A Quarta-feira de Cinzas marca em toda a Santa Igreja o início do tempo da Quaresma, um tempo em que somos convidados a praticar o jejum, a penitência e a caridade. Não devemos confundir o período quaresmal com tristeza, com um ar de velório, mas muito pelo contrário, é um tempo no qual somos chamados por Deus a mudar algumas atitudes e chegarmos renovados na celebração da Páscoa. É o tempo do deserto, do encontro com o Senhor. Ela nos encaminha para a Páscoa!
Na Quarta-feira de Cinzas, todo católico deve participar da Santa Missa e receber em sua cabeça a imposição das cinzas. O significado não é simplesmente de receber as cinzas na cabeça, mas quer nos chamar à conversão: Convertei-vos e crede no Evangelho, e também dizer que do pó viemos e ao pó voltaremos. O povo do Antigo Israel para reparação de seus pecados punha cinzas na cabeça e se vestia de saco em sinal de penitência: “No dia vinte e quatro desse sétimo mês, o povo de Israel se reuniu para jejuar a fim de mostrar a sua tristeza pelos seus pecados. Eles já haviam se separado de todos os estrangeiros. Em sinal de tristeza, vestiram roupas feitas de pano grosseiro e puseram terra na cabeça. Então, se levantaram e começaram a confessar os pecados que eles e os seus antepassados haviam cometido. Durante mais ou menos três horas, a Lei do Senhor, seu Deus, foi lida para eles. E nas três horas seguintes, eles confessaram os seus pecados e adoraram o Senhor” (cf. Ne 9, 1-2).
A cinza feita com a queima dos ramos secos que foram abençoados no Domingo de Ramos do ano passado quer recordar que o sinal de nossa vida cristã e de nossa profissão de fé precisa ser renovado. Aliás, serão muitos os sinais que nos serão tirados durante a Quaresma e que só retornarão a partir da Semana Santa, culminando com a renovação das promessas batismais na noite da Vigília Pascal.
A Igreja no Brasil com a Quarta-feira de Cinzas também inicia a Campanha da Fraternidade, que é uma forma de tomarmos consciência de situações de pecados que têm repercussão no social e nos chama à conversão, além de toda a mudança de vida que nós somos chamados a vivenciar neste tempo favorável de jejum e penitência. Na Campanha da Fraternidade todo ano é escolhido um tema social, no qual somos chamados a viver e pô-lo em prática como um gesto concreto durante o período quaresmal. Um tema que alerta a todos nós católicos, mas também a nossa sociedade e os nossos governantes para olharem por aqueles que mais sofrem e que estão feridos em sua dignidade. Neste ano de 2020, o tema da Campanha da Fraternidade é: Fraternidade e Vida – Dom e compromisso, e o lema, “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (cf. Lc 10,33-34). Somos convidados a partir deste tema e deste lema a cuidar daqueles que estão feridos, esquecidos pela sociedade, que ninguém cuida, que as pessoas fingem que veem e não veem, passam adiante. Somos convidados a sermos bons samaritanos para essas pessoas e cuidar daqueles que se encontram feridos.
A intenção ao iniciar a Quaresma impondo cinzas em nossas cabeças é levar-nos ao arrependimento dos pecados, marcando o início da Quaresma, é fazer-nos lembrar de que não podemos nos apegar a esta vida, achando que a felicidade plena possa ser construída aqui. É uma ilusão perigosa. A morada definitiva é o céu.
Ao celebrarmos a Quarta-feira de Cinzas iniciamos o tempo que tem como símbolo o número 40, como encontramos em tantas outras situações do povo de Deus. Mas, de modo especial, recordamos os 40 dias que Jesus passou no deserto, sendo tentado por Satanás (iremos ouvir esse texto no primeiro domingo da Quaresma). Somos convidados a vencermos as tentações do mal no dia a dia, assim como Jesus conseguiu vencer. É o que o período quaresmal nos convida a vencer as tentações e procurar mudar de vida.
Recordamos, também, os 40 anos de peregrinação do Povo de Israel no deserto, até chegar na Terra Prometida, recordando-nos, assim, que a nossa vida é um caminhar (sair das escravidões de nossas vidas e caminhar para a vida da graça). Em cada ano renovamos essa passagem pelo deserto até chegar na Terra em que corre leite e mel. E para nós cristãos, peregrinamos aqui na Terra rumo ao Céu, onde nos encontraremos definitivamente com Deus e aguardaremos a ressurreição, assim como Jesus.
Isso nos mostra que a vida está em nós, mas não é nossa. Quando vemos uma bela rosa murchar, é como se ela estivesse nos dizendo que a beleza está nela, mas não lhe pertence.
