Leituras de Domingo: 18° Domingo do Tempo Comum 2020

Leituras de Domingo

18° Domingo do Tempo Comum 2020

(Verde, glória, creio – 2ª semana do saltério)

Meu Deus, vinde libertar-me, apressai-vos, Senhor, em socorrer-me. Vós sois o meu socorro e o meu libertador; Senhor, não tardeis mais (Sl 69,2.6).

Esta Eucaristia nos convida a revigorar nossa fé com a experiência da graça e do amor de Deus, do qual nada nos pode separar. Deixando-nos alimentar pelo Senhor, aprendamos dele o espírito de compaixão e de partilha. Neste início do mês vocacional, comungamos com os vocacionados para o ministério ordenado: diáconos, padres e bispos.

Primeira Leitura: Isaías 55,1-3

Leitura do livro do profeta Isaías – Assim diz o Senhor: 1“Ó vós todos que estais com sede, vinde às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, vinde comprar sem dinheiro, tomar vinho e leite sem nenhuma paga. 2Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão, desperdiçar o salário senão com satisfação completa? Ouvi-me com atenção e alimentai-vos bem, para deleite e revigoramento do vosso corpo. 3Inclinai vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida; farei convosco um pacto eterno, manterei fielmente as graças concedidas a Davi”. – Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial: 144(145)

Vós abris a vossa mão e saciais os vossos filhos.

1. Misericórdia e piedade é o Senhor, / ele é amor, é paciência, é compaixão. / O Senhor é muito bom para com todos, / sua ternura abraça toda criatura. – R.

2. Todos os olhos, ó Senhor, em vós esperam / e vós lhes dais no tempo certo o alimento; / vós abris a vossa mão prodigamente / e saciais todo ser vivo com fartura. – R.

3. É justo o Senhor em seus caminhos, / é santo em toda obra que ele faz. / Ele está perto da pessoa que o invoca, / de todo aquele que o invoca lealmente. – R.

Segunda Leitura: Romanos 8,35.37-39

Leitura da carta de São Paulo aos Romanos – Irmãos, 35quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação? Angústia? Perseguição? Fome? Nudez? Perigo? Espada? 37Em tudo isso, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou! 38Tenho a certeza de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os poderes celestiais, nem o presente, nem o futuro, nem as forças cósmicas, 39nem a altura, nem a profundeza, nem outra criatura qualquer será capaz de nos separar do amor de Deus por nós, manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor. – Palavra do Senhor.

Evangelho: Mateus 14,13-21

Aleluia, aleluia, aleluia.

O homem não vive somente de pão, / mas vive de toda palavra que sai / da boca de Deus, e não só de pão. / Amém. Aleluia, aleluia! (Mt 4,4) – R.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 13quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado. Mas, quando as multidões souberam disso, saíram das cidades e o seguiram a pé. 14Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes. 15Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!” 16Jesus, porém, lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!” 17Os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”. 18Jesus disse: “Trazei-os aqui”. 19Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Então pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção. Em seguida partiu os pães e os deu aos discípulos. Os discípulos os distribuíram às multidões. 20Todos comeram e ficaram satisfeitos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos cheios. 21E os que haviam comido eram mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. – Palavra da salvação.

Reflexão

Não adianta Jesus tentar se afastar do povo, pois este corre a ele aonde quer que vá. Podem ser várias as razões pelas quais a multidão o procura; para o Mestre não importa o motivo. Diante da realidade dessa multidão, Jesus enche-se de compaixão, sofre a mesma dor desse povo. Se houvesse mais compaixão por parte de todos, muitos males e sofrimentos seriam resolvidos, incluindo o da fome. Ela existe não por falta de alimento, mas por falta de partilha e de compaixão. Jesus convidou a multidão a cear com seu grupo, repartindo os pães e peixes que levavam consigo. Trata-se de gesto muito comum para os orientais. A cultura ocidental normalmente partilha a mesa com a
família, parentes e amigos convidados. O “novo mundo”, anunciado pelos profetas e iniciado por Jesus, vai se concretizar quando trilharmos o duplo caminho: o caminho da justiça e da denúncia e o caminho da fraternidade e da solidariedade. Só assim superaremos a tendência maléfica do “cada um por si”.

