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O Santo de Deus

Comunhão

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”

Jesus havia declarado: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54). Então muitos dos seus discípulos ao ouvirem estas palavras disseram: “É dura tal linguagem, quem pode escutá-la?” (Jo 6, 60). Isto significa que estes não haviam compreendido imediatamente a grande revelação do Mestre divino. Em Israel durante séculos todo sacrifício ao Ser Supremo passava por uma destruição. Com efeito, o trigo e outros produtos do solo eram queimados e sangue derramado de um ser vivo era também oferecido à divindade. Jesus iria estabelecer um novo ritual para o culto divino. Seu corpo e sangue, que seriam imolados no Calvário em reparação dos pecados da humanidade, ficariam presentes entre os homens sob os acidentes do pão e do vinho. Deste modo, os fiéis através dos tempos se uniriam a seu sacrifício através da Eucaristia. Esta seria seu legado supremo de amor, isto é, sacrifício, imolação incruenta do Gólgota e sacramento no qual Ele entraria em comunhão com os que nele cressem. Presença permanente que seria verdadeira, imediata, intensamente pessoal.

Num gesto de incomensurável dileção na última ceia ele tornou o pão e o vinho e os transubstanciou em seu corpo, sangue alma e divindade. Eis por que Ele podia dizer: “Se vós não comerdes a carne do Filho do homem, vós não tereis a vida em vós”! Quem não tivesse fé só contemplaria sempre pão e vinho, pois não penetrariam nunca no mistério das palavras de Jesus. Por esta razão a Eucaristia seria atraente para quem acreditasse, opaca para os sem fé. Ela uniria os autênticos seguidores de Cristo e manteria muitos que se dizem cristãos longe da presença real do Redentor. Para os católicos as sentenças de Jesus no Cenáculo seriam espírito e vida porque eles atravessariam pela fé os sinais do pão e do vinho e perceberiam só os acidentes destes elementos para adorar o próprio Filho de Deus. A Igreja católica seria portadora através dos tempos do grande legado de Cristo: “Isto é meu corpo, isto é meu sangue”, Iluminados pelo Espírito da verdade os católicos jamais duvidariam da presença real de Jesus na Eucaristia. Repetem o que falou São Pedro quando Cristo indagou aos apóstolos se também queriam abandoná-lo por ter ele dito que todos deveriam comer sua carne e beber o seu sangue: “A quem iríamos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna e nós cremos e sabemos que tu és o santo de Deus”. (Jo 6, 68-69). Foi, sem dúvida, inspirado pelo Espírito Santo que São Pedro lançou esta sublime resposta. Jesus é, de fato, o Santo de Deus por possuir a santidade na plenitude da mesma, no mais alto grau. Assim Ele não somente é o ponto culminante da perfeição, mas sua verdadeira fonte. Ele comunica a cada um de seus seguidores a força para vencer o pecado em todas as suas funestas manifestações, pecado incentivado em nossos dias por uma mídia corrupta, imoral que afronta continuamente a Lei do Senhor. Da parte de cada cristão deve haver, contudo, a colaboração com a graça que Jesus oferece para refletir em todas as ações sua santidade.

 

Quanto mais cada batizado procura sua identidade com Cristo, o Santo de Deus, tanto mais cresce a dimensão eclesial com todos os que são de Cristo.

 

A vocação de todo batizado é ser santo, porque o Mestre divino é santo. Mais do que nunca na sociedade secularizada de hoje os cristãos têm necessidade urgente de ser santos vivendo intensamente tudo que Jesus ensinou, tornando visíveis e presentes por toda parte seu amor e a beleza de sua doutrina. A santidade cristã consiste então na união com Cristo de forma consciente e livre. Em consequência desta adesão ao Redentor se passa da fé ao plano moral. Aparece então a pratica das virtudes em sua verdadeira riqueza. Elas são cultivadas como realidades vividas deliberadamente e que penetram a existência da pessoa humana. Isto justamente por força da riqueza da doação pessoal a Cristo com a espontaneidade de uma vontade livre que une ao Filho de Deus ao qual o cristão se entrega com fervor e amor. Quanto mais cada batizado procura sua identidade com Cristo, o Santo de Deus, tanto mais cresce a dimensão eclesial com todos os que são de Cristo. São milhões que pelo mundo afora testemunham o que disse São Pedro: “A quem iríamos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna e nós cremos e sabemos que tu és o santo de Deus”. Disto tudo resulta a importância da Eucaristia na vida do seguidor de Cristo, pois no momento sublime da Comunhão se realiza o desejo de Jesus: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”. Portanto, uma presença reduplicada de efeitos maravilhosos na existência de quem recebeu a Eucaristia. A santidade de Jesus, o Santo de Deus, passa a envolver o seu discípulo irradiando-se em todo seu ser, envolvendo, assim, todos os pensamentos, todos os desejos, todas as ações. Deste modo, quem comunga pode repetir com São Paulo: “Já não sou eu quem vive, é Cristo quem vive em mim” (Gl 2,20).

