No Brasil, vi que música e fé podem estar juntas, diz freira

Ela diz que passar dois anos no país lhe colocou em contato com igreja alegre, que usa música para entrar em contato com jovens

Reconhecida mundialmente depois de ter vencido a competição musical The Voice na TV italiana, a freira Cristina Scuccia, de 26 anos, acaba de se lançar como cantora com uma regravação do single Like a Virgin, de Madonna. Desta forma, transformou em realidade um sonho que tinha desde pequena, quando se apaixonou pela música. Mas ela conta que nada disso teria acontecido se não tivesse vivido por dois anos no Brasil.

“Antes de conhecer o país, não sabia que música e fé podiam estar juntas”, disse irmã Cristina à BBC Brasil. “Nunca havia visto uma banda de rock com canções cristãs ou freiras que fizessem música profissionalmente. Foi no Brasil que decidi utilizar o dom que Deus me deu. Foi como uma purificação para o meu canto.”

Nascida em Comiso, uma cidade siciliana com menos de 30 mil habitantes, no sul da Itália, ela havia abandonado a música e estava em conflito antes vir ao Brasil.

Entre 2010 e 2012, durante seu período de formação religiosa, a freira morou com outras noviças da Congregação das Irmãs Ursulinas em Mogi das Cruzes, na periferia de São Paulo. “No Brasil conheci uma igreja jovem, que está crescendo e é vivida com mais dinamismo. Quero transmitir esta alegria aos jovens italianos.”

Além das músicas durantes as missas, dava aulas de canto e dança para as crianças. Não perdia nenhuma das oportunidades de cantar, e ajudou a montar o musical A Coragem de Amar. A apresentação foi sua despedida, pois logo depois ela foi à Itália para fazer os votos à Igreja.

“Voltei decidida a seguir meu amor pelo canto e, logo depois, fui incentivada pelas palavras do Papa Francisco, que pedia aos religiosos para levarem o próprio dom às perifeiras. Foi quando as madres da minha Congregação convenceram-me a participar do The Voice”, reconta irmã Cristina.

Surpresa

Em junho passado, vestida com o hábito completo e crucifixo no peito, a religiosa surpreendeu os jurados do programa, que a escolheram para seguir na competição após seu teste – sem saberem que se tratava de uma freira. Em poucos dias, o vídeo com a sua versão da música No One, de Alicia Keys, interpretada por ela em sua estreia na competição, já havia sido visto mais de 30 milhões de vezes no portal Youtube.

Depois de vencer o programa, ela assinou contrato para lançar um álbum. O disco Sister Cristina traz outras 9 regravações e três músicas inéditas. Gravado em Los Angeles, o álbum será lançado mundialmente no dia 11 de novembro pela Universal.

Irmã Cristina nega que tenha sido uma imposição da gravadora ter no álbum uma versão de Like a Virgin, como uma forma de atrair mais atenção ao disco. “Também não foi uma provocação. No período em que estávamos selecionando o repertório, ouvi por acaso a canção de Madonna. Quis dar um significado completamente diferente à música, com novos arranjos, instrumentos acústicos e um novo vídeo”, disse.

“A canção fala de uma pessoa em conflito, que é chamada por Deus e decide levar o seu amor adiante para o resto da vida. A minha versão tem uma linguagem nova e é justamente esta a capacidade cristã de enxergar tudo com novos olhos que pretendo transmitir aos jovens.”

A canção em português “Perto, Longe ou Depois”, presente no disco, é um agradecimento ao país que lhe “deu tanto” e a sua “vontade de continuar a falar” o idioma brasileiro.

Caridade

De acordo com irmã Cristina, o dinheiro arrecadado com as vendas dos discos será destinado aos projetos de caridade da Congregação das Irmãs Ursulinas, entre eles a casa onde viveu em Mogi das Cruzes. “Há pouco tempo fizemos a ampliação do edifício para podermos receber mais crianças e adolescentes e nossa prioridade é manter os projetos já iniciados”, disse.

A freira afirma ter boas recordações do período que esteve no Brasil, onde tem duas afilhadas, e diz ter dificuldades para encontrar algo de ruim para falar sobre o país.

“Penso sempre no afeto das pessoas, no acolhimento que encontrei quando vivia ali. O que me deixava mais triste era ver meninas muito pequenas que engravidavam, mesmo depois de conhecerem a difícil experiência de irmãs e amigas, que precisavam tomar conta dos filhos embora fossem elas mesmas muito jovens”, conta a freira.

