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O Santo de Deus

Comunhão

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”

Jesus havia declarado: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54). Então muitos dos seus discípulos ao ouvirem estas palavras disseram: “É dura tal linguagem, quem pode escutá-la?” (Jo 6, 60). Isto significa que estes não haviam compreendido imediatamente a grande revelação do Mestre divino. Em Israel durante séculos todo sacrifício ao Ser Supremo passava por uma destruição. Com efeito, o trigo e outros produtos do solo eram queimados e sangue derramado de um ser vivo era também oferecido à divindade. Jesus iria estabelecer um novo ritual para o culto divino. Seu corpo e sangue, que seriam imolados no Calvário em reparação dos pecados da humanidade, ficariam presentes entre os homens sob os acidentes do pão e do vinho. Deste modo, os fiéis através dos tempos se uniriam a seu sacrifício através da Eucaristia. Esta seria seu legado supremo de amor, isto é, sacrifício, imolação incruenta do Gólgota e sacramento no qual Ele entraria em comunhão com os que nele cressem. Presença permanente que seria verdadeira, imediata, intensamente pessoal.

Num gesto de incomensurável dileção na última ceia ele tornou o pão e o vinho e os transubstanciou em seu corpo, sangue alma e divindade. Eis por que Ele podia dizer: “Se vós não comerdes a carne do Filho do homem, vós não tereis a vida em vós”! Quem não tivesse fé só contemplaria sempre pão e vinho, pois não penetrariam nunca no mistério das palavras de Jesus. Por esta razão a Eucaristia seria atraente para quem acreditasse, opaca para os sem fé. Ela uniria os autênticos seguidores de Cristo e manteria muitos que se dizem cristãos longe da presença real do Redentor. Para os católicos as sentenças de Jesus no Cenáculo seriam espírito e vida porque eles atravessariam pela fé os sinais do pão e do vinho e perceberiam só os acidentes destes elementos para adorar o próprio Filho de Deus. A Igreja católica seria portadora através dos tempos do grande legado de Cristo: “Isto é meu corpo, isto é meu sangue”, Iluminados pelo Espírito da verdade os católicos jamais duvidariam da presença real de Jesus na Eucaristia. Repetem o que falou São Pedro quando Cristo indagou aos apóstolos se também queriam abandoná-lo por ter ele dito que todos deveriam comer sua carne e beber o seu sangue: “A quem iríamos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna e nós cremos e sabemos que tu és o santo de Deus”. (Jo 6, 68-69). Foi, sem dúvida, inspirado pelo Espírito Santo que São Pedro lançou esta sublime resposta. Jesus é, de fato, o Santo de Deus por possuir a santidade na plenitude da mesma, no mais alto grau. Assim Ele não somente é o ponto culminante da perfeição, mas sua verdadeira fonte. Ele comunica a cada um de seus seguidores a força para vencer o pecado em todas as suas funestas manifestações, pecado incentivado em nossos dias por uma mídia corrupta, imoral que afronta continuamente a Lei do Senhor. Da parte de cada cristão deve haver, contudo, a colaboração com a graça que Jesus oferece para refletir em todas as ações sua santidade.

 

Quanto mais cada batizado procura sua identidade com Cristo, o Santo de Deus, tanto mais cresce a dimensão eclesial com todos os que são de Cristo.

 

A vocação de todo batizado é ser santo, porque o Mestre divino é santo. Mais do que nunca na sociedade secularizada de hoje os cristãos têm necessidade urgente de ser santos vivendo intensamente tudo que Jesus ensinou, tornando visíveis e presentes por toda parte seu amor e a beleza de sua doutrina. A santidade cristã consiste então na união com Cristo de forma consciente e livre. Em consequência desta adesão ao Redentor se passa da fé ao plano moral. Aparece então a pratica das virtudes em sua verdadeira riqueza. Elas são cultivadas como realidades vividas deliberadamente e que penetram a existência da pessoa humana. Isto justamente por força da riqueza da doação pessoal a Cristo com a espontaneidade de uma vontade livre que une ao Filho de Deus ao qual o cristão se entrega com fervor e amor. Quanto mais cada batizado procura sua identidade com Cristo, o Santo de Deus, tanto mais cresce a dimensão eclesial com todos os que são de Cristo. São milhões que pelo mundo afora testemunham o que disse São Pedro: “A quem iríamos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna e nós cremos e sabemos que tu és o santo de Deus”. Disto tudo resulta a importância da Eucaristia na vida do seguidor de Cristo, pois no momento sublime da Comunhão se realiza o desejo de Jesus: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”. Portanto, uma presença reduplicada de efeitos maravilhosos na existência de quem recebeu a Eucaristia. A santidade de Jesus, o Santo de Deus, passa a envolver o seu discípulo irradiando-se em todo seu ser, envolvendo, assim, todos os pensamentos, todos os desejos, todas as ações. Deste modo, quem comunga pode repetir com São Paulo: “Já não sou eu quem vive, é Cristo quem vive em mim” (Gl 2,20).

