Se a minha canção não tiver Senhor, Deus ou Jesus, ainda será uma canção católica?

Suas músicas são católicas? Perguntou-me uma aluna. Eu engasguei. Durante 20 anos, eu toco música religiosa, com letras confessionais em uma banda chamada DOM. Antes disso, eu já tocava, desde os 15 anos, em Missas e grupos de oração. No entanto, as canções que a aluna ouvia, em seu celular, que compus e gravei recentemente com meu amigo Rodrigo Grecco, poderiam ser chamadas de católicas?
Suas músicas são católicas? Perguntou-me a aluna.
– Sou católico quando trabalho, dirijo, em meu casamento. Sou católico na fila do banco, no caixa do supermercado, na urna eleitoral. Sou católico quando toco e quando componho. Católico, ainda que cheio de imperfeições. Com dúvidas muitas vezes. Sou católico quando componho.
“Mas esta aqui fala de amor, porque fala de alguém dormindo ao seu lado”, disse a aluna lendo as letras no encarte do CD.
– Essa canção nasceu no dia do meu aniversário de casamento. Acordei, naquele dia, ao lado da minha mulher e escrevi um poema para ela. O Grecco, meu parceiro, também é casado, e sabe a sensação de acordarmos ao lado de quem amamos.
“E essa aqui, mestre supremo de todo universo (sim, eu obrigo meus alunos a me chamarem assim), você quer uma resposta, mas tem medo da pergunta?”
– Essa eu fiz pensando em um amigo que queria mudar, mas tinha medo do preço a pagar pela mudança. Cristo viu isso acontecer também. Você conhece a passagem do jovem que ouviu do Mestre: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que possui e me segue”.
E assim, letra a letra, eu era questionado. “Ah, essa aqui fala que todo amor tem um traço imperfeito. Então, é outra música de amor? Não entendo, o professor de religião falou que Deus é amor. Deus é imperfeito?”. E lá ia eu explicando que esse traço imperfeito é nosso (humanidade). Citei São Paulo e falei da nossa limitação, insegurança em amar. Ela parecia incomodada.
“Eu acho que você não sabe quem você é. Nessa aqui, você diz que é todo mundo. Professor, esse é o motivo por que, na minha igreja, o cantor gospel faz sucesso. Ele não fica cheio de questionamentos e blá blá blá. Ele pega e fala de Jesus e de como Ele mudou sua vida. Desculpe-me, mestre, mas suas canções não são religiosas. Eu acho que você deveria voltar a ser gospel. Não vou comprar seu CD.”
Minha resposta veio numa folha de papel, dias depois, em forma de bilhete.
“Querida aluna, quando compus e gravei essas canções, eu as fiz com toda intenção reta de partilhar minha vida interior. Nem todo aquele que diz “Senhor, Senhor” entrará no céu. Posso cantar Jesus com meus lábios, e Ele estar longe do meu coração. Essas canções que compus e gravei reafirmam a misericórdia de Deus. Mas, às vezes, dizemos “eu te amo” de maneiras diferentes. Às vezes, dizemos “Jesus, Filho de Davi, olha para mim” de formas diferentes. Às vezes, a vida nos pede outras palavras para dizer as mesmas coisas. Talvez, nossas canções não sejam religiosas. Talvez, nós não tenhamos a religiosidade que gostaríamos, mas, entre os seus 15 e os meus 48 anos, muita água corre sob a ponte, e Deus tem tudo em Suas mãos.
Permita-me dar a letra desta canção que tanto a incomodou transcrita à mão. Guarde-a, querida aluna, como uma recordação das nossas aulas e de mim. Deus a abençoe.”