Conseguir conscientizá-las para evitar a maternidade tão precoce era uma luta cotidiana. “Mas apesar da realidade difícil nas periferias, as crianças estão sempre felizes. Para elas basta um pouco de música, uma bola no pé ou um pipa na mão para ficar contentes, enquanto aqui temos tanto e estamos sempre insatisfeitos. Para a minha experiência de vida, foi fundamental testemunhar que mesmo na pobreza é possível cuidar do próximo e compartilhar o pouco que se tem”.

Embora não estejam previstas apresentações ao vivo, irmã Cristina disse que gostaria de fazer shows na Europa. “Seria fantástico conseguir encher os estádios com a minha música, como fazem muitos religiosos no Brasil.”

Celebridade religiosa

Mesmo com a fama, irmã Cristina afirma não ter dificuldades para conciliar a vida religiosa com a carreira musical. Em Milão, a congregação da qual ela faz parte administra uma escola infantil, um pensionato para universitárias e colabora com a paróquia local. Cristina dá aulas de catequismo, faz turnos na portaria da pensão e canta durante as missas de domingo.

“A minha prioridade é a oração, a eucaristia, mas dedicar um pouco do meu tempo ao disco e aos fãs não me distrai do meu objetivo. É apenas um meio a mais para evangelizar”, diz.

“Se o sucesso acabar, ou se for preciso escolher, com certeza vou optar pela vida religiosa. Mas vou continuar a animar a minha comunidade com minha voz e meu violão.”

Músicas e subsídios para baixar

 

BBC / Portal Kairós

Oração da Campanha da Fraternidade 2015

Músicas e subsídios para baixar

Sábias orientações de Francisco

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Bem no o estilo moderno de comunicação o Papa Francisco tem continuamente lançado mensagens objetivas, práticas, orientando sabiamente a conduta dos cristãos. Aconselhou a “caminhar, edificar e testemunhar a fé”. Por entre o fluxo dos acontecimentos ele lembrou que “a nossa vida é um caminho e é errado se pararmos”. Este viandar, porém, deve se dar “na presença e na luz do Senhor”. Apontou um dos grandes erros humanos ao diagnosticar a hipocrisia como “uma esquizofrenia da alma”. Alertou que não há nunca “um poder mágico no dinheiro”. Aliás, asseverou que quem é apegado aos bens terrenos é “narcisista, consumista, hedonista”.

Se é necessário valorizar o momento presente é preciso estar atentos, pois “vivemos numa sociedade do “aqui e agora”, ou seja, num imediatismo deletério”. Ele está sempre imerso em Deus na prece, mas advertiu que “não se deve querer controlar a Deus pela oração”. Fez eco então ao que se reza no Pai Nosso: “Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu”. Apresentou norma valiosa sobre o que significa rezar: “Orar é falar e escutar. Pedir clemência a Deis como fez Abraão para Sodoma e Gomorra e Moisés para o povo recalcitrante”. Testemunhou: “A minha experiência com Deus se dá no caminho, na busca em deixar-me buscar”.

Concita os fiéis à firmeza na defesa dos mandamentos e foi claro: “Defenda o nascimento contra o aborto mesmo que te persigam, te caluniem, montem armadilhas para ti, te levem às barras do tribunal ou te venham a matar” […] A prática do comportamento homossexual é um retrocesso antropológico”. Num momento de pulcra inspiração assim falou: “Se uma pessoa não cuida de seu irmão, na pode falar com o Pai de seu irmão, com Deus”. Na alheta de Sócrates que recomendava “Conhece-te a ti mesmo”, Francisco mostrou que “o fundamental que se deve dizer a todo homem é que entre em si mesmo” e pedagogicamente aditou:” A dispersão é uma ruptura no interior, impede de olhar no espelho de seu coração”. Sábia advertência: “É preciso uma atenção constante entre os dons de Deus e as tarefas humanas. Quem recebe o dom e não o explora não cumpre seu dever. […] O homem recebe algo e tem que deixar algo melhor“.

Alertou, porém: “Quem se apega demais com as tarefas esquece os dons e tudo atribui a si”. Por entre tantas divergências religiosas o Papa norteia “ É preciso não ter medo de ser cristão. [“…] a vida cristã é uma espécie de atletismo, de luta, de corrida, na qual é necessário que nos desfaçamos das coisas que nos separam de Deus”. Vale a pena ler os livros que trazem os ensinamentos do atual Pontífice e meditar também suas palavras que, sobretudo, as redes católicas diariamente publicam.

 

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos

Solidariedade é um modo de fazer história, diz papa Francisco

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“A solidariedade, entendida em seu sentido mais profundo, é um modo de fazer história e isso é o que fazem os movimentos populares”, disse o papa Francisco, na manhã de ontem, dia 28, durante encontro com os participantes do Encontro Mundial dos Movimentos Populares.

