Síndrome nas redes sociais e por que ninguém faz nada?

Síndrome nas redes sociais e por que ninguém faz nada?

Começando a escrever essas linhas, fez-me lembrar de 2016. Ao acordar, a primeira notícia com que me deparo é o martírio do padre Jacques Hamel, ocorrido nesta manhã durante a celebração de uma Santa Missa na França. Como era de se esperar, o ocorrido não foi veiculado integralmente na grande mídia e não vi “defensores” dos Direitos Humanos lançarem uma campanha “Je suis Père Hamel”. Porém, me detive num fenômeno tão sentimentalista quanto.

Como é de se esperar as pessoas reagiram a um ataque terrorista. Como foi um ataque contra um grupo cristão, os cristãos – é evidente que não foram todos, sequer foi a maior parte – reagiram: tomaram em armas e foram combater a invasão horizontal dos bárbaros na Europa. Mentira, claro que não fizeram isso. Então eles teriam iniciado uma campanha mundial de oração pelos cristãos perseguidos? Também não. Talvez formaram um grupo de pregação e foram para onde a Igreja é perseguida evangelizar? Definitivamente não.

Numa enorme onda de indignação e zelo, uma parte dos católicos se juntou para, corajosamente… isso mesmo, trocar a foto do facebook, compartilhar o nome do sacerdote mártir e – pasmem – criticar as ações do Santo Padre – sim, aparentemente o Vigário de Cristo estar na Jornada Mundial da Juventude, e a própria Jornada são atitudes “anticatólicas”. Nas redes sociais se encerrou todo o ímpeto daqueles que dizem se importar com a perseguição sofrida pela Igreja e com a decadência da Europa.

Meu intuito aqui é mostrar, sobretudo, como o sentimentalismo tóxico impregnou as ações não só dos grupos católicos, mas também dos grupos políticos, e como isso desmobiliza as ações boas e facilita a invasão bárbara sofrida pelo Ocidente.

Numa conversa com grandes amigos, clara e justamente indignados com as atrocidades cometidas pelos maometanos, foi dito que indignação não adianta, “Ok, mas ser indiferente também não!”, respondeu um deles. De fato, ele está certo. A proposta de Cristo não é a indiferença – ou o pacifismo. Diante daqueles que entram em nossas igrejas, estupram nossas mulheres e destroem nossa cultura, dizer que o “Islã é religião de paz” e ignorar os fatos não só é contraproducente como também é apoiar o genocídio que ocorre debaixo de nossos narizes, ou simples ignorância.

Como eu sempre procuro deixar claro em minhas falas, senão num extremo nem no outro, onde está a virtude? Qual posição tomar? Creio que a atitude de um cristão autêntico deve ser a mesma postura de Cristo (parecida com a de Sócrates no conteúdo, mas um pouco diferente quanto ao fim) e dos mártires: devemos ser corajosos.

Ora, que é, pois, a coragem que devemos pôr em prática? O cardeal Robert Sarah, no livro Deus ou Nada, diz que não há necessidade de coragem para falar contra a Igreja, mas sim para aderir à Fé. A Fé “adulta” é aquela dos cristãos que morrem todos os dias na África, na Ásia e agora na Europa. É a fé de todos os mártires que seguiram a Cristo.

Diante de Pilatos, Cristo não “bateu de frente” com ele, não disse que o governador romano não tinha poder para prendê-lo, mas, ao contrário, confirmou o poder romano sobre sua vida terrena. “O meu Reino não é deste mundo”, disse Nosso Senhor, “não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado”. Eis a Coragem da Verdade! Eis a coragem que não foge frente a injustiça mas permanece firme e convicto frente ao poder do mundo, das armas!

O problema da era das redes sociais é justamente esse: as pessoas demonstram mas não direcionam suas forças ao que é efetivo.

Na obra “O Diálogo das Carmelitas”, Georges Bernanos descreve uma conversa entre o sacerdote do convento e a Irmã Branca da Agonia de Cristo[1]: “Eles te chamam de fora da lei”, diz a jovem freira ao sacerdote que responde, “o que a lei garante? Os nossos bens e nossa vida. Ora, aos bens nós já renunciamos e nossa vida está nas mãos de Deus. Eles não podem fazer mais nada”. Eis a coragem cristã.

Em meu último texto, contei a história do bem-aventurado Jose Luis Sanchez, mártir cristero. A postura daquele garoto diante dos algozes é uma clara manifestação da virtude da Fortaleza. Não a virtude humana, mas a virtude do Espírito Santo. “Entre seus atos de coragem, disse: ‘Por que me oferecem liberdade? Sou seu inimigo! Fuzilem-me! Viva Cristo Rei!’”.

Que quero dizer com esses exemplos? Devemos ficar inertes vendo nossos irmãos morrem? Não, jamais! Devemos TRABALHAR contra os inimigos de Cristo, por Deus, pela Igreja! Mas porque não o fazemos? Porque o sentimentalismo nos intoxicou. Vivemos numa época de aparências, onde as pessoas querem mostrar seu sentimento. Mostrar e nada mais. Mas esta não é a postura de Cristo. Ele não ficou inerte, muito menos ficou se fazendo de vítima.

Um grande amigo fez uma observação interessante sobre a Via Crucis. No momento em que Cristo encontra com as mulheres que choram e Nosso Senhor lhes diz: “Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos. […]Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco?” (Lc 23, 28.31). A tristeza das mulheres era falsa? Parece que não, mas sua demonstração era exagerada, elas não enfrentaram a situação como o Cristo, com coragem.

O problema da era das redes sociais é justamente esse: as pessoas demonstram – geralmente para mostrarem uma falsa disposição interior – mas não direcionam suas forças ao que é efetivo.

No livro “Podres de Mimados”, Theodore Dalrymple dedica um capítulo inteiro à manifestação pública do sentimentalismo citando o caso da menina Madeleine. Filha de pais milionários ela desapareceu durante uma viagem da família. O que os pais fizeram além de chamar a atenção da mídia mundial? Isso mesmo, um website que vendia pulseiras com o nome da criança. Agora, como se encontra uma criança desaparecida comprando uma pulseira com seu nome? Isso mesmo, da mesma forma que se para os atentados contra os cristãos mudando a foto do facebook e demonstrando sua indignação.

Por isso o sentimentalismo nunca é efetivo e, na verdade, atrapalha. A pessoa publica sua indignação na timeline e só se recorda no ano seguinte porque essa é uma ferramenta do facebook. Como bem disse o Pe. Jose Eduardo – a quem peço desculpas por copiar descaradamente – “até nos chocamos num primeiro instante, mas logo depois nos tranquilizamos e voltamos comodamente à vidinha. Vejam como o humanismo nos desumanizou!”.

O que nos é efetivo aqui, na Terra de Santa Cruz? A perseguição que sofremos aqui ainda não é – e com a Graça de Deus, por intermédio da Santa Virgem Aparecida, nunca será – física, então devemos usar os meios de que dispomos para “alargar cá em baixo as fronteiras do Reino de Deus”[2]. Como? No trabalho ordinário, na oração, no jejum, na Santa Missa, sendo santos, vivendo cristãmente, sem exageros ideológicos, nunca desprezando um infiel – seja ele islâmico, protestante, etc. – mas trabalhando por sua conversão.

E o que fazer quando somos atacados? Se um muçulmano vier me atacar porque sou cristão? Defenda-se. Nunca esqueçamos que existe uma guerra justa. Reitero o dito acima: o cristianismo não é pacifista. Coragem e Prudência sempre! Nunca na intenção de se auto-afirmar, mas tudo ad majorem Dei gloriam!

 

Igor Andrade – Assoc. São Próspero

[1] Tragicamente, não tenho o livro em mãos, então ponho aqui as palavras que me recordo.
[2] Regra da Milícia de Santa Maria.

O fiel católico / Portal Kairós

Hoje leve Maria para sua casa

A presença de Nossa Senhora não pode faltar, porque ela é o grande e verdadeiro remédio para todas as nossas dores, para todas as dificuldades pelas quais a nossa família passa. Portanto, não tenha receio, traga ela depressa para a sua casa. Fale com seu jeito, seu coração, suas palavras e, se não conseguir, fale com seus gestos. Ela não pode faltar na sua casa!

Mesmo que você já tenha levado antes, neste 12 de outubro, de maneira especial, segure na mão de Maria. Precisamos lutar contra as tribulações que vêm contra nós. O mundo não nos quer no novo céu nem na nova terra, mas Nossa Senhora estará sempre conosco nos momentos bons e nos ruins. Busquemos a presença dela em nossas vidas.

Maria tem triunfado, tem vencido as lutas e ainda triunfará muito mais no decorrer de nossa história. Ela terá a primeira participação no triunfo da Terra, e virá com Jesus buscar Seus filhos. Nossa Senhora virá para que nós também sejamos ressuscitados com ela.
Um dia, estaremos com o corpo ressuscitado, na glória, como Maria. Essa é a grande verdade! Meus irmãos, toda morte, todo luto, toda dor desaparecerá. Tudo passará! É claro que existe dor, mas se até Maria passou por ela, nós também passaremos. O próprio Senhor enxugará todas as nossas lágrimas.

Hoje, mais uma vez, Nossa Senhora vem nos dizer que está conosco. Tenhamos essa certeza: somos filhos de Maria, temos uma Mãe, nossa protetora.

Obrigado Nossa Senhora, porque és nossa Mãe e nos visitas. Obrigado por entrar em nossa vida, fazer parte do que vivemos. Anuncia-nos para uma nova terra, para junto de ti, para que assim participemos do teu triunfo.

 

Seu irmão,
Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova, presidente da Fundação João Paulo II, mantenedora do Sistema Canção Nova de Comunicação, em Cachoeira Paulista (SP) e reitor do Santuário do Pai das Misericórdias. É um dos religiosos que mais se destacou utilizando os meios de comunicação na ação evangelizadora da Igreja Católica, na América Latina. Autor de 57 livros, CDs e DVDs, além de várias palestras em áudio e vídeo.

 

Canção Nova / Portal Kairós

Maria, Mãe de Deus e nossa

O dia 12 de outubro para nós é uma data muito importante, pois celebramos a festa da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida que, desde 1717, após a aparição de sua imagem, simples e quebrada, nas águas do Rio Paraíba, transformou a fé de um povo.

O carinho que sinceramente devotamos a Nossa Senhora nos faz recordar a sua maternidade para conosco. Maria é nossa Mãe, nossa advogada, nossa intercessora. Não encontramos muitas palavras de Maria nas Sagradas Escrituras, e essa simplicidade e discrição precisam falar aos nossos corações. Para essa meditação, trago três imagens do Evangelho, para que fiquem impressas em nossos corações:

A primeira delas é de Nossa Senhora do Sim: “Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.” (Lc 1, 38). A postura da Mãe é para nós um grande exemplo! Precisamos ter o coração disponível para os projetos de Deus. Por mais que em alguns momentos não saibamos o que acontecerá depois, precisamos nos lançar naquela mesma fé e responder como ela: “Eis aqui o servo, a serva, do Senhor. Faça-se em mim, segundo a tua Palavra.

A segunda imagem é a que encontramos nas Bodas de Caná, quando descobrimos o grande papel intercessor de Maria, quando diz a Jesus: “Eles não tem mais vinho!”. Nossa Senhora está sempre atenta às necessidades de seus filhos. Ela intercede por nós! Em meio às nossas fraquezas e dificuldades, recebemos do alto da Cruz uma Mãe para cuidar e interceder por nós, como Jesus disse ao discípulo amado: “Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. “Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” (Jo 19, 26-27). O relato das Bodas de Caná ainda nos traz um outro grande ensinamento: A Mãe nos ensina o que precisamos fazer para vivermos bem, para alcançarmos a felicidade plena: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

Por fim, a terceira imagem que gostaria de partilhar é a que se encontra no Evangelho de São João, capitulo 19, versículo 25: “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena”. Maria estava de pé, apesar do intenso sofrimento que Jesus passava. Ela nos ensina que devemos enfrentar os sofrimentos e adversidades de nossas vidas de cabeça erguida, de pé, acreditando sempre na graça e providência divinas. Quando nos abandonamos nas mãos do Senhor, nossa fé e esperança são renovadas e, assim, poderemos seguir em frente, sem desanimar.

Que a Mãe Aparecida interceda por cada um de nós, seus filhos, para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Jesus Cristo.

 

Pe. Heldeir Gomes Carneiro
Coordenador Nacional do Ministério Cristo Sacerdote

Portal Kairós

Quais são os venenos que podem sair da nossa língua?

Rezemos para Deus quebrar as maldições que chegaram a nós pela língua

Nenhuma pessoa consegue dominar a língua. É um mal incontrolável e cheio de veneno mortal, pois, com a língua, bendizemos o Senhor e Pai, porém, ela amaldiçoa nossos semelhantes criados à imagem de Deus.

A Palavra de Deus, no livro de Tiago 3,7, relata-nos: “Porque toda a natureza, tanto de bestas feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, amansa-se e foi domada pela natureza humana”.

Oremos e reflitamos com a Palavra de Deus

O Livro de Provérbios 18,21 nos diz que a língua pode ser uma fonte de vida ou um veneno mortífero, pode dar vida ou matar. Já Tiago 3,2 diz: “Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo”.

Veja a importância das nossas palavras, pois se alguém não tropeça no falar, é perfeito.

O homem pode domar toda espécie de feras, aves, répteis e seres marinhos, mas nenhum dos homens é capaz de domar a língua. Ela é o mal incontido e carregado de veneno mortífero, por isso, veja como é importante fazermos uma reflexão de oração, porque o pecado da língua é tão sério, que ocupa todo o capítulo 3 e parte do capítulo 4 da epístola de São Tiago.

Muitos males têm sido causado por uma só palavra proferida, porque elas ferem, matam, magoam, semeiam dúvidas, fazem pecar e geram ódio. Uma palavra ou uma frase pode doer mais que qualquer dor física.

A dor física pode cessar com um medicamento, mas a dor provocada por uma palavra ou frase, muitas vezes, nem o tempo apaga; e quando apaga, costuma deixar cicatrizes de muita dor e sofrimento na vida e na alma das pessoas.

Destruindo as palavras negativas

Senhor, quero pedir que venha destruindo toda a ação de miséria, dor e sofrimento que estão acabando com nossa vida por palavras ou frases negativas que recebemos. Que Deus destrua toda palavra que foi proclamada contra nós e família, as quais representamos.

Conceda-nos, agora, uma demonstração da Sua misericórdia e uma efusão do Seu Sangue sobre o sangue de cada um de nós, eliminando todos os sentimentos de dor, mágoa, feridas ocultas causadas por palavras ou frases negativas que os nossos ouvidos possam ter ouvido e trazemos no coração.

Quebra, Jesus, toda raiz dessa maldição e cura todas as feridas, trazendo paz, harmonia e ordem na vida dos seus filhos.

Jesus, ao censurar os fariseus, disse-lhes: “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12,34). E a advertiu nos versículos 36 e 37: “Mas eu lhes digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado. Pois por suas palavras você será absolvido, e por suas palavras será condenado”.

Olha que palavra forte Jesus pronunciou, porque não há nada pior que a língua, e nada melhor do que a língua, pois depende do modo que a usamos. Se amaldiçoamos, também carregamos os efeitos negativos do mal; se ferimos com a língua, também carregamos os ferimentos dessas feridas; mas se abençoamos, a bênção será dobrada; se proclamamos a cura para nós, a cura vem dobrada.

Quais são os pontos que precisamos analisar?

Dos venenos da língua, precisamos renunciar diariamente e pedir que o Sangue de Cristo lave cada palavra proferida da nossa boca.
A língua trabalha com palavras que destroem, e ela é indomável e incoerente, pois as palavras podem distorcer, espalhar boatos, alterar fatos para denegrir a imagem do outro. Falamos mal do próximo e, muitas vezes, calamos quando deveríamos falar, ou falamos quando deveríamos nos calar.

Que Deus nos ajude a usar a nossa língua para glorificar e abençoar o próximo. Senhor, peçamos que lave toda a nossa língua e nossa boca com o Seu Sangue, livrando-nos de todo o mal proferido pelas palavras que proclamamos. Livra-nos também lavando os nossos ouvidos de todo mal das palavras que ouvimos.

Deus está nos curando

Ele cura todos aqueles que não tinham referência, viviam na depressão e no pânico por palavras que pronunciaram negativamente contra cada um de nós. Também seremos curados das feridas que trazemos desde o ventre materno, porque seus pais diziam que não queriam esse bebê por não estarem preparados.

Essas palavras de maldição estão sendo quebradas, e todo aquele sentimento de falta de referência, de vazio e morte que sentíamos está caindo por terra, por isso recebemos a cura.

Deus está quebrando e destruindo todos os males causados na nossa vida.

Recomendo que, o livro ‘Por suas feridas fosses curados’, possamos fazer o cerco de Jericó do Sangue do Cordeiro e invocarmos as chagas e o Sangue de Jesus, para que toda a maldição da língua, para que as palavras que proferimos ou proferiram contra nós sejam quebradas.

Deus o abençoe e lhe dê a paz!

Canção Nova / Portal Kairós

A relação profunda entre mãe e filho

Desde o momento da concepção, há uma relação profunda entre mãe e filho, sob os aspectos físico, psicológico e espiritual. A relação física, via cordão umbilical, estabelece uma efetiva interdependência, sob pena de não chegar ao fim a gestação, conforme as leis da natureza.

A ciência demonstra que, na fase da gestação, a relação afetiva da mãe com o embrião/feto é sumamente importante, em vista de um harmonioso desenvolvimento de sua personalidade. A dimensão espiritual da relação entre mãe e filho revela-se sempre consistente, qualquer que seja a linguagem do sentimento que expressa alegria, tristeza, confiança, apreensão. A relação entre mãe e filho é de caráter existencial. A mãe percebe isso, racional e afetivamente. Assim, as mães sabem, por experiência, que esse “denominador comum”, a maternidade, as torna mais próximas e mais solidárias, nas alegrias e adversidades do dia a dia. De seu lado, o coração do filho é o melhor termômetro de identificação do amor materno, sempre solidário.

Em razão de sua natureza e missão, a vocação à maternidade é um “chamado à santidade”. O Papa Francisco, em sua Exortação apostólica Gaudete et Exsultate, “sobre o chamado à santidade no mundo atual”, escreve: “Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais.” (GE, n. 14)

Na Sagrada Escritura e na história da Igreja, há mulheres que são autênticas referências de maternidade e de santidade. Nesse sentido, a Igreja Católica ensina que Maria é o protótipo de mulher, filha, esposa e mãe. Sua maternidade, que é de natureza divina, ao gerar Jesus, “concebido pelo poder do espírito Santo”, estende-se, espiritualmente, a quem faz a vontade de Deus: “Muita gente estava sentada em volta de Jesus, e lhe disseram: ‘Olha, tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs te procuram lá fora.’ Ele lhes respondeu: ‘Quem é minha mãe e meus irmãos?’ E olhando em volta para os que estavam sentados ao seu redor, Jesus disse; ‘Eis minha mãe e meus irmãos. Pois que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe’.” (Mc 3, 32-35)

No seu calendário santoral, a Igreja propõe aos fiéis a imitação de homens, de mulheres, de casais, de filhos e filhas que, no seu tempo e lugar, cultivaram a santidade, inerente à sua vocação, como ideal de vida. Como exemplo, a Igreja celebra a memória de uma mãe e de um filho – Santa Mônica e Santo Agostinho –, respectivamente, nos dias 27 e 28 de agosto. Antes de morrer, tendo Agostinho ao seu lado, ela disse: “Filho, quanto a mim, nada mais me agrada nesta vida.

Que faço ainda e por que ainda aqui estou, não sei. Toda a esperança terena já desapareceu. Uma só coisa fazia-me desejar permanecer por algum tempo nesta vida: ver-te cristão católico, antes de morrer. Deus me atendeu com a maior generosidade, porque te vejo até como seu servo, desprezando a felicidade terrena. Que faço aqui?” De sua parte, Santo Agostinho, sempre assistido e acompanhado por Santa Mônica, após “uma juventude perturbada, quer intelectualmente, quer moralmente, converteu-se e foi batizado”.

Ele testemunha em suas Confissões: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.”

Nesses tempos de agressão à vida intrauterina, mediante a prática do Aborto, e a mobilização pela sua descriminalização, a defesa da vida, que é um dom de Deus, sempre deve ser feita por quem tem coração e fé. A relação entre mãe e filho, com seus traços físicos, psicológicos e espirituais, se fortalece com a voz da ternura e a força do amor.

 

Dom Genival Saraiva
Bispo Emérito de Palmares (PE)

CNBB / Portal Kairós