Eu sou esse aí
Eu sou essa mulher aí
Chorando suas dores
Querendo outros amores
Sorrindo pra se distrair
Eu sou essa criança aí
Seguindo sem destino
Andando ali sozinha
Sem ter pra onde ir
Eu sou o homem de olhos tristes
E de passo cansado
De peito apertado
De alma que resiste
Na rotina estranha
Que nunca escolheu
Eu busco a luz
Eu busco o guia
Pra minha estrada
Pela noite escura
Madrugada fria
Vale o que valia
A cruz me valerá
Eu sou um outro
Sou um rosto novo
Meu melhor amigo
Digo que me estranho
Mas me contradigo
Sou escravo
Sou mendigo, sou patrão
Eu sou um outro
Sou um rosto antigo
Sou meu inimigo
Eu me reconheço
Tanto que me esqueço
Sou soldado
Sou menino
Sou nação
Sou o que passou na multidão
Eu sou o velho eu já vi
Eu trago as mãos cansadas
E alma, assim, lavada
Ah, eu guardei a fé
Perdi e venci carreiras
Lutei o bom combate
Não me entreguei à dor
Não desisti do amor.
Augusto Cezar
Músico da banda DOM, compositor, escritor de 3 livros, professor e palestrante. Não sou nada do que realizei. Fui e sou tudo o que amei e amo. Além disso, não sou mais nada
Canção Nova / Portal Kairós
Baixe os subsídios da Jornada Mundial dos Pobres 2018
II Jornada Mundial dos Pobres: “Este pobre grita e o Senhor o escuta”
O tema escolhido este ano pelo papa Francisco para a II Jornada Mundial dos Pobres 2018 (JMP) traz a inspiração do Salmo 34: “‘Este pobre grita e o Senhor o escuta’ (Sl 34,7). As palavras do salmista tornam-se também as nossas no momento em que somos chamados a encontrar-nos com as diversas condições de sofrimento e marginalização em que vivem tantos irmãos e irmãs nossos que estamos habituados a designar com o termo genérico de ‘pobres’”. Diz o papa Francisco na mensagem divulgada para mobilizar esta II Jornada Mundial dos Pobres.
Com o papa Francisco, queremos convidar todas as pessoas, grupos, comunidades, instituições e pessoas de boa vontade para que participem da Jornada Mundial dos Pobres – Semana da Solidariedade organizando momentos de encontros fraternos, celebrações ou mobilizações públicas entre os dias 11 e 18 de novembro de 2018.
Animemos em nossas igrejas, comunidades, pastorais, ruas e locais onde se encontram as pessoas empobrecidas, gestos concretos de solidariedade e acolhida com as pessoas em situação de vulnerabilidades extremas. Vamos expressar nossa capacidade de ser uma comunidade humana solidária, acolhedora, amorosa, e cuidadora de toda a Criação.
Atividade Mobilizadoras
No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) confiou o processo de animação da Jornada Mundial dos Pobres – Semana da Solidariedade à Cáritas Brasileira, neste ano de 2018 esta animação foi reforçada também com a contribuição da equipe da Campanha da Fraternidade, da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, do Conselho Nacional do Laicato, e da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Social Transformadora.
Junte-se à comunidade humana que acredita na força transformadora da solidariedade. Mobilize sua comunidade, grupo, pastoral ou coletivo para organizar a Jornada Mundial dos Pobres, com essa finalidade seguem aqui algumas sugestões de atividades que podem ser realizadas, mas deixe a criatividade fluir e as características locais e territoriais orientarem a preparação das atividades.
O grafite que se tornou a identidade visual desta II Jornada Mundial dos Pobres foi realizado pelo coletivo Família Hip Hop. A sede do coletivo fica em Santa Maria (DF) e oferece atividades como aulas de música e serigrafia para jovens, além de mobilizar iniciativas culturais.
Entre as ações possíveis sugerimos a realização de gincanas para arrecadação de alimentos e roupas; celebrações da Palavra e eucarísticas; estudo da mensagem do papa Francisco e rodas de diálogos; círculos bíblicos; manifestações públicas para chamar atenção do poder público local sobre alguma situação de negação de direitos aos empobrecidos; campanhas de cidadania com atendimentos sociais; atividades lúdicas e esportivas; audiências públicas; atividades em espaços de medida socioeducativa, asilos, orfanatos, presídios, com o povo da rua, dentre outros espaços e grupos, possivelmente organize uma partilha fraterna das refeições (café da manhã, almoço ou jantar com as pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade social) e partilhem da mesma mesa, especialmente no Dia Mundial dos Pobres que vamos celebrar no dia 18 de novembro.