Ao falar sobre solidariedade, Francisco sugeriu pensamentos e atos em favor da comunidade e da prioridade de vida a todos. “Também é lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, a terra e a violência, a negação dos direitos sociais e trabalhistas”, enumerou. Para ele, a solidariedade se traduz no enfrentamento aos “efeitos destruidores do ‘Império do dinheiro’, como os deslocamentos forçados, as migrações dolorosas, o tráfico de pessoas, a droga, a guerra, a violência. “Todas essas realidades que muitos de vocês sofrem e que todos somos chamados a transformar. A solidariedade, entendida em seu sentido mais profundo, é um modo de fazer história e isso é o que fazem os movimentos populares”, disse.

A transformação da realidade dos que sofrem com a pobreza conduziu o papa a três elementos que para ele são uma resposta a algo que deveria estar ao alcance de todos, mas que está cada vez mais longe da maioria: “terra, casa e trabalho”. A abordagem em relação ao escândalo da pobreza não deve promover “estratégias de contenção que somente tranquilizem e convertam os pobres em seres domesticados e inofensivos”.

O papa Francisco alertou, ainda, ao tratar dos elementos “terra, casa e trabalho”, que fala do amor pelos pobres, que está “no centro do Evangelho”. “É estranho, mas quando falo sobre estas coisas, para alguns parece que o papa é comunista”, comentou.

Francisco também falou sobre a “cultura do descartável”, na qual aqueles que não podem se integrar no fenômeno da exportação e da opressão, são excluídos como resíduos, sobras. Ele explicou que isso acontece quando no centro de um sistema econômico está o deus dinheiro e não o homem, a pessoa humana. “Ao centro de todo sistema social ou econômico deve estar a pessoa, imagem de Deus, criada para que fosse o dominador do universo. Quando a pessoa é desprezada e vem o deus dinheiro, acontece esta troca de valores”, alertou.

Falando sobre trabalho, o papa destacou direitos a uma remuneração digna, à seguridade social e à cobertura previdenciária aos catadores, vendedores ambulantes, costureiros, artesãos, pescadores, camponeses, construtores, mineiros, todo tipo de cooperativistas e trabalhadores de ofícios populares, que, segundo Francisco, estão excluídos dos direitos trabalhistas e têm negada a possibilidade de sindicalizar-se e de ter uma renda adequada e estável. “Hoje quero unir minha voz à sua e acompanha-los em sua luta”, afirmou.

O papa ainda falou sobre paz e ecologia no contexto dos três elementos apresentados em seu pronunciamento. “Não se pode haver terra, não pode haver casa, não pode haver trabalho se não temos paz e se destruirmos o planeta”, disse. Ele exorta que a criação não é uma propriedade da qual se pode dispor a esmo gosto, nem que pertence a uns poucos. “A criação é um dom, é um presente, um dom maravilhoso que Deus nos deu para que cuidemos dele e utilizemos em benefício de todos, sempre com respeito e gratuidade”, acrescentou.

Em relação à “globalização da indiferença”, presente no mundo, foi apresentado um “guia de ação, um programa” considerado “revolucionário”: as bem-aventuranças, presentes no Evangelho de Mateus.

Ao final, Francisco afirmou que os movimentos populares expressam “as necessidades urgentes de revitalizar as democracias”. Ele considera “impossível imaginar um futuro para a sociedade sem a participação como protagonista das grandes maiorias”.

Encontro

O Encontro Mundial dos Movimentos Populares aconteceu de 27 a 29 de outubro, com organização do Pontifício Conselho Justiça e Paz do Vaticano, em colaboração da Pontifícia Academia de Ciências Sociais e líderes de vários movimentos. São 100 leigos, líderes de grupos sociais, 30 bispos engajados com as realidades e os movimentos sociais em seus países, e cerca de 50 agentes pastorais, além de alguns membros da Cúria romana presentes no evento. Representou a CNBB o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da instituição, dom Leonardo Steiner.

O evento buscou fortalecer a rede de organizações populares, favorecer o conhecimento recíproco e promover a colaboração entre eles e suas Igrejas locais, representadas por bispos e agentes pastorais provenientes de vários países do mundo. O Pontifício Conselho Justiça e Paz do Vaticano ressalta o compromisso na promoção e tutela da dignidade e dos direitos da pessoa humana, assumido pelos movimentos.