Oração

Senhor Jesus, em vez de despedir as multidões famintas, desafiaste teus discípulos a alimentá-las, sem recorrer ao comércio. Foi assim que, recolhendo o alimento que traziam, saciaste a fome de todos, e ainda sobrou muita comida. Ensina-nos a partilhar generosamente os bens que possuímos. Amém.

 

Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp / Pe. Nilo Luza, ssp / Portal Kairós

2 de agosto – Missa do 18° Domingo do Tempo Comum 2020

Missa do 18° Domingo do Tempo Comum 2020

Jesus revela a compaixão e o amor de Deus por todas as pessoas, especialmente pelas que sofrem e passam necessidades. No gesto da partilha e da generosidade, manifestamos que somos irmãos e irmãs. Esta Eucaristia nos motive a sermos solidários com os que sofrem e repartir o que temos e somos com quem precisa. Neste primeiro domingo de agosto, dia do padre, rezemos pelas vocações para o ministério ordenado: diáconos, padres e bispos.

Com Jesus aprendemos a ser solidários e generosos na partilha com nossos irmãos e irmãs necessitados.

A COMPAIXÃO QUE ALIMENTA

Jesus tenta se refugiar em lugares desertos e afastados, mas não rejeita os que o procuram. Ao ver aquela multidão de doentes e desorientados, o Mestre se enche de compaixão e busca respostas para tal situação. Na lógica dos discípulos, a solução era despedir a multidão, para que fosse aos povoados providenciar alimento. Jesus propõe outro caminho: envolver os discípulos no problema. Estes, porém, questionam: “Só temos cinco pães e dois peixes”. A partilha desse pouco alimento foi suficiente para alimentar imensa quantidade de pessoas e, por fim, ainda houve sobras.

Jesus, novo Moisés, após a morte de João Batista, recomeça seu itinerário no deserto – periferia mais afastada –, para concluir sua missão em Jerusalém, no confronto com o poder opressor. No deserto se constitui o novo povo de Deus, que sai das cidades para se encontrar com o Mestre, profeta por excelência. O novo maná já não cai do céu, mas brota da partilha do pouco de cada um. Lá no deserto, o povo celebra o banquete com comida farta, fruto da partilha e da solidariedade. Com seu gesto, Jesus mostra que, no centro das atenções, deve estar o povo, e não os discípulos e os apóstolos. Seguindo essa lógica, quanta coisa mudaria nas comunidades cristãs!

Tudo começa com a compaixão. Quando há compaixão, muitos problemas são solucionados, inclusive o da fome, que tanto assola a humanidade e, infelizmente, também o nosso país. O mais grave é que, em vez de vislumbrarmos soluções, vemos as coisas piorando para a grande maioria da população. Multidões famintas e sem perspectivas de vida digna se espalham pelas ruas e avenidas de nossas cidades.

Pelo gesto de Jesus, todos somos responsáveis: autoridades, Igrejas, instituições e a sociedade em geral. Unindo essas forças todas, haveria mais condições para chegarmos a uma solução. Na oração do pai-nosso, dizemos: “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Deus deseja que todos os seus filhos e filhas tenham pão na mesa, mesmo aqueles que não podem comprá-lo. Condições básicas que possibilitam a vida digna – entre as quais o alimento – são direito de todos.

 

Pe. Nilo Luza, ssp / Portal Kairós

Hora da Família 2020: Eu e minha família serviremos ao Senhor

“Eu e minha família serviremos ao Senhor”

Esse título é uma frase do livro de Josué (cap. 24) e se constitui como tema da Semana da Família, a ser celebrada entre 9 e 15 de agosto. O objetivo é levar-nos a refletir sobre a vocação da família cristã, que é servir ao Senhor e à sua Igreja. Humanamente, falar em servir, tem uma conotação de submissão. Porém, servir a Deus tem uma dimensão de libertação. Quanto mais formos submissos a Deus, mais livres seremos. Deus nos concedeu o Espírito de seu Filho, que, em nós, clama Abbá, Pai. Se nos guiarmos por esse mesmo Espírito, serviremos a Deus como filhos e não como escravos. “Já não és escravo, mas filho” (Gl 4,7). Quando Jesus, o Filho por excelência (que tem a mesma natureza divina do Pai celeste) foi tentado pelo diabo, que lhe ofereceu a posse de todos os reinos do mundo se o adorasse, Jesus respondeu dizendo: “Ao Senhor teu Deus adorarás e somente a Ele servirás” (Mt.4,10). O serviço a Deus é um ato de amor filial e libertador.