O subsídio elaborado para ajudar a mobilizar encontros e celebrações traz:
– Síntese da carta do Papa Francisco;
– Propostas de atividades mobilizadoras;
– Três círculos bíblicos com os verbos propostos pelo Papa Francisco: Gritar, Responder e Lutar.
O subsídio e o cartaz serão encaminhados para dioceses, paróquias, organismos pastorais, congregações religiosas e colégios católicos. O mesmo material está disponível aqui para que os grupos possam dispor dos arquivos para divulgação e impressão, caso seja necessário. Para qualquer dúvida, por favor entrar em contato através do e-mail comunicacao@caritas.org.br.
Histórico
Em 2017 o papa Francisco convocou católicos e pessoas de boa vontade para uma jornada de solidariedade e proximidade com as pessoas empobrecidas. A grande convocação trouxe como lema o imperativo: “Não amemos com palavras, mas com obras”.
Desde então a Jornada Mundial dos Pobres entrou para o calendário anual das iniciativas da Igreja. A convocação para a Jornada Mundial
dos Pobres fez parte da agenda de ações mobilizadas no âmbito do encerramento do Ano Santo da Misericórdia, realizado em 2016-2017.
“Convido a Igreja inteira e os homens e mulheres de boa vontade a fixar o olhar, neste dia, em todos aqueles que estendem as suas mãos invocando ajuda e pedindo a nossa solidariedade. Este dia pretende estimular, em primeiro lugar, os crentes, para que reajam à cultura do descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o convite é dirigido a todos, independentemente da sua pertença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade”, disse o papa Francisco em um trecho da mensagem que marcou a primeira Jornada Mundial dos Pobres.
Que neste ano de 2018 tenhamos uma abençoada, profética, fraterna e alegre Jornada Mundial dos Pobres – Semana da Solidariedade!
Subsídios da Jornada Mundial dos Pobres 2018:
Acompanhe e compartilhe as ações e mobilizações para a Jornada Mundial dos Pobres nas Redes Sociais da Cáritas Brasileira e entre os dias 11 e 18 de novembro mobilize sua comunidade aproximando-se dos pobres, para com eles encontrarmos caminhos de solidariedade e vivência fraterna.
Papa presidirá missa do Dia Mundial dos Pobres 2018
Dia Mundial dos Pobres é celebrado anualmente na Igreja católica desde 2017
No domingo, 18, o Papa Francisco presidirá a Santa Missa por ocasião do Dia Mundial dos Pobres. A celebração será às 10h (hora local), na Basílica de São Pedro, que nesta data celebra a Solenidade de sua dedicação. A missa será transmitida ao vivo pela TV Canção Nova a partir das 7h, pelo horário de Brasília.
O Dia Mundial dos Pobres foi instituído na Igreja católica pelo Papa Francisco em 2016, ao final do Jubileu da Misericórdia, como um sinal concreto desse Ano Santo vivido pelos fiéis. A data é celebrada anualmente no penúltimo domingo do ano litúrgico, neste ano, 18 de novembro.
Na época da instituição, Papa Francisco explicou que vê nesta celebração uma preparação para vivenciar a Solenidade de Cristo Rei, que encerra o ano litúrgico na Igreja católica.
“Será um Dia que vai ajudar as comunidades e cada batizado a refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho e tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa. Além disso este Dia constituirá uma forma genuína de nova evangelização, procurando renovar o rosto da Igreja na sua perene ação de conversão pastoral para ser testemunha da misericórdia”, escreveu o Pontífice sobre a data na carta apostólica Misericordia et Misera, na ocasião do fim do Jubileu.
