Em um de seus momentos de maior aflição, Jesus reza a Deus e o chama de Abbá. Com isso nosso Senhor nos revela uma intimidade profunda entre ele e o Pai que está nos céus. Essa relação de Jesus com seu Pai certamente pode nos revelar algo sobre como os pais humanos estão chamados a se relacionarem com seus filhos, buscando fazer de suas famílias um reflexo da Santíssima Trindade.
Um pai responsável quer sempre o que é melhor para os seus filhos. Nesse sentido, uma das primeiras responsabilidades que o pai tem é a de transmitir o maior tesouro que ele mesmo recebeu um dia: A filiação divina. E recebe-se essa filiação de modo muito concreto no batismo. O Catecismo nos ensina que os pais cristãos precisam reconhecer que a prática de batizar os filhos ainda bebês corresponde “à sua função de alimentar a vida que Deus” lhes confiou. Não fazer isso, pelo motivo que seja, é privar a criança da graça inestimável de tornar-se Filho de Deus.
Talvez possamos dizer que todas as outras responsabilidades paternas derivem dessa e podem ser vistas como uma continuação da mesma. Isso porque talvez possamos resumir a missão paterna em uma intima colaboração com Deus para que o fruto dessa união matrimonial possa chegar a ser uma pessoa plena, santa, um verdadeiro filho de Deus, como Cristo. Essa filiação começa no batismo mas precisa ser cuidada e acrescentada durante toda a vida.
E o pai faz isso em todos os momentos da sua vida. Primeiramente com o próprio testemunho de uma vida cristã, amando de verdade a esposa e os filhos, valorizando o que de verdade importa na vida e não se deixando levar pelas superficialidades que o mundo propõe como importante. Sendo solícito para com todos, participando ativamente da vida da Igreja local, como um discípulo de Jesus. Com esse testemunho em primeira pessoa, os filhos serão naturalmente levados a colocar a própria relação com Deus no centro de suas vidas e poderão, chegado a maturidade, optar livremente pela vida cristã.
Além do testemunho pessoal, os pais precisam se preocupar com a educação dos filhos na fé, para que eles possam, pouco a pouco, ir se aproximando do mistério de Deus com mais consciência. Por isso é importante velar para que os filhos cresçam em um ambiente que favoreça esse contato com o Senhor em casa, na Igreja, na escola, com os amigos, etc. Tudo isso sem se esquecer da única missão de fazer com que o filho vá se tornando cada vez mais como o Filho único, Jesus Cristo.
Claramente não podemos tocar aqui todos os aspectos do que implica na vida de uma pessoa a paternidade. No fundo precisamos sempre ter presentes que a paternidade é uma missão que vai além das forças de qualquer pessoa se a entendemos como essa missão cristã. E por isso é preciso contar com aquela paternidade primeira, a Paternidade de Deus, que ama o pais e filhos de tal forma que os auxilia com sua Graça para que possam chegar a viver um dia a plenitude dessa filiação no Céu. Afinal somos todos, pais, filhos, mães, irmãs, antes de mais nada, filhos queridos de Deus.
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2017/08/a-missao-do-pai-hoje-em-dia.jpg523750Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2017-08-14 12:09:052018-11-08 01:06:03A missão do pai hoje em dia
É com alegria e espírito de gratidão que celebramos neste domingo, no Mês Vocacional, o dia dos pais e iniciamos a semana da família. Podemos dizer que o dom da vocação à vida matrimonial, contempla a dimensão do ser pai, do ser mãe e a construção de uma família em nome do amor. Na exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, A Alegria do Amor, Papa Francisco, reflete sobre o amor no matrimônio e na família. Não sobre a palavra “amor”, que é seguidamente mencionada de forma desfigurada, faltando o sentido da presença de Deus, da partilha e do cuidado da vida da pessoa amada.
O amor não exige que o outro seja perfeito para aceitá-lo, mas “possui sempre o sentido de profunda compaixão, que leva a aceitar o outro como parte da minha vida e deste mundo, mesmo quando age de modo diferente daquilo que eu desejaria. Na vida familiar, não pode reinar a lógica do domínio de uns sobre os outros, nem a competição para ver quem é mais poderoso, porque esta lógica acaba com o amor e destrói a serenidade na vida familiar.