 

 CNBB / Portal Kairós

Mês das almas do purgatório

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O mês de novembro é especialmente consagrado às almas do Purgatório e leva os cristãos a se lembrarem ainda mais do que acontece além da sepultura. Muitas vezes se esquece de que a trajetória terrena é uma preparação para o que vai ocorrer a cada um além morte. A alma espiritual, indestrutível, no momento de deixar este mundo como a borboleta que ao sair da crisálida desdobra as suas asas, deixa esta alma o corpo para começar uma outra etapa da existência inteiramente espiritual, aguardando a ressurreição. Naquele instante da morte comparece o ser racional diante de Deus par por Ele julgado conforme se tenha feito o bem ou o mal segundo os mandamentos do Criador. É o instante do juízo particular. Entre a eternidade bem-aventurada e a desventurada, há um estado passageiro de sofrimento e de expiação pelo qual devem passar aqueles que, destinados ao Céu, ainda não estão, para nele poder entrar desde logo, suficientemente purificados dos seus pecados.

É o Purgatório. Baseados na Bíblia vários concílios definiram como dogma de fé a existência deste lugar de purificação. Grandes teólogos atestam esta verdade com argumentos irrefutáveis. Através do Sacramento da Penitência os pecados são perdoados, mas cumpre que se restabeleça a ordem violada e esta ou é reparada neste mundo através dos sacrifícios reparadores ou pelas indulgências devidamente recebidas. Caso contrário, a alma deverá passar pelo Purgatório antes de entrar no Céu. Aí haverá a quitação completa da dívida para com Deus. As almas que estão no Purgatório estão misteriosamente contentes e ao mesmo tempo atormentadas. Há a certeza da felicidade eterna que as aguarda. Sua salvação está garantida. Não podem mais pecar porque amam a Deus com todas as suas potencialidades. Como o ouro se apura no crisol, assim se purificam as almas antes de entrarem para a visão beatifica. Desaparece a ferrugem, os vestígios do pecado. Deus concilia então os direitos de sua justiça com os de sua bondade.

Com razão Tertuliano, fazendo alusão aos sofrimentos do Purgatório, os chama de “tomentos da misericórdia divina”. Diz o Pe. Faber que o Purgatório onde se sofre para expiar é o último excesso do amor infinito do Ser Supremo para com sua criatura. Quem, contudo, está ainda na terra pode ajudar as almas do Purgatório abreviando-lhes o tempo que lhes falta para ir para junto de Deus A ajuda às almas do Purgatório pode ser feita através das Missas oferecidas e participadas nas suas intenções. Depois a esmola bem direcionada é uma reparação para as próprias faltas e pode ser aplicada também para as almas do Purgatório. Além disto, as orações feitas nas intenções destas almas são valiosíssimas. Entre estas preces sobressai o terço ou um dos seus mistérios oferecidos nas intenções dos falecidos. Através da oração o cristão como que se reveste da onipotência divina. Aditem-se as indulgências que se podem ganhar pelas almas do Purgatório. São Francisco Xavier não deixava passar um dia sem orar pelos mortos.

Como ele, muitos outros santos que acreditavam na onipotência das preces feitas com fervor. Cristo ensinou: “Pedi e recebereis, buscai e achareis”, para mostrar que tudo é possível àquele que ora. Portanto, nada mais louvável do que interceder por aqueles que breve estarão lá no Céu, onde serão intercessores dos que deles se lembraram neste mundo. Além do mais, a quem socorreu as almas do Purgatório, certamente Deus fará com que outros depois se lembrem também de orar por aquele que foi tão caridoso com seus irmãos falecidos. Nunca se recordam demais as palavras do Livro dos Macabeus: “Santo e piedoso pensamento é rezar pelos mortos para que se libertem de seus pecados” (2Mc 12, 43-46). Lembra o teólogo John O’ Brien que um dos relatos mais tocantes que nos foram transmitidos sobre este assunto nos escritos dos Padres da Igreja, vem-nos de S. Agostinho, no princípio do séc V.

O sábio bispo conta que sua mãe, chegada a hora da morte, lhe fez este último pedido: “Sepulta o meu corpo em qualquer lugar, não importa onde; não te preocupes com ele. Mas peço-te somente que, onde quer que estejas, te lembres de mim no altar do Senhor”. A lembrança deste pedido inspirou ao filho esta ardente prece: “Por isso Te imploro, ó Deus do meu coração, pelos pecados da minha mãe. Que ela repouse em paz com o seu marido [… ] E inspira, Senhor, aos teus servos meus irmãos, que eu sirvo pela palavra, pelo coração e pela escrita, a todos os que lerem estas linhas, que lembrem no Teu altar, a Tua serva Mónica”.

 

Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos