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Apresentação de D. Leonardo Steiner da CF 2015

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“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Me 1 0,45).

Vida que resgata vidas! O Crucificado como servo das dores! A morte que liberta da escravidão e concede a dignidade de servir como Deus serve! Deus servo, Jesus Cristo, que concede a toda pessoa batizada o dom de ser serviço para os irmãos e irmãs.

Quaresma é tempo de abertura para o mistério da dor e da morte, da cruz, do Crucificado. Nele, somos conduzidos à graça da vida plena, à ressurreição. Ressurreição, transformação no mistério da dor, da morte, da Cruz. Quaresma, caminho de identificação com Cristo, pede de nós jejum, oração, esmola.

Jejum é um abster-se, um esvaziar-se, um abrir-se. No vazio de nós mesmos, somos fecundados pela suavidade da gratuidade. Jesus crucificado, vazio de si, é entrega suave-sofrida ao Pai: “em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46). No jejum, somos reintegrados!

A oração é aproximação, nova relação, exposição, busca de atingimento pela amorosidade de Deus. Uma quase súplica de afeto e de amor: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?” (Mt 27,46). A busca de coração pelo Pai. Quanta intimidade!

A esmola, partilha de vida, cuidado amoroso, liberdade de entrega, serviço! A esmola é envio para o próximo. Encontro com aqueles que o Estado e a sociedade não querem (Madre Teresa de Calcutá). Esmola, exercício para o crescimento e fidelidade da nossa filiação divina: sermos bons e generosos como Deus o é.

A conversão, a mudança de vida que a Quaresma possibilita, é um itinerário de libertação pessoal, comunitário e social. A Campanha da Fraternidade 2015 nos convida a refletir, meditar e rezar a relação entre Igreja e sociedade. O tema é “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, e o lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10,45). A Campanha vai ajudar-nos a “aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus” (Objetivo Geral da CF 2015).

Sociedade vem de socius e id. Id, idade, que diz da força, vigor; força e vigor do socius. Socius é o companheiro. A força que faz e deixa ser companheiro. Companheiros, os que, unidos pela mesma força e vigor, formam um grupo. Os que estão unidos pela mesma força e vigor formam a sociedade. As pessoas que têm mesma pertença e buscam viver e conviver com um modo próprio de organização, formam uma sociedade. As pessoas também recriam a sociedade. Porque formada por pessoas, a sociedade é viva, se transforma. Uma sociedade é sociedade quando todos participam do conviver e do decidir e não permitem que uma pessoa seja excluída. Para que a sociedade possa existir e persistir, deixa-se guiar por valores fundamentais de Justiça, de Fraternidade, de Paz.

O Concílio Ecumênico Vaticano II recordou que a Igreja é Reino de Deus, Povo de Deus. “Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou na terra o Reino dos céus, revelou-nos Seu mistério e, por Sua obediência, realizou a redenção. O Reino de Deus, já presente em mistério pelo poder de Deus, cresce visivelmente no mundo”(1) “O Senhor Jesus iniciou a sua Igreja, pregando a Boa-Nova, isto é, o advento do Reino de Deus (…). Este Reino manifestou-se lucidamente aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo'(2). Com a vinda do Espírito Santo, poderíamos dizer que se completaram os tempos.

Assim, a Igreja é o novo Povo de Deus, a comunidade dos que creem. “Deus convocou e constituiu a Igreja – Comunidade congregada por aqueles que, crendo, voltam seu olhar a Jesus, autor da salvação e princípio da unidade”(3). Aqueles que têm seu olhar fixo em Jesus vivem na sociedade. Eles compõem com outras pessoas a sociedade. Os cristãos, como participantes da sociedade, levam seus valores e compromissos, ajudam a construir uma sociedade justa, fraterna e de paz.

A Igreja, as comunidades de fé, os cristãos, são ativos na sociedade. Eles, pelo diálogo e pela caridade, cuidam das pessoas que são excluídas da sociedade. Ao mesmo tempo, participam ativamente das discussões e proposições que visam o bem de todos. Como nos diz o Papa Francisco: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta, e Jesus repete-nos sem cessar: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6,37)(4).