 

O Santo de Deus
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

Vídeos de formação para Campanha da Fraternidade 2015

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Festa de Igreja? Música de Igreja!

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Música católica: poesia, profissão e profecia!

O que você acha das festas de padroeiros que não têm ao menos um show que seja de uma banda católica? Ao contrário muitas promovem músicas sem qualidade e sem conteúdo. Evangelização e entretenimento católico combina com músicas que falam de adultério, bebedeira e pornografia? Existem músicas da cultura popular de qualidade, é claro, e aí devemos seguir o conselho do Apóstolo Paulo “examinai tudo e ficai com o que é bom”. Inclusive há muitos grupos que valorizam as tradições regionais, falam do amor, da fé, sem falar estritamente de Deus. Não falo destes, que são coerentes e buscam músicas de qualidade que não firam a dignidade humana e precisamos deles. Há muita música boa por aí. E não são somente as católicas. Não quero fortalecer uma visão maniqueísta.

Estou dizendo de paróquias que contratam bandas que cantam músicas que incentivam o consumo de álcool, fazem apologia ao adultério, simulam gestos obscenos em suas coreografias. Não podemos escolher melhor as atrações de nossas festas de padroeiro? Música católica não “junta público”? Por quê? Uma das respostas é que nós católicos consumimos mais música secular do que católica. Não é só o show. Quantos CDs, quantas rádios, TVs nós temos? Como fortalecer esse novo método de evangelização? A Igreja existe para “juntar público” e arrecadar dinheiro? Queremos oferecer o quê? A pergunta é “para quê”?

Qual é a nossa causa? O que motiva a nossa luta? Como implantar a Igreja nos lugares onde ela não chega? Como fortalecer uma Igreja que seja de fato “missionária”? O povo não vem? Será que não somos nós que precisamos ir ao povo? Evangelizar nas praças, nas festas de padroeiro com shows católicos? Escrevo este artigo num dia onde estão acontecendo protestos e manifestações em várias cidades do país. A mobilização foi enorme. Pessoas de todas as idades clamando por justiça, transporte público de qualidade e com preço justo, liberdade de expressão, paz. Nas redes sociais pipocam inúmeras campanhas: #vempraRua #OgiganteAcordou #MudaBrasil Nós também na Igreja precisamos acordar e levar projetos para as secretarias de cultura. Há verba para isso. Buscar parcerias, patrocínios. Acreditar mais no que nossa música pode realizar. Nossas falas são enfadonhas ou cheias de amor, verdade e vida? Vamos retomar o fôlego! Cultura, informação, entretenimento, dignidade, mas sobretudo evangelização. A Igreja existe para evangelizar! “Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, sua mais profunda identidade.” (Paulo VI in “Evangelii nuntiandi”, 14)

Somos muito mais fortes do que imaginamos. Quantas prefeituras usam o nome do santo e da festa (eu poderia citar mais de 10 que vieram à mente agora) para atraírem o público? Alguns se utilizam da festa para campanha política. Quer uma prova? Em uma de nossas cidades vi recentemente um outdoor em letras garrafais “Santo Antônio te espera”…e fiquei pasmo pois TODAS as atrações eram de bandas de forró que já no nome traziam apelo sexual. “Santo Antonio, me espera para quê?” Não seria a oportunidade para mostrarmos que nossa Igreja está mais viva e jovem e que temos vários estilos musicais também? AO MENOS UMA…atração deveria ser católica. Nossa música ajudaria a meditar as virtudes do santo padroeiro, instigaria a busca da santificação das famílias, criaria espaços de fraternidade e convivência e não de bebedeiras e excessos.