 

O Santo de Deus
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

A Festa de Aparecida

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Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida é um título católico dedicado a Maria, mãe de Jesus de Nazaré. Ela é a Padroeira dos Católicos do Brasil, e celebramos sua festa no dia 12 de outubro de cada ano. Em 1717, três pecadores, moradores nas margens do rio Paraíba do Município de Guaratinguetá, desanimados por não terem apanhado peixe algum, depois de várias horas de trabalho, resolveram mais uma vez lançar a rede. Retiraram das águas o corpo de uma imagem sem cabeça e, num segundo arremesso, encontraram também a cabeça. Limparam a imagem de terra cozida e verificaram que se tratava duma imagem de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura. Construiu-se, em 1745, uma capela para a imagem no morro dos coqueiros, o mais vistoso e alto que margeiam o Rio Paraíba e, aí celebraram a primeira missa.

Aquela capela foi reformada várias vezes e substituída em 1888 por outra capela maior e mais artística. O bispo diocesano convidou os padres redentoristas em 1894 para cuidar do santuário. Em 1908 o papa elevou o santuário à dignidade de basílica menor. Em 1930 o papa Pio Xl a pedido dos bispos do Brasil proclamou N.S. Aparecida Padroeira do Brasil. Com o crescer contínuo das romarias a Basílica se tornara demasiadamente pequeno, por isso, em 1950 começou a construção de um novo e mais espaçoso templo mariano. A construção durou mais de vinte e cinco anos e, finalmente foi solenemente consagrado na histórica visita do papa São João Paulo ll ao Brasil em 1980. No mesmo ano, o então Presidente da República do Brasil, João Batista de Figueiredo, promulgou a Lei No. 6.802, de 30 de junho de 1980, declarando o dia 12 de outubro como feriado nacional público e oficial a Nossa Senhora Aparecida. Em 2007 o papa Bento XVl visitou a Basílica para abrir a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. No dia 24 de junho de 2013, o Papa Francisco visitou e celebrou a Santa Missa na Basílica Nacional de Aparecida. Papa Francisco, como seu predecessor, ficou encantado pela beleza da Basílica e da fé dos peregrinos. Ele prometeu voltar novamente em 2017 para o trigésimo aniversário da retirada da imagem do Rio Paraíba.  O imponente santuário tem mais de 18.000 metros quadrados de área coberta e capacidade para 32.000 pessoas. Mais recentemente foi construído o Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho de Almeida para a realização de Congressos, encontros shows, teatros, apresentações musicais e, obviamente, para as atividades das grandes romarias. O total da área construída é 15.289,96 m2 com capacidade para 8.600 pessoas. No ano 2013, aproximadamente treze milhões de romeiros visitaram a Brasílica que é a maior basílica mariana no mundo.

 

Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald, Redentorista e Assessor da CNBB Reg. NE1

São Francisco de Assis

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Santo do dia

Com apenas 44 anos de idade, a 3 de outubro de 1226, morria no chão nu da Porciúncula de Santa Maria dos Anjos, proximidades de Assis, o autêntico arauto da perfeição evangélica, são Francisco. Com a idade de 24 anos, tinha se despojado de tudo: riquezas, ambições, orgulho, e até da roupa que usava, para desposar a Senhora Pobreza e repropor ao mundo, em perfeita alegria, o ideal evangélico de humildade, pobreza e castidade. Nascido numa cidade de comércio, de pai comerciante, o jovem rebento de Bernardone gostava das alegres companhias e gastava com certa prodigalidade o dinheiro do pai. Aos vinte anos, quis alistar-se como cavaleiro no exército de Gualtieri de Brienne, que combatia pelo papa, mas em Espoleto, teve um sonho revelador no qual era convidado a seguir de preferência o Patrão do que o servo.
Voltando a Assis, dedicou-se ao serviço dos doentes e pobres e num dia do outono de 1205, enquanto meditava extasiado na igrejinha de São Damião, pareceu-lhe ter ouvido uma voz saída do crucifixo: “Vá escorar a minha Igreja, que está desabando”. Com a renúncia definitiva aos bens paternos, aos 25 anos, Francisco deu início à sua vida religiosa. Na primeira etapa vemos Francisco em hábito de eremita, vivendo solitário e errante, até que uma frase luminosa do Evangelho impeliu-o à pregação e à constituição do primeiro núcleo da Ordem dos Frades Menores, cuja regra foi aprovada pelo papa Inocêncio III.