A Campanha da Fraternidade deste ano será uma oportunidade de retomarmos os ensinamentos do Concílio Vaticano 11. Ensinamentos que nos levam a ser uma Igreja atuante, participativa, consoladora, misericordiosa, samaritana. Sabemos que todas as pessoas que formam a sociedade são filhos e filhas de Deus. Por isso, os cristãos trabalham para que as estruturas, as normas, a organização da sociedade estejam a serviço de todos. Na sociedade, a Igreja, as comunidades desejam seguir a Jesus: vim “para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45).

Maria, Mãe de Deus e nossa, nos acompanhe na caminhada quaresmal, para sermos sempre mais a presença da Igreja que serve a todos. Caminhemos todos com Jesus para Jerusalém e participemos com Ele da dor, da morte e da ressurreição.

  1. DOCUMENTO CONCILIAR. Constituição Dogmática Lumem Gentium. n. 3.
  2. Idem. n. 5.
  3. Idem. n. 9.
  4. Cf. PAPA FRANCISCO. Exortação apostólica Evangelii Gaudium. Brasília: Edições CNBB, 2013. 1ª Edição. n. 49.

Abençoada Quaresma e Feliz Páscoa!

 

Apresentação de D. Leonardo Steiner da CF 2015
Dom Leonardo Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

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Os melhores materiais para a Campanha da Fraternidade 2015

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Fraternidade, Igreja e Sociedade

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Estudo da CF 2015

(Artigo exclusivo)

A Campanha da Fraternidade deste ano de 2015 vem lembrar a importância do serviço com o lema tirado das palavras de Cristo: “Eu vim para servir” (Mc 10,45). O tema é este: “Fraternidade, Igreja e Sociedade”. Uma Igreja a serviço de uma sociedade mais humana, mais justa, menos desigual. Jesus preceituou aos seus seguidores: “O que for maior entre vós, será vosso servo” (Mt 23,11). Em toda e qualquer atividade o ser humano está, quer queira quer não, servindo seu semelhante. Quando, porém, no outro se contempla o Mestre divino tudo tem um valor transcendente e motiva a um serviço realizado comcompetência e total eficiência. O serviço prestado na ótica cristã é a expressão concreta do amor. É o que queria dizer o Apóstolo Paulo ao declarar: “Pela caridade colocai-vos a serviço uns dos outros” (Gl 5,13). Trata-se da caridade, da fraternidade que são características da Igreja, sinais visíveis da dileção divina encarnada no Redentor imolado pela humanidade. Este serviço se expressa na humildade e na obediência ao desígnio de Deus, “porque somos obra sua, criados em Jesus Cristo para fazer boas obras” (Fl 2, 16).

Isto, na verdade, com total disponibilidade que chega até a imolação, como o fez Cristo “que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para redenção de muitos” (Mt 20,28). Além do mais, cumpre o compartilhamento do júbilo, da dor, das exigências e das aspirações de toda pessoa, como Paulo ensinou aos romanos e coríntios (Rm 12,15; 1 Cor 9, 19-23). Esta doutrina foi inclusive recordada pelo Concílio Ecumênico na Gaudium et Spes, mostrando que “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de nosso tempo, sobretudo dos pobres e dos que sofrem, são simultaneamente as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo. Nada há de verdadeiramente humano que não encontre eco em seu coração” (GS 1).

São os muitos aspectos do serviço universal dos cristãos, sinal sacramental do batismo. É que o Messias já havia sido anunciado no Antigo Testamento como o servo de Iahweh e dos homens (Is 52,13; 53,12) e o cristão é outro Cristo. Dentro desta teologia do serviço não se pode esquecer um aspecto salientado pela Igreja Oriental, isto é, tudo que foi criado está a serviço do ser racional. O mundo reflete a sabedoria divina e deve ser um grande espetáculo para elevar a alma até o Criador, guiando a mente humana para o Invisível por meio das coisas visíveis num cosmos que patenteia a Sabedoria divina. Todas as plantas, as montanhas, os rios, os mares, as flores, as pedras, os vales, o ar, tudo, está a serviço do homem. Exemplo magnífico que flui da natureza na qual tudo também é préstimo. Deste modo há uma total espiritualização do serviço que deixa de ser considerado como uma atividade humana de mero assistencialismo, mas o cerne mesmo de toda ação que se torna ocasião para o testemunho de uma doação completa, visando uma sociedade verdadeiramente cristã.

