Entrevistas sobre a Campanha da Fraternidade

Série de entrevistas sobre a Campanha da Fraternidade

A Campanha da Fraternidade deste ano nos convida a refletir e agir sobre a questão do meio ambiente. “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” é o tema da CF 2017, e nos provoca a conhecer melhor os biomas e ajudar na preservação destes espaços tão importantes para as espécies.

Para ajudar na reflexão, a Província Franciscana da Imaculada Conceição, através da Frente de Evangelização da Comunicação, produziu uma série de reportagens, com 28 episódios, disponibilizados na Rede Católica de Rádio e na plataforma Soundcloud.

O objetivo é informar e provocar o ouvinte a refletir sobre os biomas presentes no Brasil, sua importância local, as espécies da flora e da fauna específicos em cada bioma e os riscos que estes biomas correm. O ouvinte conhecerá também algumas iniciativas de preservação dos biomas e do meio ambiente de modo geral.

Os áudios poderão ser utilizados também para formação de agentes de pastoral, agentes comunitários, formação de catequese e também para reprodução em mídias sociais.

O material teve produção de Érika Augusto e locução de Frei Gustavo Medella e contou com a colaboração da equipe da Universidade São Francisco (USF) e da Fundação Cultural Celinauta.

Acompanhe os episódios e os entrevistados da primeira parte da série:

01 – Introdução
Entrevistada: Érika Augusto – jornalista, produtora da série de entrevistas.

02 – Apresentação (parte 1)
Entrevistado: Dom Leonardo Ulrich Steiner – Bispo Auxiliar de Brasília e Secretário-Geral da CNBB.

03 – Apresentação (parte 2)
Entrevistado: Dom Leonardo Ulrich Steiner – Bispo Auxiliar de Brasília e Secretário-Geral da CNBB.

04 – Conceito de Bioma (parte 1)
Entrevistado: Profº João Luiz de Moraes Hoefel – professor dos Cursos de Administração e Engenharia Civil da Universidade São Francisco (USF).

05 – Conceito de Bioma (parte 2)
Entrevistado: Profº João Luiz de Moraes Hoefel – professor dos Cursos de Administração e Engenharia Civil da Universidade São Francisco (USF).

06 – Bioma Cerrado (parte 1)
Entrevistada: Profª Mercedes Bustamante – professora da Universidade de Brasília (UNB).

07 – Bioma Cerrado (parte 2)
Entrevistada: Profª Mercedes Bustamante – professora da Universidade de Brasília (UNB).

08 – Bioma Pantanal (parte 1)
Entrevistada Julia Boock – analista de conservação do WWF-Brasil.

09 – Bioma Pantanal (parte 2)
Entrevistada Julia Boock – analista de conservação do WWF-Brasil.

10 – Bioma Caatinga (parte 1)
Entrevistado: Rodrigo Castro – coordenador Geral da Associação Caatinga.

11 – Bioma Caatinga (parte 2)
Entrevistado: Rodrigo Castro – coordenador Geral da Associação Caatinga.

12 – Bioma Caatinga (parte 3)
Entrevistado: Rodrigo Castro – coordenador Geral da Associação Caatinga.

13 – Floresta Amazônica (parte 1)
Entrevistada: Profª Rosana Cavalcante dos Santos – reitora do IFAC – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre.

14 – Floresta Amazônica – (parte 2)
Entrevistada: Profª Rosana Cavalcante dos Santos – reitora do IFAC – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre.

Nas próximas entrevistas falaremos sobre os biomas Mata Atlântica e Pampa e abordaremos sobre o turismo sustentável, a importância da educação ambiental, a economia ecológica e também sobre a Fundação SOS Mata Atlântica e o trabalho do Instituto Padre Josimo, no Rio Grande do Sul.

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O desafio de despertar a consciência coletiva durante a CF 2017

Com o tema ‘Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida’ e o lema ‘Cultivar e guardar a criação’ a Campanha de 2017, sublinha a urgência do despertar de cada pessoa, para uma consciência coletiva ambiental e uma conversão pessoal e comunitária.

O desafio de despertar a consciência coletiva durante a CF 2017

Ampliando e motivando uma tomada de conscientização sobre as ações direcionadas ao meio ambiente, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) traz a reflexão sobre os biomas brasileiros (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal) na Campanha da Fraternidade desse ano.