Esse segundo capítulo da vida do santo é caracterizado por intensa pregação e incessantes viagens missionárias, para levar aos homens, frequentemente armados uns contra os outros, a mensagem evangélica de paz e bem. Após ter-se aventurado a uma viagem à Terra Santa, à Síria e ao Egito, em 1220 voltou para Assis e tratou de pôr em ordem a própria casa, redigindo a segunda Regra, aprovada por Honório III. Já debilitado fisicamente pelas duras penitên-cias, entrou na última etapa de sua vida, que assinalou a sua perfeita configuração a Cristo, até fisicamente, com o sigilo dos estigmas, recebidos no monte Alverne a 14 de setembro de 1224.
Autor do Cântico do Irmão Sol, um dos santos mais amados pelo mundo inteiro, são Francisco foi canonizado dois anos após a morte. Em 1939, Pio XII tributou um ulterior reconhecimento ofi-cial ao “mais italiano dos santos e mais santo dos italianos”, proclamando-o padroeiro principal da Itália.

 

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

São Padre Pio de Pietrelcina, rogai por nós!

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Francesco Forgione nasceu em Pietrelcina, numa cidadezinha chamada Província de Benevento no dia 25 de maio de 1887. Era de uma família de camponeses e seus pais se chamavam Grazio Forgione e Maria Giuseppa Di Nunzio. A sua vocação foi percebida e experimentada por ele mesmo logo na sua infância tão sofrida, cheia de necessidades e em grande santidade, como foi a sua vida inteira. Entrou para o convento em 6 de janeiro de 1903 na ordem dos Capuchinhos¹ e ordenado sacerdote na Catedral de Benevento no dia 10 de agosto de 1910 e por motivo de doença, passou por alguns conventos até chegar ao Convento de San Giovanni Rotondo em 4 de setembro de 1916, onde permaneceu até a sua morte, no dia 23 de setembro de 1968.

Sua vida foi de intensa entrega a Deus e trabalho constante, atendia até quatorze horas seguidas de confissão, orava sem cessar, celebrava a Santa Missa com muito fervor e ainda era perseguido tanto pelos homens quanto pelo próprio demônio, que lhe aparecia para perturbá-lo, mas que nunca conseguiu vencê-lo, pois a missão que Deus tinha para este servo amado foi realizada até o extremo, prevalecendo assim a vontade de Deus.

Falar deste homem santo não é fácil, pois a sua santidade é um mistério de Deus e seu testemunho de vida arrastou e arrasta multidões de fiéis no mundo inteiro. A sua simplicidade e devoção fazem com que compreendamos que é possível alcanças a santidade, mesmo neste mundo tão chio de pecados e “atrações”.

Padre Pio carregava em seu corpo as chagas de Cristo Crucificado, sofria demasiadamente as dores do calvário, tinha que conviver com os estigmas que Deus lhe deu. Dentre muitos de seus carismas, Padre Pio tinha um muito especial que é a bilocação, que resulta na presença simultânea de uma pessoa em dois lugares diferentes.

Podemos perceber o poder de Deus neste santo homem em uma de suas tantas bilocações com o Bispo Dom Orione, que falou sobre o fenômeno que acontecia com Padre Pio: “Eu estava na Igreja de São Pedro em Roma, para assistir à celebração da beatificação de Santa Teresa. Também estava Padre Pio (apesar dele estar ao mesmo tempo em seu convento), eu o vi, ele estava sorrindo e estava vindo para mim pela multidão, mas quando eu estava perto, ele desapareceu”. Confirmando assim o dom especial que ele tinha. Esse é só um dos vários relatos que muitos contaram. Os milagres realizados por Padre Pio foram imensos de vários tipos como cura de doenças, sofrimentos, angústias, depressões, possessões e outros males, dentre os quais nos chama a atenção o de uma criança que tinha sofrido queimaduras graves, que atingiram até mesmo o seu stômago e o médico disse que não haveria o que fazer por ela. A mãe da menina começou a pedir que Padre Pio curasse a sua filha e sua prece foi atendida imediatamente, pois a criança, que estava no quarto, gritou para mãe, mostrando que não havia mais feridas em seu corpo. Quando a mãe da criança perguntou o que tinha acontecido, ela disse que o Padre Pio viera a curá-la.