No Antigo Testamento, servir a Deus tinha dupla conotação: servir no culto, ou seja, nos sacrifícios oferecidos e na manutenção do templo e, o segundo aspecto, servir a Deus por uma conduta conforme a sua vontade. Ainda no A.T. afirma-se que servir a Deus pela obediência se antepõe ao culto. No primeiro livro de Samuel (15,22), lemos: “O que o Senhor prefere? Que lhe ofereçam holocaustos e sacrifícios, ou que obedeçam à sua palavra? Obedecer vale mais do que oferecer sacrifícios. Ser dócil é mais importante do que a gordura de carneiros oferecida nos sacrifícios”. Jesus é o Filho obediente; Ele veio para fazer a vontade do Pai (cf. Lc.2,49). Essa fiel obediência de Jesus ao Pai o levou à cruz. Jesus foi obediente até à morte. Sua obediência nos salvou. A cruz é expressão de sua obediência até às últimas consequências. Assim Jesus serviu ao Pai fazendo-lhe a vontade, e a nós reparando nossa recusa em obedecer. Jesus expressa isso ao dizer: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc.10,45).

O único culto agradável a Deus, que prestamos como cristãos, é oferecer o sacrifício de Jesus Cristo que, pela obediência, entregou a vida por nós. Cada vez que celebramos a Eucaristia (a missa) é esse sacrifício de Jesus que é atualizado pelo Sacramento. No contexto da última ceia, ao instituir a Eucaristia, Jesus ensinou: “Eu vos dei o exemplo para que como eu fiz vós façais também” (Jo.13,15). Portanto, obedecer ao Pai e viver ou entregar a vida pelos outros é o que o Senhor espera de nós, seus discípulos.

Aqui temos uma importante indicação às famílias cristãs: devemos servir a Deus pela obediência, por uma vida que seja conforme à Sua vontade, seguindo assim o exemplo de Jesus, que foi obediente ao Pai e dedicou a vida pelos irmãos. Nas famílias cristãs, ainda no colo dos pais, os filhos devem aprender a fazer a vontade de Deus. Só poderemos fazer o que o outro quer se nos dispusermos a ouvir e a dar atenção ao que o outro tem a nos dizer. Assim também só poderemos fazer a vontade de Deus dando atenção e procurando conhecer, por meio de sua Palavra, o que Ele quer de nós. É no seio da família cristã que temos que aprender a amar e servir a Deus.

Como haverá quem escute e aprenda se não houver quem anuncie e ensine? Foi em função disso que Jesus incumbiu seus discípulos de ensinarem a todos tudo o que dEle aprendemos. “Ide, fazei discípulos … ensinai-lhes a observar tudo o que eu vos ensinei” (Mt.28,19). Serviremos ao Senhor atendendo ao que Ele nos pediu. Portanto, anunciar a Palavra, ensinar o que aprendemos do Senhor, ministrar catequese, realizar a leitura orante da Bíblia, transmitir a fé aos filhos, etc., constitui-se como serviço ao Senhor. Na carta aos Filipenses (cap. 2), o apóstolo Paulo diz: “Os outros buscaram seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo. Mas ele (Timóteo), vós sabeis que prova deu: como um filho junto do pai, ele se pôs comigo ao serviço do evangelho”.

Atualmente, as ocupações da vida, o desejo de conquistar objetivos pessoais, a busca em saciar nossas necessidades materiais, facilmente, podem nos levar a viver movidos pelos nossos próprios interesses e a menosprezar o serviço ao Senhor. Por isso, Jesus faz um sério alerta aos seus discípulos (Mt.6, 24): “Ninguém pode servir a Deus e ao dinheiro”, ou seja, servir a Deus e aos seus próprios interesses. Não permitamos que esse “rival” se interponha entre Deus e nós, distanciando-nos de servi-Lo como convém.