“…as pessoas contemplem o meio ambiente de uma forma mais cristã”.

“O grande desafio da Campanha da Fraternidade 2017, como em todos os anos, é a formação da consciência de modo que as pessoas contemplem o meio ambiente de uma forma mais cristã”, enfatiza o assessor da Campanha da Fraternidade da sub-região pastoral de Aparecida (SP), padre Leandro Alves de Souza.

O sacerdote cita o livro de Génesis que fala da criação do mundo, dando o exemplo do limite colocado por Deus ao proibir o homem de comer o fruto da árvore, explicando que “o ser humano não é capaz de perceber se as suas ações são boas ou ruins, precisando de fato da luz de Deus”.

Como base nisso, a Igreja vê a necessidade de refletir cada vez mais a importância do pensamento coletivo, de uma responsabilidade assumida verdadeiramente com respeito ao próximo e à natureza, como princípios de um bom cristão.

“Um outro grande desafio é esse individualismos acentuado que a gente vive. Vimos há alguns anos essa a crise hídrica enfrentada no estado de São Paulo. E ficou claro que muitas pessoas só tomavam consciência do problema se abrissem a torneira e não caísse um pingo d’água. A gente continuou vendo o desperdício, atitudes totalmente irresponsáveis. Então na verdade o grande desafio nosso é despertar essa consciência coletiva”, expressou padre Leandro.

Para contribuir na formação das pessoas e incentivar ações que favoreçam o meio ambiente e as gerações futuras, a CNBB preparou uma série de atividades como via-sacra, círculo bíblico, temas para reflexões em família e celebração penitencial. Padre Leandro aponta que essas reflexões são urgentes e necessárias e deixa uma pergunta, que em sua opinião, deveria nortear as atitudes de cada pessoa:

“Qual o mundo ou qual o meio ambiente entregaremos para os filhos, para os netos, para as gerações futuras?”

“Até quando o ser humano vai tratar a natureza simplesmente com objeto de lucro…?
Padre Leandro levanta um questionamento preocupante: “Até quando o ser humano vai tratar a natureza simplesmente com objeto de lucro, manipulando-a cada vez mais, sem pensar nas consequências futuras?”.

Ele destaca alguns gestos concretos que podem motivar a política pública a criar ações que promovam um meio ambiente sustentável como incentivar projetos de lei que proíbam, por exemplo, o uso de agrotóxicos, cobrar dos políticos atenção aos malefícios que as queimadas e a poluição urbana provocam e incentivar a participação dos leigos e leigas nos conselhos paritários, como o Conselho Municipal do Meio Ambiente.

O assessor da Campanha da Fraternidade sugere que durante a Quaresma, que se que inicia na Quarta-feira de Cinzas (1 de março), os cristãos busquem viver a experiência de uma espiritualidade franciscana, de modo que se torne uma atitude comum e concreta para a vida.

“São Francisco, o grande defensor do meio ambiente, nos ensina com a sua vida e com seus escritos que a natureza não pode ser manipulada muito menos tratada como objeto de lucro, pelo contrário, a natureza é a nossa irmã, o bioma faz parte do nosso relacionamento fraterno”, concluiu padre Leandro.

 

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Entrevista com coordenador de pastoral sobre a CF 2017

Coordenador arquidiocesano de pastoral fala sobre a Campanha da Fraternidade 2017

A Campanha da Fraternidade (CF) 2017 terá como tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15). Em entrevista o coordenador arquidiocesano de pastoral, padre Geraldo Martins, fala sobre a importância da CF e sobre a sua realidade na Arquidiocese.

Arquidiocese de Mariana

Como o tema “Fraternidade: Biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema “Cultivar e guardar a criação” serão trabalhados nas regiões diocesanas?

Padre Geraldo: É comum as regiões oferecerem encontros de formação para as lideranças das paróquias que as compõem. Nesse encontro, discutem-se também ações concretas que as comunidades podem realizar na vivência do tema da Campanha da Fraternidade. Os agentes que participam desta formação nas regiões tornam-se multiplicadores e animadores da Campanha em suas respectivas paróquias. Em nossa arquidiocese, os Roteiros para os Grupos de Reflexão prestam relevante serviço ao abordar o tema da CF, ajudando, assim, nossas comunidades a tomarem consciência de seu conteúdo.

