O dia 12 de outubro para nós é uma data muito importante, pois celebramos a festa da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida que, desde 1717, após a aparição de sua imagem, simples e quebrada, nas águas do Rio Paraíba, transformou a fé de um povo.
O carinho que sinceramente devotamos a Nossa Senhora nos faz recordar a sua maternidade para conosco. Maria é nossa Mãe, nossa advogada, nossa intercessora. Não encontramos muitas palavras de Maria nas Sagradas Escrituras, e essa simplicidade e discrição precisam falar aos nossos corações. Para essa meditação, trago três imagens do Evangelho, para que fiquem impressas em nossos corações:
A primeira delas é de Nossa Senhora do Sim: “Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.” (Lc 1, 38). A postura da Mãe é para nós um grande exemplo! Precisamos ter o coração disponível para os projetos de Deus. Por mais que em alguns momentos não saibamos o que acontecerá depois, precisamos nos lançar naquela mesma fé e responder como ela: “Eis aqui o servo, a serva, do Senhor. Faça-se em mim, segundo a tua Palavra.
A segunda imagem é a que encontramos nas Bodas de Caná, quando descobrimos o grande papel intercessor de Maria, quando diz a Jesus: “Eles não tem mais vinho!”. Nossa Senhora está sempre atenta às necessidades de seus filhos. Ela intercede por nós! Em meio às nossas fraquezas e dificuldades, recebemos do alto da Cruz uma Mãe para cuidar e interceder por nós, como Jesus disse ao discípulo amado: “Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. “Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” (Jo 19, 26-27). O relato das Bodas de Caná ainda nos traz um outro grande ensinamento: A Mãe nos ensina o que precisamos fazer para vivermos bem, para alcançarmos a felicidade plena: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).
Por fim, a terceira imagem que gostaria de partilhar é a que se encontra no Evangelho de São João, capitulo 19, versículo 25: “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena”. Maria estava de pé, apesar do intenso sofrimento que Jesus passava. Ela nos ensina que devemos enfrentar os sofrimentos e adversidades de nossas vidas de cabeça erguida, de pé, acreditando sempre na graça e providência divinas. Quando nos abandonamos nas mãos do Senhor, nossa fé e esperança são renovadas e, assim, poderemos seguir em frente, sem desanimar.
Que a Mãe Aparecida interceda por cada um de nós, seus filhos, para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Jesus Cristo.
Pe. Heldeir Gomes Carneiro Coordenador Nacional do Ministério Cristo Sacerdote
Portal Kairós
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2018/10/nossa-senhora-aparecida-02.png1000707Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2018-10-16 14:44:442018-10-17 01:44:25Maria, Mãe de Deus e nossa
Rezemos para Deus quebrar as maldições que chegaram a nós pela língua
Nenhuma pessoa consegue dominar a língua. É um mal incontrolável e cheio de veneno mortal, pois, com a língua, bendizemos o Senhor e Pai, porém, ela amaldiçoa nossos semelhantes criados à imagem de Deus.
A Palavra de Deus, no livro de Tiago 3,7, relata-nos: “Porque toda a natureza, tanto de bestas feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, amansa-se e foi domada pela natureza humana”.
Oremos e reflitamos com a Palavra de Deus
O Livro de Provérbios 18,21 nos diz que a língua pode ser uma fonte de vida ou um veneno mortífero, pode dar vida ou matar. Já Tiago 3,2 diz: “Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo”.
Veja a importância das nossas palavras, pois se alguém não tropeça no falar, é perfeito.
O homem pode domar toda espécie de feras, aves, répteis e seres marinhos, mas nenhum dos homens é capaz de domar a língua. Ela é o mal incontido e carregado de veneno mortífero, por isso, veja como é importante fazermos uma reflexão de oração, porque o pecado da língua é tão sério, que ocupa todo o capítulo 3 e parte do capítulo 4 da epístola de São Tiago.
Muitos males têm sido causado por uma só palavra proferida, porque elas ferem, matam, magoam, semeiam dúvidas, fazem pecar e geram ódio. Uma palavra ou uma frase pode doer mais que qualquer dor física.
A dor física pode cessar com um medicamento, mas a dor provocada por uma palavra ou frase, muitas vezes, nem o tempo apaga; e quando apaga, costuma deixar cicatrizes de muita dor e sofrimento na vida e na alma das pessoas.
Destruindo as palavras negativas
Senhor, quero pedir que venha destruindo toda a ação de miséria, dor e sofrimento que estão acabando com nossa vida por palavras ou frases negativas que recebemos. Que Deus destrua toda palavra que foi proclamada contra nós e família, as quais representamos.
Conceda-nos, agora, uma demonstração da Sua misericórdia e uma efusão do Seu Sangue sobre o sangue de cada um de nós, eliminando todos os sentimentos de dor, mágoa, feridas ocultas causadas por palavras ou frases negativas que os nossos ouvidos possam ter ouvido e trazemos no coração.
Quebra, Jesus, toda raiz dessa maldição e cura todas as feridas, trazendo paz, harmonia e ordem na vida dos seus filhos.