É que o serviço cristão é uma participação concreta da benevolência de Cristo, possuindo eficácia salvífica e promocional para o outro e para a comunidade. Busca afetuosa das indigências concretas e sempre novas das pessoas e da sociedade na qual cada um está inserido com tarefas específicas, mas indispensáveis para o bem comum. Daí a importância capital dos estudantes de qualquer nível ou profissão, pois estão num estágio de preparação para bem poder servir como profissionais aptos ao progresso de todos. O fundamento desta realidade é que o verdadeiro dom do serviço é a necessidade alheia. Todo e qualquer obséquio visa intrinsecamente a promoção do semelhante e abrange o trabalho de cada um a cada instante. A pluralidade dos carismas outorgados pelo Espírito Santo faz, porém, com que se multipliquem os serviços, sobretudo no que tange a ajuda pastoral nas múltiplas atividades eclesiais, nas obras de misericórdia quer pessoais, quer organizadas, com as quais os batizados, imitando o samaritano (Lc 10,29-37) do Evangelho, se voltam sobre as pessoas feridas, excluídas, massacradas, levando-lhes socorro e ajuda oportunos. Lição, importantíssima, portanto, a que legou Jesus a seus epígonos, lembrando a todos este ano através do hino da Campanha da Fraternidade deste: “Quero uma igreja solidária / servidora e missionária/que anuncia e saiba ouvir/ a lutar por dignidade/ por justiça e igualdade/ pois “eu vim para servir”. Saibamos corresponder a esta sua sublime mensagem e estaremos construindo um mundo melhor.

Fraternidade, Igreja e Sociedade
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor do Seminário de Mariana durante 40 anos.

Não deixe que ninguém tire a sua esperança.

Santo Padre encaminha mensagem Campanha da Fraternidade

brasao_papa Mensagem do Papa Francisco por ocasião da Campanha da Fraternidade 2015

Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Aproxima-se a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa: tempo de penitência, oração e caridade, tempo de renovar nossas vidas, identificando-nos com Jesus através da sua entrega generosa aos irmãos, sobretudo aos mais necessitados. Neste ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, inspirando-se nas palavras d’Ele “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45), propõe como tema de sua habitual Campanha “Fraternidade: Igreja e Sociedade”.

De fato a Igreja, enquanto “comunidade congregada por aqueles que, crendo, voltam o seu olhar a Jesus, autor da salvação e princípio da unidade” (Const. Dogmática Lumen gentium, 3), não pode ser indiferente às necessidades daqueles que estão ao seu redor, pois, “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (Const. Pastoral Gaudium et spes, 1). Mas, o que fazer? Durante os quarenta dias em que Deus chama o seu povo à conversão, a Campanha da Fraternidade quer ajudar a aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a Sociedade – propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II – como serviço de edificação do Reino de Deus, no coração e na vida do povo brasileiro.

A contribuição da Igreja, no respeito pela laicidade do Estado (cfr. Idem, 76) e sem esquecer a autonomia das realidades terrenas (cfr. Idem, 36), encontra forma concreta na sua Doutrina Social, com a qual quer “assumir evangelicamente e a partir da perspectiva do Reino as tarefas prioritárias que contribuem para a dignificação do ser humano e a trabalhar junto com os demais cidadãos e instituições para o bem do ser humano” (Documento de Aparecida, 384). Isso não é uma tarefa exclusiva das instituições: cada um deve fazer a sua parte, começando pela minha casa, no meu trabalho, junto das pessoas com quem me relaciono. E de modo concreto, é preciso ajudar aqueles que são mais pobres e necessitados. Lembremo-nos que “cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade; isto supõe estar docilmente atentos, para ouvir o clamor do pobre e socorrê-lo” (Exort. Apost. Evangelii gaudium, 187), sobretudo sabendo acolher, «porque quando somos generosos acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela – um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo – não ficamos mais pobres, mas enriquecemos” (Discurso na Comunidade de Varginha, 25/7/2013). Assim, examinemos a consciência sobre o compromisso concreto e efetivo de cada um na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e pacífica.

Queridos irmãos e irmãs, quando Jesus nos diz “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45), nos ensina aquilo que resume a identidade do cristão: amar servindo. Por isso, faço votos que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, predisponha os corações para a vida nova que Cristo nos oferece, e que a força transformadora que brota da sua Ressurreição alcance a todos em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural e fortaleça em cada coração sentimentos de fraternidade e de viva cooperação. A todos e a cada um, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, envio de todo coração a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

Vaticano, 2 de fevereiro de 2015.

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Apresentação de D. Leonardo Steiner da CF 2015

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“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Me 1 0,45).

Vida que resgata vidas! O Crucificado como servo das dores! A morte que liberta da escravidão e concede a dignidade de servir como Deus serve! Deus servo, Jesus Cristo, que concede a toda pessoa batizada o dom de ser serviço para os irmãos e irmãs.

Quaresma é tempo de abertura para o mistério da dor e da morte, da cruz, do Crucificado. Nele, somos conduzidos à graça da vida plena, à ressurreição. Ressurreição, transformação no mistério da dor, da morte, da Cruz. Quaresma, caminho de identificação com Cristo, pede de nós jejum, oração, esmola.

Jejum é um abster-se, um esvaziar-se, um abrir-se. No vazio de nós mesmos, somos fecundados pela suavidade da gratuidade. Jesus crucificado, vazio de si, é entrega suave-sofrida ao Pai: “em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46). No jejum, somos reintegrados!

A oração é aproximação, nova relação, exposição, busca de atingimento pela amorosidade de Deus. Uma quase súplica de afeto e de amor: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?” (Mt 27,46). A busca de coração pelo Pai. Quanta intimidade!

A esmola, partilha de vida, cuidado amoroso, liberdade de entrega, serviço! A esmola é envio para o próximo. Encontro com aqueles que o Estado e a sociedade não querem (Madre Teresa de Calcutá). Esmola, exercício para o crescimento e fidelidade da nossa filiação divina: sermos bons e generosos como Deus o é.

A conversão, a mudança de vida que a Quaresma possibilita, é um itinerário de libertação pessoal, comunitário e social. A Campanha da Fraternidade 2015 nos convida a refletir, meditar e rezar a relação entre Igreja e sociedade. O tema é “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, e o lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10,45). A Campanha vai ajudar-nos a “aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus” (Objetivo Geral da CF 2015).

Sociedade vem de socius e id. Id, idade, que diz da força, vigor; força e vigor do socius. Socius é o companheiro. A força que faz e deixa ser companheiro. Companheiros, os que, unidos pela mesma força e vigor, formam um grupo. Os que estão unidos pela mesma força e vigor formam a sociedade. As pessoas que têm mesma pertença e buscam viver e conviver com um modo próprio de organização, formam uma sociedade. As pessoas também recriam a sociedade. Porque formada por pessoas, a sociedade é viva, se transforma. Uma sociedade é sociedade quando todos participam do conviver e do decidir e não permitem que uma pessoa seja excluída. Para que a sociedade possa existir e persistir, deixa-se guiar por valores fundamentais de Justiça, de Fraternidade, de Paz.

O Concílio Ecumênico Vaticano II recordou que a Igreja é Reino de Deus, Povo de Deus. “Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou na terra o Reino dos céus, revelou-nos Seu mistério e, por Sua obediência, realizou a redenção. O Reino de Deus, já presente em mistério pelo poder de Deus, cresce visivelmente no mundo”(1) “O Senhor Jesus iniciou a sua Igreja, pregando a Boa-Nova, isto é, o advento do Reino de Deus (…). Este Reino manifestou-se lucidamente aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo'(2). Com a vinda do Espírito Santo, poderíamos dizer que se completaram os tempos.

Assim, a Igreja é o novo Povo de Deus, a comunidade dos que creem. “Deus convocou e constituiu a Igreja – Comunidade congregada por aqueles que, crendo, voltam seu olhar a Jesus, autor da salvação e princípio da unidade”(3). Aqueles que têm seu olhar fixo em Jesus vivem na sociedade. Eles compõem com outras pessoas a sociedade. Os cristãos, como participantes da sociedade, levam seus valores e compromissos, ajudam a construir uma sociedade justa, fraterna e de paz.

A Igreja, as comunidades de fé, os cristãos, são ativos na sociedade. Eles, pelo diálogo e pela caridade, cuidam das pessoas que são excluídas da sociedade. Ao mesmo tempo, participam ativamente das discussões e proposições que visam o bem de todos. Como nos diz o Papa Francisco: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta, e Jesus repete-nos sem cessar: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6,37)(4).