Tudo sobre a Semana Nacional da Família 2020

Em síntese, SERVIR A DEUS significa: participar e manter o culto, obedecer ao que o Senhor nos pede, sobretudo no amor a Deus e ao próximo, anunciar e ensinar a outros tudo o que do Senhor nós aprendemos. Assim agindo, cada cristão, consciente e decididamente, poderá reafirmar: EU E MINHA FAMÍLIA SERVIREMOS AO SENHOR.

Por que alguns “artistas” estão contra a família?

 

Dom Wilson Angotti – Bispo de Taubaté / Portal Kairós

Mês Vocacional 2020: rezemos por todas as vocações!

Assumido em âmbito nacional, em 1981, por dioceses e regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o mês vocacional, celebrado em agosto, tem o intuito de ser um tempo especial de reflexão e oração pelas vocações e ministérios.

Este ano, em específico, a inspiração principal do mês vocacional está em sintonia com a Exortação Pós-Sinodal do Papa Francisco, a Christus Vivit, apresentada aos jovens e que traz orientações pastorais para toda a Igreja.

Com o tema “Amados e Chamados por Deus” e o lema “És precioso aos meus olhos. Eu te amo” (Is 43,1-5), o mês vocacional este ano será celebrado de uma forma especial, principalmente por conta da pandemia.

Conversamos com o bispo auxiliar de Manaus, dom José Albuquerque, e referencial da Pastoral Vocacional, para entender como se dará as celebrações, escolha do tema e lema e o significado do cartaz que representa o mês vocacional. Confira a entrevista completa:

Como será a animação do Mês Vocacional em 2020, em tempos de pandemia ou pós-pandemia?

Nós estamos conversando com os coordenadores regionais da Pastoral Vocacional e, consequentemente, esses estão em contato com os coordenadores diocesanos e já percebemos que o trabalho de animação vocacional não parou. Eles estão sendo criativos, usando principalmente as redes sociais para continuar as reuniões, realizar momentos celebrativos de oração, de adoração ao Santíssimo, de oração pelas vocações, então nós sabemos que, de modo especial, os jovens são muito criativos nesse momento de pandemia, onde todos estamos zelando pelo distanciamento social, mesmo assim o trabalho continua.

É claro que tudo vai ser adaptado, então no mês de agosto nós já estamos recebendo diversas notícias de que vão acontecer momentos celebrativos, diversas entrevistas, lives sobre testemunhos vocacionais, então assim como nos anos anteriores este também não vai ser diferente. O pessoal vai se mobilizar de outras formas e nós estaremos disponibilizando um subsídio para que de algum modo possa ajudar a fazer com que aconteça esses encontros virtuais.

No subsídio nós temos propostas de terço vocacional, momentos de leituras orantes da Palavra de Deus, celebrações com os jovens, com as famílias. Esse subsídio estará sendo disponibilizado já nos próximos dias e a nossa proposta é que ele chegue nas famílias, nas comunidades, nos grupos, não só da Pastoral vocacional, mas também em todos os grupos da paróquia.

Nós temos a esperança de que o mês de agosto continue sendo o mês onde todo mundo se reúne para rezar pelas vocações. Lembrando que nesse subsídio nós também teremos a divulgação da mensagem do Papa para o Dia Mundial das Vocações.

Como se deu a escolha do tema e lema?

Nós temos a inspiração vinda da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Christus Vivit, do Papa Francisco. Foi resultado do Sínodo dos Jovens e nesta Exortação o Papa destaca que três verdades precisam ser anunciadas e nós vamos seguir a partir deste ano a proclamação de uma verdade.

Neste ano de 2020, a primeira verdade é que Deus nos ama, então isso está muito presente no tema e no lema. O tema “Amados e chamados por Deus” e o lema inspirado em Isaías “És precioso aos meus olhos. Eu te amo”, é uma citação bíblica que consta no documento do Papa, na Exortação Apostólica, então a primeira verdade é que Deus nos ama e que nunca deveremos duvidar disso, apesar de que possa nos acontecer na vida momentos difíceis. Em qualquer circunstância somos amados infinitamente, então o mês vocacional quer de algum modo enfatizar esta vocação: fomos chamados a amar, porque fomos antes de tudo amados.

Amados e chamados por Deus. É esse o sentido do tema e do lema. No próximo ano vamos seguir “A verdade nos salva” e, em 2022, a terceira verdade que o Papa proclamou na sua Exortação “Ele vive”.

Como se deu a escolha do cartaz?

 

Mês Vocacional 2020: explicação do cartaz

É de criação do padre Reinaldo Leitão, diretor da revista Rogate. No cartaz, nós encontramos o tema e o lema e como símbolo nós temos o coração em vermelho, que é o sinal do amor, lembra o amor de Deus no qual nós somos escolhidos e chamados. Nesse coração nós temos no centro uma chaga e dessa chaga saindo um rio. A chaga é sinal da entrega e o rio nos faz lembrar do batismo, que é a origem de todas as vocações. Acima do coração nós temos uma semente, semente vocacional da trindade, porque a vocação é de fato uma semente que Deus planta no coração de cada pessoa e essa semente precisa germinar, crescer e florescer.

Do outro lado nós temos o símbolo da rede que, de fato, nos faz lembrar da animação vocacional. Somos chamados a sermos pescadores e nesta rede estão os peixes que representam toda a humanidade. Também no cartaz estão presentes duas mãos em referência àquele que chama e aquele que ama. As mãos que mostram todo o serviço, todo o trabalho, todo o comprometimento dos animadores vocacionais e, claro, inspirado no grande animador vocacional: Jesus Cristo.

O cartaz é bastante significativo, simbólico e catequético para que a gente possa entender que a proposta do mês vocacional é para que todos se unam para esse grande mutirão de oração. Nele também temos todos os organismos que fazem parte dessa grande obra.

 

CNBB / Portal Kairós

Mês Vocacional de 2020: Somos amados e chamados por Deus

A palavra “vocação” deriva do latim “vocare”, que significa “chamado” e está intimamente ligada ao nosso existir como pessoa e ao sentido que encontramos desse existir na vida. O Guia Pedagógico de Pastoral Vocacional da CNBB afirma que “na Igreja, ‘vocação’ é o apelo de Deus que chama uma pessoa para uma missão ou serviço”.

A partir dessa definição podemos concluir que vocação é “um inefável diálogo entre Deus e o homem, entre o amor de Deus que chama e a liberdade do homem que no amor responde a Deus” (PDV, n. 36). O chamado divino se manifesta em nosso dia a dia por meio de nossa livre e amorosa resposta e adesão ao projeto de Deus, por meio do seguimento de Jesus Cristo. Dessa forma, é importante ter presente que não somos nós que escolhemos seguir Jesus Cristo, mas somos escolhidos(as) pelo Pai e chamados(as) por seu Filho.

É possível, então, afirmar que a vocação está relacionada ao convite que Jesus Cristo dirige a cada pessoa indistintamente: “Vem e segue-me” (Mt 19,21); “Vinde após mim, e eu farei de vós pescadores de homens” (Mt 4,19); “Se alguém quer me servir, siga-me,” (Jo 12,26). No chamado de Jesus há dois aspectos: ir e seguir (Mt 9,9; Mc 8,34; Lc 18,22; Jo 8,12).

“Vem” é o chamado: o convite pessoal a estar/permanecer com Jesus e tornar-se discípulo e discípula do Mestre.
“Segue-me” é a missão: o seguimento da prática de Jesus.

Portanto, não é demais relembrar que a vocação nunca é finalizada na pessoa, mas é sempre em vista de uma missão (evangelizar) e para uma comunidade concreta. Porém, o aspecto da realização pessoal existe, fomos criados e chamados à vida para sermos felizes, mas essa realização não tem um fim em si mesma.

A missão decorrente de nossa resposta vocacional como prática do seguimento de Jesus se desenvolve no mundo, para o mundo, e tem um compromisso efetivo com o bem da pessoa humana. A resposta ao chamado de Jesus “exige entrar na dinâmica do Bom Samaritano (Lc 10,29-37), que nos dá o imperativo de nos fazer próximos, especialmente com quem sofre, e gerar uma sociedade sem excluídos, seguindo a prática de Jesus, que come com publicanos e pecadores (Lc 5,29-32), que acolhe os pequenos e as crianças (Mc 10,13-16), que cura os leprosos (Mc 1,40-45), que perdoa e liberta a mulher pecadora (Lc 7,36-49; Jo 8,1-11)” (DAp, n.135).

Vocação não é isolamento, busca de satisfações, realização pessoal ou de projetos pessoais. Vocação é dar a vida pela defesa da vida (Jo 10,11; 15,13), ou seja, vocação é amar. Um Deus que é amor, chama-nos justamente porque nos ama, e nos chama para amar: “Deus te ama. Nunca duvides, apesar do que te aconteça na vida. Em qualquer circunstância, és infinitamente amado” (ChV, n. 112). Deus vê nossa beleza, somos preciosos aos seus olhos (Is 43,4). “Seu amor é tão real, tão verdadeiro, tão concreto que nos oferece uma relação cheia de diálogo sincero e fecundo” (ChV, n. 117).

Existem várias vocações?

Quando começamos a compreender o verdadeiro sentido da palavra vocação nos damos conta de que ela vai se desdobrando em vários aspectos. Para entendermos melhor, vamos comparar com uma flor: se quero presentear uma pessoa com uma rosa não posso dar uma pétala e dizer que dei uma rosa. A rosa é feita de várias pétalas que, juntas, formam o botão de rosa. Assim também acontece com a vocação. Existe uma única vocação: a vida. São Paulo VI na Populorum Progressio afirmou: “toda vida é vocação!” (PP, n. 15).15 Essa única vocação é “marcada” por uma grande vocação, a vocação cristã (cor da rosa) de onde brotam várias dimensões, as vocações específicas (pétalas).

Vocação Cristã ou vocação batismal

A vocação cristã é o chamado que recebemos pelo Batismo para assumir e, conscientemente, fazer parte da grande família dos filhos e filhas de Deus e a viver como “criatura nova” em Cristo Jesus. Dito de outra forma: a vocação cristã é o chamado a seguir Jesus Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida (Mc 1,17; Jo 14,6).

Pelos sacramentos de Iniciação Cristã (Batismo, Eucaristia, Crisma), dos quais o Batismo é a porta de entrada, recebemos essa vocação cristã comum. É por esse Sacramento que fazemos nossa opção fundamental como cristãos e nos comprometemos com a nossa comunidade. Com o Batismo, somos incorporados ao Povo de Deus, comunidade dos discípulos e discípulas de Jesus. Uma Igreja na qual todos, pelo Batismo, vivem a comum dignidade de filhos e filhas adotivos do Pai, chamados à santidade e à participarem, com seus diferentes carismas, da vida e da missão de Jesus Cristo, assumindo a dinâmica do discipulado.

Talvez, algumas pessoas se perguntem sobre a necessidade dessas afirmações que podem soar um pouco complicadas. Todavia, elas querem simplesmente dizer que na grande família dos filhos e filhas de Deus o que conta não é ser isso ou aquilo (bispo, padre, freira, diácono, cristão leigo), o que conta realmente é nossa condição de filhos e filhas de Deus, membros da Igreja (assembleia de chamados), seguidores e seguidoras de Jesus Cristo, chamados e chamadas a viver no caminho da santidade.

Vocações específicas

Anteriormente, comparamos a vocação batismal com a cor que dá vida e beleza à rosa; todas as pétalas se nutrem de uma única fonte de cor, e mesmo com diferentes tonalidades entre as pétalas não podemos dizer que uma se sobressai. As várias pétalas têm jeito e estilo próprios, mesmo sendo muito parecidas entre si, formam um conjunto diverso, mas tão harmonioso que vemos a rosa como uma coisa só, e não como um amontoado de pétalas.

Na questão vocacional é a mesma coisa. A partir da riqueza da diversidade – que a Igreja é continuamente chamada e impulsionada a viver pela ação do Espírito – é que nascem as vocações específicas como formas diferentes de responder e viver um único e mesmo Amor: o seguir Jesus e o assumir sua missão.

A partir dessa premissa, compreendemos que a vocação específica está relacionada às escolhas de vida que cada batizado e batizada assume na vivência desse único Amor. Elas são divididas em três grandes dimensões: Vocação do Cristão Leigo e Leiga, Vocação à Vida Consagrada, Vocação dos Ministros Ordenados. Em cada dimensão há diferentes aspectos, pois dentro de cada conjunto de vocação específica a pessoa é chamada a fazer escolha por uma, encontrar o seu jeito e sua forma/cor de viver a beleza de ser cristão e de amar.

 

Portal Kairós