Jesus, ao censurar os fariseus, disse-lhes: “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12,34). E a advertiu nos versículos 36 e 37: “Mas eu lhes digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado. Pois por suas palavras você será absolvido, e por suas palavras será condenado”.
Olha que palavra forte Jesus pronunciou, porque não há nada pior que a língua, e nada melhor do que a língua, pois depende do modo que a usamos. Se amaldiçoamos, também carregamos os efeitos negativos do mal; se ferimos com a língua, também carregamos os ferimentos dessas feridas; mas se abençoamos, a bênção será dobrada; se proclamamos a cura para nós, a cura vem dobrada.
Quais são os pontos que precisamos analisar?
Dos venenos da língua, precisamos renunciar diariamente e pedir que o Sangue de Cristo lave cada palavra proferida da nossa boca.
A língua trabalha com palavras que destroem, e ela é indomável e incoerente, pois as palavras podem distorcer, espalhar boatos, alterar fatos para denegrir a imagem do outro. Falamos mal do próximo e, muitas vezes, calamos quando deveríamos falar, ou falamos quando deveríamos nos calar.
Que Deus nos ajude a usar a nossa língua para glorificar e abençoar o próximo. Senhor, peçamos que lave toda a nossa língua e nossa boca com o Seu Sangue, livrando-nos de todo o mal proferido pelas palavras que proclamamos. Livra-nos também lavando os nossos ouvidos de todo mal das palavras que ouvimos.
Deus está nos curando
Ele cura todos aqueles que não tinham referência, viviam na depressão e no pânico por palavras que pronunciaram negativamente contra cada um de nós. Também seremos curados das feridas que trazemos desde o ventre materno, porque seus pais diziam que não queriam esse bebê por não estarem preparados.
Essas palavras de maldição estão sendo quebradas, e todo aquele sentimento de falta de referência, de vazio e morte que sentíamos está caindo por terra, por isso recebemos a cura.
Deus está quebrando e destruindo todos os males causados na nossa vida.
Recomendo que, o livro ‘Por suas feridas fosses curados’, possamos fazer o cerco de Jericó do Sangue do Cordeiro e invocarmos as chagas e o Sangue de Jesus, para que toda a maldição da língua, para que as palavras que proferimos ou proferiram contra nós sejam quebradas.
Deus o abençoe e lhe dê a paz!
Canção Nova / Portal Kairós
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2018/08/falar-mal-das-pessoas.png6681000Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2018-08-31 02:16:122018-09-10 03:10:46Quais são os venenos que podem sair da nossa língua?
Desde o momento da concepção, há uma relação profunda entre mãe e filho, sob os aspectos físico, psicológico e espiritual. A relação física, via cordão umbilical, estabelece uma efetiva interdependência, sob pena de não chegar ao fim a gestação, conforme as leis da natureza.
A ciência demonstra que, na fase da gestação, a relação afetiva da mãe com o embrião/feto é sumamente importante, em vista de um harmonioso desenvolvimento de sua personalidade. A dimensão espiritual da relação entre mãe e filho revela-se sempre consistente, qualquer que seja a linguagem do sentimento que expressa alegria, tristeza, confiança, apreensão. A relação entre mãe e filho é de caráter existencial. A mãe percebe isso, racional e afetivamente. Assim, as mães sabem, por experiência, que esse “denominador comum”, a maternidade, as torna mais próximas e mais solidárias, nas alegrias e adversidades do dia a dia. De seu lado, o coração do filho é o melhor termômetro de identificação do amor materno, sempre solidário.
Em razão de sua natureza e missão, a vocação à maternidade é um “chamado à santidade”. O Papa Francisco, em sua Exortação apostólica Gaudete et Exsultate, “sobre o chamado à santidade no mundo atual”, escreve: “Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais.” (GE, n. 14)
Na Sagrada Escritura e na história da Igreja, há mulheres que são autênticas referências de maternidade e de santidade. Nesse sentido, a Igreja Católica ensina que Maria é o protótipo de mulher, filha, esposa e mãe. Sua maternidade, que é de natureza divina, ao gerar Jesus, “concebido pelo poder do espírito Santo”, estende-se, espiritualmente, a quem faz a vontade de Deus: “Muita gente estava sentada em volta de Jesus, e lhe disseram: ‘Olha, tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs te procuram lá fora.’ Ele lhes respondeu: ‘Quem é minha mãe e meus irmãos?’ E olhando em volta para os que estavam sentados ao seu redor, Jesus disse; ‘Eis minha mãe e meus irmãos. Pois que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe’.” (Mc 3, 32-35)
No seu calendário santoral, a Igreja propõe aos fiéis a imitação de homens, de mulheres, de casais, de filhos e filhas que, no seu tempo e lugar, cultivaram a santidade, inerente à sua vocação, como ideal de vida. Como exemplo, a Igreja celebra a memória de uma mãe e de um filho – Santa Mônica e Santo Agostinho –, respectivamente, nos dias 27 e 28 de agosto. Antes de morrer, tendo Agostinho ao seu lado, ela disse: “Filho, quanto a mim, nada mais me agrada nesta vida.