A Campanha da Fraternidade deste ano será uma oportunidade de retomarmos os ensinamentos do Concílio Vaticano 11. Ensinamentos que nos levam a ser uma Igreja atuante, participativa, consoladora, misericordiosa, samaritana. Sabemos que todas as pessoas que formam a sociedade são filhos e filhas de Deus. Por isso, os cristãos trabalham para que as estruturas, as normas, a organização da sociedade estejam a serviço de todos. Na sociedade, a Igreja, as comunidades desejam seguir a Jesus: vim “para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45).

Maria, Mãe de Deus e nossa, nos acompanhe na caminhada quaresmal, para sermos sempre mais a presença da Igreja que serve a todos. Caminhemos todos com Jesus para Jerusalém e participemos com Ele da dor, da morte e da ressurreição.

  1. DOCUMENTO CONCILIAR. Constituição Dogmática Lumem Gentium. n. 3.
  2. Idem. n. 5.
  3. Idem. n. 9.
  4. Cf. PAPA FRANCISCO. Exortação apostólica Evangelii Gaudium. Brasília: Edições CNBB, 2013. 1ª Edição. n. 49.

Abençoada Quaresma e Feliz Páscoa!

 

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Dom Leonardo Steiner

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(Artigo exclusivo)

A Campanha da Fraternidade deste ano de 2015 vem lembrar a importância do serviço com o lema tirado das palavras de Cristo: “Eu vim para servir” (Mc 10,45). O tema é este: “Fraternidade, Igreja e Sociedade”. Uma Igreja a serviço de uma sociedade mais humana, mais justa, menos desigual. Jesus preceituou aos seus seguidores: “O que for maior entre vós, será vosso servo” (Mt 23,11). Em toda e qualquer atividade o ser humano está, quer queira quer não, servindo seu semelhante. Quando, porém, no outro se contempla o Mestre divino tudo tem um valor transcendente e motiva a um serviço realizado comcompetência e total eficiência. O serviço prestado na ótica cristã é a expressão concreta do amor. É o que queria dizer o Apóstolo Paulo ao declarar: “Pela caridade colocai-vos a serviço uns dos outros” (Gl 5,13). Trata-se da caridade, da fraternidade que são características da Igreja, sinais visíveis da dileção divina encarnada no Redentor imolado pela humanidade. Este serviço se expressa na humildade e na obediência ao desígnio de Deus, “porque somos obra sua, criados em Jesus Cristo para fazer boas obras” (Fl 2, 16).

Isto, na verdade, com total disponibilidade que chega até a imolação, como o fez Cristo “que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para redenção de muitos” (Mt 20,28). Além do mais, cumpre o compartilhamento do júbilo, da dor, das exigências e das aspirações de toda pessoa, como Paulo ensinou aos romanos e coríntios (Rm 12,15; 1 Cor 9, 19-23). Esta doutrina foi inclusive recordada pelo Concílio Ecumênico na Gaudium et Spes, mostrando que “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de nosso tempo, sobretudo dos pobres e dos que sofrem, são simultaneamente as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo. Nada há de verdadeiramente humano que não encontre eco em seu coração” (GS 1).

São os muitos aspectos do serviço universal dos cristãos, sinal sacramental do batismo. É que o Messias já havia sido anunciado no Antigo Testamento como o servo de Iahweh e dos homens (Is 52,13; 53,12) e o cristão é outro Cristo. Dentro desta teologia do serviço não se pode esquecer um aspecto salientado pela Igreja Oriental, isto é, tudo que foi criado está a serviço do ser racional. O mundo reflete a sabedoria divina e deve ser um grande espetáculo para elevar a alma até o Criador, guiando a mente humana para o Invisível por meio das coisas visíveis num cosmos que patenteia a Sabedoria divina. Todas as plantas, as montanhas, os rios, os mares, as flores, as pedras, os vales, o ar, tudo, está a serviço do homem. Exemplo magnífico que flui da natureza na qual tudo também é préstimo. Deste modo há uma total espiritualização do serviço que deixa de ser considerado como uma atividade humana de mero assistencialismo, mas o cerne mesmo de toda ação que se torna ocasião para o testemunho de uma doação completa, visando uma sociedade verdadeiramente cristã.