Mensagem do Santo Padre
Como de costume, o Papa escreve uma mensagem para essas datas. Em 2017, primeira vez em que se celebrou o Dia Mundial dos Pobres, o tema escolhido por Francisco foi “Não amemos com palavras, mas com obras”.
Para este ano, a reflexão do Papa se desenvolve a partir do tema “Este pobre grita e o Senhor o escuta”. Francisco convida a viver este Dia Mundial como um momento privilegiado de nova evangelização.
“Os pobres evangelizam-nos, ajudando-nos a descobrir cada dia a beleza do Evangelho. Não deixemos cair no vazio esta oportunidade de graça. Neste dia, sintamo-nos todos devedores para com eles, para que, estendendo reciprocamente as mãos um ao outro, se realize o encontro salvífico que sustenta a fé, torna eficaz a caridade e habilita a esperança para prosseguir com firmeza pelo caminho em direção ao Senhor que vem”, escreve o Santo Padre.
Boletim da Santa Sé / Portal Kairós
Sínodo 2018: o vento de Pentecostes
Sínodo 2018 – Cardeal Gualtiero Bassetti: juventude, vento de Pentecostes
O Sínodo foi “uma policromia de cores e uma polifonia de línguas”, a presença dos jovens nos fez experimentar o vento de Pentecostes”.
Foi o que disse o arcebispo de Perugia-Città della Pieve, cardeal Gualtiero Bassetti, presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), no briefing realizado nesta quinta-feira (25/10), na Sala de Imprensa da Santa Sé, no âmbito da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.
O purpurado apreciou a concretude dos pronunciamentos dos jovens que falaram também de solidão, deixando claro que os jovens no mundo precisam de alguém que “aqueça seus corações”. Não obstante “a cultura da fragmentação, onde relativismo parece envolver tudo, o mundo juvenil tem uma incrível “sede de infinito”. Esses dias no Vaticano, experimentamos a beleza do caminhar juntos”, disse ele.
Uma Igreja de braços abertos
Estava também presente na Sala de Imprensa da Santa Sé, o cardeal Arlindo Gomes Furtado, Bispo de Santiago, em Cabo Verde, que falou de um “mundo fragmentado”, onde os “cristãos são chamados a ser instrumentos de comunhão”.
O cardeal cabo-verdiano manifestou satisfação pela experiência vivida no Vaticano: “Um trabalhar e caminhar juntos” que cada um deve cultivar também “nas pequenas comunidades”, como “uma verdadeira família eclesial”.
O conceito de “sinodalidade” foi várias vezes citato pelo arcebispo de Trujillo, dom Héctor Miguel Cabrejos Vidarte, presidente da Conferência Episcopal Peruana, que falou de “uma Igreja de braços abertos para todos”. “Durante o Sínodo houve um grande intercâmbio cultural e de ideias: esta experiência é fruto do Espírito Santo”, frisou.
Clareza e prevenção nos casos de abuso
Dentre os temas abordados, os casos de abusos. “Não podemos dizer que diz respeito a toda a Igreja”, disse o cardeal Bassetti, solicitado por perguntas, “mas a uma pequena parte”. “Porém, não podemos também dizer que isso não lhe diz respeito como um todo, pois, como São Paulo nos recorda, a Igreja “é um corpo, e se um membro sofre, todo o corpo sofre. Todos sofremos com esse acontecimento”, disse ele, e agora “o caminho deve prosseguir”. Em novembro, haverá uma assembleia durante a qual “abordaremos esta questão e discutiremos um documento em preparação”. “É preciso clareza”, concluiu o cardeal italiano, “e acima de tudo é necessário um trabalho de prevenção”.
Sobre este tema também se pronunciou o auditor Lucas Barboza Galhardo, representante do Movimento Internacional de Schoenstatt e membro do Comitê Nacional de Coordenação da Pastoral Juvenil da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). “Ouvir os testemunhos de abuso foi horrível. O desafio é defender a Igreja de Jesus, não a dos abusos”.