Que faço ainda e por que ainda aqui estou, não sei. Toda a esperança terena já desapareceu. Uma só coisa fazia-me desejar permanecer por algum tempo nesta vida: ver-te cristão católico, antes de morrer. Deus me atendeu com a maior generosidade, porque te vejo até como seu servo, desprezando a felicidade terrena. Que faço aqui?” De sua parte, Santo Agostinho, sempre assistido e acompanhado por Santa Mônica, após “uma juventude perturbada, quer intelectualmente, quer moralmente, converteu-se e foi batizado”.
Ele testemunha em suas Confissões: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.”
Nesses tempos de agressão à vida intrauterina, mediante a prática do Aborto, e a mobilização pela sua descriminalização, a defesa da vida, que é um dom de Deus, sempre deve ser feita por quem tem coração e fé. A relação entre mãe e filho, com seus traços físicos, psicológicos e espirituais, se fortalece com a voz da ternura e a força do amor.
Dom Genival Saraiva Bispo Emérito de Palmares (PE)
CNBB / Portal Kairós
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2018/08/mae-e-filho.jpg6671000Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2018-08-31 01:03:082018-09-03 21:18:18A relação profunda entre mãe e filho
Neste artigo, serão tratados alguns aspectos a respeito do atributo “santa”. Assim, quero afirmar, logo nas primeiras linhas deste artigo, que a nossa Igreja é santa! Uma vez feita essa afirmação, pode surgir, então, uma pergunta: “Como crer, firmemente, que a Igreja é realmente Santa diante de tantos escândalos apresentados pelos noticiários televisivos, pelas revistas e a internet?”.
Situações de desvios dentro da Igreja
Sem muito procurar, encontramos casos gravíssimos de pedofilia, roubo, desvios de dinheiro e heresias praticadas por tantos membros indignos que estão bem longe de dar testemunho da verdade e de santidade. Repito, então, a pergunta: “Como ainda podemos afirmar que a Igreja Católica é santa diante de tantos escândalos e pecados?” “Será mesmo que a Igreja Católica é santa?”.
Essa pergunta, um tanto capciosa, é respondida pelo Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 823, de forma concisa e direta, quer dizer, sem deixar margem para especulações: “A Igreja é, aos olhos da fé, indefectível”, ou seja, sem defeito nenhum.
Muitas pessoas podem estar cometendo um engano ao dizer que a Igreja é santa e pecadora. Essa expressão, muitas vezes ditas a esmo, pode ser deficiente ou não expressar uma verdade. O mais correto seria dizer que a Igreja é santa, formada por membros pecadores. A Igreja não é pecadora! De forma nenhuma! A diferença é sutil, mas é muito importante que sejam feitas essas distinções.
A “doença” está nos membros da Igreja, não na Igreja
Certa vez, ouvi uma explicação muito interessante de um padre. Ela pode ser usada como um bom meio para explicar essa situação que levantamos. Tente imaginar um grande clube, desses que possuem várias piscinas e tobogãs que fazem o maior sucesso no verão. Agora tente imaginar que uma parte dos sócios desse clube foram acometidos por uma doença qualquer.
Diante desse quadro, seria correto afirmar que o clube está doente? Claro que não! O clube está lá, pronto para receber seus sócios, porém, alguns não o podem frequentar, porque estão doentes. O clube, portanto, não está doente, mas alguns sócios desse clube estão doentes.
Sei que a comparação é bastante simplória, mas nos ajuda a bem entender a afirmação: “A Igreja é santa, mas formadas por pecadores”. Assim, deveríamos ter mais atenção ao afirmarmos simplesmente que a Igreja é pecadora.
Papas pedem perdão pelos erros cometidos pelos filhos da Igreja
No ano 2000, quando a Igreja e o mundo se preparavam para a chegada do Novo Milênio, o Papa São João Paulo II tomou uma atitude que movimentou os noticiários de todo mundo. Ele veio a público e pediu perdão pelos pecados cometidos pelos filhos da Igreja. Mas, o que foi noticiado pela mídia de todo o mundo foi algo bem diferente.
Basta uma rápida pesquisa nos sites de busca e você mesmo poderá comprovar. As notícias receberam os seguintes títulos: “Papa pede perdão por abusos da Igreja Católica” ou “O Papa João Paulo II pediu perdão pelos erros da Igreja”. Perceba bem, os noticiários dão conta que os “abusos” ou os “erros” foram cometidos pela Igreja.
Mais recentemente, foi a vez do Papa Francisco fazer pedidos de perdão em nome da Igreja e, mais uma vez as notícias receberam os seguintes títulos: “Papa Francisco pede perdão a Deus por falhas da Igreja” ou “Papa pede perdão pelos horrores cometidos pela Igreja”. Aqui, as “falhas” e os “horrores” também foram colocados na conta da Igreja.
Equívocos midiáticos
Note que, tanto no primeiro exemplo quanto no segundo, o erro é sempre da Igreja, nunca dos seus membros. Não se trata de fazer rigorismos com os títulos dessas notícias, mas os ajustar para que a Doutrina e o pensamento da Igreja não sejam feridos inadvertida ou indevidamente por maldade ou ignorância. Em ambos os casos, tanto o Papa São João Paulo II quanto o Papa Francisco não estavam pedindo perdão pelos pecados da Igreja, afinal, ela não é pecadora, mas pelos pecados cometidos por seus filhos.