Podemos nos questionar como pode uma graça tão grande em nosso meio, realizado pelo poder de Deus em seu filho tão amado, que era determinado a fazer aquilo que Deus queria que ele fizesse sem duvidar.

Mais fatos interessantes aconteciam quando Padre Pio orava, invocando o seu anjo da guarda e conversando com os anjos de guarda de outras pessoas. Ele dizia que nunca estamos sós, pois o nosso anjo sempre está ao nosso lado e podemos conversar com ele e com os outros anjos de guarda dos nossos irmãos. Ele dizia também que, se alguém quisesse falar com ele, era só enviar o seu anjo da guarda que ele escutaria, Um fato interessante que aconteceu foi o de um homem que morava na Califórnia e frequentemente pedia a seu anjo da guarda que, por piedade, levasse um importante recado ao Padre Pio.

Algum tempo depois esse homem foi confessar com Padre Pio, perguntando se o anjo da guarda havia lhe dado o recado. Padre Pio respondeu: Tu crês que sou “surdo”? E Padre Pio repetiu o que ele, poucos dias antes, havia dito ao seu anjo da guarda. Um outro fato foi o de um homem que falou para Padre Pio que não poderia vir vê-lo frequentemente, pois o seu salario não lhe permitia tais viagens longas e caras. Padre Pio responde: “Quem lhe disse que você precisa vir aqui? Você tem seu anjo da guarda, não tem? Você conte o que você quer, envia-o aqui, e você terá a resposta”.

Um outro carisma forte que Padre Pio tinha era um perfume que saía de seu corpo, dos objetos que ele tocava e de suas vestes. Por onde ele passava dava pra sentir tal aroma. A este carisma que alguns santos possuem, dá-se o nome de osmogenesia, e nós, o povo de Deus, podemos sentir e ver, compreendendo assim a santidade desses servos de Deus para que sirva de testemunho para a restauração do Seu povo.

O que este homem tinha de especial para atrair tantos dons e tantas pessoas? Podemos até nos questionar. Quando Maria disse: “Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes lembrado de sua misericórdia”. É aí que está a resposta para tantos “pequenos” que se tornaram gigantes, assim como Davi, que com uma simples pedra derrotou o gigante Golias. Esses carismas que Padre Pio carregava não eram para benefício próprio, mas para o bem daqueles que Deus deseja resgatar, com um testemunho de vida e santidade.

Padre Pio fundou vários grupos de oração e a Casa Alívio do Sofrimento, um hospital moderno e bem estruturado, dando auxílio e cura aos doentes, pois sua vontade e disposição em ajudar os mais necessitados era grande, revelando para nós a sua paixão por Jesus Cristo crucificado e participando com Ele deste mistério de amor, celebrado na Santa Missa, onde se realiza todo calvário que Jesus passou e onde estão também todos os excluídos, os enfermos, os encarcerados e os aflitos.

Na canonização do Padre Pio em 16 de junho de 2002, o nosso amado Papa João Paulo II falou de sua admiração e alegria para com este santo de Deus dizendo: “São Pio de Pietrelcina apresenta-se assim diante de todos sacerdotes, religiosos e leigos como uma testemunho credível de Cristo e do Seu Evangelho. O seu exemplo e a sua intercessão estimulam todos a um amor cada vez maior a Deus e à solidariedade concreta para com o próximo, sobretudo para com os mais necessitados.

Meu irmão, após este pequeno e humilde artigo sobre a vida desse grande santo que serviu como seta indicando o caminho que leva a Jesus Cristo Ressuscitado, eu te convido a mergulhar ainda mais neste mistério da salvação, buscando conhecer profundamente o testemunho de vida de São Pio e sua intercessão diante do trono glorioso de Deus.