Vatican News / Portal Kairós
O que são políticas públicas? Tema da Campanha da Fraternidade 2019
Políticas públicas: o que são e para que existem
Em um país onde as ações do poder público são centralizadas, pouco transparentes e muitas vezes interpretadas como paliativas, é fundamental que se compreenda a formulação das políticas públicas, para entendermos que existe planejamento no setor público brasileiro.
Neste texto, que inicia um estudo sobre o tema da Campanha da Fraternidade 2019, vamos explicar o que são políticas públicas e como elas são planejadas e implementadas. Continue conosco para conhecer mais sobre esse processo, por meio do qual se busca assegurar os seus direitos.
As políticas públicas afetam a todos os cidadãos, de todas as escolaridades, independente de sexo, raça, religião ou nível social. Com o aprofundamento e a expansão da democracia, as responsabilidades do representante popular se diversificaram. Hoje, é comum dizer que sua função é promover o bem-estar da sociedade. O bem-estar da sociedade está relacionado a ações bem desenvolvidas e à sua execução em áreas como saúde, educação, meio ambiente, habitação, assistência social, lazer, transporte e segurança, ou seja, deve-se contemplar a qualidade de vida como um todo.
E é a partir desse princípio que, para atingir resultados satisfatórios em diferentes áreas, os governos (federal, estaduais ou municipais) se utilizam das políticas públicas.
Se preferir, você também pode conferir este conteúdo em formato de vídeo:
Conforme definição corrente, políticas públicas são conjuntos de programas, ações e decisões tomadas pelos governos (nacionais, estaduais ou municipais) com a participação, direta ou indireta, de entes públicos ou privados que visam assegurar determinado direito de cidadania para vários grupos da sociedade ou para determinado segmento social, cultural, étnico ou econômico. Ou seja, correspondem a direitos assegurados na Constituição.
Um programa da Prefeitura que esteja beneficiando seu bairro, por exemplo, é uma política pública. A educação, a saúde, o meio ambiente e a água são direitos universais, assim, para assegurá-los e promovê-los estão constituídas pela Constituição Federal as políticas públicas de educação e saúde, por exemplo.
O conceito de políticas públicas pode possuir dois sentidos diferentes. No sentido político, encara-se a política pública como um processo de decisão, em que há naturalmente conflitos de interesses. Por meio das políticas públicas, o governo decide o que fazer ou não fazer. O segundo sentido se dá do ponto de vista administrativo: as políticas públicas são um conjunto de projetos, programas e atividades realizadas pelo governo.
Uma política pública pode tanto ser parte de uma política de Estado ou uma política de governo. Vale a pena entender essa diferença: uma política de Estado é toda política que independente do governo e do governante deve ser realizada porque é amparada pela constituição. Já uma política de governo pode depender da alternância de poder. Cada governo tem seus projetos, que por sua vez se transformam em políticas públicas.
Vejamos alguns exemplos dessa distinção: é muito comum ouvirmos dizer que a política externa do país deve ser uma política de Estado, ou seja, uma política orientada por ideais que transcendem governos e que se mantêm no longo prazo. Políticas públicas eficientes que têm continuidade de um governo para outro podem se transformar em política de Estado. Um possível exemplo disso é o programa Bolsa Família, expandido no governo do PT, cujos bons resultados levaram o líder oposicionista Aécio Neves a propor que o programa seja transformado em política de Estado, no ano de 2014 (a ideia seria incorporar o programa à Lei Orgânica da Assistência Social).
É importante saber:
O conceito de público, hoje em dia, não quer dizer somente gestão governamental, mas, um interesse público que permeia o Estado e o Governo (primeiro setor), a iniciativa privada (segundo setor) e as diversas organizações da sociedade civil (terceiro setor).
Para complementar seus conhecimentos sobre o tema, confira também este vídeo do Leonardo Secchi, especialista em políticas públicas:
Portal Kairós / Danilo Andrade
Engenheiro, quer contribuir para o desenvolvimento do país trabalhando no setor público e exercendo seu papel como cidadão.