Esta humilde conduta por parte da Igreja pode ser comparada à conduta de uma mãe que pede perdão a alguém que fora ofendido por seu filho. Não foi ela, a mãe, que cometeu a ofensa, porém, ela se sente responsável pela má conduta de seu filho. Certamente, a Igreja, ao fazer isso, está seguindo o ensinamento de Jesus que, mesmo sem ter pecado nenhum, fez-se pecador para trazer ao mundo a salvação.
A Igreja ajuda seus fiéis a alcançarem a perfeição
Para concluir, o bem-aventurado Paulo VI, no número 19 do “Motu Proprio”, lançado em 1968, em virtude da conclusão do “Ano da Fé”, afirma que a Igreja “é santa, apesar de incluir pecadores no seu seio”. Sendo assim, ela – a Igreja – “sofre e faz penitência por essas faltas”. Faltas essas, assumidas por Cristo na Cruz. O parágrafo 827 do Catecismo da Igreja Católica ainda completa afirmando que a Igreja reúne “pecadores alcançados pela salvação de Cristo, mas ainda em via de santificação”.
Sempre evite dizer que a Igreja é pecadora, pois ela não o é. Diga sempre que puder: a Igreja é santa e indefectível.
Conclusão:
No próximo artigo, trataremos o terceiro atributo da Igreja: “Católica”. Por que a Igreja é católica? Caso não queira esperar pelo próximo artigo, você já pode fazer a leitura do parágrafo 830 e seguintes do Catecismo da Igreja Católica.
Deus abençoe você. Até a próxima!
Seminarista Gleidson de Souza Carvalho (Instagram: @cngleidson) Missionário da Comunidade Canção Nova
Canção Nova / Portal Kairós
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2018/08/cidade-do-vaticano.jpg6671000Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2018-08-31 00:46:072018-09-04 09:41:14Reflita sobre a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica
É preciso escolher, mas também fortalecer as escolhas sem desanimar diante dos obstáculos
Na certeza de que podemos sempre escolher e de que a escolha é sempre um ato livre de vontade, é preciso também saber fortalecer as escolhas feitas, para não ficar somente em belas frases prontas.
Quem escolhe e não fortalece a própria escolha acaba ficando sem nenhuma delas, pois as duas opções passarão.
Seja firme na sua escolha
Quando falo de fortalecer a escolha feita, quero dizer que não se deve buscar outras escolhas. Muito pelo contrário, volta-se à escolha feita, todos os dias, para que ela não se perca nem se enfraqueça; afinal de contas, o amor que não é dito é perdido.
Escolher e não corresponder à própria escolha, muito mais que um prejuízo, é uma verdadeira traição a si mesmo. Por quê? Quando se faz uma escolha, gasta-se certa dosagem de neurônios, pois é preciso avaliar as partes e as opções que se têm.
Gastamos tempo pensando naquilo que será mais prazeroso e melhor para nós. Empenhamos certa esperança, pois, no ato da escolha, não temos ainda o resultado que virá no pós-escolha, por isso, cria-se certa espera no resultado, e isso nos desgasta um pouco. Por essa razão, quando não correspondemos à escolha feita por nós, promovemos uma verdadeira traição não aos outros, mas a nós mesmos, ao nosso desgaste, à nossa esperança, ao nosso tempo.
Saber escolher é uma arte que precisa e pode ser aprendida por cada pessoa. É claro que, ao fazermos uma escolha, por ainda não termos o resultado final, corremos o risco de nos decepcionarmos, pois aquilo que foi escolhido não é capaz de corresponder com as nossas expectativas. Aqui está o problema: no ato da escolha, estamos escolhendo a coisa em si ou aquilo que achamos que seja a coisa em si.
Nos nossos tempos, estamos vivendo um fenômeno diferente. Diante da possibilidade de a nossa escolha não dar certo, não estamos fazendo nenhuma. Ou seja, para não correr o risco de nos decepcionarmos, não escolhemos nada.
Com medo da frustração que cada escolha tem, é melhor não escolher nem assumir um compromisso definitivo. Escolher é contar com a realidade de uma satisfação: a de poder escolher. E também de uma frustração: a de não poder escolher tudo. Enquanto se escolhe com a pretensão de não viver a frustração, não se faz uma escolha definitiva, mas uma tentativa de vida feliz, e não um verdadeiro investimento que empenha a própria vida, para que ela seja feliz.
A escolha não é um investimento sobre a circunstância de uma vida sem problemas, sem dores nem sofrimentos, mas o investimento da verdadeira liberdade interior, que não é condicionada pelo externo, mas por Aquele que está dentro, o essencial: Deus.
Padre Anderson Marçal
Padre da Igreja Católica Apostólica Romana. Natural da cidade de São Paulo (SP), padre Anderson é membro da comunidade Canção Nova desde o ano 2000. No dia 16 de dezembro de 2007, foi ordenado sacerdote. Estudou Teologia Pastoral Bíblica-Litúrgica na Universidade Salesiana de Roma.