A nossa “conversão pastoral” não pode ficar somente no papel. Precisamos mudar radicalmente algumas posturas e escolhas de nossas festas de padroeiro. Isso não é responsabilidade só do padre mas de todos nós. Muitos conselhos pastorais e paroquiais ainda não acordaram para a urgência da evangelização. As festas podem servir de grande oportunidade de evangelização, formação, oração, e ação social. Não somente celebrar, festejar, mas mobilizar o povo para a importância da oração que nos move para a solidariedade. Implantar o Reino de Deus aqui lutando por justiça, amor, paz, pão, e restauração da dignidade humana com todas as suas necessidades. Os frutos dessa “Nova Evangelização” são conversões, reestruturação da família, abandono dos vícios de álcool e drogas, desejo de servir a Deus e aos pobres, vontade de ser comunidade e se inserir na paróquia. Vamos juntos porque juntos somos mais fortes e vamos mais longe! Música que fala do evangelho…que anuncia e denuncia! Música que leva Cristo com poesia, profissionalismo e profecia!
Avante! Festa de Igreja? Música de Igreja!

 

Diego Fernandes
Autor do livro “A Igreja é jovem! Não tenha medo de ser de Deus”. Cantor e compositor católico formado em Filosofia, Com. Social- Rádio e TV e pós-graduado em Psicopedagogia. Coordenador do Departamento Católico da gravadora Atração Fonográfica.

Ética, Estado, Religião e Razão

É necessário proclamar a confiança na razão prática humana, como capaz de discernir o bem do mal através do conhecimento das naturezas, das essências das coisas, e dirigir a vontade para o bem.

Contemporaneamente, toda a discussão sobre ética e leis passa necessariamente, nas mentes dos debatedores, por duas noções que se têm por indiscutíveis, pressupostas mesmo por quem se quer ter por “civilizado” e “culto”, e, portanto, admitido legitimamente a dialogar publicamente: trata-se da noção de “valores” e da ideia de “positividade legal”. É difícil até mesmo pensar em debater ética, leis ou comportamentos sem pensar nestas duas noções, e qualquer pessoa ou grupo que não as aceite como pressupostos indiscutíveis do debate ético atual corre o risco de ser visto como um homem das cavernas ou um protofascista, para dizer o mínimo.
A primeira noção, a noção de “valores”, vem da ideia de que não se pode deduzir nenhum dever-ser, nenhuma axiologia, a partir do “ser”. Vale dizer, a contemporaneidade nega que se possa validamente inferir normas de fatos. Isto, dizem nossos contemporâneos, constituiria uma falácia, a chamada “falácia naturalista” (como descrita, dentre outros, por David Hume e G. E, Moore).

É moeda corrente no pensamento ético e jurídico contemporâneo que qualquer apelo a uma suposta “lei natural”, deduzida do próprio ser, da natureza das coisas, constitui uma forma de pensar ultrapassada e inaceitável, e esconde crenças irracionais e a tentativa de impô-las aos outros sub-repticiamente. Exemplifico. Do fato de que homens e mulheres possuem carga genética essencialmente diferente, e funções corporais diferentes no processo reprodutivo natural humano, não se poderia tirar, segundo essa forma de pensar, nenhuma dedução normativa no sentido de que a união sexual entre homem e mulher devesse receber uma normatização diversa daquela entre duas pessoas do mesmo sexo. Do fato reprodutivo puro e simples não se poderiam, para eles, deduzir valores normativos sem cometer uma “falácia naturalista”, incidindo em erro. Portanto, qualquer dedução deste tipo esconderia preconceitos inconfessáveis, do tipo religioso ou tradicionalista, contra quem não aceita deduções deste tipo.

Com isto, a noção de “valor” fica remetida ao campo do subjetivo, do gosto, da emoção, da capacidade de mobilização contida numa ideia qualquer. Os valores, para essa contemporaneidade, decorreriam sempre da adesão pura e simples da vontade do indivíduo a determinadas crenças, emoções ou opções, sem nenhuma espécie de possibilidade de questionamento racional. Uma vez que adere a um sistema de valores, um indivíduo considera-se acima da possibilidade de ser questionado, quanto à razoabilidade desses mesmos valores, por qualquer outro indivíduo. A solicitação de fundamentação da crença do outro já é, em certa medida, tomada por uma insuportável expressão de intolerância, de hate speech, de fobia, de incapacidade de lidar com a diversidade. Se não há relação entre fatos e valores, como quer o pensamento contemporâneo, também não há relação entre valores e razões: a prevalência de determinados valores fundamenta-se na sua capacidade de provocar adesões, não na sua razoabilidade intrínseca. Porque, pensam os contemporâneos em sua maioria, apelar para a própria noção de que valores podem ter razoabilidade intrínseca esconde um discurso de dominação: valores são propagados por persuasão, não por convencimento, e a tentativa de fundamentação racional de valores nada mais é, para eles, do que uma forma desleal e manipuladora de tentar obter adesões dos espíritos menos críticos. E assim a razão humana é denunciada como uma perniciosa manipulação da “elite” frente a uma massa “desinformada” quanto à falácia naturalista.