Como esse tema e lema se enquadram na realidade da Arquidiocese?

Padre Geraldo: Em primeiro lugar, o tema nos ajuda a compreender o que são biomas e sua importância no nosso ecossistema. Em segundo lugar, vai nos levar a descobrir qual é o bioma de nossa região, como ele é considerado pela população e quais as implicações que ele provoca em nossa vida. Além disso, o tema e o lema, numa linha de continuidade com as campanhas anteriores, provocam-nos em nosso compromisso na defesa de toda a criação, preservando o meio ambiente na direção da “ecologia integral”, como nos ensina o papa Francisco.

Quais ações serão propostas para a Arquidiocese na realização da Campanha da Fraternidade 2017?

Padre Geraldo: A Arquidiocese não possui uma equipe que se encarrega pela dinamização da Campanha da Fraternidade em nível arquidiocesano. Isso é feito nas Regiões Pastorais que animam as paróquias e comunidades a colocarem em prática as sugestões apresentadas pelo Texto Base da CF, além de outras que surgem de acordo com a nossa realidade. Daí a importância de identificarmos bem o bioma no qual vivemos. A Arquidiocese incentiva de maneira forte o empenho das comunidades na Coleta da Solidariedade que, a cada ano, tem mostrado um resultado muito positivo. No ano passado, por exemplo, a Coleta na Arquidiocese somou cerca de R$ 130 mil.

Haverá processo de formação próprio da Arquidiocese ou será a ser seguido o modelo nacional? De que maneira?

Padre Geraldo: Como disse acima, a formação se dá nas Regiões e nas paróquias a partir do material oferecido pela CNBB como o texto-base e o DVD, além de outros materiais produzidos por grupos distintos. Para as escolas, grupos de jovens e de famílias também são oferecidos materiais próprios. Tudo isso favorece a ampliação da reflexão e o alcance do debate do tema que não é exclusivo dos católicos, mas diz respeito a toda a sociedade. Em nível arquidiocesano, são oferecidos os Roteiros de Reflexão que aprofundam o tema a partir do texto-base da CF publicado pela CNBB.

Quais as reflexões a se fazer a cerca do texto base da campanha, na qual a proposta principal é a diversidade de cada bioma e as relações da vida e  cultura de todos os povos?

Padre Geraldo: O esforço será o de alcançar o objetivo da CF que é despertar nas pessoas a responsabilidade pelo cuidado com a criação e com a vida e a cultura dos povos, claro, sempre iluminados pelo evangelho. O texto-base da CF funciona como uma lanterna que joga luz a iluminar nossos caminhos num tema que nem sempre dominamos que é a questão dos biomas. A maioria de nós não tem ideia de quantos e quais são esses biomas, tampouco conhecemos sua história e como deve ser nossa relação com eles na perspectiva de sua preservação para a promoção da vida em todas as suas expressões. Daí, também, a importância de sabermos a relação que eles têm com as culturas de nossos povos. Ao fazer a leitura da realidade a partir do tema abordado, iluminando-a com a Palavra de Deus e da Igreja, o texto base desperta-nos para nosso compromisso cristão de trabalhar por uma sociedade justa e fraterna. Mostra-nos que não é possível dissociar a fé da vida.

Pensando nas contribuições eclesiais de cada bioma e as perspectivas de São João Paulo II, Bento XVI e o Papa Francisco, principalmente por meio dos conhecimentos adquiridos pela leitura do texto da “Laudato Si”, qual a expectativa para a realização dessa campanha no próximo ano?

Padre Geraldo: Vivemos um momento delicado em nosso país, com uma crise política e econômica que parece não ter fim. A ideia de um desenvolvimento a todo custo, desligado do respeito à vida humana e à vida do planeta, desafia-nos a todo instante. Algumas reformas propostas pelo atual governo incidem diretamente em questões ligadas ao tema da Campanha da Fraternidade como é o decreto presidencial que estabelece novas regras para demarcação e homologação de terras indígenas. Diante disso, a expectativa é que a CF ajude a população brasileira a ter um olhar mais crítico para as propostas que defendem um desenvolvimento que sacrifica o meio ambiente, desrespeita a vida e idolatra o dinheiro, o mercado e o lucro. Nada pode se sobrepor à vida e à dignidade humana.

