil com o Canal Futura e apoio Unicef Brasil.

Que exploração é essa? – Episódio 01: A denúncia ajuda o próximo
No primeiro episódio, um caminhoneiro viaja com seu filho e eles conhecem uma menina vítima da rede de exploração sexual de crianças e adolescentes.

Que exploração é essa? – Episódio 02: Redes hoteleiras
No segundo episódio da série “Que exploração é essa?”, o caminhoneiro Milton e o seu filho Diego decidem parar para descansar. Quando chegam ao hotel, se deparam com mais uma situação de exploração sexual de crianças e adolescentes, vitimas de uma rede de aliciadores.

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