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2018/08/escolhas-na-vida.jpg501750Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2018-08-24 01:05:092018-09-03 21:08:20Como fortalecer as próprias escolhas?
Maria, Mãe de Deus e nossa
/em Artigos católicos, Blog CatólicoO carinho que sinceramente devotamos a Nossa Senhora nos faz recordar a sua maternidade para conosco. Maria é nossa Mãe, nossa advogada, nossa intercessora. Não encontramos muitas palavras de Maria nas Sagradas Escrituras, e essa simplicidade e discrição precisam falar aos nossos corações. Para essa meditação, trago três imagens do Evangelho, para que fiquem impressas em nossos corações:
A primeira delas é de Nossa Senhora do Sim: “Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.” (Lc 1, 38). A postura da Mãe é para nós um grande exemplo! Precisamos ter o coração disponível para os projetos de Deus. Por mais que em alguns momentos não saibamos o que acontecerá depois, precisamos nos lançar naquela mesma fé e responder como ela: “Eis aqui o servo, a serva, do Senhor. Faça-se em mim, segundo a tua Palavra.
A segunda imagem é a que encontramos nas Bodas de Caná, quando descobrimos o grande papel intercessor de Maria, quando diz a Jesus: “Eles não tem mais vinho!”. Nossa Senhora está sempre atenta às necessidades de seus filhos. Ela intercede por nós! Em meio às nossas fraquezas e dificuldades, recebemos do alto da Cruz uma Mãe para cuidar e interceder por nós, como Jesus disse ao discípulo amado: “Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. “Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” (Jo 19, 26-27). O relato das Bodas de Caná ainda nos traz um outro grande ensinamento: A Mãe nos ensina o que precisamos fazer para vivermos bem, para alcançarmos a felicidade plena: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).
Por fim, a terceira imagem que gostaria de partilhar é a que se encontra no Evangelho de São João, capitulo 19, versículo 25: “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena”. Maria estava de pé, apesar do intenso sofrimento que Jesus passava. Ela nos ensina que devemos enfrentar os sofrimentos e adversidades de nossas vidas de cabeça erguida, de pé, acreditando sempre na graça e providência divinas. Quando nos abandonamos nas mãos do Senhor, nossa fé e esperança são renovadas e, assim, poderemos seguir em frente, sem desanimar.
Que a Mãe Aparecida interceda por cada um de nós, seus filhos, para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Jesus Cristo.
Pe. Heldeir Gomes Carneiro
Coordenador Nacional do Ministério Cristo Sacerdote
Portal Kairós
Quais são os venenos que podem sair da nossa língua?
/em Artigos católicosRezemos para Deus quebrar as maldições que chegaram a nós pela língua
Nenhuma pessoa consegue dominar a língua. É um mal incontrolável e cheio de veneno mortal, pois, com a língua, bendizemos o Senhor e Pai, porém, ela amaldiçoa nossos semelhantes criados à imagem de Deus.
A Palavra de Deus, no livro de Tiago 3,7, relata-nos: “Porque toda a natureza, tanto de bestas feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, amansa-se e foi domada pela natureza humana”.
Oremos e reflitamos com a Palavra de Deus
O Livro de Provérbios 18,21 nos diz que a língua pode ser uma fonte de vida ou um veneno mortífero, pode dar vida ou matar. Já Tiago 3,2 diz: “Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo”.
Veja a importância das nossas palavras, pois se alguém não tropeça no falar, é perfeito.
O homem pode domar toda espécie de feras, aves, répteis e seres marinhos, mas nenhum dos homens é capaz de domar a língua. Ela é o mal incontido e carregado de veneno mortífero, por isso, veja como é importante fazermos uma reflexão de oração, porque o pecado da língua é tão sério, que ocupa todo o capítulo 3 e parte do capítulo 4 da epístola de São Tiago.
Muitos males têm sido causado por uma só palavra proferida, porque elas ferem, matam, magoam, semeiam dúvidas, fazem pecar e geram ódio. Uma palavra ou uma frase pode doer mais que qualquer dor física.
A dor física pode cessar com um medicamento, mas a dor provocada por uma palavra ou frase, muitas vezes, nem o tempo apaga; e quando apaga, costuma deixar cicatrizes de muita dor e sofrimento na vida e na alma das pessoas.
Destruindo as palavras negativas
Senhor, quero pedir que venha destruindo toda a ação de miséria, dor e sofrimento que estão acabando com nossa vida por palavras ou frases negativas que recebemos. Que Deus destrua toda palavra que foi proclamada contra nós e família, as quais representamos.
Conceda-nos, agora, uma demonstração da Sua misericórdia e uma efusão do Seu Sangue sobre o sangue de cada um de nós, eliminando todos os sentimentos de dor, mágoa, feridas ocultas causadas por palavras ou frases negativas que os nossos ouvidos possam ter ouvido e trazemos no coração.
Quebra, Jesus, toda raiz dessa maldição e cura todas as feridas, trazendo paz, harmonia e ordem na vida dos seus filhos.