São Pio, rogai por nós.Escrito por: Crícia Martins
(fonte: Jornal Tempo de Deus, Ano VIII, Dezembro de 2006 – pag. 8).
* Com adaptações
¹ – Ordem dos Frades Menores Capuchinhos – OFM Cap. (Franciscanos)

  1. Oração do Padre Pio Celina Borges
  2. Tudo posso Celina Borges
  3. Diamante lapidado Celina Borges
  4. Hoje eu sou livre Celina Borges
  5. Glória aleluia, hoje é dia do Senhor Celina Borges

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O Santo de Deus

Comunhão

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”

Jesus havia declarado: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54). Então muitos dos seus discípulos ao ouvirem estas palavras disseram: “É dura tal linguagem, quem pode escutá-la?” (Jo 6, 60). Isto significa que estes não haviam compreendido imediatamente a grande revelação do Mestre divino. Em Israel durante séculos todo sacrifício ao Ser Supremo passava por uma destruição. Com efeito, o trigo e outros produtos do solo eram queimados e sangue derramado de um ser vivo era também oferecido à divindade. Jesus iria estabelecer um novo ritual para o culto divino. Seu corpo e sangue, que seriam imolados no Calvário em reparação dos pecados da humanidade, ficariam presentes entre os homens sob os acidentes do pão e do vinho. Deste modo, os fiéis através dos tempos se uniriam a seu sacrifício através da Eucaristia. Esta seria seu legado supremo de amor, isto é, sacrifício, imolação incruenta do Gólgota e sacramento no qual Ele entraria em comunhão com os que nele cressem. Presença permanente que seria verdadeira, imediata, intensamente pessoal.

Num gesto de incomensurável dileção na última ceia ele tornou o pão e o vinho e os transubstanciou em seu corpo, sangue alma e divindade. Eis por que Ele podia dizer: “Se vós não comerdes a carne do Filho do homem, vós não tereis a vida em vós”! Quem não tivesse fé só contemplaria sempre pão e vinho, pois não penetrariam nunca no mistério das palavras de Jesus. Por esta razão a Eucaristia seria atraente para quem acreditasse, opaca para os sem fé. Ela uniria os autênticos seguidores de Cristo e manteria muitos que se dizem cristãos longe da presença real do Redentor. Para os católicos as sentenças de Jesus no Cenáculo seriam espírito e vida porque eles atravessariam pela fé os sinais do pão e do vinho e perceberiam só os acidentes destes elementos para adorar o próprio Filho de Deus. A Igreja católica seria portadora através dos tempos do grande legado de Cristo: “Isto é meu corpo, isto é meu sangue”, Iluminados pelo Espírito da verdade os católicos jamais duvidariam da presença real de Jesus na Eucaristia. Repetem o que falou São Pedro quando Cristo indagou aos apóstolos se também queriam abandoná-lo por ter ele dito que todos deveriam comer sua carne e beber o seu sangue: “A quem iríamos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna e nós cremos e sabemos que tu és o santo de Deus”. (Jo 6, 68-69). Foi, sem dúvida, inspirado pelo Espírito Santo que São Pedro lançou esta sublime resposta. Jesus é, de fato, o Santo de Deus por possuir a santidade na plenitude da mesma, no mais alto grau. Assim Ele não somente é o ponto culminante da perfeição, mas sua verdadeira fonte. Ele comunica a cada um de seus seguidores a força para vencer o pecado em todas as suas funestas manifestações, pecado incentivado em nossos dias por uma mídia corrupta, imoral que afronta continuamente a Lei do Senhor. Da parte de cada cristão deve haver, contudo, a colaboração com a graça que Jesus oferece para refletir em todas as ações sua santidade.

 

Quanto mais cada batizado procura sua identidade com Cristo, o Santo de Deus, tanto mais cresce a dimensão eclesial com todos os que são de Cristo.

 

A vocação de todo batizado é ser santo, porque o Mestre divino é santo. Mais do que nunca na sociedade secularizada de hoje os cristãos têm necessidade urgente de ser santos vivendo intensamente tudo que Jesus ensinou, tornando visíveis e presentes por toda parte seu amor e a beleza de sua doutrina. A santidade cristã consiste então na união com Cristo de forma consciente e livre. Em consequência desta adesão ao Redentor se passa da fé ao plano moral. Aparece então a pratica das virtudes em sua verdadeira riqueza. Elas são cultivadas como realidades vividas deliberadamente e que penetram a existência da pessoa humana. Isto justamente por força da riqueza da doação pessoal a Cristo com a espontaneidade de uma vontade livre que une ao Filho de Deus ao qual o cristão se entrega com fervor e amor. Quanto mais cada batizado procura sua identidade com Cristo, o Santo de Deus, tanto mais cresce a dimensão eclesial com todos os que são de Cristo. São milhões que pelo mundo afora testemunham o que disse São Pedro: “A quem iríamos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna e nós cremos e sabemos que tu és o santo de Deus”. Disto tudo resulta a importância da Eucaristia na vida do seguidor de Cristo, pois no momento sublime da Comunhão se realiza o desejo de Jesus: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”. Portanto, uma presença reduplicada de efeitos maravilhosos na existência de quem recebeu a Eucaristia. A santidade de Jesus, o Santo de Deus, passa a envolver o seu discípulo irradiando-se em todo seu ser, envolvendo, assim, todos os pensamentos, todos os desejos, todas as ações. Deste modo, quem comunga pode repetir com São Paulo: “Já não sou eu quem vive, é Cristo quem vive em mim” (Gl 2,20).

