Pe Spadaro: Papa nos ajuda a viver a proximidade também nas redes sociais

“Comunicar na cultura digital”. Este é o tema do seminário realizado na Pontifícia Universidade “Santa Croce”, em Roma, promovido pela Embaixada do Reino Unido junto à Santa Sé.

No evento pronunciaram-se, entre outros, o Embaixador Sally Axworthy, o Prof. Tom Flechter e o Diretor da “La Civiltà Cattolica”, Padre Antonio Spadaro, que em uma entrevista, falou sobre as características da comunicação digital e a contribuição que o Papa Francisco está oferecendo a esta nova dimensão, cada vez mais importante na vida de milhares de pessoas:

“A cultura digital nasce dentro de um ambiente que é precisamente o ambiente criado pelas redes sociais e pela rede. Assim, para compreender os valores é necessário viver dentro dela: é uma forma de enculturação, que cada um de nós deve fazer, porque a Rede não é mais uma opção, mas um dado de fato”.

Neste sentido, que contribuição está dando a Igreja – e em particular o Papa Francisco – para tornar a internet mais humana?

“A coisa mais importante é não considerar a internet como um instrumento, portanto, não considerá-la como uma realidade de fios, de cabos, de modem, de computador, mas como uma rede de pessoas. No fundo, o conceito mais importante que ele expressou sobre a Rede é que a Rede é um lugar de proximidade, isto é, de vizinhança. Então, tudo isto que torna o contato entre as pessoas autêntico, verdadeiro, solidário, tudo isto corresponde à vocação que tem a Rede; tudo, pelo contrário, que divide, separa, cria ódio e vê, considera a Rede simplesmente como um instrumento para impor a si mesmo, isto não serve, está fora do plano de Deus sobre a comunicação humana”.

Ainda existe dificuldade, não somente no mundo católico, em compreender que não existe uma distinção entre real e virtual, que o digital é somente uma outra dimensão da vida…

“Exatamente. É preciso evitar considerar a realidade digital como algo de virtual, isto é, substancialmente como não real, de não verdadeiro, de não autêntico. O ambiente em que vivemos é um ambiente físico, um ambiente digital e os dois ambientes têm características diferentes, mas ambos são reais; não considerar isto, significa replicar uma esquizofrenia que depois, tem consequências desastrosas!”

 

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Alemanhã: reunião do Conselho internacional de cristãos e judeus

Teve início, neste domingo (02/07), em Bonn, na Alemanha, a reunião anual do Conselho internacional de cristãos e judeus, dedicada aos 500 anos da Reforma Protestante.

“As religiões têm uma dívida de reconhecimento para com os pioneiros da reconciliação”, disse o Presidente da Conferência Episcopal Alemã, Cardeal Reinhard Marx, na abertura do encontro intitulado “Martinho Lutero e os 500 anos de tradição e reforma no judaísmo e no cristianismo”.

O purpurado manifestou sua gratidão aos pioneiros da reconciliação que tiveram “a coragem de iniciar um diálogo cujo futuro ninguém poderia prever. Gratidão também pela paciência com a qual suportaram o ceticismo e as críticas”.

“A sua coragem e paciência deram muitos frutos, dentre os quais, o fato de que a Teologia, a catequese e a pregação terem sido enriquecidas pelo diálogo com o judaísmo. Houve uma melhor compreensão da fé cristã e uma nova convivência cordial entre cristãos e judeus”, sublinhou o purpurado.

O Cardeal Marx elogiou o fato de a Igreja Evangélica Alemã ter enfrentado abertamente e criticamente o antijudaísmo de Martinho Lutero e a distância que tomou dele. “Este fato nos incentiva a prosseguir nesse caminho com paciência e perseverança”, frisou.

Os trabalhos do Conselho internacional de cristãos e judeus continuam até a próxima quarta-feira, 5 de julho.

 

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Artigo: O Papa

A liturgia católica celebra no dia 29 de junho, ou no domingo seguinte, os apóstolos São Pedro e São Paulo. São dois personagens fundamentais na história do cristianismo e da Igreja. No mesmo dia, a Igreja convida os fiéis católicos a rezarem pelo papa, o sucessor de São Pedro. Além de ser um dia de oração, também é dia de reflexão sobre o serviço papal.

Onde reside a grandeza de São Pedro e São Paulo? Por que são recordados depois de tanto tempo? A distância do tempo pode levar à ilusão de que estamos diante de personagens que nasceram prontos. Porém, as poucas palavras escritas sobre suas vidas revelam, claramente, profundas mudanças nas escolhas, na adesão ao projeto de Jesus Cristo e no exercício da missão. Ambos foram se convertendo de tal modo que Jesus Cristo se tornou o centro de suas vidas. Diante da insistente pergunta de Jesus (cf. João 21, 15-18) “Simão, filho de João, tu me amas”? Pedro responde: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo. Jesus lhe disse: cuida das minhas ovelhas”. São Paulo, depois de anos de ministério apostólico, confessa, escrevendo aos Filipenses 1,21: “Para mim, de fato, o viver é Cristo e o morrer é lucro”. Pedro e Paulo marcam a história por causa desta opção de vida.