É que o serviço cristão é uma participação concreta da benevolência de Cristo, possuindo eficácia salvífica e promocional para o outro e para a comunidade. Busca afetuosa das indigências concretas e sempre novas das pessoas e da sociedade na qual cada um está inserido com tarefas específicas, mas indispensáveis para o bem comum. Daí a importância capital dos estudantes de qualquer nível ou profissão, pois estão num estágio de preparação para bem poder servir como profissionais aptos ao progresso de todos. O fundamento desta realidade é que o verdadeiro dom do serviço é a necessidade alheia. Todo e qualquer obséquio visa intrinsecamente a promoção do semelhante e abrange o trabalho de cada um a cada instante. A pluralidade dos carismas outorgados pelo Espírito Santo faz, porém, com que se multipliquem os serviços, sobretudo no que tange a ajuda pastoral nas múltiplas atividades eclesiais, nas obras de misericórdia quer pessoais, quer organizadas, com as quais os batizados, imitando o samaritano (Lc 10,29-37) do Evangelho, se voltam sobre as pessoas feridas, excluídas, massacradas, levando-lhes socorro e ajuda oportunos. Lição, importantíssima, portanto, a que legou Jesus a seus epígonos, lembrando a todos este ano através do hino da Campanha da Fraternidade deste: “Quero uma igreja solidária / servidora e missionária/que anuncia e saiba ouvir/ a lutar por dignidade/ por justiça e igualdade/ pois “eu vim para servir”. Saibamos corresponder a esta sua sublime mensagem e estaremos construindo um mundo melhor.

Fraternidade, Igreja e Sociedade
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor do Seminário de Mariana durante 40 anos.

Não deixe que ninguém tire a sua esperança.

Santo Padre encaminha mensagem Campanha da Fraternidade

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Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Aproxima-se a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa: tempo de penitência, oração e caridade, tempo de renovar nossas vidas, identificando-nos com Jesus através da sua entrega generosa aos irmãos, sobretudo aos mais necessitados. Neste ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, inspirando-se nas palavras d’Ele “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45), propõe como tema de sua habitual Campanha “Fraternidade: Igreja e Sociedade”.

De fato a Igreja, enquanto “comunidade congregada por aqueles que, crendo, voltam o seu olhar a Jesus, autor da salvação e princípio da unidade” (Const. Dogmática Lumen gentium, 3), não pode ser indiferente às necessidades daqueles que estão ao seu redor, pois, “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (Const. Pastoral Gaudium et spes, 1). Mas, o que fazer? Durante os quarenta dias em que Deus chama o seu povo à conversão, a Campanha da Fraternidade quer ajudar a aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a Sociedade – propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II – como serviço de edificação do Reino de Deus, no coração e na vida do povo brasileiro.

A contribuição da Igreja, no respeito pela laicidade do Estado (cfr. Idem, 76) e sem esquecer a autonomia das realidades terrenas (cfr. Idem, 36), encontra forma concreta na sua Doutrina Social, com a qual quer “assumir evangelicamente e a partir da perspectiva do Reino as tarefas prioritárias que contribuem para a dignificação do ser humano e a trabalhar junto com os demais cidadãos e instituições para o bem do ser humano” (Documento de Aparecida, 384). Isso não é uma tarefa exclusiva das instituições: cada um deve fazer a sua parte, começando pela minha casa, no meu trabalho, junto das pessoas com quem me relaciono. E de modo concreto, é preciso ajudar aqueles que são mais pobres e necessitados. Lembremo-nos que “cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade; isto supõe estar docilmente atentos, para ouvir o clamor do pobre e socorrê-lo” (Exort. Apost. Evangelii gaudium, 187), sobretudo sabendo acolher, «porque quando somos generosos acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela – um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo – não ficamos mais pobres, mas enriquecemos” (Discurso na Comunidade de Varginha, 25/7/2013). Assim, examinemos a consciência sobre o compromisso concreto e efetivo de cada um na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e pacífica.

Queridos irmãos e irmãs, quando Jesus nos diz “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45), nos ensina aquilo que resume a identidade do cristão: amar servindo. Por isso, faço votos que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, predisponha os corações para a vida nova que Cristo nos oferece, e que a força transformadora que brota da sua Ressurreição alcance a todos em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural e fortaleça em cada coração sentimentos de fraternidade e de viva cooperação. A todos e a cada um, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, envio de todo coração a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

Vaticano, 2 de fevereiro de 2015.

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