Liturgia católica – Anos A, B e C

Liturgia

Dezembro 2019 a Novembro de 2020 – Liturgia católica: ANO A

Reflexão e sugestão para o 3º Domingo do Tempo Comum 2020

3º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Is 8,23b-9,3; SI 26; ICor 1,10-13.17; Mt 4,12-23

A luz que não ofusca

As leituras deste domingo nos colocam na dinâmica do amor de Deus, revelado nas profecias e na pessoa de Jesus Cristo. Isaías profetiza dias de glória para seu povo. A região à qual se refere é tomada por trevas, porque ali impera a lógica do chicote opressor do capataz, e as relações humanas são oprimidas e destruídas pela violência. A profecia não é uma imaginação vazia, mas um sonho que brota do coração dos que confiam em Deus. A esperança viva é base para profetizar dias melhores, nos quais a luz divina transformará as relações opressivas em vínculos de fraternidade.

Em Jesus, todas as promessas encontram seu cumprimento definitivo. Em Cafarnaum, à beira do Mar da Galileia, o Salvador faz reacender a luz da fé no coração daquele povo. Nele, reencontra o sentido de sua vida e a Ele acorre, pois encontra acolhida e consolo. Sua luz não ofusca, mas faz abrir os olhos e caminhar em modo renovado. Seu anúncio atrai porque chega ao coração das pessoas por meio de seus gestos de compaixão e misericórdia para com os marginalizados. A cada encontro com Cristo, o reino de Deus vai sendo construído no coração das pessoas.

Vençamos as trevas e anunciemos a luz

O mundo tecnológico é movido à luz: a dos postes, que rompem as trevas das cidades e das casas; a dos celulares, que nos prendem cada vez mais a atenção; a dos outdoors, chamando-nos a atenção para propagandas etc. Mas existe também a luz de muitos astros da música, das novelas e dos filmes. O que impressiona é que, neste mundo “iluminado”, tantas pessoas ainda careçam da luz essencial: a do amor, da harmonia e da paz nos relacionamentos humanos. Paulo faz um pedido à comunidade de Corinto, e a nós também, para vencer as trevas da divisão. Não se trata de seguir Paulo, Cefas, Apolo, muito menos de considerar Cristo como “mais um” dentre os anunciadores do evangelho. Paulo coloca o Cristo como o centro da comunidade, o qual todos devem amar e servir, pois ele é a Palavra viva, que se fez carne. Ele é a Luz verdadeira!

Olhemos para nossas comunidades e percebamos se as divisões não estão minando a força de nosso testemunho. Busquemos no Cristo a luz, o centro de nossa vida de fé e nele caminhemos, vencendo as trevas do mundo “iluminado” em que vivemos. É tempo de iluminar o mundo com a luz da fé, do amor e da caridade!

SUGESTÕES LITÚRGICAS

– Continuar presente a temática da luz na liturgia.
Na entrada, oferecer velas aos fiéis, se possível, com um versículo bíblico de uma das leituras.
Entrada da Palavra: na entrada da Palavra, fazer uma pequena encenação com jovens, mostrando como a luz de Cristo dá o verdadeiro sentido às luzes do mundo. Assim, mostrar que as pessoas podem continuar em seu estado de vida, em sua profissão e serem verdadeiras discípulas de Jesus Cristo.
Profissão de fé: na profissão de fé, acender as velas no Círio Pascal e rezar o versículo proposto. Em seguida, convidar toda a comunidade a professar a fé em dois coros, levantando as velas.
Antes da bênção final: no envio, pedir que se retome o versículo bíblico entregue com a vela, convidando todos a serem luz do mundo.

Padre Anísio Tavares, C.Ss.R. / Portal Kairós

26 de janeiro: Missa do 3º Domingo do Tempo Comum 2020

Missa do 3º Domingo do Tempo Comum

Jesus vem ao nosso encontro para iluminar nossa vida e nos libertar das trevas do mal e de tudo o que nos afasta do seu amor. Esta liturgia nos ajude a acolher, com alegria e fé, sua mensagem de salvação, para vivermos unidos entre nós e trilharmos o caminho da conversão.

A cada dia podemos nos converter para vivermos entre nós o reino de Deus, que Jesus veio nos trazer.