A outra questão que se põe é a da exigência contemporânea da “positividade legal” de qualquer ordem ética para que seja reconhecida como válida publicamente. Vale dizer, os “valores” são tomados como mero “horizonte” que deve ser perseguido pelo Estado, quando legisla. Assim, na impossibilidade sequer de colocar a persuasão racional do outro como uma instância válida de reconhecimento de validade de determinada norma ética, os grupos eventualmente em conflito na sociedade buscam “empoderar-se” (para usar de um neologismo corrente nas discussões sobre o tema) no Estado a fim de tornar positiva, fazer adquirir força legal para a sua própria esfera de valores através de alguma instância normativa estatal. Daí os grupos de pressão, a luta pelo domínio ideológico do discurso universitário e cultural, o estabelecimento de “bancadas” disto ou daquilo no legislativo e o apelo ao “estado laico” cada vez que alguém faz apelo à razoabilidade de alguma norma ética não positiva. Não haveria, para estes, nenhuma ética fora do ordenamento estatal positivo, o que, é claro, além de tornar impossível a convivência social plural, transforma o Estado num grande “educador moralista” que ele não é, nem pode ser. E o direito, que existe para tratar de relações humanas a partir de sua exterioridade, vira um espaço de silenciamento moral do adversário pelo grupo de plantão no poder, através da categoria de “fóbico” aplicado ao pensamento divergente.

Neste sentido, o pensamento bíblico protestante (se é que se pode encontrar alguma homogeneidade em tal pensamento) parece até muito mais afinado com a contemporaneidade do que a tradicional posição tomista assumida pela Igreja Católica. Se, de fato, a Escritura é uma norma de fé autossuficiente, que exige adesão incondicionada, independente de quaisquer vinculações com a razoabilidade da postura pública do cristão, então ela também constitui uma esfera de valores absolutamente desvinculada dos fatos – e até mesmo muitas vezes contrafactual – que não incide, portanto, em nenhuma “falácia naturalista”. Assumir que a Escritura exclui, para os que aderem à fé cristã, qualquer outra fonte de valores reconhecíveis pela razão humana, ou seja, abraçar quaisquer das formas de “sola scriptura”, torna a defesa dos “valores” bíblicos uma atitude de “sola fide” (só de fé) que independe e mesmo exclui qualquer apelo à razão no debate público. Não é diferente, portanto, da posição dos grupos de pressão que promovem, por outro lado, a pansexualidade, o aborto, o rompimento da noção de família estável e reprodutiva, dentre outros grupos igualmente poderosos na cena contemporânea, com base na adesão voluntarista ou emotivista a uma “bandeira” vanguardista que consegue ver relação entre lutar pela “libertação sexual” e invadir despido um templo religioso, durante o respectivo culto, para protestar contra Deus. Ambos apelam para algum tipo de “sola fide” valorativa e acusam de intolerantes e irracionais os respectivos adversários. Ambos os lados parecem movidos pela mesma forma de agir, pela mesma postura sectária básica: os “valores” que defendem movem-se na esfera da conversão, não do convencimento. Todo estado que sai de embates assim é, no fundo, indistinguível de uma igreja. Ou, pior ainda, de um deus: somos maioria, ame-nos ou deixe-nos. Não parece uma posição menos estritamente religiosa, com a diferença de que parte de um deus não bíblico, mas nem por isso menos dogmático.

