Liturgia católica – Anos A, B e C

Liturgia

Janeiro 2023

01 – Dia Mundial da Paz / Santa Maria, Mãe de Deus
08 – Epifania do Senhor
09 – Batismo do Senhor
25 – Conversão de S. Paulo, Apóstolo

Todas as datas

1º de janeiro: Maria, Mãe de Deus

IR AO ENCONTRO DO MENINO JESUS

O evangelho deste primeiro dia do ano, em que celebramos Maria, a Mãe de Deus, traz-nos a visita dos pastores ao menino Jesus, recém-nascido. Pessoas simples, os pastores eram desprezados pelo fato de não terem condições de cumprir as leis mosaicas.

Vão às pressas a Belém e encontram o menino Jesus deitado numa manjedoura, ao lado de Maria e José. Sim, eles têm pressa, pois os aguarda uma grande notícia. Estão curiosos para ver o que o anjo lhes anunciou. As boas notícias deveriam correr velozes! Entretanto, são as más notícias que costumam se espalhar mais rapidamente e sufocar as boas.

Quanto a Maria, discreta e silenciosa, guardava e meditava no coração o que ouvia falar do filho, o qual é o centro de todo o relato. Ela é imagem da comunidade que acolhe a palavra de Deus, a medita em seu coração e a vive no cotidiano da vida.

Além de serem os primeiros a receber a notícia e visitar o menino, os pastores são os primeiros a divulgar a boa-nova do nascimento do Messias. Seguindo o exemplo deles, corramos ao encontro do recém-nascido e proclamemos, ao longo de todo o ano, essa Boa-Nova aos quatro cantos do mundo.

Deixemos que essa movimentação positiva em torno do acontecimento contagie também a nossa vida, para podermos caminhar, durante o ano, com maior otimismo e esperança. Valorizemos, de forma realista, os pequenos gestos positivos, que são os fundamentos do reino de Deus.

Como o assombro pelo nascimento de Jesus passa de boca em boca, espalhemos essa boa notícia com nossas palavras, gestos e vivência. O anúncio alegre da chegada do recém-nascido suscite, também hoje, festa e alegria entre os pobres e humildes.

Neste dia mundial da paz, lembremos que ela é fruto da justiça (cf. Is 32,17). Enquanto não houver justiça na sociedade, dificilmente se viverá de forma serena e pacífica. Lembremos também que a violência não se combate com mais violência. A paz se constrói com atitudes pacíficas e tolerantes. Somos chamados a construir pontes, em vez de levantar muros.

Pe. Nilo Luza, ssp

30 de dezembro: Sagrada Família 2018

SAGRADA FAMÍLIA DE NAZARÉ

Nesta liturgia agradecemos a Deus pela Sagrada Família. O seu exemplo de amor e fé é inspiração para nós e para todas as famílias que se esforçam para progredir na união, na solidariedade e na paz. Enviando o seu Filho ao mundo para viver com Maria e José, Deus nos mostra que a família é um dom que ele nos oferece para ser cuidado por todos com amor.

LIÇÃO DE VIDA
Imitando Jesus no amor a Deus, à família e ao próximo, teremos um mundo de fraternidade e paz.

“No clima de alegria que é próprio do Natal, celebramos neste domingo a festa da Sagrada Família […].

O evangelho de hoje convida as famílias a descobrir a luz de esperança que provém da casa de Nazaré, na qual se desenvolveu com alegria a infância de Jesus, o qual – diz são Lucas – ‘crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens’ (2,52). O núcleo familiar de Jesus, Maria e José é, para cada crente, especialmente para as famílias, uma autêntica escola do evangelho. Aqui admiramos o cumprimento do desígnio divino de tornar a família uma especial comunidade de vida e de amor. Aqui aprendemos que cada núcleo familiar cristão é chamado a ser ‘igreja doméstica’, para fazer resplandecer as virtudes evangélicas e tornar-se fermento de bem na sociedade. Os traços típicos da Sagrada Família são: recolhimento e oração, compreensão mútua e respeito, espírito de sacrifício, trabalho e solidariedade.

[…] Nossa Senhora e são José ensinam a acolher os filhos como dons de Deus, a gerá-los e educá-los, cooperando de forma maravilhosa na obra do Criador e doando ao mundo, em cada criança, um novo sorriso. É na família unida que os filhos levam a sua existência ao amadurecimento, vivendo a experiência significativa e eficaz do amor gratuito, da ternura, do respeito recíproco, da compreensão mútua, do perdão e da alegria.