Será que minha canção é católica?
Se a minha canção não tiver Senhor, Deus ou Jesus, ainda será uma canção católica?
Suas músicas são católicas? Perguntou-me uma aluna. Eu engasguei. Durante 20 anos, eu toco música religiosa, com letras confessionais em uma banda chamada DOM. Antes disso, eu já tocava, desde os 15 anos, em Missas e grupos de oração. No entanto, as canções que a aluna ouvia, em seu celular, que compus e gravei recentemente com meu amigo Rodrigo Grecco, poderiam ser chamadas de católicas?
Suas músicas são católicas? Perguntou-me a aluna.
– Sou católico quando trabalho, dirijo, em meu casamento. Sou católico na fila do banco, no caixa do supermercado, na urna eleitoral. Sou católico quando toco e quando componho. Católico, ainda que cheio de imperfeições. Com dúvidas muitas vezes. Sou católico quando componho.
“Mas esta aqui fala de amor, porque fala de alguém dormindo ao seu lado”, disse a aluna lendo as letras no encarte do CD.
– Essa canção nasceu no dia do meu aniversário de casamento. Acordei, naquele dia, ao lado da minha mulher e escrevi um poema para ela. O Grecco, meu parceiro, também é casado, e sabe a sensação de acordarmos ao lado de quem amamos.
“E essa aqui, mestre supremo de todo universo (sim, eu obrigo meus alunos a me chamarem assim), você quer uma resposta, mas tem medo da pergunta?”
– Essa eu fiz pensando em um amigo que queria mudar, mas tinha medo do preço a pagar pela mudança. Cristo viu isso acontecer também. Você conhece a passagem do jovem que ouviu do Mestre: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que possui e me segue”.
E assim, letra a letra, eu era questionado. “Ah, essa aqui fala que todo amor tem um traço imperfeito. Então, é outra música de amor? Não entendo, o professor de religião falou que Deus é amor. Deus é imperfeito?”. E lá ia eu explicando que esse traço imperfeito é nosso (humanidade). Citei São Paulo e falei da nossa limitação, insegurança em amar. Ela parecia incomodada.
“Eu acho que você não sabe quem você é. Nessa aqui, você diz que é todo mundo. Professor, esse é o motivo por que, na minha igreja, o cantor gospel faz sucesso. Ele não fica cheio de questionamentos e blá blá blá. Ele pega e fala de Jesus e de como Ele mudou sua vida. Desculpe-me, mestre, mas suas canções não são religiosas. Eu acho que você deveria voltar a ser gospel. Não vou comprar seu CD.”
Minha resposta veio numa folha de papel, dias depois, em forma de bilhete.
“Querida aluna, quando compus e gravei essas canções, eu as fiz com toda intenção reta de partilhar minha vida interior. Nem todo aquele que diz “Senhor, Senhor” entrará no céu. Posso cantar Jesus com meus lábios, e Ele estar longe do meu coração. Essas canções que compus e gravei reafirmam a misericórdia de Deus. Mas, às vezes, dizemos “eu te amo” de maneiras diferentes. Às vezes, dizemos “Jesus, Filho de Davi, olha para mim” de formas diferentes. Às vezes, a vida nos pede outras palavras para dizer as mesmas coisas. Talvez, nossas canções não sejam religiosas. Talvez, nós não tenhamos a religiosidade que gostaríamos, mas, entre os seus 15 e os meus 48 anos, muita água corre sob a ponte, e Deus tem tudo em Suas mãos.
Permita-me dar a letra desta canção que tanto a incomodou transcrita à mão. Guarde-a, querida aluna, como uma recordação das nossas aulas e de mim. Deus a abençoe.”
Augusto Cezar
Músico da banda DOM, compositor, escritor de 3 livros, professor e palestrante. Não sou nada do que realizei. Fui e sou tudo o que amei e amo. Além disso, não sou mais nada
Canção Nova / Portal Kairós