O papa Francisco é o papa de número 266. Muitos papas foram canonizados, outros exerceram com dignidade e competência a missão e alguns não foram dignos e fiéis ao cargo. A exemplo de São Pedro e São Paulo, cada papa tem uma história de vida pessoal: uma origem familiar, uma nacionalidade, um processo formativo, um contexto histórico. Nenhum deles nasceu pronto e nenhum foi perfeito.

Tendo como referência os apóstolos Pedro e Paulo e a história da Igreja, duas características foram e são fundamentais nos papas: homens de profunda fé e de um grande zelo pastoral. Os papas que viveram deste modo, hoje são reconhecidos e elogiados. Para exemplificar, fica mais fácil falar dos papas recentes. Na agenda diária destes papas, o tempo e o espaço dedicado à oração, à celebração eucarística diária e aos exercícios espirituais não cede espaço para audiências com personalidades religiosas ou civis. Cultivam a intimidade com Deus diariamente. É só observar como os papas se comportam nas grandes celebrações públicas. Não entram como astros que atraem sobre si a atenção, pois tem consciência que devem apontar para quem é maior e a quem estão servindo.

Como segunda característica é o zelo pastoral e para exercê-lo é preciso estar com os pés no chão, no tempo presente. Conduzir a Igreja, num mundo tão vasto e plural, exige muita sabedoria e determinação. A missão fundamental da Igreja é evangelizar e esta tem inúmeros desafios internos e externos. Os papas com suas palavras e exortações apostólicas oferecem caminhos seguros. Também, o pastoreio envolve a organização estrutural da Igreja, que constantemente necessita ser revisada e corrigida. Envolve a escolha de pessoas ou a remoção de pessoas que não estão no rumo certo, tarefa sempre complexa e, muitas vezes, conflitiva. Não pode faltar a atenção e o posicionamento diante dos grandes acontecimentos e problemas do mundo.

O papa Francisco é exemplar na fé e na pastoral. Isto alegra a Igreja Católica e, certamente, muitas pessoas que comungam do mesmo ideal.

 

Dom Rodolfo Luís Weber / Arcebispo de Passo Fundo

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A condição do discípulo exige uma relação prioritária com o mestre

“A condição do discípulo exige uma relação prioritária com o mestre”, um vínculo de amor que faz com que este seja “um representante dele, um “embaixador” dele, sobretudo com o modo de ser, de viver”.

Ao dirigir-se aos milhares de peregrinos e turistas reunidos na Praça São Pedro para o Angelus dominical, o Papa destacou “os aspectos essenciais para a vida do discípulos missionários”.

Para tal, Francisco inspirou sua reflexão no capítulo 10 do Evangelho de São Mateus, onde “Jesus instrui os doze apóstolos no momento em que, pela primeira vez, os envia em missão aos povoados da Galileia e da Judéia”.

O Papa observa que na parte final da passagem, Jesus sublinha dois aspectos essenciais para a vida do discípulo missionário:

“O primeiro, que a sua ligação com Jesus seja mais forte do que qualquer outra ligação; o segundo, que o missionário não leve a si mesmo, mas Jesus, e por meio d’Ele, o amor do Pai celeste. Estes dois aspectos estão ligados, porque quanto mais Jesus está no centro do coração e da vida do discípulo, mais este discípulo é “transparente” a sua presença. Estas duas coisas caminham juntas”.

O Papa explica que quando Jesus diz que “Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim”, não quer dizer que isto não seja bom e legítimo, que “Ele nos queira sem coração e privados de reconhecimento”, mas que isto “não pode se antepor a Cristo”, “porque a condição do discípulo exige uma relação prioritária com o mestre”, tornando-se um com Ele:

“Quem se deixa atrair por este vínculo de amor e de vida com o Senhor Jesus torna-se um representante seu, um “embaixador” seu, sobretudo com o modo de ser, de viver. A tal ponto, que Jesus mesmo, enviando os discípulos em missão, diz a eles: “Quem vos recebe, a mim recebe. E quem me recebe, recebe aquele que me enviou””.

Assim – prossegue o Papa – “é necessário que as pessoas possam perceber que para aquele discípulo, Jesus é realmente “o Senhor”, é realmente o centro, o tudo da vida. Não importa se depois, como toda pessoa humana, tenha os seus limites e também os seus erros – desde que tenha a humildade de reconhecê-los; o importante é que não tenha o coração duplo, isto é perigoso”, adverte Francisco. Não deve ter um coração duplo, mas um coração simples, unido; que não tenha o pé em dois calçados, mas seja honesto consigo mesmo e com os outros”:

“A duplicidade não é cristã. Por isto Jesus reza ao Pai para que os discípulos não caiam no espírito do mundo. Ou estás com Jesus, com o espírito de Jesus, ou estás com o espírito do mundo”.