Depois do amor que nos une a Deus, o amor conjugal é a “amizade maior”, nos lembra Santo Tomás de Aquino. É uma união que tem todas as características duma boa amizade: busca o bem do outro, reciprocidade, intimidade, ternura e estabilidade. Mas também é capaz de superar os desafios, não tem medo de lutar, renascer, reinventar-se e recomeçar sempre de novo para estar ao lado da pessoa amada. Poucas alegrias humanas são tão profundas e festivas como quando duas pessoas que se amam conquistaram, conjuntamente, algo que lhes custou um grande esforço compartilhado. Percorrer um caminho juntos, mesmo se difícil, pode ser uma oportunidade para se apreciar melhor o que se tem e quem está ao nosso lado. Com os olhos do amor e do coração, podemos ver valores e qualidades, que nunca tínhamos percebido na pessoa que está ao nosso lado caminhando conosco, nos momentos alegres e difíceis da nossa vida.
Neste dia dos pais, manifesto minha gratidão ao meu pai, mas também a Deus, por todos os pais, que com amor e doação consomem a vida para cuidar com dignidade da família que construíram. Que o Senhor vos abençoe e voz proteja.
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2017/08/a-vocacao-e-amor-na-familia.jpg500750Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2017-08-13 00:01:132020-02-26 08:16:39A Vocação e amor na Família
O objetivo daquele que semeia é que a semente caia em terra boa. Mas, na realidade, ela cai na terra. E, algumas vezes, a terra não está preparada. A semente pode se perder pelo caminho, não produzindo os frutos desejados. Assim como a semente, quando a Palavra de Deus cai em “terra boa”, na terra do nosso coração, aí sim essa Palavra dá fruto.
Jesus Cristo nos lança a sua Palavra. E como é fundamental, nos dias de hoje, podermos ouvir a Palavra de Deus, deixando que ela caia, em nosso coração, como terra boa, para produzir frutos. A terra boa é a terra preparada. E nessa terra, que se coloca adubo, se não der chuva, que se coloque irrigação para molhá-la. E o nosso coração, assim como a terra, tem que estar preparado para receber a Palavra de Deus. Ele precisa ter estas condições: estar aberto, acolhedor, sem nenhum obstáculo para que a Palavra caia, germine, produza os frutos desejados.
Quando você sai de casa, para participar da Eucaristia, sabe que a Missa é num determinado horário. Aí você toma banho, veste roupa, pega e olha o relógio – sabe o tempo que gasta para chegar à igreja. E chega na hora certa na igreja, e lá faz uma oração, alguns vão ao Santíssimo, fazem uma visita ao Cristo Sacramentado, tem um diálogo com Ele. Depois se coloca no momento para a Celebração, cantando, participando, rezando, e ouvindo com atenção à Palavra. Depois da Proclamação da Leitura, você senta para ouvir o comentário, a homilia do sacerdote ou do Arcebispo. Essa preparação que você faz, sempre que vai à Missa, ela é muito importante, porque você está fazendo isso para ir receber a Palavra de Deus.
O coração preparado é o coração aberto para receber a Palavra com alegria, e com o compromisso de, saindo da igreja, colocá-la em prática. Ela é como a chuva que cai. Ela não volta para Deus – escorre produzindo os frutos desejados, sendo realizado aquilo que Deus diz e quer. A chuva vem fecundar a terra, gerar vida, transformar a realidade. A Palavra de Deus que cai na terra do nosso coração, como chuva divina, vem mudar a nossa vida, transformar o nosso ser, moldar a nossa existência, para que tomemos a feição de filhos e filhas do Pai. Isso é maravilhoso! E a Palavra de Deus muda a nossa vida. Ela nos corrige, ela nos exorta, ela nos faz compreender e nos convence do que é bom, do que devemos fazer, ela nos entusiasma, e nos anima, para continuarmos no caminho do Senhor. A Palavra de Deus nos enche de esperança. E nos compromete para o bem, para a verdade, com a justiça e com a paz.
Ela é um projeto de vida em construção. Essas duas perspectivas se completam. “O matrimônio cristão, reflexo da união entre Cristo e a sua Igreja, realiza-se plenamente na união entre um homem e uma mulher, que se doam reciprocamente com um amor exclusivo e livre fidelidade, se pertencem até a morte e abrem à transmissão da vida, consagrados pelo sacramento que lhes confere a graça para constituírem como igreja doméstica e serem fermento de vida nova para a sociedade” (Amoris Laetitia, n.292).
Este o modo como a fé cristã compreende a realidade familiar. Aqui está o ideal. Ela está fundada no amor humano, que se entrega pelo bem do outro, e abençoado pelo amor divino. Ele permanece sempre válido, pois tem seu fundamento numa visão humana integral e na fé que parte da revelação cristã. Não podemos baixar o ideal por causa das pressões ou modas de uma sociedade “líquida”. Sabemos do seu lugar único e insubstituível na formação humana, psíquica e espiritual dos filhos. Nenhuma instituição social poderá realizar ou substituir os laços de amor entre os pais, destes com seus filhos e dos filhos entre si. É um verdadeiro santuário, espaço sagrado, onde a vida é acolhida e educada para formar personalidades sadias, cidadãos e bons cristãos.
Porém, a idealização da família, por si só, não responde aos desafios que elas vivem. Como todas as realidades humanas, não são realidades prontas, mas a caminho. Um caminho num constante processo de amadurecimento na capacidade de amar. A vivência da caridade está sempre aberta a novas possibilidades de crescimento. Já São João Paulo II propôs a “lei da gradualidade” à realidade familiar, visto que o ser humano “conhece, valoriza e realiza o bem moral, segundo as diversas etapas de crescimento” (Familiares Consortio, n.34). Alguns, pelas suas circunstâncias estão bem próximos do ideal proposto, outros sabem que ainda precisam caminhar e crescer.
Isto faz com que a vida seja uma positiva tensão entre o ideal desejado e o real vivido. Assim, é ilusão querer famílias perfeitas, cônjuge perfeito, filhos perfeitos. Como nos recorda o Papa: “É preciso pôr de lado as ilusões e aceitá-lo [o cônjuge] como é: inacabado, chamado a crescer, em caminho. Quando o olhar sobre o cônjuge é constantemente crítico, isto indica que o matrimônio não foi assumido também como um projeto a construir juntos, com paciência, compreensão, tolerância e generosidade.” (AmorisLaetitia, n. 218). Para que este caminho seja possível, não basta a vontade e determinação humanas, é preciso a força da bênção de Deus, no sacramento do matrimônio, com uma vida de oração.Com esta bênção, cada um dos cônjuges é instrumento de Deus para fazer o outro crescer. O “sim” dado um dia um ao outro foi o início de um caminho para juntos superarem os obstáculos. Enfim, não existem famílias prontas, mas sempre a caminho. Cada membro da família é responsável para fazê-la crescer.
Concluo com as palavras encorajadoras de nosso Papa: “Avancemos, famílias; continuemos a caminhar! O que nos é prometido é sempre mais. Não percamos a esperança por causa de nossos limites, mas também não renunciemos à procura da plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida” (Amoris Laetitia, n. 325).
Parabéns a todos os pais pela passagem do seu dia! Nosso abraço e bênçãos de Deus!
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2017/08/amoris-laetitia-construir-a-familia.jpg450750Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2017-08-08 13:41:202021-07-20 12:43:42Amoris Laetitia: Construir a família
Caros irmãos, todos os cristãos são “vocacionados”, ou seja, são chamados por Deus para uma missão específica no mundo, em meio aos seus irmãos. E o requisito primeiro para o cumprimento desta missão é a escuta da voz de Deus que nos fala em sua palavra, pelos pastores da Igreja, nos momentos de oração pessoal e nos acontecimentos do dia-a-dia. Em segundo lugar, a coragem para dizer sim.
Quando permitimos que o Espírito Santo gerencie nossas vidas, seus planos sempre ampliam nossos horizontes de futuro. Seu amor não nos deixa tranquilos enquanto não iniciarmos um autêntico processo de reforma interior: reforma dos próprios pensamentos, sentimentos, vontades… Até o ponto de sinceramente reconhecermos que a vontade de Deus é a única capaz de salvar-nos de uma vida sem sentido guiada somente por nossas vontades.
Quando um cristão, jovem ou mais maduro, coloca-se sinceramente diante de Deus que chama, depara-se com um maravilhoso mundo de expectativas e realizações. A liberdade que tantos buscam com afinco não consiste exatamente em “fazer o que se quer” – este é o princípio do caos que leva ao embrutecimento do coração e ao esvaziamento do sentido da vida – mas a liberdade está sempre unida à verdade, ao bem, ao amor. Ela só é autêntica quando conflui para o bem do homem todo e de todos os homens.
Deixar-se comprometer, assumir e entregar a vida por amor são autênticos atos humanos livres, que sempre atraem novas bênçãos divinas e aperfeiçoam a personalidade dos filhos de Deus.
Muitos são os chamados por Deus, mas por um desejo desordenado de “poupar-se” acabam atrasando sua decisão e perdendo-se. Cumpre-se a verdade anunciada por Nosso Senhor Jesus Cristo: “Quem quiser salvar sua vida a perderá; e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará. De fato, que adianta a alguém ganhar o mundo inteiro, se perde a própria vida? Ou que poderá alguém dar em troca da própria vida?” (Mt 16, 25-26)
Nossa existência neste mundo é única, sem direito à reprise. Cada dia pode albergar o minuto final e é importante que nos questionemos se estamos fazendo os movimentos certos. Entregar a vida em cada ato, conscientes de que estamos no caminho certo deve ser a preocupação de todos nós.
Vejo com alegria que o Evangelho continua, apoiado na fidelidade de Deus, contagiando os corações de muitos jovens pelo mundo para que abracem, sem reservas, a vontade do Pai: muitos são os que se entregam à missão, ao sacerdócio, à vida religiosa, ao amor conjugal e à educação cristã dos filhos, entre outras tarefas cotidianas e igualmente heroicas. Rogo a Deus para que este número cresça ainda mais.
Dom Edney Gouvêa Mattoso Bispo de Nova Friburgo (RJ) CNBB
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2017/08/vocacao-e-a-vontade-de-deus.jpg500750Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2017-08-08 13:26:252020-02-26 08:18:24Vocação e a “Vontade de Deus”
A missão do pai hoje em dia
Em um de seus momentos de maior aflição, Jesus reza a Deus e o chama de Abbá. Com isso nosso Senhor nos revela uma intimidade profunda entre ele e o Pai que está nos céus. Essa relação de Jesus com seu Pai certamente pode nos revelar algo sobre como os pais humanos estão chamados a se relacionarem com seus filhos, buscando fazer de suas famílias um reflexo da Santíssima Trindade.
Um pai responsável quer sempre o que é melhor para os seus filhos. Nesse sentido, uma das primeiras responsabilidades que o pai tem é a de transmitir o maior tesouro que ele mesmo recebeu um dia: A filiação divina. E recebe-se essa filiação de modo muito concreto no batismo. O Catecismo nos ensina que os pais cristãos precisam reconhecer que a prática de batizar os filhos ainda bebês corresponde “à sua função de alimentar a vida que Deus” lhes confiou. Não fazer isso, pelo motivo que seja, é privar a criança da graça inestimável de tornar-se Filho de Deus.
Talvez possamos dizer que todas as outras responsabilidades paternas derivem dessa e podem ser vistas como uma continuação da mesma. Isso porque talvez possamos resumir a missão paterna em uma intima colaboração com Deus para que o fruto dessa união matrimonial possa chegar a ser uma pessoa plena, santa, um verdadeiro filho de Deus, como Cristo. Essa filiação começa no batismo mas precisa ser cuidada e acrescentada durante toda a vida.
E o pai faz isso em todos os momentos da sua vida. Primeiramente com o próprio testemunho de uma vida cristã, amando de verdade a esposa e os filhos, valorizando o que de verdade importa na vida e não se deixando levar pelas superficialidades que o mundo propõe como importante. Sendo solícito para com todos, participando ativamente da vida da Igreja local, como um discípulo de Jesus. Com esse testemunho em primeira pessoa, os filhos serão naturalmente levados a colocar a própria relação com Deus no centro de suas vidas e poderão, chegado a maturidade, optar livremente pela vida cristã.
Além do testemunho pessoal, os pais precisam se preocupar com a educação dos filhos na fé, para que eles possam, pouco a pouco, ir se aproximando do mistério de Deus com mais consciência. Por isso é importante velar para que os filhos cresçam em um ambiente que favoreça esse contato com o Senhor em casa, na Igreja, na escola, com os amigos, etc. Tudo isso sem se esquecer da única missão de fazer com que o filho vá se tornando cada vez mais como o Filho único, Jesus Cristo.
Claramente não podemos tocar aqui todos os aspectos do que implica na vida de uma pessoa a paternidade. No fundo precisamos sempre ter presentes que a paternidade é uma missão que vai além das forças de qualquer pessoa se a entendemos como essa missão cristã. E por isso é preciso contar com aquela paternidade primeira, a Paternidade de Deus, que ama o pais e filhos de tal forma que os auxilia com sua Graça para que possam chegar a viver um dia a plenitude dessa filiação no Céu. Afinal somos todos, pais, filhos, mães, irmãs, antes de mais nada, filhos queridos de Deus.
A fonte real de alegria
Irmão João Antônio
A12 / Portal Kairós
A Vocação e amor na Família
Estimados Diocesanos!
É com alegria e espírito de gratidão que celebramos neste domingo, no Mês Vocacional, o dia dos pais e iniciamos a semana da família. Podemos dizer que o dom da vocação à vida matrimonial, contempla a dimensão do ser pai, do ser mãe e a construção de uma família em nome do amor. Na exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, A Alegria do Amor, Papa Francisco, reflete sobre o amor no matrimônio e na família. Não sobre a palavra “amor”, que é seguidamente mencionada de forma desfigurada, faltando o sentido da presença de Deus, da partilha e do cuidado da vida da pessoa amada.
O amor não exige que o outro seja perfeito para aceitá-lo, mas “possui sempre o sentido de profunda compaixão, que leva a aceitar o outro como parte da minha vida e deste mundo, mesmo quando age de modo diferente daquilo que eu desejaria. Na vida familiar, não pode reinar a lógica do domínio de uns sobre os outros, nem a competição para ver quem é mais poderoso, porque esta lógica acaba com o amor e destrói a serenidade na vida familiar.
Depois do amor que nos une a Deus, o amor conjugal é a “amizade maior”, nos lembra Santo Tomás de Aquino. É uma união que tem todas as características duma boa amizade: busca o bem do outro, reciprocidade, intimidade, ternura e estabilidade. Mas também é capaz de superar os desafios, não tem medo de lutar, renascer, reinventar-se e recomeçar sempre de novo para estar ao lado da pessoa amada. Poucas alegrias humanas são tão profundas e festivas como quando duas pessoas que se amam conquistaram, conjuntamente, algo que lhes custou um grande esforço compartilhado. Percorrer um caminho juntos, mesmo se difícil, pode ser uma oportunidade para se apreciar melhor o que se tem e quem está ao nosso lado. Com os olhos do amor e do coração, podemos ver valores e qualidades, que nunca tínhamos percebido na pessoa que está ao nosso lado caminhando conosco, nos momentos alegres e difíceis da nossa vida.
Neste dia dos pais, manifesto minha gratidão ao meu pai, mas também a Deus, por todos os pais, que com amor e doação consomem a vida para cuidar com dignidade da família que construíram. Que o Senhor vos abençoe e voz proteja.
Dom José Gislon
Bispo de Erexim
CNBB
Baixe materiais especiais para seu grupo
Terra boa, coração sempre aberto
O objetivo daquele que semeia é que a semente caia em terra boa. Mas, na realidade, ela cai na terra. E, algumas vezes, a terra não está preparada. A semente pode se perder pelo caminho, não produzindo os frutos desejados. Assim como a semente, quando a Palavra de Deus cai em “terra boa”, na terra do nosso coração, aí sim essa Palavra dá fruto.
Jesus Cristo nos lança a sua Palavra. E como é fundamental, nos dias de hoje, podermos ouvir a Palavra de Deus, deixando que ela caia, em nosso coração, como terra boa, para produzir frutos. A terra boa é a terra preparada. E nessa terra, que se coloca adubo, se não der chuva, que se coloque irrigação para molhá-la. E o nosso coração, assim como a terra, tem que estar preparado para receber a Palavra de Deus. Ele precisa ter estas condições: estar aberto, acolhedor, sem nenhum obstáculo para que a Palavra caia, germine, produza os frutos desejados.
Quando você sai de casa, para participar da Eucaristia, sabe que a Missa é num determinado horário. Aí você toma banho, veste roupa, pega e olha o relógio – sabe o tempo que gasta para chegar à igreja. E chega na hora certa na igreja, e lá faz uma oração, alguns vão ao Santíssimo, fazem uma visita ao Cristo Sacramentado, tem um diálogo com Ele. Depois se coloca no momento para a Celebração, cantando, participando, rezando, e ouvindo com atenção à Palavra. Depois da Proclamação da Leitura, você senta para ouvir o comentário, a homilia do sacerdote ou do Arcebispo. Essa preparação que você faz, sempre que vai à Missa, ela é muito importante, porque você está fazendo isso para ir receber a Palavra de Deus.
O coração preparado é o coração aberto para receber a Palavra com alegria, e com o compromisso de, saindo da igreja, colocá-la em prática. Ela é como a chuva que cai. Ela não volta para Deus – escorre produzindo os frutos desejados, sendo realizado aquilo que Deus diz e quer. A chuva vem fecundar a terra, gerar vida, transformar a realidade. A Palavra de Deus que cai na terra do nosso coração, como chuva divina, vem mudar a nossa vida, transformar o nosso ser, moldar a nossa existência, para que tomemos a feição de filhos e filhas do Pai. Isso é maravilhoso! E a Palavra de Deus muda a nossa vida. Ela nos corrige, ela nos exorta, ela nos faz compreender e nos convence do que é bom, do que devemos fazer, ela nos entusiasma, e nos anima, para continuarmos no caminho do Senhor. A Palavra de Deus nos enche de esperança. E nos compromete para o bem, para a verdade, com a justiça e com a paz.
Dom Manoel Delson
Arcebispo da Paraíba
CNBB
Baixe materiais especiais para seu grupo
Amoris Laetitia: Construir a família
A família é, no dizer de nosso Papa Francisco, “uma boa notícia” (Amoris Laetitia, n.1). LEIA: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html
Ela é um projeto de vida em construção. Essas duas perspectivas se completam. “O matrimônio cristão, reflexo da união entre Cristo e a sua Igreja, realiza-se plenamente na união entre um homem e uma mulher, que se doam reciprocamente com um amor exclusivo e livre fidelidade, se pertencem até a morte e abrem à transmissão da vida, consagrados pelo sacramento que lhes confere a graça para constituírem como igreja doméstica e serem fermento de vida nova para a sociedade” (Amoris Laetitia, n.292).
Este o modo como a fé cristã compreende a realidade familiar. Aqui está o ideal. Ela está fundada no amor humano, que se entrega pelo bem do outro, e abençoado pelo amor divino. Ele permanece sempre válido, pois tem seu fundamento numa visão humana integral e na fé que parte da revelação cristã. Não podemos baixar o ideal por causa das pressões ou modas de uma sociedade “líquida”. Sabemos do seu lugar único e insubstituível na formação humana, psíquica e espiritual dos filhos. Nenhuma instituição social poderá realizar ou substituir os laços de amor entre os pais, destes com seus filhos e dos filhos entre si. É um verdadeiro santuário, espaço sagrado, onde a vida é acolhida e educada para formar personalidades sadias, cidadãos e bons cristãos.
Porém, a idealização da família, por si só, não responde aos desafios que elas vivem. Como todas as realidades humanas, não são realidades prontas, mas a caminho. Um caminho num constante processo de amadurecimento na capacidade de amar. A vivência da caridade está sempre aberta a novas possibilidades de crescimento. Já São João Paulo II propôs a “lei da gradualidade” à realidade familiar, visto que o ser humano “conhece, valoriza e realiza o bem moral, segundo as diversas etapas de crescimento” (Familiares Consortio, n.34). Alguns, pelas suas circunstâncias estão bem próximos do ideal proposto, outros sabem que ainda precisam caminhar e crescer.
Isto faz com que a vida seja uma positiva tensão entre o ideal desejado e o real vivido. Assim, é ilusão querer famílias perfeitas, cônjuge perfeito, filhos perfeitos. Como nos recorda o Papa: “É preciso pôr de lado as ilusões e aceitá-lo [o cônjuge] como é: inacabado, chamado a crescer, em caminho. Quando o olhar sobre o cônjuge é constantemente crítico, isto indica que o matrimônio não foi assumido também como um projeto a construir juntos, com paciência, compreensão, tolerância e generosidade.” (AmorisLaetitia, n. 218). Para que este caminho seja possível, não basta a vontade e determinação humanas, é preciso a força da bênção de Deus, no sacramento do matrimônio, com uma vida de oração.Com esta bênção, cada um dos cônjuges é instrumento de Deus para fazer o outro crescer. O “sim” dado um dia um ao outro foi o início de um caminho para juntos superarem os obstáculos. Enfim, não existem famílias prontas, mas sempre a caminho. Cada membro da família é responsável para fazê-la crescer.
Concluo com as palavras encorajadoras de nosso Papa: “Avancemos, famílias; continuemos a caminhar! O que nos é prometido é sempre mais. Não percamos a esperança por causa de nossos limites, mas também não renunciemos à procura da plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida” (Amoris Laetitia, n. 325).
Parabéns a todos os pais pela passagem do seu dia! Nosso abraço e bênçãos de Deus!
A Semana Nacional da Família de 2021
Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta, RS
CNBB
Baixe materiais especiais para seu grupo
Vocação e a “Vontade de Deus”
Caros irmãos, todos os cristãos são “vocacionados”, ou seja, são chamados por Deus para uma missão específica no mundo, em meio aos seus irmãos. E o requisito primeiro para o cumprimento desta missão é a escuta da voz de Deus que nos fala em sua palavra, pelos pastores da Igreja, nos momentos de oração pessoal e nos acontecimentos do dia-a-dia. Em segundo lugar, a coragem para dizer sim.
Quando permitimos que o Espírito Santo gerencie nossas vidas, seus planos sempre ampliam nossos horizontes de futuro. Seu amor não nos deixa tranquilos enquanto não iniciarmos um autêntico processo de reforma interior: reforma dos próprios pensamentos, sentimentos, vontades… Até o ponto de sinceramente reconhecermos que a vontade de Deus é a única capaz de salvar-nos de uma vida sem sentido guiada somente por nossas vontades.
Quando um cristão, jovem ou mais maduro, coloca-se sinceramente diante de Deus que chama, depara-se com um maravilhoso mundo de expectativas e realizações. A liberdade que tantos buscam com afinco não consiste exatamente em “fazer o que se quer” – este é o princípio do caos que leva ao embrutecimento do coração e ao esvaziamento do sentido da vida – mas a liberdade está sempre unida à verdade, ao bem, ao amor. Ela só é autêntica quando conflui para o bem do homem todo e de todos os homens.
Deixar-se comprometer, assumir e entregar a vida por amor são autênticos atos humanos livres, que sempre atraem novas bênçãos divinas e aperfeiçoam a personalidade dos filhos de Deus.
Muitos são os chamados por Deus, mas por um desejo desordenado de “poupar-se” acabam atrasando sua decisão e perdendo-se. Cumpre-se a verdade anunciada por Nosso Senhor Jesus Cristo: “Quem quiser salvar sua vida a perderá; e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará. De fato, que adianta a alguém ganhar o mundo inteiro, se perde a própria vida? Ou que poderá alguém dar em troca da própria vida?” (Mt 16, 25-26)
Nossa existência neste mundo é única, sem direito à reprise. Cada dia pode albergar o minuto final e é importante que nos questionemos se estamos fazendo os movimentos certos. Entregar a vida em cada ato, conscientes de que estamos no caminho certo deve ser a preocupação de todos nós.
Vejo com alegria que o Evangelho continua, apoiado na fidelidade de Deus, contagiando os corações de muitos jovens pelo mundo para que abracem, sem reservas, a vontade do Pai: muitos são os que se entregam à missão, ao sacerdócio, à vida religiosa, ao amor conjugal e à educação cristã dos filhos, entre outras tarefas cotidianas e igualmente heroicas. Rogo a Deus para que este número cresça ainda mais.
Dom Edney Gouvêa Mattoso
Bispo de Nova Friburgo (RJ)
CNBB
Baixe materiais especiais para seu grupo