Que saída há? Proclamar, de novo, por um lado, a confiança na razão prática humana, como capaz de discernir o bem do mal através do conhecimento das naturezas, das essências das coisas, e dirigir a vontade para o bem. Mas para isso, precisaríamos retomar as noções escolásticas de bem, de essência, de natureza, de conhecimento, de ato e potência e principalmente a noção de que há causas finais na natureza, objetivamente discerníveis pela razão humana. E que tal confiança é capaz de fornecer, ao ser humano, um discernimento ético cuja capacidade de vinculação independesse, ou mesmo precedesse logicamente, a positividade do direito estatal. Ou seja, voltar a Tomás de Aquino – ao próprio Tomás, não a tomismos ou neotomismos. Voltar àquele que, se por um lado fundamentou os sistemas de valores na própria noção metafísica de ser, através da ideia dos “transcendentais (bem, uno, vero, belo), no diálogo com os que não creem no Deus cristão, dando uma base comum para uma convivência pacífica, não deixou de exortar, por outro lado, aos cristãos, que Jesus, na sua Nova Aliança, não nos deixou nenhuma ordem jurídica preestabelecida, “e assim nessas coisas não foi necessário que fossem dados alguns preceitos, além dos preceitos morais da lei, que são do ditame da razão”. Tomás confia que a razão humana é capaz de reconhecer suficientemente, na ordem natural, os fundamentos para o estabelecimento de uma ética comum nas questões que envolvem a convivência humana no plano social. Esta ética adquire sua força e razão de sua razoabilidade intrínseca, não de sua promulgação estatal. A esta reserva-se o campo do externo, do relacional, da distribuição e comutação dos bens materiais e da responsabilidade pública.

A proposta de Tomás, portanto, é que sejamos menos religiosos e mais razoáveis, pelo menos no trato da coisa pública.

 

Ética, Estado, Religião e Razão
Fonte: Paulo Vasconcelos Jacobina / Zenit

São Padre Pio de Pietrelcina, rogai por nós!

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Francesco Forgione nasceu em Pietrelcina, numa cidadezinha chamada Província de Benevento no dia 25 de maio de 1887. Era de uma família de camponeses e seus pais se chamavam Grazio Forgione e Maria Giuseppa Di Nunzio. A sua vocação foi percebida e experimentada por ele mesmo logo na sua infância tão sofrida, cheia de necessidades e em grande santidade, como foi a sua vida inteira. Entrou para o convento em 6 de janeiro de 1903 na ordem dos Capuchinhos¹ e ordenado sacerdote na Catedral de Benevento no dia 10 de agosto de 1910 e por motivo de doença, passou por alguns conventos até chegar ao Convento de San Giovanni Rotondo em 4 de setembro de 1916, onde permaneceu até a sua morte, no dia 23 de setembro de 1968.

Sua vida foi de intensa entrega a Deus e trabalho constante, atendia até quatorze horas seguidas de confissão, orava sem cessar, celebrava a Santa Missa com muito fervor e ainda era perseguido tanto pelos homens quanto pelo próprio demônio, que lhe aparecia para perturbá-lo, mas que nunca conseguiu vencê-lo, pois a missão que Deus tinha para este servo amado foi realizada até o extremo, prevalecendo assim a vontade de Deus.

Falar deste homem santo não é fácil, pois a sua santidade é um mistério de Deus e seu testemunho de vida arrastou e arrasta multidões de fiéis no mundo inteiro. A sua simplicidade e devoção fazem com que compreendamos que é possível alcanças a santidade, mesmo neste mundo tão chio de pecados e “atrações”.

Padre Pio carregava em seu corpo as chagas de Cristo Crucificado, sofria demasiadamente as dores do calvário, tinha que conviver com os estigmas que Deus lhe deu. Dentre muitos de seus carismas, Padre Pio tinha um muito especial que é a bilocação, que resulta na presença simultânea de uma pessoa em dois lugares diferentes.

Podemos perceber o poder de Deus neste santo homem em uma de suas tantas bilocações com o Bispo Dom Orione, que falou sobre o fenômeno que acontecia com Padre Pio: “Eu estava na Igreja de São Pedro em Roma, para assistir à celebração da beatificação de Santa Teresa. Também estava Padre Pio (apesar dele estar ao mesmo tempo em seu convento), eu o vi, ele estava sorrindo e estava vindo para mim pela multidão, mas quando eu estava perto, ele desapareceu”. Confirmando assim o dom especial que ele tinha. Esse é só um dos vários relatos que muitos contaram. Os milagres realizados por Padre Pio foram imensos de vários tipos como cura de doenças, sofrimentos, angústias, depressões, possessões e outros males, dentre os quais nos chama a atenção o de uma criança que tinha sofrido queimaduras graves, que atingiram até mesmo o seu stômago e o médico disse que não haveria o que fazer por ela. A mãe da menina começou a pedir que Padre Pio curasse a sua filha e sua prece foi atendida imediatamente, pois a criança, que estava no quarto, gritou para mãe, mostrando que não havia mais feridas em seu corpo. Quando a mãe da criança perguntou o que tinha acontecido, ela disse que o Padre Pio viera a curá-la.