Jesus, ao censurar os fariseus, disse-lhes: “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12,34). E a advertiu nos versículos 36 e 37: “Mas eu lhes digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado. Pois por suas palavras você será absolvido, e por suas palavras será condenado”.
Olha que palavra forte Jesus pronunciou, porque não há nada pior que a língua, e nada melhor do que a língua, pois depende do modo que a usamos. Se amaldiçoamos, também carregamos os efeitos negativos do mal; se ferimos com a língua, também carregamos os ferimentos dessas feridas; mas se abençoamos, a bênção será dobrada; se proclamamos a cura para nós, a cura vem dobrada.
Quais são os pontos que precisamos analisar?
Dos venenos da língua, precisamos renunciar diariamente e pedir que o Sangue de Cristo lave cada palavra proferida da nossa boca.
A língua trabalha com palavras que destroem, e ela é indomável e incoerente, pois as palavras podem distorcer, espalhar boatos, alterar fatos para denegrir a imagem do outro. Falamos mal do próximo e, muitas vezes, calamos quando deveríamos falar, ou falamos quando deveríamos nos calar.
Que Deus nos ajude a usar a nossa língua para glorificar e abençoar o próximo. Senhor, peçamos que lave toda a nossa língua e nossa boca com o Seu Sangue, livrando-nos de todo o mal proferido pelas palavras que proclamamos. Livra-nos também lavando os nossos ouvidos de todo mal das palavras que ouvimos.
Deus está nos curando
Ele cura todos aqueles que não tinham referência, viviam na depressão e no pânico por palavras que pronunciaram negativamente contra cada um de nós. Também seremos curados das feridas que trazemos desde o ventre materno, porque seus pais diziam que não queriam esse bebê por não estarem preparados.
Essas palavras de maldição estão sendo quebradas, e todo aquele sentimento de falta de referência, de vazio e morte que sentíamos está caindo por terra, por isso recebemos a cura.
Deus está quebrando e destruindo todos os males causados na nossa vida.
Recomendo que, o livro ‘Por suas feridas fosses curados’, possamos fazer o cerco de Jericó do Sangue do Cordeiro e invocarmos as chagas e o Sangue de Jesus, para que toda a maldição da língua, para que as palavras que proferimos ou proferiram contra nós sejam quebradas.
Deus o abençoe e lhe dê a paz!
Canção Nova / Portal Kairós
A relação profunda entre mãe e filho
/em Artigos católicosDesde o momento da concepção, há uma relação profunda entre mãe e filho, sob os aspectos físico, psicológico e espiritual. A relação física, via cordão umbilical, estabelece uma efetiva interdependência, sob pena de não chegar ao fim a gestação, conforme as leis da natureza.
A ciência demonstra que, na fase da gestação, a relação afetiva da mãe com o embrião/feto é sumamente importante, em vista de um harmonioso desenvolvimento de sua personalidade. A dimensão espiritual da relação entre mãe e filho revela-se sempre consistente, qualquer que seja a linguagem do sentimento que expressa alegria, tristeza, confiança, apreensão. A relação entre mãe e filho é de caráter existencial. A mãe percebe isso, racional e afetivamente. Assim, as mães sabem, por experiência, que esse “denominador comum”, a maternidade, as torna mais próximas e mais solidárias, nas alegrias e adversidades do dia a dia. De seu lado, o coração do filho é o melhor termômetro de identificação do amor materno, sempre solidário.
Em razão de sua natureza e missão, a vocação à maternidade é um “chamado à santidade”. O Papa Francisco, em sua Exortação apostólica Gaudete et Exsultate, “sobre o chamado à santidade no mundo atual”, escreve: “Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais.” (GE, n. 14)
Na Sagrada Escritura e na história da Igreja, há mulheres que são autênticas referências de maternidade e de santidade. Nesse sentido, a Igreja Católica ensina que Maria é o protótipo de mulher, filha, esposa e mãe. Sua maternidade, que é de natureza divina, ao gerar Jesus, “concebido pelo poder do espírito Santo”, estende-se, espiritualmente, a quem faz a vontade de Deus: “Muita gente estava sentada em volta de Jesus, e lhe disseram: ‘Olha, tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs te procuram lá fora.’ Ele lhes respondeu: ‘Quem é minha mãe e meus irmãos?’ E olhando em volta para os que estavam sentados ao seu redor, Jesus disse; ‘Eis minha mãe e meus irmãos. Pois que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe’.” (Mc 3, 32-35)
No seu calendário santoral, a Igreja propõe aos fiéis a imitação de homens, de mulheres, de casais, de filhos e filhas que, no seu tempo e lugar, cultivaram a santidade, inerente à sua vocação, como ideal de vida. Como exemplo, a Igreja celebra a memória de uma mãe e de um filho – Santa Mônica e Santo Agostinho –, respectivamente, nos dias 27 e 28 de agosto. Antes de morrer, tendo Agostinho ao seu lado, ela disse: “Filho, quanto a mim, nada mais me agrada nesta vida.