Considerando o vasto território da Arquidiocese de Mariana, quais os principais desafios enfrentados ao lidar com as diversidades dos biomas?

Padre Geraldo: Os desafios são muitos e se multiplicam de acordo com cada região. Em áreas de minério, por exemplo, o desafio é fazer a população perceber o ônus que recai sobre seus ombros a partir da exploração do minério pelas grandes empresas. A degradação do meio ambiente, a ameaça às comunidades próximas destas áreas e o lucro exorbitante das mineradoras precisam estar sempre na pauta de discussão dos que só têm olhos para ver o “bônus” gerado pelas empresas. Ainda que existam bônus, a quem eles mais favorecem e a que preço? Esta pergunta que precisa ser feita permanentemente. Em regiões mais agrícolas, temos o desafio do uso do agrotóxico cujas consequências danosas, sobretudo, à vida humana são difíceis de medir. Há, ainda, o problema do desmatamento, das queimadas, da escassez de água, da monocultura. Tudo isso está ligado à questão dos biomas e, às vezes, a gente nem se dá conta. Por isso, é importante recordar o papa Francisco ao afirmar que nós, os seres humanos, “não somos meramente beneficiários, mas guardiões das outras criaturas”. Esta, talvez, seja a grande lição proposta pela CF-2017: tomar consciência da interdependência entre as criaturas como lembra o Catecismo da Igreja Católica no número 2418.

Para a Arquidiocese, a Campanha de 2017 segue o contexto relacionado ao meio ambiente e consequentemente reforça o cuidado com o Rio Doce e as áreas afetadas pelo rompimento da barragem. Como o senhor vê a importância dessa discussão?

Padre Geraldo: A preocupação com a preservação do meio ambiente já era discutida na província eclesiástica de Mariana (composta pelas dioceses de Mariana, Itabira/Coronel Fabriciano, Governador Valadares e Caratinga) antes mesmo do crime ambiental provocado pelo rompimento da barragem de Fundão. O rastro de destruição deixado pela atividade mineradora em nossa região obriga a Igreja a posicionar-se de forma profética em defesa dos que mais sofrem com isso. A CF-2017 fortalece nossa reflexão e inspira nossas ações na direção de combater tudo aquilo que signifique ameaça ao meio ambiente, à vida e à dignidade humana. O desastre tecnológico, como alguns têm chamado o rompimento da barragem de Fundão, obriga-nos a definir e cobrar ações que efetivamente recuperem a bacia do Rio Doce e que a preservem de novos crimes como esse. Refletir e viver a CF-2017 sob o cenário do que ocorreu no distrito de Bento Rodrigues, município de Mariana, com consequências ainda incalculáveis ao longo de toda a bacia do Rio Doce, será oportunidade de todos tomarmos consciência de nossa corresponsabilidade política, social e religiosa na promoção e defesa da vida que se manifesta em toda a criação.

 

arqmariana.com.br
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Preparando os trabalhos catequéticos da CF 2017

Para você começar a se preparar para os trabalhos catequéticos da Campanha da Fraternidade 2017

01 – Leia sobre o bioma do estado ou região onde você mora, pois devemos cuidar especialmente deste pedaço do mundo em que vivemos. #leia-sobre-tudo

É no lugar onde moramos que iremos propor ações para cuidar do meio ambiente. É neste espaço que iremos contribuir diretamente para tornar o mundo melhor. O mundo é grande e cada um de nós tem sua pá de responsabilidade para cuidar desta casa comum. Então, antes de qualquer coisa, conheça o lugar onde você mora, as particularidades da vegetação, os principais problemas que afetam o meio ambiente, as interferências do homem  que  desmatam o bioma e colocam em risco os recursos naturais. O conhecimento forma identidade com o lugar onde se vive. Eu, por exemplo, moro no Pantanal. E você irmão?