26 de janeiro: Missa do 3º Domingo do Tempo Comum

CONVITE À CONVERSÃO

Com a prisão de João Batista, Jesus se dirige para a Galileia e se estabelece em Cafarnaum, à beira do lago de Genesaré. Aí ele dá início à sua missão – justamente no lugar onde, segundo o profeta Isaías, “o povo vivia nas trevas”. Portador de esperança para o povo sofrido, Jesus aparece como “grande luz” num território de gente desprezada, a “Galileia dos pagãos” ou “das na­ções”. Embora tal região fosse a periferia das periferias, era disputada pelos impérios por estar na encruzilhada das grandes rotas comerciais. Além disso, havia o interesse de explorar suas terras férteis – assim como ocorre com nossa Amazônia, tão disputada pelos impérios de hoje.

Portanto, Jesus inicia sua pregação não em Jerusalém, mas na periferia – lugar de pessoas exploradas. Aí ele proclama: “Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo”. O reino dos céus não é algo para ser vivenciado apenas após o fim da vida ou que só vai existir no céu, mas está próximo, está chegando com Jesus.

Os discípulos e discípulas de Jesus são convidados a se empenharem para que esse reino dos céus se torne cada vez mais realidade aqui na terra. Trata-se de grande desafio para todos os cristãos, principalmente nestes “tempos sombrios” em que estamos vivendo. Converter-se é mudar a maneira de pensar e agir: quem pensa em violência deve assumir o compromisso com a paz; quem pensa em morte precisa passar a valorizar a vida; quem adota atitude de intolerância e arrogância necessita adotar uma atitude de aceitação do diferente.

Num segundo momento, são apresentados os primeiros vocacionados para o seguimento do Mestre. Ele chama pescadores para resgatarem as pessoas que vivem imersas e enredadas nos males do mundo – a humanidade é sua primeira preocupação. Esses primeiros chamados constituem como que o modelo da vocação de todos os cristãos. Eles recebem a mesma missão do Mestre: propagar a luz do evangelho, anunciar a Boa-nova do Reino e curar os males da sociedade.

Pe. Nilo Luza, ssp / Portal Kairós

Reflexão e sugestão para o 2º Domingo do Tempo Comum 2020

2º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Is 49,3.5-6; SI 39; 1Cor 1,1-3; Jo 1,29-34

Ser luz para as nações: um convite divino!

O Tempo comum, que agora iniciamos, tem por objetivo mostrar o cotidiano de Jesus, como ele anuncia o reino de Deus com seus gestos e suas atitudes. Nesse sentido, é importante considerar que o sonho do Pai é que a salvação desconheça fronteiras físicas, culturais e étnicas e chegue a todos os seus filhos, em todo tempo e lugar.

O profeta Isaías trata bem dessa questão com a figura do servo fiel, ou seja, do povo que assume essa profunda missão de ser luz para que todos os povos sejam iluminados pela ação salvadora de Deus. Paulo ainda aprofunda a temática e chega ao centro da questão: é pela vontade de Deus que servimos o reino, ou seja, a vontade divina está na base de nossa doação total em prol da salvação de todos. Por esse motivo, o salmista canta a ação da vontade de Deus em seu coração. Na força dessa vontade e se reconhecendo envolvido por ela; encontram-se forças para acolher, com os ouvidos e o coração abertos, os desígnios divinos.

João Batista é apresentado, no evangelho deste domingo, como aquele que entra na dinâmica da vontade de Deus. Só assim pode reconhecer-se legitimamente como aquele que tem por missão preparar os caminhos do Senhor e apontá-lo como Cordeiro de Deus. Nesse apontar, João define que Jesus é a vítima perfeita e santa, que vem para restaurar, definitivamente, toda a humanidade em seu amor redentor.

Da comunhão de vontades, surge a luz da alteridade, que salva A sociedade individualista, na qual estamos sendo formados, eleva exageradamente o “eu” sobre o “nós”. A vontade própria acaba sendo uma bandeira para desbravar o terreno do outro para possuí-lo e dominá-lo. Nesse esquema, não há espaço para Deus, a menos que Ele faça minha vontade. Ainda que a vontade própria possa ser justificada, o ponto de partida que motiva toda a ação tem de ser o outro, e não o eu. A vocação divina parte do pressuposto de que sou capaz de me doar pelo outro por causa do Outro. É Deus que me envia! A missão que realizo em minhas ações particulares tem origem no Senhor, que me chama, não de mim diretamente. Eis o segredo da vocação.