Que faço ainda e por que ainda aqui estou, não sei. Toda a esperança terena já desapareceu. Uma só coisa fazia-me desejar permanecer por algum tempo nesta vida: ver-te cristão católico, antes de morrer. Deus me atendeu com a maior generosidade, porque te vejo até como seu servo, desprezando a felicidade terrena. Que faço aqui?” De sua parte, Santo Agostinho, sempre assistido e acompanhado por Santa Mônica, após “uma juventude perturbada, quer intelectualmente, quer moralmente, converteu-se e foi batizado”.
Ele testemunha em suas Confissões: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.”
Nesses tempos de agressão à vida intrauterina, mediante a prática do Aborto, e a mobilização pela sua descriminalização, a defesa da vida, que é um dom de Deus, sempre deve ser feita por quem tem coração e fé. A relação entre mãe e filho, com seus traços físicos, psicológicos e espirituais, se fortalece com a voz da ternura e a força do amor.
Dom Genival Saraiva
Bispo Emérito de Palmares (PE)
CNBB / Portal Kairós
Reflita sobre a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica
/em Artigos católicosUma Igreja Santa
Neste artigo, serão tratados alguns aspectos a respeito do atributo “santa”. Assim, quero afirmar, logo nas primeiras linhas deste artigo, que a nossa Igreja é santa! Uma vez feita essa afirmação, pode surgir, então, uma pergunta: “Como crer, firmemente, que a Igreja é realmente Santa diante de tantos escândalos apresentados pelos noticiários televisivos, pelas revistas e a internet?”.
Situações de desvios dentro da Igreja
Sem muito procurar, encontramos casos gravíssimos de pedofilia, roubo, desvios de dinheiro e heresias praticadas por tantos membros indignos que estão bem longe de dar testemunho da verdade e de santidade. Repito, então, a pergunta: “Como ainda podemos afirmar que a Igreja Católica é santa diante de tantos escândalos e pecados?” “Será mesmo que a Igreja Católica é santa?”.
Essa pergunta, um tanto capciosa, é respondida pelo Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 823, de forma concisa e direta, quer dizer, sem deixar margem para especulações: “A Igreja é, aos olhos da fé, indefectível”, ou seja, sem defeito nenhum.
Muitas pessoas podem estar cometendo um engano ao dizer que a Igreja é santa e pecadora. Essa expressão, muitas vezes ditas a esmo, pode ser deficiente ou não expressar uma verdade. O mais correto seria dizer que a Igreja é santa, formada por membros pecadores. A Igreja não é pecadora! De forma nenhuma! A diferença é sutil, mas é muito importante que sejam feitas essas distinções.
A “doença” está nos membros da Igreja, não na Igreja
Certa vez, ouvi uma explicação muito interessante de um padre. Ela pode ser usada como um bom meio para explicar essa situação que levantamos. Tente imaginar um grande clube, desses que possuem várias piscinas e tobogãs que fazem o maior sucesso no verão. Agora tente imaginar que uma parte dos sócios desse clube foram acometidos por uma doença qualquer.
Diante desse quadro, seria correto afirmar que o clube está doente? Claro que não! O clube está lá, pronto para receber seus sócios, porém, alguns não o podem frequentar, porque estão doentes. O clube, portanto, não está doente, mas alguns sócios desse clube estão doentes.
Sei que a comparação é bastante simplória, mas nos ajuda a bem entender a afirmação: “A Igreja é santa, mas formadas por pecadores”. Assim, deveríamos ter mais atenção ao afirmarmos simplesmente que a Igreja é pecadora.
Papas pedem perdão pelos erros cometidos pelos filhos da Igreja
No ano 2000, quando a Igreja e o mundo se preparavam para a chegada do Novo Milênio, o Papa São João Paulo II tomou uma atitude que movimentou os noticiários de todo mundo. Ele veio a público e pediu perdão pelos pecados cometidos pelos filhos da Igreja. Mas, o que foi noticiado pela mídia de todo o mundo foi algo bem diferente.
Basta uma rápida pesquisa nos sites de busca e você mesmo poderá comprovar. As notícias receberam os seguintes títulos: “Papa pede perdão por abusos da Igreja Católica” ou “O Papa João Paulo II pediu perdão pelos erros da Igreja”. Perceba bem, os noticiários dão conta que os “abusos” ou os “erros” foram cometidos pela Igreja.
Mais recentemente, foi a vez do Papa Francisco fazer pedidos de perdão em nome da Igreja e, mais uma vez as notícias receberam os seguintes títulos: “Papa Francisco pede perdão a Deus por falhas da Igreja” ou “Papa pede perdão pelos horrores cometidos pela Igreja”. Aqui, as “falhas” e os “horrores” também foram colocados na conta da Igreja.
Equívocos midiáticos
Note que, tanto no primeiro exemplo quanto no segundo, o erro é sempre da Igreja, nunca dos seus membros. Não se trata de fazer rigorismos com os títulos dessas notícias, mas os ajustar para que a Doutrina e o pensamento da Igreja não sejam feridos inadvertida ou indevidamente por maldade ou ignorância. Em ambos os casos, tanto o Papa São João Paulo II quanto o Papa Francisco não estavam pedindo perdão pelos pecados da Igreja, afinal, ela não é pecadora, mas pelos pecados cometidos por seus filhos.