Dicas para o encontro de catequese: Você pode levar fotos da vegetação, da fauna e da flora da região onde mora. Seria interessante se fossem fotos pessoais, de algum lugar que visitou. Poderia, inclusive, organizar algum passeio para um parque ou uma reserva ecológica.  Pode ainda citar alguns parques nacionais bem conhecidos da região.

Por exemplo,  na Bahia, o Parque Nacional da Chapada Diamantina fica numa área de transição de biomas, por isso apresenta mais de um bioma, como cerrado e caatinga. Em Goiás, tem o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, com o bioma cerrado e muita fauna e flora característicos. E assim vários outros.

 

Trabalhos Catequéticos

02 – Procure atualizar-se sobre as notícias da sua região que falam sobre o meio ambiente. #fique-ligado

Podemos levar para a sala de catequese discussões sobre problemas atuais da própria comunidade em que vivemos e como podemos cuidar do pedaço de terra, fauna, flora, rios e vegetação que fazem parte do nosso “quintal”. Procure fatos e acontecimentos que são próximos aos catequizandos, do bairro e cidade onde moram,  notícias nacionais de grande repercussão sobre o meio ambiente, os desastres ambientais etc. Precisamos falar sobre como “cuidar da nossa comum”, conscientizar, e, claro, adequando a linguagem para cada etapa da catequese, mas sem subestimar as crianças achando que não entenderão.

Por exemplo, em Brasília estão vivendo tempos de seca e de racionamento de água. Pode-se levantar discussões sobre isso: as possíveis causas da seca, o que os desmatamentos, a agropecuária contribuíram para a seca na região e etc. Um exemplo que pode ser citado em Minas Gerais, é o acidente com a barragem de Mariana que se rompeu. Foi um desastre de grandes proporções  e causou vários impactos ambientais. Esses acontecimentos são o “ver” do nosso encontro. Lembre-se que devemos olhar a realidade para depois iluminar com a palavra de Deus, construindo, com todos, responsabilidades e mudanças “agir”. Em uma turma de jovens e adultos, fique à vontade para aprofundar esses debates e contribuir, assim, uma consciência ambiental.

03 – Pense nas responsabilidades e no que cada um pode fazer para melhorar o “pedacinho de terra onde mora”. #reflita

É possível trabalhar as consequências boas e más da interferência do homem nos biomas. E, ao final, construir  responsabilidades pessoais e sociais: o que eu posso fazer para cuidar do planeta? O que meu vizinho pode fazer? O que o estado pode fazer? O que as empresas e indústrias podem fazer? O que nós, como igreja e comunidade de Cristo, podemos fazer para cuidar do meio ambiente e da criação de Deus?

E que tal sair da sala de catequese para realizar alguma atividade de cuidado e proteção com a natureza? Alguma atividade que desperte para a importância de proteger a natureza. Ou mesmo uma catequese ao ar livre, observando as árvores e matas ao redor, os sons da natureza,  isso só já contribui para fazer as pessoas sentirem-se responsáveis para zelar por tudo o que Deus criou para nós. Para os jovens e adultos, pode-se pensar num trabalho mais engajado de  observar as gestões públicas sobre o meio ambiente e de como podem exercer a cidadania ao vigiarem isso. Lembro de um texto de Clarice Lispector: “Eu sou uma pessoa muito ocupada: tomo conta do mundo.”

04 – Leia o Texto-base da Campanha da fraternidade 2017. #tenha-o-material

Apresenta os biomas brasileiros, suas características, biodiversidade, sociodiversidade, fragilidades, desafios,  contextualização política, contribuição eclesial (ver).  Depois, o texto ilumina essa realidade com a palavra de Deus e o magistério da Igreja: “É preciso que a constatação das riquezas e dos desafios ligados ao tema da Campanha da Fraternidade seja levada à ação a partir de uma reflexão serena e profunda dos ensinamentos da tradição cristã.”
Por fim, apresenta o agir: “O agir da Campanha da Fraternidade de 2017 está em sintonia com a Doutrina Social da Igreja, principalmente com a encíclica Laudato SI e com a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016. Elas indicam a necessidade da conversão pessoal e social, dos cristãos e não cristãos, para cultivar e cuidar da criação. A encíclica Laudato Si propõe a ecologia integral como condição para a vida do planeta.”