Com a celebração da Quarta-feira de Cinzas, somos convidados a refletir que desta vida não levaremos nada, não adianta acumularmos riquezas, rancor ou ódio, ou mesmo revanchismos. Não levaremos nada daqui, mas somente o amor, a misericórdia e a compaixão, que demonstraremos aos nossos irmãos. Somente o bem que aqui plantamos e vamos colher no céu. Definitivamente, nos recorda que do pó viemos e ao pó voltaremos, por isso: convertei-vos e crede no Evangelho. Que a nossa vida não nos pertence, mas pertence a Deus.
Na Quarta-feira de Cinzas e durante o tempo quaresmal, na liturgia não se canta e nem se recita o Hino do Glória e nem o Aleluia, que só retomaremos (salvo exceções), com alegria e entusiasmo, na Vigília Pascal, na Noite Santa da Ressurreição do Senhor, porque assim entramos no sentido espiritual que esse tempo nos convida. Portanto, vivenciamos a Quaresma como um tempo voltado para a oração, a penitência e o jejum. O sacerdote durante esse tempo usa o paramento na cor roxa, chamando-nos a atenção para fazermos penitência. Há dois momentos durante o ano em que a Igreja nos exorta a fazer uma boa confissão, que é na Quaresma e no Advento. Para nos preparar para duas grandes celebrações da nossa fé – Páscoa e Natal. É claro que isso é mínimo, pois somos convidados a, em outros momentos do ano, nos confessarmos, mas esses são dois momentos fortes e propícios para isso.
Esmola, jejum e oração: tripé da espiritualidade quaresmal. Estas três palavras são propostas como características da espiritualidade da Quaresma: esmola, jejum e oração. A oração, sobretudo, deve animar a espiritualidade da Quaresma. Uma oração feita no silêncio do próprio quarto, da interioridade para meditar a Palavra, para deixar que a Palavra compenetre e transforme a nossa vida. E então, seremos capazes de jejum. Que a oração em que pedimos que o Senhor venha ao nosso encontro ilumine nosso itinerário quaresmal, para uma profunda conversão. Lembrando que não é só jejum da carne, dos alimentos, mas de palavras inúteis, do uso do celular em excesso, do uso das redes sociais em excesso, um jejum de multiplicar as fake news. A dimensão da esmola que se torna sensibilidade social, atenção aos mais pobres e solidariedade.
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2020/02/quarta-feira-de-cinzas-2020.png500750Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2020-02-23 10:27:012020-02-27 23:11:24Quarta-feira de Cinzas: o início da Quaresma 2020
A santidade não é privilégio de poucos. Todos estamos imersos na santidade de Deus,ao ponto de podermos dizer que difícil é não ser santo! A santidade em Deus é perfeição. Para nós, pecadores, ela se constitui como um caminho a ser trilhado sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda, ou seja, com convicção e perseverança.
O livro do Levítico apresenta a santidade do povo ligada à santidade de Deus. Se somos filhos de Deus, envoltos em seu amor, seguindo seus mandamentos, logo estamos envolvidos na maneira santa de Deus ser e agir. Negar a santidade ou achar-se indigno dela significa rejeitar a própria presença de Deus no mais íntimo de nós mesmos e de nossas comunidades. Por isso que a santidade é proposta de modo claro, direto e prático. Deixar de lado o ódio, a vingança e o rancor é comprometer-se com o modo de ser misericordioso próprio de Deus, conforme canta o salmo 102.
Jesus mostra que a perfeição de Deus passa pela lógica do amor. Ao analisar a lei dos antigos, constata que a obediência, sem o elemento do amor misericordioso, não leva o ser humano à perfeição. Enquanto o mal for respondido com o mal, ele reinará. O que é racionalmente óbvio nem sempre se traduz na prática do coração humano endurecido. Ainda hoje muitos acreditam que se possa praticar o mal para conter o mal, tudo em nome da justiça. Para Jesus, a justiça se cumpre no momento em que se coloca um ponto final na maldade que fere a vida fraterna em todos os seus âmbitos. Assim a santidade floresce, no meio da comunidade, e a vida se transforma.
A santidade vem de dentro, não de fora!
Paulo entende a proposta do Nazareno. Para anunciá-la aos Coríntios, ele procura não dar novos preceitos, mas mostrar que a raiz do agir justo está em reconhecer que o Justo mora no mais íntimo de nós. Ser templo de Deus, habitação de seu Espírito, significa afirmar que a Lei da justiça está em nossa essência, e não em mandamentos externos. A sabedoria verdadeira, em última instância, é sabermos que somos de Cristo. Essa consciência da presença da Trindade em nós vai nos deixando cada vez mais evidente que nosso agir tem de ser continuação do agir de Deus, ainda que nas limitações próprias de nossa existência. A santidade vai tomando conta de nosso ser à medida que deixamos Deus agir em nós de modo efetivo.
A liturgia de hoje nos leva a compreender como estamos longe da compreensão do que seja a verdadeira santidade. Admiramos os testemunhos heroicos daqueles que foram elevados à gloria dos altares, mas ainda não conseguimos chegar a compreender que a santidade é também uma realidade comunitária, na qual a ajuda mútua nos leva todos a sermos mais humanos e fraternos, mais justos e pacíficos, ou seja, mais santos. Vivamos, cada vez mais, a santidade nossas comunidades!
SUGESTÕES LITÚRGICAS
– Liturgia propícia para mostrar a força santificadora da comunidade.
– Na intenção da missa, pode-se colocar uma intenção especial pelas pessoas falecidas que se doaram pela vida da comunidade em modo santo e profético. – Ato penitenciai: recordar que a santidade é fruto da misericórdia vivida em comum, na compreensão e na ajuda mútua. Por isso, motiva-se o pedido de perdão. – Oferendas: durante as oferendas, destacar os agentes de diversas pastorais, juntamente com seus participantes, que constroem juntos a vida de santidade na comunidade.
– Integrar as pastorais voltadas à vida sacramental e social, mostrando que fé e caridade cristãs caminham juntas. – Envio da comunidade: ao final, representantes da pastoral familiar poderiam ler uma mensagem sobre a santidade na família, inspirando-se na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate (baixe), de Papa Francisco.
SUGESTÕES DE REPERTÓRIO
Abertura: Sê a rocha
Aclamação: Aleluia! Pois o verbo
Oferendas: A vós, Senhor
Comunhão: Felizes os pobres
Padre Anísio Tavares, C.Ss.R. / Portal Kairós
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2020/02/7-domingo-comum-reflexao-02.png500750Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2020-02-18 14:00:452020-02-28 14:50:15Reflexão e sugestão para a missa do 7° Domingo do Tempo Comum 2020
Jesus nos convida à santidade, que se revela na vivência do amor a Deus e ao próximo. Esse amor é sinal da nossa pertença a Cristo e do nosso compromisso em viver como irmãos e irmãs. A liturgia de hoje nos ajude em nosso esforço de sermos construtores da paz e da concórdia e de fazermos o bem a todas as pessoas, sem distinção.
Viver a santidade requer a firme decisão de seguir Jesus, amando nosso próximo do jeito que o Senhor nos pede.
ALGO A MAIS PELA PAZ
A lei do talião, “olho por olho, dente por dente”, ainda impera impiedosa acima das leis da compaixão e do amor. O que, porém, nos diferencia na sociedade, se simplesmente devolvemos agressividade a quem nos agride? Ou se simplesmente revidamos a ofensa? Ou se nos aprisionamos na mentalidade segundo a qual é preciso receber antes para dar depois? O que fazemos de mais?
O Mestre, que amou sem impor condições, ensinou que acolher o pecador não significa aceitar o pecado dele. Daí o desafio de estar abertos à justiça do Reino com um modo diferente de ser e agir, desarmando o agressor com uma atitude de resistência pacífica, que quebre o círculo vicioso da agressão, da violência e do mal.
Todos somos, de algum modo, vítimas da maldade humana. E, mesmo sem querer ou perceber, podemos também agir mal. Não é fácil desejar o bem a quem não nos ama ou nos maltrata, amar os inimigos e rezar por eles, deixar de ter pessoas em quem despejar nossos ódios, dissabores e frustrações.
Somos, porém, filhos de um mesmo Pai, o Deus que é bondoso para com todos. Deus é íntegro, completo, e por isso não faz injustiça. Sua perfeição é sua integridade. Sua justiça é seu amor, que não exclui os que erram. Daí a integridade a que Deus nos chama: ter um coração completo para amar a todos, não um coração que ama pela metade, dividindo as pessoas em boas e más.
É fundamental, então, nos perguntarmos: o que estamos fazendo de mais, sobretudo nestes tempos em que ondas de intolerância, ódio e violência invadem até os ambientes religiosos?
Deus não nos trata segundo nossas falhas, mas segundo sua própria bondade. Por isso mesmo, enquanto rezamos por nossos inimigos e não cedemos à lógica de retribuir o mal com o mal, continuamos a descobrir a bondade que se encontra dentro de nós mesmos e nos outros. E então, com atitudes concretas, podemos dar ao mundo o testemunho de que a justiça do Reino é a resposta transformadora, criativa e pacífica contra toda maldade e violência.