Podemos nos questionar como pode uma graça tão grande em nosso meio, realizado pelo poder de Deus em seu filho tão amado, que era determinado a fazer aquilo que Deus queria que ele fizesse sem duvidar.

Mais fatos interessantes aconteciam quando Padre Pio orava, invocando o seu anjo da guarda e conversando com os anjos de guarda de outras pessoas. Ele dizia que nunca estamos sós, pois o nosso anjo sempre está ao nosso lado e podemos conversar com ele e com os outros anjos de guarda dos nossos irmãos. Ele dizia também que, se alguém quisesse falar com ele, era só enviar o seu anjo da guarda que ele escutaria, Um fato interessante que aconteceu foi o de um homem que morava na Califórnia e frequentemente pedia a seu anjo da guarda que, por piedade, levasse um importante recado ao Padre Pio.

Algum tempo depois esse homem foi confessar com Padre Pio, perguntando se o anjo da guarda havia lhe dado o recado. Padre Pio respondeu: Tu crês que sou “surdo”? E Padre Pio repetiu o que ele, poucos dias antes, havia dito ao seu anjo da guarda. Um outro fato foi o de um homem que falou para Padre Pio que não poderia vir vê-lo frequentemente, pois o seu salario não lhe permitia tais viagens longas e caras. Padre Pio responde: “Quem lhe disse que você precisa vir aqui? Você tem seu anjo da guarda, não tem? Você conte o que você quer, envia-o aqui, e você terá a resposta”.

Um outro carisma forte que Padre Pio tinha era um perfume que saía de seu corpo, dos objetos que ele tocava e de suas vestes. Por onde ele passava dava pra sentir tal aroma. A este carisma que alguns santos possuem, dá-se o nome de osmogenesia, e nós, o povo de Deus, podemos sentir e ver, compreendendo assim a santidade desses servos de Deus para que sirva de testemunho para a restauração do Seu povo.

O que este homem tinha de especial para atrair tantos dons e tantas pessoas? Podemos até nos questionar. Quando Maria disse: “Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes lembrado de sua misericórdia”. É aí que está a resposta para tantos “pequenos” que se tornaram gigantes, assim como Davi, que com uma simples pedra derrotou o gigante Golias. Esses carismas que Padre Pio carregava não eram para benefício próprio, mas para o bem daqueles que Deus deseja resgatar, com um testemunho de vida e santidade.

Padre Pio fundou vários grupos de oração e a Casa Alívio do Sofrimento, um hospital moderno e bem estruturado, dando auxílio e cura aos doentes, pois sua vontade e disposição em ajudar os mais necessitados era grande, revelando para nós a sua paixão por Jesus Cristo crucificado e participando com Ele deste mistério de amor, celebrado na Santa Missa, onde se realiza todo calvário que Jesus passou e onde estão também todos os excluídos, os enfermos, os encarcerados e os aflitos.

Na canonização do Padre Pio em 16 de junho de 2002, o nosso amado Papa João Paulo II falou de sua admiração e alegria para com este santo de Deus dizendo: “São Pio de Pietrelcina apresenta-se assim diante de todos sacerdotes, religiosos e leigos como uma testemunho credível de Cristo e do Seu Evangelho. O seu exemplo e a sua intercessão estimulam todos a um amor cada vez maior a Deus e à solidariedade concreta para com o próximo, sobretudo para com os mais necessitados.

Meu irmão, após este pequeno e humilde artigo sobre a vida desse grande santo que serviu como seta indicando o caminho que leva a Jesus Cristo Ressuscitado, eu te convido a mergulhar ainda mais neste mistério da salvação, buscando conhecer profundamente o testemunho de vida de São Pio e sua intercessão diante do trono glorioso de Deus.

São Pio, rogai por nós.Escrito por: Crícia Martins
(fonte: Jornal Tempo de Deus, Ano VIII, Dezembro de 2006 – pag. 8).
* Com adaptações
¹ – Ordem dos Frades Menores Capuchinhos – OFM Cap. (Franciscanos)

  1. Oração do Padre Pio Celina Borges
  2. Tudo posso Celina Borges
  3. Diamante lapidado Celina Borges
  4. Hoje eu sou livre Celina Borges
  5. Glória aleluia, hoje é dia do Senhor Celina Borges

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