Para ambientar, coloque em destaque o cartaz da CF 2017. Marcador de páginas com a ilustração, o tema, o lema e a oração da CF 2017. Também as músicas da CF 2107 e o hino.

05 – Leia a  Encíclica Laudato Si do papa Francisco sobre o Meio Ambiente. #papa-nas-questoes-ambientais

“O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar. O Criador não nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem Se arrepende de nos ter criado. A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum. Desejo agradecer, encorajar e manifestar apreço a quantos, nos mais variados setores da atividade humana, estão a trabalhar para garantir a proteção da casa que partilhamos. Uma especial gratidão é devida àqueles que lutam, com vigor, por resolver as dramáticas consequências da degradação ambiental na vida dos mais pobres do mundo. Os jovens exigem de nós uma mudança; interrogam-se como se pode pretender construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos.”

Lembrá-los que alguns temas de Campanhas anteriores têm relação com o tema desse ano (CF 1986, 2004, 2007, 2011 e 2016) e, por fim, são temas que se completam.

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Cartazes que a questão ambiental foi tema: 1986, 2004, 2016, 2011 e 2007

06 – Baixe os materiais complementares de formação e música. #queira-sempre-mais

Como em todos os anos, baixe aqui no Portal Kairós os materiais para ampliar seu conhecimento sobre a Campanha da Fraternidade.

 

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Portal Kairós

Artigo especial sobre a Campanha da Fraternidade 2017

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil acabou de publicar o Texto-Base da Campanha da Fraternidade 2017. Esta Campanha tem como tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, e como lema: “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2, 15). A palavra bioma é uma palavra estranha para muitas pessoas.

O Texto-Base define bioma como “a vida que se manifesta em um conjunto semelhante de vegetação, água, superfície e animais”, e acrescenta “Um bioma é formado por todos os seres vivos de uma determinada região, cujo clima é mais ou menos uniforme, e cuja formação tem uma história comum”.

Portanto, podemos compreender que “um bioma é formado por todos os seres vivos de uma determinada região cuja vegetação e é similar e contínua, cujo clima é mais ou menos uniforme, e cuja formação tem uma história comum”. (cf. MALVEZZI, R., Semiárido: Uma Visão Holística, CONFEIA, Brasília, 2007). Muitas pessoas ficarão surpresas em saber que o Brasil tem seis biomas, a Amazônia, a Caatinga, o Cerrado, a mata Atlântica, o Pantanal, e o bioma Pampa.

O objetivo geral da CF 2017 é “Cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho”

A Campanha tem nada menos de oito objetivos específicos: “a) Aprofundar o conhecimento de cada bioma, de suas belezas, de seus significados e importância para a vida no planeta, particularmente para o povo brasileiro; b) Conhecer melhor e nos comprometer com as populações originárias, reconhecer seus direitos, sua pertença ao povo brasileiro, respeitando sua história, suas culturas, seus territórios e seu modo específico de viver; c) Reforçar o compromisso com a biodiversidade, os solos, as águas, nossos paisagens e o clima variado e rico que abrange o chamado território brasileiro; d)  Compreender o impacto das grandes concentrações populacionais sobre o bioma em que se insere; e) Manter a articulação com outras igrejas, organizações da sociedade civil, centros de pesquisa e todas as pessoas de boa vontade que querem a preservação das riquezas naturais e o bem-estar do povo brasileiro;  f) Comprometer as autoridades públicas para assumir a responsabilidade sobre o meio ambiente e a defesa desses povos; g) Contribuir  para  a construção de um novo paradigma econômico ecológico que atenda às necessidades de todas as pessoas e famílias, respeitando a natureza; h) Compreender o desafio da conversão ecológica a que nos chama o Papa Francisco na carta encíclica Laudato Si` e sua relação com o espírito quaresmal” (cf. p.16 do Texto-Base).

O Capítulo 111 do Texto-Base mostra claramente que o agir da CF de 2017 está em completa sintonia com a Doutrina Social da Igreja Católica, com a encíclica Laudato Si`, e com a CF Ecumênica de 2016. Há uma rica bibliografia com 63 referências (cf.ps. 127/133).

Pe. Brendan Coleman Mc Donald, Redentorista e Assessor da CNBB Reg. NE1