 

O Santo de Deus
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

A Festa de Aparecida

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Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida é um título católico dedicado a Maria, mãe de Jesus de Nazaré. Ela é a Padroeira dos Católicos do Brasil, e celebramos sua festa no dia 12 de outubro de cada ano. Em 1717, três pecadores, moradores nas margens do rio Paraíba do Município de Guaratinguetá, desanimados por não terem apanhado peixe algum, depois de várias horas de trabalho, resolveram mais uma vez lançar a rede. Retiraram das águas o corpo de uma imagem sem cabeça e, num segundo arremesso, encontraram também a cabeça. Limparam a imagem de terra cozida e verificaram que se tratava duma imagem de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura. Construiu-se, em 1745, uma capela para a imagem no morro dos coqueiros, o mais vistoso e alto que margeiam o Rio Paraíba e, aí celebraram a primeira missa.

Aquela capela foi reformada várias vezes e substituída em 1888 por outra capela maior e mais artística. O bispo diocesano convidou os padres redentoristas em 1894 para cuidar do santuário. Em 1908 o papa elevou o santuário à dignidade de basílica menor. Em 1930 o papa Pio Xl a pedido dos bispos do Brasil proclamou N.S. Aparecida Padroeira do Brasil. Com o crescer contínuo das romarias a Basílica se tornara demasiadamente pequeno, por isso, em 1950 começou a construção de um novo e mais espaçoso templo mariano. A construção durou mais de vinte e cinco anos e, finalmente foi solenemente consagrado na histórica visita do papa São João Paulo ll ao Brasil em 1980. No mesmo ano, o então Presidente da República do Brasil, João Batista de Figueiredo, promulgou a Lei No. 6.802, de 30 de junho de 1980, declarando o dia 12 de outubro como feriado nacional público e oficial a Nossa Senhora Aparecida. Em 2007 o papa Bento XVl visitou a Basílica para abrir a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. No dia 24 de junho de 2013, o Papa Francisco visitou e celebrou a Santa Missa na Basílica Nacional de Aparecida. Papa Francisco, como seu predecessor, ficou encantado pela beleza da Basílica e da fé dos peregrinos. Ele prometeu voltar novamente em 2017 para o trigésimo aniversário da retirada da imagem do Rio Paraíba.  O imponente santuário tem mais de 18.000 metros quadrados de área coberta e capacidade para 32.000 pessoas. Mais recentemente foi construído o Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho de Almeida para a realização de Congressos, encontros shows, teatros, apresentações musicais e, obviamente, para as atividades das grandes romarias. O total da área construída é 15.289,96 m2 com capacidade para 8.600 pessoas. No ano 2013, aproximadamente treze milhões de romeiros visitaram a Brasílica que é a maior basílica mariana no mundo.

 

Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald, Redentorista e Assessor da CNBB Reg. NE1

São Francisco de Assis

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Santo do dia

Com apenas 44 anos de idade, a 3 de outubro de 1226, morria no chão nu da Porciúncula de Santa Maria dos Anjos, proximidades de Assis, o autêntico arauto da perfeição evangélica, são Francisco. Com a idade de 24 anos, tinha se despojado de tudo: riquezas, ambições, orgulho, e até da roupa que usava, para desposar a Senhora Pobreza e repropor ao mundo, em perfeita alegria, o ideal evangélico de humildade, pobreza e castidade. Nascido numa cidade de comércio, de pai comerciante, o jovem rebento de Bernardone gostava das alegres companhias e gastava com certa prodigalidade o dinheiro do pai. Aos vinte anos, quis alistar-se como cavaleiro no exército de Gualtieri de Brienne, que combatia pelo papa, mas em Espoleto, teve um sonho revelador no qual era convidado a seguir de preferência o Patrão do que o servo.
Voltando a Assis, dedicou-se ao serviço dos doentes e pobres e num dia do outono de 1205, enquanto meditava extasiado na igrejinha de São Damião, pareceu-lhe ter ouvido uma voz saída do crucifixo: “Vá escorar a minha Igreja, que está desabando”. Com a renúncia definitiva aos bens paternos, aos 25 anos, Francisco deu início à sua vida religiosa. Na primeira etapa vemos Francisco em hábito de eremita, vivendo solitário e errante, até que uma frase luminosa do Evangelho impeliu-o à pregação e à constituição do primeiro núcleo da Ordem dos Frades Menores, cuja regra foi aprovada pelo papa Inocêncio III.