[…] A verdadeira alegria que se experimenta na família não é algo casual nem fortuito. É uma alegria fruto da harmonia profunda entre as pessoas, que faz apreciar a beleza de estar juntos, de nos apoiarmos reciprocamente no caminho da vida. Mas na base da alegria há sempre a esperança de Deus, o seu amor acolhedor, misericordioso e paciente para com todos. Se não abrirmos a porta da família à presença de Deus e ao seu amor, a família perde a harmonia […]. Ao contrário, a família que vive a alegria, a alegria da vida, a alegria da fé, comunicando-a espontaneamente, é sal da terra e luz do mundo, é fermento para toda a sociedade.

Jesus, Maria e José abençoem e protejam todas as famílias do mundo, para que nelas reinem a serenidade e a alegria, a justiça e a paz, que Cristo, nascendo, trouxe como dom à humanidade” (alocução antes do Ângelus em 27/12/2015).

25 de dezembro: Natal

CONTEMPLAÇÃO, ADORAÇÃO E ESPERANÇA

Proponho que celebremos o Natal deste ano movidos por três atitudes: contemplação, adoração e esperança. Diante de uma paisagem maravilhosa ou de um espetáculo deslumbrante, ficamos como que paralisados, boquiabertos, encantados. O nascimento de Jesus é algo assim: fato tão grandioso ocorrido em nossa história, que nos pega de surpresa, nos deixa sem palavras. Com efeito, como compreender que Deus se faz homem, nasce de uma mulher (cf. Gl 4,4), é colocado numa manjedoura (cf. Lc 2,7.12.16)?! É assim que Jesus se apresenta ao mundo. Visto que não conseguimos entender esse mistério, resta-nos contemplá-lo.

Adoração é outra atitude que nos cabe assumir na presença do Menino Jesus. Só se adora a Deus. É o caso, pois Jesus é Deus. Vem como nosso redentor e salvador. A ele toda honra e toda glória: “Ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, na terra e sob a terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fl 2,10-11). Fica definido que só Jesus é o nosso guia. Ele vem para implantar o direito e a justiça sobre a face da terra. Sua vinda e permanência entre nós custaram-lhe caro. São Paulo dizia: “Alguém pagou alto preço pelo resgate de vocês. Então glorifiquem a Deus com o próprio corpo” (1Cor 6,20). Foi por sua morte que Jesus nos garantiu a vida para sempre. Ao contemplar o Menino de Belém, revivemos nossa experiência de cristãos. Sabemos o que significa sua encarnação. Por isso, brota em nós um impulso, um profundo desejo de adoração.

Em terceiro lugar, somos animados pela esperança. Só Deus é a razão última de nossa esperança. Ora, Deus resolveu investir no ser humano, a ponto de morar em nosso meio, assumindo em tudo, menos no pecado, a condição humana. Se fez isso, é porque acredita no potencial da pessoa humana. Jesus veio para criar um ambiente de fraternidade e de paz entre todos os povos. Viveu esse ideal e morreu por ele. Agora é a nossa vez de fazer o que o Mestre fez. Com isso, dispomo-nos a celebrar o Natal não só como contemplativos, não só como adoradores do verdadeiro Deus. Celebramos o Natal como bons aprendizes na escola de Jesus. A prática dos seus ensinamentos é que alimenta e transforma o mundo.

Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp

23 de dezembro: 4º Domingo do Advento 2018

MARIA É PORTADORA DE ALEGRIA E PAZ

Celebremos a liturgia com a alegria e a esperança suscitadas pela vinda do Senhor. Ele fará morada em meio à humanidade, que deseja um mundo de solidariedade e paz. Maria, que vai ao encontro de sua prima Isabel para servi-la, mostra-nos que a fé se manifesta em gestos concretos de amor, generosidade e serviço aos irmãos e irmãs. Hoje acendemos a última vela da coroa do Advento, marcando a proximidade da grande luz do Natal, que é Jesus.

LIÇÃO DE VIDA
Com Maria aprendemos a amar e seguir Jesus, servindo nosso próximo com alegria.

Depois de acolher o anúncio do anjo, que a convida para ser a mãe do Filho de Deus, e de receber a notícia de que Isabel, na sua velhice, também conceberia um menino, Maria parte às pressas para as montanhas da Judeia a fim de auxiliar a prima na gestação.