Nisto o Papa ressalta que “a experiência de sacerdotes nos ensina uma coisa muito bonita e uma coisa muito importante: é justamente esta acolhida do santo povo fiel de Deus, é justamente o “copo de água fresca” – do qual fala hoje o Evangelho – dado com fé afetuosa, que te ajuda a ser um bom padre:

“Há uma reciprocidade também na missão: se tu deixas tudo por Jesus, as pessoas reconhecem em ti o Senhor; mas ao mesmo tempo te ajuda a te converteres cada dia a Ele, a te renovar e purificar dos pactos e a superar as tentações. Quanto mais um sacerdote é próximo ao povo de Deus, tanto mais se sentirá próximo a Jesus. E quanto mais um sacerdote é próximo a Jesus, tanto mais se sentirá próximo ao povo de Deus”.

“A Virgem Maria – concluiu o Papa – experimentou em primeira pessoa o que significa amar Jesus separando-se de si mesma, dando um novo sentido às ligações familiares, a partir da fé n’Ele. Que a sua materna intercessão, nos ajude a sermos livres e alegres missionários do Evangelho”.

 

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Editorial: A vida cristã é tão simples

Cidade do Vaticano (RV) – Nos dias passados recebendo membros do Serra Clube Internacional Francisco cunhou mais uma de suas frases que tocam e ficam gravadas: “melhor caminhar mancando do que permanecer parados fechados no próprio nicho”. O Papa disse que é muito triste ver homens e mulheres de igreja que não sabem ceder o seu lugar, reafirmando que o cristão deve sempre colocar em discussão si mesmo se deseja viver verdadeiramente o encontro com Cristo.

Francisco convida todo cristão a sair de si mesmo para iniciar a viver a festa do encontro com Cristo e percorrer as estradas às quais ele envia todos nós. Mas para caminhar, – fez uma advertência -, é preciso colocar-se em discussão: “Não avança em direção da meta quem tem medo de perder si mesmo”.

Nenhum navio navegaria em alto mar se tivesse medo de deixar a segurança do porto. Da mesma maneira, nenhum cristão pode entrar na experiência transformadora do amor de Deus se não estiver disposto a colocar em discussão si mesmo, se continuar ligado aos próprios projetos e às próprias aquisições consolidadas.

O cristão, ao invés, “sabe poder descobrir as surpreendentes iniciativas de Deus quando tem a coragem de ousar, quando não permite ao medo de prevalecer sobre a criatividade”. Quando não se fecha diante das novidades e sabe abraçar os desafios que o Espírito apresenta, até mesmo quando lhe pedem para mudar de direção e sair dos esquemas.

É melhor caminhar mancando, às vezes caindo, mas confiando sempre na misericórdia de Deus, do que ser “cristãos de museus”, que temem as mudanças e que, recebendo um carisma ou uma vocação, ao invés, de colocar-se ao serviço da eterna novidade do Evangelho, defendem si mesmos e os próprios cargos.

O Papa Francisco, olhando para dentro de casa disse como é triste ver que, às vezes, precisamente os homens de Igreja não sabem ceder o seu lugar, não conseguem deixar as suas tarefas com serenidade; fadigam para deixar nas mãos dos outros as obras que Deus lhe confiou.

Celebrando a Santa Missa nos dias passados na capela da Casa Santa Marta, Francisco voltou a tocar a tecla sobre o estilo do cristão. “O cristão verdadeiro – disse – não é aquele que se instala e fica parado, mas aquele que confia em Deus e se deixa guiar num caminho aberto às surpresas do Senhor”.

O ser cristão tem sempre a dimensão do despojamento. Os cristãos, acrescentou o Papa, “devem ter a capacidade de serem despojados, caso contrário não são cristãos autênticos, como não são aqueles que não se deixam despojar e crucificar com Jesus.

“O cristão não tem um horóscopo para ver o futuro. Não procura a necromante que tem a bola de cristal, para que leia a sua mão. Não. Não sabe aonde vai. Deve ser guiado. Somos homens e mulheres que caminham para uma promessa, para um encontro, para algo”.

O caminho começa todos os dias na parte da manhã; o caminho de confiar em Deus; o caminho aberto às surpresas do Senhor, muitas vezes não boas, muitas vezes feias.

Muitas vezes, acrescenta o Pontífice, estamos acostumados “a não falar bem” do próximo, quando “a língua se move um pouco como quer”, em vez de seguir o mandamento de Deus de caminhar, deixando-se “despojar” pelo Senhor e confiando em suas promessas, para sermos irrepreensíveis. Pensamentos profundos a serem resumidos em poucas palavras: a vida cristã é “tão simples”, basta vivê-la com intensidade. (Silvonei José)

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