Esse segundo capítulo da vida do santo é caracterizado por intensa pregação e incessantes viagens missionárias, para levar aos homens, frequentemente armados uns contra os outros, a mensagem evangélica de paz e bem. Após ter-se aventurado a uma viagem à Terra Santa, à Síria e ao Egito, em 1220 voltou para Assis e tratou de pôr em ordem a própria casa, redigindo a segunda Regra, aprovada por Honório III. Já debilitado fisicamente pelas duras penitên-cias, entrou na última etapa de sua vida, que assinalou a sua perfeita configuração a Cristo, até fisicamente, com o sigilo dos estigmas, recebidos no monte Alverne a 14 de setembro de 1224.
Autor do Cântico do Irmão Sol, um dos santos mais amados pelo mundo inteiro, são Francisco foi canonizado dois anos após a morte. Em 1939, Pio XII tributou um ulterior reconhecimento ofi-cial ao “mais italiano dos santos e mais santo dos italianos”, proclamando-o padroeiro principal da Itália.

 

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.

São Padre Pio de Pietrelcina, rogai por nós!

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Francesco Forgione nasceu em Pietrelcina, numa cidadezinha chamada Província de Benevento no dia 25 de maio de 1887. Era de uma família de camponeses e seus pais se chamavam Grazio Forgione e Maria Giuseppa Di Nunzio. A sua vocação foi percebida e experimentada por ele mesmo logo na sua infância tão sofrida, cheia de necessidades e em grande santidade, como foi a sua vida inteira. Entrou para o convento em 6 de janeiro de 1903 na ordem dos Capuchinhos¹ e ordenado sacerdote na Catedral de Benevento no dia 10 de agosto de 1910 e por motivo de doença, passou por alguns conventos até chegar ao Convento de San Giovanni Rotondo em 4 de setembro de 1916, onde permaneceu até a sua morte, no dia 23 de setembro de 1968.

Sua vida foi de intensa entrega a Deus e trabalho constante, atendia até quatorze horas seguidas de confissão, orava sem cessar, celebrava a Santa Missa com muito fervor e ainda era perseguido tanto pelos homens quanto pelo próprio demônio, que lhe aparecia para perturbá-lo, mas que nunca conseguiu vencê-lo, pois a missão que Deus tinha para este servo amado foi realizada até o extremo, prevalecendo assim a vontade de Deus.

Falar deste homem santo não é fácil, pois a sua santidade é um mistério de Deus e seu testemunho de vida arrastou e arrasta multidões de fiéis no mundo inteiro. A sua simplicidade e devoção fazem com que compreendamos que é possível alcanças a santidade, mesmo neste mundo tão chio de pecados e “atrações”.

Padre Pio carregava em seu corpo as chagas de Cristo Crucificado, sofria demasiadamente as dores do calvário, tinha que conviver com os estigmas que Deus lhe deu. Dentre muitos de seus carismas, Padre Pio tinha um muito especial que é a bilocação, que resulta na presença simultânea de uma pessoa em dois lugares diferentes.

Podemos perceber o poder de Deus neste santo homem em uma de suas tantas bilocações com o Bispo Dom Orione, que falou sobre o fenômeno que acontecia com Padre Pio: “Eu estava na Igreja de São Pedro em Roma, para assistir à celebração da beatificação de Santa Teresa. Também estava Padre Pio (apesar dele estar ao mesmo tempo em seu convento), eu o vi, ele estava sorrindo e estava vindo para mim pela multidão, mas quando eu estava perto, ele desapareceu”. Confirmando assim o dom especial que ele tinha. Esse é só um dos vários relatos que muitos contaram. Os milagres realizados por Padre Pio foram imensos de vários tipos como cura de doenças, sofrimentos, angústias, depressões, possessões e outros males, dentre os quais nos chama a atenção o de uma criança que tinha sofrido queimaduras graves, que atingiram até mesmo o seu stômago e o médico disse que não haveria o que fazer por ela. A mãe da menina começou a pedir que Padre Pio curasse a sua filha e sua prece foi atendida imediatamente, pois a criança, que estava no quarto, gritou para mãe, mostrando que não havia mais feridas em seu corpo. Quando a mãe da criança perguntou o que tinha acontecido, ela disse que o Padre Pio viera a curá-la.

Podemos nos questionar como pode uma graça tão grande em nosso meio, realizado pelo poder de Deus em seu filho tão amado, que era determinado a fazer aquilo que Deus queria que ele fizesse sem duvidar.

Mais fatos interessantes aconteciam quando Padre Pio orava, invocando o seu anjo da guarda e conversando com os anjos de guarda de outras pessoas. Ele dizia que nunca estamos sós, pois o nosso anjo sempre está ao nosso lado e podemos conversar com ele e com os outros anjos de guarda dos nossos irmãos. Ele dizia também que, se alguém quisesse falar com ele, era só enviar o seu anjo da guarda que ele escutaria, Um fato interessante que aconteceu foi o de um homem que morava na Califórnia e frequentemente pedia a seu anjo da guarda que, por piedade, levasse um importante recado ao Padre Pio.

Algum tempo depois esse homem foi confessar com Padre Pio, perguntando se o anjo da guarda havia lhe dado o recado. Padre Pio respondeu: Tu crês que sou “surdo”? E Padre Pio repetiu o que ele, poucos dias antes, havia dito ao seu anjo da guarda. Um outro fato foi o de um homem que falou para Padre Pio que não poderia vir vê-lo frequentemente, pois o seu salario não lhe permitia tais viagens longas e caras. Padre Pio responde: “Quem lhe disse que você precisa vir aqui? Você tem seu anjo da guarda, não tem? Você conte o que você quer, envia-o aqui, e você terá a resposta”.

Um outro carisma forte que Padre Pio tinha era um perfume que saía de seu corpo, dos objetos que ele tocava e de suas vestes. Por onde ele passava dava pra sentir tal aroma. A este carisma que alguns santos possuem, dá-se o nome de osmogenesia, e nós, o povo de Deus, podemos sentir e ver, compreendendo assim a santidade desses servos de Deus para que sirva de testemunho para a restauração do Seu povo.

O que este homem tinha de especial para atrair tantos dons e tantas pessoas? Podemos até nos questionar. Quando Maria disse: “Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes lembrado de sua misericórdia”. É aí que está a resposta para tantos “pequenos” que se tornaram gigantes, assim como Davi, que com uma simples pedra derrotou o gigante Golias. Esses carismas que Padre Pio carregava não eram para benefício próprio, mas para o bem daqueles que Deus deseja resgatar, com um testemunho de vida e santidade.

Padre Pio fundou vários grupos de oração e a Casa Alívio do Sofrimento, um hospital moderno e bem estruturado, dando auxílio e cura aos doentes, pois sua vontade e disposição em ajudar os mais necessitados era grande, revelando para nós a sua paixão por Jesus Cristo crucificado e participando com Ele deste mistério de amor, celebrado na Santa Missa, onde se realiza todo calvário que Jesus passou e onde estão também todos os excluídos, os enfermos, os encarcerados e os aflitos.

Na canonização do Padre Pio em 16 de junho de 2002, o nosso amado Papa João Paulo II falou de sua admiração e alegria para com este santo de Deus dizendo: “São Pio de Pietrelcina apresenta-se assim diante de todos sacerdotes, religiosos e leigos como uma testemunho credível de Cristo e do Seu Evangelho. O seu exemplo e a sua intercessão estimulam todos a um amor cada vez maior a Deus e à solidariedade concreta para com o próximo, sobretudo para com os mais necessitados.

Meu irmão, após este pequeno e humilde artigo sobre a vida desse grande santo que serviu como seta indicando o caminho que leva a Jesus Cristo Ressuscitado, eu te convido a mergulhar ainda mais neste mistério da salvação, buscando conhecer profundamente o testemunho de vida de São Pio e sua intercessão diante do trono glorioso de Deus.

São Pio, rogai por nós.Escrito por: Crícia Martins
(fonte: Jornal Tempo de Deus, Ano VIII, Dezembro de 2006 – pag. 8).
* Com adaptações
¹ – Ordem dos Frades Menores Capuchinhos – OFM Cap. (Franciscanos)

  1. Oração do Padre Pio Celina Borges
  2. Tudo posso Celina Borges
  3. Diamante lapidado Celina Borges
  4. Hoje eu sou livre Celina Borges
  5. Glória aleluia, hoje é dia do Senhor Celina Borges

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