Pe. Paulo Bazaglia, ssp / Portal Kairós
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2020/02/7-domingo-comum-01.png500750Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2020-02-17 08:00:372020-02-17 10:07:2623 de fevereiro: Missa do 7° Domingo do Tempo Comum 2020
Como está a preparação da sua comunidade para a Campanha da Fraternidade deste ano? O Portal Kairós preparou uma série de dicas, vídeos de formação, materiais especiais e publicações que dão suporte para pessoas, comunidades, paróquias e dioceses se prepararem bem para viver a Campanha da Fraternidade 2020, cuja abertura será dia 26 de fevereiro.
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2020/02/os-melhores-materiais-cf-2020.png500750Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2020-02-15 21:24:482020-03-10 01:59:54Os melhores materiais para a Campanha da Fraternidade 2020
O Bom Samaritano como modelo de Ação Evangelizadora comprometida com o cuidado
CONTEXTUALIZANDO
A Campanha da Fraternidade 2020, que tem como tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso”, foi buscar na Parábola do Bom Samaritano (Lc 10), o modelo de relação e encontro que deve nortear a Missão da Igreja e, consequentemente, da Província. Os três verbos que aparecem no versículo que serve de lema – Ver, sentir compaixão e cuidar – remetem ao consagrado método adotado na caminhada eclesial de modo muito frequente a partir do Pós-Concílio Vaticano II. No exemplo pedagógico que apresenta, Jesus deixa bem claro qual é o ponto de partida da proposta de discipulado que Ele vem apresentar: de que maneira o Amor a Deus e ao próximo transforma concretamente as pessoas, as relações e o mundo.
VIU (1)
Mais do que um ato fisiológico de percepção da luz, das imagens e das cores, olhar é uma postura que se assume diante dos apelos e estímulos que nascem da realidade. O olhar, assim como as outras habilidades humanas, também pode ser treinado, dirigido e orientado de acordo com uma série de interesses, prioridades e valores. Na parábola do Bom Samaritano, podem ser identificados três tipos de olhar:
1) O olhar dos assaltantes – Viram naquele homem que passava uma oportunidade de obter benefício imediato sem grande empenho. Bastava usar um pouco da força física e da vantagem numérica para subtrair da vítima tudo o que ela possuía e que atendesse a seus interesses. Não tinham a menor preocupação em saber quem era aquele que passava nem estavam preocupados com sua vida de maneira que o deixaram ferido, espoliado e quase morto à beira do caminho. Trata-se do olhar do egoísmo, da exploração, do ódio, totalmente alheio aos princípios da ética, da empatia e da compaixão. É um olhar que mata, fere e que rouba a dignidade das pessoas. Este tipo de olhar está no germe da corrupção, da violência, do autoritarismo, da devastação da natureza, das grandes guerras, das gritantes desigualdades sociais e demais mazelas que assolam o Brasil e o mundo.
2) O olhar do levita e do sacerdote – É o olhar da indiferença, da inversão dos valores da incompreensão do que é prioritário. É a postura de quem “dá de ombros” diante de situações urgentes, em que a vida encontra-se frontalmente ameaçada. É a postura cantada pelo Padre Zezinho na célebre canção: “Seu nome é Jesus Cristo e passa fome e grita pela boca dos famintos. E a gente quando vê passa adiante, às vezes pra chegar depressa à igreja”. Nasce do individualismo, da sede crescente pelo consumo, da cultura do descartável, opções de vida que vêm sendo profundamente criticadas pelo Papa Francisco em seus discursos, entrevistas e nos documentos papais.
3) O olhar do samaritano – É o olhar solidário, do serviço e do comprometimento. Na cena em que os assaltantes enxergaram uma oportunidade de lucro fácil, o levita e o sacerdote viram um possível “estorvo” a seus programas préestabelecidos, o samaritano viu um irmão que necessitava de um cuidado urgente e imediato. Assim como os personagens anteriores, o samaritano não esteve interessado, num primeiro momento, em saber quem era aquele que jazia quase morto. Não era importante naquele momento. O prioritário era socorrê-lo e garantir-lhe a sobrevivência. Ali encontrou uma oportunidade única e inédita de amar. É o olhar da disponibilidade, da doação gratuita e da identificação com o outro, especialmente com suas lutas e dores. É o modo de olhar adotado por Jesus (cf. p.ex. Mt 9,36) e que Ele convida seus discípulos a também assumir.
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2020/02/texto-base-2020-pk.png563750Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2020-02-15 20:47:472020-03-12 15:00:49Resumão do texto-base da Campanha da Fraternidade 2020
Quarta-feira de Cinzas: o início da Quaresma 2020
/em Liturgia CatólicaA Quarta-feira de Cinzas marca em toda a Santa Igreja o início do tempo da Quaresma, um tempo em que somos convidados a praticar o jejum, a penitência e a caridade. Não devemos confundir o período quaresmal com tristeza, com um ar de velório, mas muito pelo contrário, é um tempo no qual somos chamados por Deus a mudar algumas atitudes e chegarmos renovados na celebração da Páscoa. É o tempo do deserto, do encontro com o Senhor. Ela nos encaminha para a Páscoa!
Na Quarta-feira de Cinzas, todo católico deve participar da Santa Missa e receber em sua cabeça a imposição das cinzas. O significado não é simplesmente de receber as cinzas na cabeça, mas quer nos chamar à conversão: Convertei-vos e crede no Evangelho, e também dizer que do pó viemos e ao pó voltaremos. O povo do Antigo Israel para reparação de seus pecados punha cinzas na cabeça e se vestia de saco em sinal de penitência: “No dia vinte e quatro desse sétimo mês, o povo de Israel se reuniu para jejuar a fim de mostrar a sua tristeza pelos seus pecados. Eles já haviam se separado de todos os estrangeiros. Em sinal de tristeza, vestiram roupas feitas de pano grosseiro e puseram terra na cabeça. Então, se levantaram e começaram a confessar os pecados que eles e os seus antepassados haviam cometido. Durante mais ou menos três horas, a Lei do Senhor, seu Deus, foi lida para eles. E nas três horas seguintes, eles confessaram os seus pecados e adoraram o Senhor” (cf. Ne 9, 1-2).
A cinza feita com a queima dos ramos secos que foram abençoados no Domingo de Ramos do ano passado quer recordar que o sinal de nossa vida cristã e de nossa profissão de fé precisa ser renovado. Aliás, serão muitos os sinais que nos serão tirados durante a Quaresma e que só retornarão a partir da Semana Santa, culminando com a renovação das promessas batismais na noite da Vigília Pascal.
A Igreja no Brasil com a Quarta-feira de Cinzas também inicia a Campanha da Fraternidade, que é uma forma de tomarmos consciência de situações de pecados que têm repercussão no social e nos chama à conversão, além de toda a mudança de vida que nós somos chamados a vivenciar neste tempo favorável de jejum e penitência. Na Campanha da Fraternidade todo ano é escolhido um tema social, no qual somos chamados a viver e pô-lo em prática como um gesto concreto durante o período quaresmal. Um tema que alerta a todos nós católicos, mas também a nossa sociedade e os nossos governantes para olharem por aqueles que mais sofrem e que estão feridos em sua dignidade. Neste ano de 2020, o tema da Campanha da Fraternidade é: Fraternidade e Vida – Dom e compromisso, e o lema, “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (cf. Lc 10,33-34). Somos convidados a partir deste tema e deste lema a cuidar daqueles que estão feridos, esquecidos pela sociedade, que ninguém cuida, que as pessoas fingem que veem e não veem, passam adiante. Somos convidados a sermos bons samaritanos para essas pessoas e cuidar daqueles que se encontram feridos.
A intenção ao iniciar a Quaresma impondo cinzas em nossas cabeças é levar-nos ao arrependimento dos pecados, marcando o início da Quaresma, é fazer-nos lembrar de que não podemos nos apegar a esta vida, achando que a felicidade plena possa ser construída aqui. É uma ilusão perigosa. A morada definitiva é o céu.
Ao celebrarmos a Quarta-feira de Cinzas iniciamos o tempo que tem como símbolo o número 40, como encontramos em tantas outras situações do povo de Deus. Mas, de modo especial, recordamos os 40 dias que Jesus passou no deserto, sendo tentado por Satanás (iremos ouvir esse texto no primeiro domingo da Quaresma). Somos convidados a vencermos as tentações do mal no dia a dia, assim como Jesus conseguiu vencer. É o que o período quaresmal nos convida a vencer as tentações e procurar mudar de vida.
Recordamos, também, os 40 anos de peregrinação do Povo de Israel no deserto, até chegar na Terra Prometida, recordando-nos, assim, que a nossa vida é um caminhar (sair das escravidões de nossas vidas e caminhar para a vida da graça). Em cada ano renovamos essa passagem pelo deserto até chegar na Terra em que corre leite e mel. E para nós cristãos, peregrinamos aqui na Terra rumo ao Céu, onde nos encontraremos definitivamente com Deus e aguardaremos a ressurreição, assim como Jesus.
Isso nos mostra que a vida está em nós, mas não é nossa. Quando vemos uma bela rosa murchar, é como se ela estivesse nos dizendo que a beleza está nela, mas não lhe pertence.
Com a celebração da Quarta-feira de Cinzas, somos convidados a refletir que desta vida não levaremos nada, não adianta acumularmos riquezas, rancor ou ódio, ou mesmo revanchismos. Não levaremos nada daqui, mas somente o amor, a misericórdia e a compaixão, que demonstraremos aos nossos irmãos. Somente o bem que aqui plantamos e vamos colher no céu. Definitivamente, nos recorda que do pó viemos e ao pó voltaremos, por isso: convertei-vos e crede no Evangelho. Que a nossa vida não nos pertence, mas pertence a Deus.
Na Quarta-feira de Cinzas e durante o tempo quaresmal, na liturgia não se canta e nem se recita o Hino do Glória e nem o Aleluia, que só retomaremos (salvo exceções), com alegria e entusiasmo, na Vigília Pascal, na Noite Santa da Ressurreição do Senhor, porque assim entramos no sentido espiritual que esse tempo nos convida. Portanto, vivenciamos a Quaresma como um tempo voltado para a oração, a penitência e o jejum. O sacerdote durante esse tempo usa o paramento na cor roxa, chamando-nos a atenção para fazermos penitência. Há dois momentos durante o ano em que a Igreja nos exorta a fazer uma boa confissão, que é na Quaresma e no Advento. Para nos preparar para duas grandes celebrações da nossa fé – Páscoa e Natal. É claro que isso é mínimo, pois somos convidados a, em outros momentos do ano, nos confessarmos, mas esses são dois momentos fortes e propícios para isso.
Esmola, jejum e oração: tripé da espiritualidade quaresmal. Estas três palavras são propostas como características da espiritualidade da Quaresma: esmola, jejum e oração. A oração, sobretudo, deve animar a espiritualidade da Quaresma. Uma oração feita no silêncio do próprio quarto, da interioridade para meditar a Palavra, para deixar que a Palavra compenetre e transforme a nossa vida. E então, seremos capazes de jejum. Que a oração em que pedimos que o Senhor venha ao nosso encontro ilumine nosso itinerário quaresmal, para uma profunda conversão. Lembrando que não é só jejum da carne, dos alimentos, mas de palavras inúteis, do uso do celular em excesso, do uso das redes sociais em excesso, um jejum de multiplicar as fake news. A dimensão da esmola que se torna sensibilidade social, atenção aos mais pobres e solidariedade.
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Reflexão e sugestão para a missa do 7° Domingo do Tempo Comum 2020
/em Liturgia Católica7° Domingo do Tempo Comum 2020 – Ano A
Lv 19 ,1-2.17-18; SI 102;ICor 3,16-23;Mt 5,38-48
O convite universal à santidade!
A santidade não é privilégio de poucos. Todos estamos imersos na santidade de Deus,ao ponto de podermos dizer que difícil é não ser santo! A santidade em Deus é perfeição. Para nós, pecadores, ela se constitui como um caminho a ser trilhado sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda, ou seja, com convicção e perseverança.
O livro do Levítico apresenta a santidade do povo ligada à santidade de Deus. Se somos filhos de Deus, envoltos em seu amor, seguindo seus mandamentos, logo estamos envolvidos na maneira santa de Deus ser e agir. Negar a santidade ou achar-se indigno dela significa rejeitar a própria presença de Deus no mais íntimo de nós mesmos e de nossas comunidades. Por isso que a santidade é proposta de modo claro, direto e prático. Deixar de lado o ódio, a vingança e o rancor é comprometer-se com o modo de ser misericordioso próprio de Deus, conforme canta o salmo 102.
Jesus mostra que a perfeição de Deus passa pela lógica do amor. Ao analisar a lei dos antigos, constata que a obediência, sem o elemento do amor misericordioso, não leva o ser humano à perfeição. Enquanto o mal for respondido com o mal, ele reinará. O que é racionalmente óbvio nem sempre se traduz na prática do coração humano endurecido. Ainda hoje muitos acreditam que se possa praticar o mal para conter o mal, tudo em nome da justiça. Para Jesus, a justiça se cumpre no momento em que se coloca um ponto final na maldade que fere a vida fraterna em todos os seus âmbitos. Assim a santidade floresce, no meio da comunidade, e a vida se transforma.
A santidade vem de dentro, não de fora!
Paulo entende a proposta do Nazareno. Para anunciá-la aos Coríntios, ele procura não dar novos preceitos, mas mostrar que a raiz do agir justo está em reconhecer que o Justo mora no mais íntimo de nós. Ser templo de Deus, habitação de seu Espírito, significa afirmar que a Lei da justiça está em nossa essência, e não em mandamentos externos. A sabedoria verdadeira, em última instância, é sabermos que somos de Cristo. Essa consciência da presença da Trindade em nós vai nos deixando cada vez mais evidente que nosso agir tem de ser continuação do agir de Deus, ainda que nas limitações próprias de nossa existência. A santidade vai tomando conta de nosso ser à medida que deixamos Deus agir em nós de modo efetivo.
A liturgia de hoje nos leva a compreender como estamos longe da compreensão do que seja a verdadeira santidade. Admiramos os testemunhos heroicos daqueles que foram elevados à gloria dos altares, mas ainda não conseguimos chegar a compreender que a santidade é também uma realidade comunitária, na qual a ajuda mútua nos leva todos a sermos mais humanos e fraternos, mais justos e pacíficos, ou seja, mais santos. Vivamos, cada vez mais, a santidade nossas comunidades!
SUGESTÕES LITÚRGICAS
– Liturgia propícia para mostrar a força santificadora da comunidade.
– Na intenção da missa, pode-se colocar uma intenção especial pelas pessoas falecidas que se doaram pela vida da comunidade em modo santo e profético.
– Ato penitenciai: recordar que a santidade é fruto da misericórdia vivida em comum, na compreensão e na ajuda mútua. Por isso, motiva-se o pedido de perdão.
– Oferendas: durante as oferendas, destacar os agentes de diversas pastorais, juntamente com seus participantes, que constroem juntos a vida de santidade na comunidade.
– Integrar as pastorais voltadas à vida sacramental e social, mostrando que fé e caridade cristãs caminham juntas.
– Envio da comunidade: ao final, representantes da pastoral familiar poderiam ler uma mensagem sobre a santidade na família, inspirando-se na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate (baixe), de Papa Francisco.
SUGESTÕES DE REPERTÓRIO
Abertura: Sê a rocha
Aclamação: Aleluia! Pois o verbo
Oferendas: A vós, Senhor
Comunhão: Felizes os pobres
Padre Anísio Tavares, C.Ss.R. / Portal Kairós
23 de fevereiro: Missa do 7° Domingo do Tempo Comum 2020
/em Liturgia CatólicaMissa do 7° Domingo do Tempo Comum
ALGO A MAIS PELA PAZ
A lei do talião, “olho por olho, dente por dente”, ainda impera impiedosa acima das leis da compaixão e do amor. O que, porém, nos diferencia na sociedade, se simplesmente devolvemos agressividade a quem nos agride? Ou se simplesmente revidamos a ofensa? Ou se nos aprisionamos na mentalidade segundo a qual é preciso receber antes para dar depois? O que fazemos de mais?
O Mestre, que amou sem impor condições, ensinou que acolher o pecador não significa aceitar o pecado dele. Daí o desafio de estar abertos à justiça do Reino com um modo diferente de ser e agir, desarmando o agressor com uma atitude de resistência pacífica, que quebre o círculo vicioso da agressão, da violência e do mal.
Todos somos, de algum modo, vítimas da maldade humana. E, mesmo sem querer ou perceber, podemos também agir mal. Não é fácil desejar o bem a quem não nos ama ou nos maltrata, amar os inimigos e rezar por eles, deixar de ter pessoas em quem despejar nossos ódios, dissabores e frustrações.
Somos, porém, filhos de um mesmo Pai, o Deus que é bondoso para com todos. Deus é íntegro, completo, e por isso não faz injustiça. Sua perfeição é sua integridade. Sua justiça é seu amor, que não exclui os que erram. Daí a integridade a que Deus nos chama: ter um coração completo para amar a todos, não um coração que ama pela metade, dividindo as pessoas em boas e más.
É fundamental, então, nos perguntarmos: o que estamos fazendo de mais, sobretudo nestes tempos em que ondas de intolerância, ódio e violência invadem até os ambientes religiosos?
Deus não nos trata segundo nossas falhas, mas segundo sua própria bondade. Por isso mesmo, enquanto rezamos por nossos inimigos e não cedemos à lógica de retribuir o mal com o mal, continuamos a descobrir a bondade que se encontra dentro de nós mesmos e nos outros. E então, com atitudes concretas, podemos dar ao mundo o testemunho de que a justiça do Reino é a resposta transformadora, criativa e pacífica contra toda maldade e violência.
Pe. Paulo Bazaglia, ssp / Portal Kairós
Os melhores materiais para a Campanha da Fraternidade 2020
/em Campanha da Fraternidade, Campanhas da Igreja, CF 2020, Subsídio e Materiais CF 2020Subsídios para a Campanha da Fraternidade 2020
Como está a preparação da sua comunidade para a Campanha da Fraternidade deste ano?
O Portal Kairós preparou uma série de dicas, vídeos de formação, materiais especiais e publicações que dão suporte para pessoas, comunidades, paróquias e dioceses se prepararem bem para viver a Campanha da Fraternidade 2020, cuja abertura será dia 26 de fevereiro.
O bom Samaritano: tema da Campanha da Fraternidade 2020
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Resumão do texto-base da Campanha da Fraternidade 2020
/em Campanha da Fraternidade, Campanhas da Igreja, CF 2020, Texto-base CF 2020O Bom Samaritano como modelo de Ação Evangelizadora comprometida com o cuidado
CONTEXTUALIZANDO
A Campanha da Fraternidade 2020, que tem como tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso”, foi buscar na Parábola do Bom Samaritano (Lc 10), o modelo de relação e encontro que deve nortear a Missão da Igreja e, consequentemente, da Província. Os três verbos que aparecem no versículo que serve de lema – Ver, sentir compaixão e cuidar – remetem ao consagrado método adotado na caminhada eclesial de modo muito frequente a partir do Pós-Concílio Vaticano II. No exemplo pedagógico que apresenta, Jesus deixa bem claro qual é o ponto de partida da proposta de discipulado que Ele vem apresentar: de que maneira o Amor a Deus e ao próximo transforma concretamente as pessoas, as relações e o mundo.
VIU (1)
Mais do que um ato fisiológico de percepção da luz, das imagens e das cores, olhar é uma postura que se assume diante dos apelos e estímulos que nascem da realidade. O olhar, assim como as outras habilidades humanas, também pode ser treinado, dirigido e orientado de acordo com uma série de interesses, prioridades e valores. Na parábola do Bom Samaritano, podem ser identificados três tipos de olhar:
1) O olhar dos assaltantes – Viram naquele homem que passava uma oportunidade de obter benefício imediato sem grande empenho. Bastava usar um pouco da força física e da vantagem numérica para subtrair da vítima tudo o que ela possuía e que atendesse a seus interesses. Não tinham a menor preocupação em saber quem era aquele que passava nem estavam preocupados com sua vida de maneira que o deixaram ferido, espoliado e quase morto à beira do caminho. Trata-se do olhar do egoísmo, da exploração, do ódio, totalmente alheio aos princípios da ética, da empatia e da compaixão. É um olhar que mata, fere e que rouba a dignidade das pessoas. Este tipo de olhar está no germe da corrupção, da violência, do autoritarismo, da devastação da natureza, das grandes guerras, das gritantes desigualdades sociais e demais mazelas que assolam o Brasil e o mundo.
2) O olhar do levita e do sacerdote – É o olhar da indiferença, da inversão dos valores da incompreensão do que é prioritário. É a postura de quem “dá de ombros” diante de situações urgentes, em que a vida encontra-se frontalmente ameaçada. É a postura cantada pelo Padre Zezinho na célebre canção: “Seu nome é Jesus Cristo e passa fome e grita pela boca dos famintos. E a gente quando vê passa adiante, às vezes pra chegar depressa à igreja”. Nasce do individualismo, da sede crescente pelo consumo, da cultura do descartável, opções de vida que vêm sendo profundamente criticadas pelo Papa Francisco em seus discursos, entrevistas e nos documentos papais.
3) O olhar do samaritano – É o olhar solidário, do serviço e do comprometimento. Na cena em que os assaltantes enxergaram uma oportunidade de lucro fácil, o levita e o sacerdote viram um possível “estorvo” a seus programas préestabelecidos, o samaritano viu um irmão que necessitava de um cuidado urgente e imediato. Assim como os personagens anteriores, o samaritano não esteve interessado, num primeiro momento, em saber quem era aquele que jazia quase morto. Não era importante naquele momento. O prioritário era socorrê-lo e garantir-lhe a sobrevivência. Ali encontrou uma oportunidade única e inédita de amar. É o olhar da disponibilidade, da doação gratuita e da identificação com o outro, especialmente com suas lutas e dores. É o modo de olhar adotado por Jesus (cf. p.ex. Mt 9,36) e que Ele convida seus discípulos a também assumir.
Lançado o vídeo da CF 2020 para as comunidades
SENTIU COMPAIXÃO
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