Olhando nessa perspectiva, o próprio chamado de Deus é portador de salvação, pois recoloca a pessoa chamada em sua dimensão caritativa originária. Na caridade de Deus, todos se doam em vista do bem do outro. Deixando o egoísmo, que reduz o horizonte ao próprio umbigo, cada pessoa pode elevar o olhar para contemplar o irmão que está ao lado, para se dar conta de que os próprios horizontes são mais amplos, quando se coloca na perspectiva de Deus. Este é um domingo vocacional! Se respondermos bem ao convite de Deus, já é mais de meio caminho andado para viver a salvação e anunciá-la a todos! Que a liturgia de hoje nos ajude a compreender o grande mistério da vontade divina em nossa vida.

SUGESTÕES LITÚRGICAS

– Antes da procissão de entrada: antes do início da celebração, pode-se fazer uma dinâmica do acendimento das velas do altar, acompanhada de um mantra.
Entrada da Palavra: pode-se fazer um pequeno teatro que preceda à entrada da palavra, mostrando como a caridade pode iluminar a vida dos que vivem nas trevas: pessoas tristes que são consoladas, famintas que são alimentadas, caídos que são levantados, presos que são libertados etc.
Oferendas: no momento das oferendas, destacar a comunidade como celeiro de vocações, em que as pessoas vivem o chamado de Deus de modo comprometido. Em seguida, apresentam-se os dons.

Padre Anísio Tavares, C.Ss.R. / Portal Kairós

19 de janeiro: Missa do 2º Domingo do Tempo Comum 2020

Missa do 2º Domingo do Tempo Comum

Somos chamados nesta liturgia a ser santos, assumindo a missão de anunciar Jesus ao mundo. O exemplo de João Batista nos encoraje a viver a nossa fé e testemunhar, com alegria, o amor e a misericórdia de Deus que Jesus veio nos trazer.

Todos os dias de nossa vida, somos chamados a testemunhar nossa fé em Jesus Cristo por meio de palavras e gestos de amor e misericórdia.

JESUS, O CORDEIRO QUE REALIZA PLENAMENTE A MISSÃO DO PAI

Neste domingo, descortina-se diante de nós o apelo de Deus para a vivência do seu projeto de salvação. Deus tem um projeto relevante para seus filhos e filhas: dar a todos liberdade e vida em plenitude. O convite para a participação na execução desse projeto renova-se no tempo e dirige-se a todos. Requer-se dos convidados apenas comprometimento, sentido de pertença, isto é, fazer com dedicação, generosidade e alegria a vontade de Deus. No entanto, nem todos estão dispostos a aceitar esse convite. Os que respondem afirmativamente ao seu chamado tornam-se testemunhas e apóstolos de Jesus Cristo.

Deus confirma a sua missão na vida daqueles que, no exercício de suas funções, compreendem que o convite para o seguimento de Jesus tem suas exigências. Não basta saber quem é Jesus; é preciso anunciá-lo com a própria vida. Quem se compromete com o Mestre se torna promotor da paz e construtor de nova sociedade. João Batista e o apóstolo Paulo dão testemunho de que essa sociedade nova já chegou, pois tudo aquilo que Deus pensou para seu povo encontra plena realização na pessoa de Jesus.

O testemunho de João Batista revela-o como um grande profeta que anunciou a proximidade do reino de Deus e sua justiça: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado mundo” (Jo 1,29). Reconhecer Jesus como aquele que tira o pecado do mundo é vê-lo como o que veio para realizar plenamente a vontade do Pai, isto é, para transmitir a todos a vida divina, a fim de que a humanidade consiga realizar seu projeto salvífico. O próprio João Batista coloca Jesus muito acima de si: “Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim” (Jo 1,30).

Paulo se apresenta à comunidade de Corinto como verdadeiro apóstolo de Cristo por vontade de Deus. Ele tem consciência do chamado que o Senhor lhe fez para que saísse pelo mundo inteiro e anunciasse o evangelho a todas as criaturas. O testemunho missionário de Paulo nos leva a refletir sobre nossa missão de discípulos missionários. Assim como o apóstolo, nós também somos convidados a dar nossa contribuição para que a Palavra de Deus seja propagada em todos os lugares.

A exemplo de Paulo e de João Batista, deixemos que Jesus Cristo aja em nós para que possamos segui-lo e testemunhá-lo com nossa própria vida.

Pe. Roni Hernandes, ssp / Portal Kairós

Reflexão e sugestão para a Festa do Batismo do Senhor 2020

Festa do Batismo do Senhor

Is 42,1-4.6-7; SI 28; At 10,34-38; Mt 3,13-17

Este é meu Filho Amado

Com a festa do batismo do Senhor, conclui-se o tempo do natal e inicia-se o tempo comum. Após o Batismo, Jesus se empenha em anunciar publicamente o Reino de Deus. No curto relato evangélico proposto por São Mateus, Jesus é apresentado em comunhão estreita com o Espírito Santo e o Pai. A missão de Jesus Messias brota do coração da Trindade para fazer chegar aos homens e às mulheres o manancial de salvação, que foi outrora rompido pelo pecado. Ungido pelo Espírito Santo e declarado pelo Pai como Filho Amado, Jesus inicia um tempo totalmente novo na história do Povo da Aliança.

O Batismo de João é recebido pelo Messias Salvador como sinal da nova justiça divina, que terá na misericórdia toda a sua força. Ao ser batizado, Jesus se apresenta como renovador do próprio Batismo de João. Não se trata mais de um sinal de conversão pessoal, mas agora o Batismo passa a ser a inserção na missão, força e poder do próprio Cristo Jesus, o Messias do Pai.

Na profecia de Isaías, encontra-se a figura do servo fiel a Deus, que restaurará o povo por meio da justiça misericordiosa, a qual não apagará a chama que ainda fumega nem quebrará a cana rachada. A profecia, à luz do novo testamento, cumpre-se plenamente em Cristo. Sua vida e missão são assumidas no batismo e levadas até o fim por meio de gestos concretos de misericórdia como condição única de colocar um ponto final em toda maldade e divisão.

A ação de Jesus toca a pessoa a partir do coração, convidando-a à profunda conversão. O livro dos Atos dos Apóstolos mostra que a experiência da pessoa de Jesus transformou Pedro a ponto de ele reconhecer que o amor de Deus não se restringe a normas de um povo ou cultura, mas chega a todos os povos e todas as nações por meio da prática do bem.

Na missão do Cristo, nossa missão

Batismo e missão constituem duas dimensões inseparáveis da vida cristã. Por isso não podemos dizer que fomos batizados, como se fosse um acontecimento do passado. Convictos de nossa fé, temos de proclamar com a vida que SOMOS batizados. A vivacidade de nosso batismo se expressa quando somos capazes de acolher o sentido profundo da vida em Cristo, que se concretiza na prática da caridade. Só assim é possível sair de esquemas preconceituosos e radicais dos que se dizem donos da verdade.

Testemunhar nosso batismo significa mostrar que a verdade não é um conceito ou uma realidade acabada, mas é sempre fruto de uma busca contínua feita em comunidade. Compreendida assim, a verdade se torna vida na vida, e não um peso opressor que se toma critério rígido de exclusão. Banhados em Cristo, recebemos também nós a missão de passar nossa vida fazendo o bem e curando as pessoas dos males de nosso tempo. Em Cristo, também nós somos filhos amados do Pai celestial, plenos da foça de seu Santo Espírito. É tempo de missão!

SUGESTÕES LITÚRGICAS

– Se neste dia houver batizado na comunidade, pode-se dar um destaque especial à vocação não só da criança, mas também da família e da comunidade.

Entronização da Palavra: a palavra pode ser entronizada, acompanhada dos símbolos do batismo: água, óleo, Círio Pascal, veste branca.

Oferendas: pessoas de diversas descendências podem participar do ofertório trazendo um globo terrestre, mostrando que a evangelização é compromisso de todos e todos somos irmãos.

– Antes da bênção final: ao final, provocar os fiéis a se lembrarem do dia em que foram batizados. Em seguida, enviá-los com a missão de viver o batismo a cada dia da vida.

Padre Anísio Tavares, C.Ss.R. / Portal Kairós

Palavra oficial do Papa