Esta humilde conduta por parte da Igreja pode ser comparada à conduta de uma mãe que pede perdão a alguém que fora ofendido por seu filho. Não foi ela, a mãe, que cometeu a ofensa, porém, ela se sente responsável pela má conduta de seu filho. Certamente, a Igreja, ao fazer isso, está seguindo o ensinamento de Jesus que, mesmo sem ter pecado nenhum, fez-se pecador para trazer ao mundo a salvação.
A Igreja ajuda seus fiéis a alcançarem a perfeição
Para concluir, o bem-aventurado Paulo VI, no número 19 do “Motu Proprio”, lançado em 1968, em virtude da conclusão do “Ano da Fé”, afirma que a Igreja “é santa, apesar de incluir pecadores no seu seio”. Sendo assim, ela – a Igreja – “sofre e faz penitência por essas faltas”. Faltas essas, assumidas por Cristo na Cruz. O parágrafo 827 do Catecismo da Igreja Católica ainda completa afirmando que a Igreja reúne “pecadores alcançados pela salvação de Cristo, mas ainda em via de santificação”.
Sempre evite dizer que a Igreja é pecadora, pois ela não o é. Diga sempre que puder: a Igreja é santa e indefectível.
Conclusão:
No próximo artigo, trataremos o terceiro atributo da Igreja: “Católica”. Por que a Igreja é católica? Caso não queira esperar pelo próximo artigo, você já pode fazer a leitura do parágrafo 830 e seguintes do Catecismo da Igreja Católica.
Deus abençoe você. Até a próxima!
Seminarista Gleidson de Souza Carvalho (Instagram: @cngleidson)
Missionário da Comunidade Canção Nova
Canção Nova / Portal Kairós
Como fortalecer as próprias escolhas?
/em Artigos católicosÉ preciso escolher, mas também fortalecer as escolhas sem desanimar diante dos obstáculos
Na certeza de que podemos sempre escolher e de que a escolha é sempre um ato livre de vontade, é preciso também saber fortalecer as escolhas feitas, para não ficar somente em belas frases prontas.
Quem escolhe e não fortalece a própria escolha acaba ficando sem nenhuma delas, pois as duas opções passarão.
Seja firme na sua escolha
Quando falo de fortalecer a escolha feita, quero dizer que não se deve buscar outras escolhas. Muito pelo contrário, volta-se à escolha feita, todos os dias, para que ela não se perca nem se enfraqueça; afinal de contas, o amor que não é dito é perdido.
Escolher e não corresponder à própria escolha, muito mais que um prejuízo, é uma verdadeira traição a si mesmo. Por quê? Quando se faz uma escolha, gasta-se certa dosagem de neurônios, pois é preciso avaliar as partes e as opções que se têm.
Gastamos tempo pensando naquilo que será mais prazeroso e melhor para nós. Empenhamos certa esperança, pois, no ato da escolha, não temos ainda o resultado que virá no pós-escolha, por isso, cria-se certa espera no resultado, e isso nos desgasta um pouco. Por essa razão, quando não correspondemos à escolha feita por nós, promovemos uma verdadeira traição não aos outros, mas a nós mesmos, ao nosso desgaste, à nossa esperança, ao nosso tempo.
Saber escolher é uma arte que precisa e pode ser aprendida por cada pessoa. É claro que, ao fazermos uma escolha, por ainda não termos o resultado final, corremos o risco de nos decepcionarmos, pois aquilo que foi escolhido não é capaz de corresponder com as nossas expectativas. Aqui está o problema: no ato da escolha, estamos escolhendo a coisa em si ou aquilo que achamos que seja a coisa em si.
Por que devemos escolher confiar e esperar?
Não deixe de escolher por medo
Nos nossos tempos, estamos vivendo um fenômeno diferente. Diante da possibilidade de a nossa escolha não dar certo, não estamos fazendo nenhuma. Ou seja, para não correr o risco de nos decepcionarmos, não escolhemos nada.
Com medo da frustração que cada escolha tem, é melhor não escolher nem assumir um compromisso definitivo. Escolher é contar com a realidade de uma satisfação: a de poder escolher. E também de uma frustração: a de não poder escolher tudo. Enquanto se escolhe com a pretensão de não viver a frustração, não se faz uma escolha definitiva, mas uma tentativa de vida feliz, e não um verdadeiro investimento que empenha a própria vida, para que ela seja feliz.
A escolha não é um investimento sobre a circunstância de uma vida sem problemas, sem dores nem sofrimentos, mas o investimento da verdadeira liberdade interior, que não é condicionada pelo externo, mas por Aquele que está dentro, o essencial: Deus.
Padre Anderson Marçal
Padre da Igreja Católica Apostólica Romana. Natural da cidade de São Paulo (SP), padre Anderson é membro da comunidade Canção Nova desde o ano 2000. No dia 16 de dezembro de 2007, foi ordenado sacerdote. Estudou Teologia Pastoral Bíblica-Litúrgica na Universidade Salesiana de Roma.