Por onde a mãe de Jesus transita, sempre lhe fazem companhia a paz e a alegria. Tanto que, nas ladainhas, é invocada também como rainha da paz e da alegria. O evangelho de hoje manifesta justamente isso: logo que ela entra na casa de Zacarias, Isabel exulta com um hino de louvor, enquanto o fruto do seu ventre “pula de alegria”. O encontro entre duas mulheres e duas crianças, cada qual ainda no seio de sua mãe, é comemorado com votos entusiasmados de bênçãos e com uma bem-aventurança.

Essa passagem do evangelho aponta para o cumprimento definitivo da obra de salvação, iniciada com a fé vivenciada por Abraão. Graças ao sim de uma mulher, Deus vem a nós na pessoa de Jesus. Contando com a colaboração do ser humano, ele realiza seus projetos. Maria é exemplo claro dessa verdade.

Em visita a Isabel, ela revela-se a nova arca da aliança que carrega em seu seio o Messias tão esperado. Lucas apresenta a mãe de Jesus como símbolo das comunidades, convidadas a não se fecharem em si mesmas, mas “saírem de casa” e estarem abertas e solidárias entre si.

Vemos, no episódio da visitação, a solidariedade entre as mães que reconhecem o agir do Espírito Santo. O encontro das duas mulheres é sinal dos cristãos, que se encontram na comunidade e saem de si para se solidarizar.

O papa Francisco lembra-nos que se muda o mundo “com o serviço e saindo ao encontro do outro como Maria fez e como fazem muitas mulheres na Igreja. As mulheres corajosas que existem na Igreja são como Nossa Senhora. Essas mulheres que levam avante a família, a educação dos filhos e enfrentam tantas adversidades”.

O papa ressalta ainda que se trata de um “serviço na alegria”. São aspectos importantes do evangelho deste dia: sair para servir com alegria.

Pe. Nilo Luza, ssp

16 de dezembro: 3º Domingo do Advento

ALEGRIA VERDADEIRA

O Senhor nos reúne para celebrarmos o terceiro domingo do Advento, chamado de “domingo da alegria”. A liturgia nos convida a cantar alegres e agradecidos a Deus, porque Jesus vem ao mundo para nos trazer a salvação e renovar nossa esperança num mundo de fraternidade e paz. Nossa coroa do Advento ficará mais bonita e iluminada, pois acenderemos a terceira vela.

LIÇÃO DE VIDA
Nossa alegria em celebrar o Natal se torna maior quando realizamos gestos de solidariedade, amor e fraternidade em favor de nossos irmãos e irmãs.

O terceiro domingo do Advento, conhecido como “domingo da alegria”, convida-nos a nos alegrarmos no Senhor, pois sua vinda se aproxima.

A alegria cristã tem um fundamento: a certeza de que Jesus é a Luz que ilumina os caminhos e as realidades, é o Messias e Profeta que batiza no Espírito Santo para recriar a humanidade segundo o projeto de Deus.

João Batista testemunhou, como ninguém, a vinda dessa Luz. Sua missão inspira cada cristão a viver como testemunha da Luz. Pois é Jesus o início, o fim e o centro, e nossa missão só tem sentido se fundamentada em Jesus e direcionada a ele.

O verdadeiro encontro com Jesus leva a reconhecê-lo como Aquele que vem da parte de Deus na dignidade de Messias. É encontro que leva necessariamente ao encontro dos outros, sobretudo dos pequenos, a quem Jesus veio revelar a Boa-Nova.

O Advento é tempo especial para preparar o caminho do Senhor. Preparamos a sua vinda preparando o nosso coração com a conversão da mente, assumindo hoje os mesmos sentimentos de nosso Senhor. Assim podemos ser, a exemplo de João Batista, voz profética que, transformando o coração, ilumina e transforma as realidades. Pois nosso batismo é no Espírito, que transforma e santifica. E não pode haver maior alegria, para os cristãos, do que encontrar Jesus, encontrando os menores do Reino.

O mundo está cansado de palavras e carente de testemunhos. Evangelizar é testemunhar a alegria de seguir Jesus, é expressar a certeza de que Deus vem caminhar conosco e nos ajuda a espalhar a luz do seu projeto de vida, vencendo as trevas da injustiça e da morte.

Não se trata da alegria consumista e individualista tão em moda, como diz o papa Francisco (exortação Gaudete et Exsultate, n. 128). Com efeito, “o consumismo só atravanca o coração; pode proporcionar prazeres ocasionais e passageiros, mas não alegria”. A alegria cristã é aquela “que se vive em comunhão, que se partilha e comunica” como amor fraterno.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp

Palavra oficial do Papa