Por que damos o título de “Rei” a Jesus Cristo se Ele viveu a absoluta simplicidade quando esteve entre nós?
Cristo Rei é um título de Jesus baseado em várias passagens bíblicas e, em geral, usada por todos os cristãos. A Igreja Católica, a Igreja Anglicana, bem como várias outras denominações cristãs protestantes, incluindo os presbiterianos, luteranos e metodistas, celebram, em honra de Cristo sob este título, a Festa de Cristo Rei no último domingo do ano litúrgico, antes que o novo ano comece com o primeiro domingo do Advento, podendo cair entre 20 e 26 de novembro.
Foi celebrada pela primeira vez no dia de Halloween em 1926. Originalmente, a data da solenidade foi estabelecida para o último domingo de outubro, antes da Festa de Todos os Santos. No ano de 1926, quando foi celebrada pela primeira vez, esse domingo coincidiu com o dia 31 de outubro. Foi o papa Paulo VI que, em 1969, revisou a festa e lhe deu o nome e a data atuais, dando-lhe seu atual título completo: Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo e transferiu a data para o último domingo do ano litúrgico.
Origem da solenidade
As principais ideias sobre o reinado de Cristo estão expressas na Encíclica Quas Primas do Papa Pio XI, publicada em 1925 e em diversos documentos do Vaticano. O Papa Pio XI instituiu esta solenidade em 1925 com o intuito de fortalecer a fé dos cristãos, devido ao crescimento de correntes de pensamento seculares e laicistas que se opunham aos valores cristãos.
No início do século XX, o mundo, que ainda estava se recuperando da Primeira Guerra Mundial, fora varrido por uma onda de secularismo e ódio à Igreja, como nunca visto na história do Ocidente. O fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, o comunismo na Rússia, a revolução maçônica no México, anticlericalismos e governos ditatoriais grassavam por toda parte. É neste contexto que, sem medo de ser literalmente “politicamente correto”, o Papa Pio XI institui uma festa litúrgica para celebrar uma verdade de nossa fé: mesmo em meio a formas diversificas e injustas de governo e perseguições à Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo continua a reinar sobre toda a história da humanidade.
As origens do reconhecimento do reinado de Cristo se encontram no próprio evangelho. Cada um dos escritores dos quatro evangelhos colocou uma ênfase especial em seu livro, mesmo que todos eles proclamassem a mesma mensagem: Mateus fala de Cristo, o Rei; Marcos mostra Cristo, o Servo; Lucas apresenta Cristo, o Homem; João anuncia Cristo em Sua divindade.
O Evangelho do Rei, que é Mateus, menciona claramente que os magos do Oriente procuravam um rei: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo” (Mt 2.1-2).
Porém a menção direta, mais literal, ao Rei cujo reinado jamais teria fim não é encontrada em Mateus, mas em Lucas, tão preocupado em mostrar Jesus como Homem, Lucas fala sobre o nascimento de um Rei: “…ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim” (Lc ,33).
Há mais uma passagem em um dos quatro evangelhos onde nosso Senhor é chamado de Rei. Está no Evangelho de João. No contexto da entrada triunfal de nosso Senhor em Jerusalém no Domingo de Ramos, João cita Zacarias 9.9: “Não temas, filha de Sião, eis que o teu Rei aí vem, montado em um filho de jumenta” (Jo 12.15). Essa é, sem dúvida, uma clara indicação da honra real que cabe a Jesus Cristo.
Cristo não reina de acordo com categorias humanas, o seu reinado, esclarece, não é deste mundo. A Cristo pertence o Reino de Deus. Em um importante diálogo com Pilatos, durante o seu julgamento, afirma o seu reinado. “Tu és Rei? ” Pergunta Pilatos diante no tribunal. “Tu o dizes, eu sou rei. Para isso nasci e vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta minha voz” (Jo 18,37). Jesus é rei da verdade. Pilatos pergunta-lhe: “O que é a verdade? ” Mas não espera a resposta. E Jesus já tinha respondido: “Eu sou a Verdade e a vida” (Jo 14,6). O fundamento sobre a dignidade e poder de Nosso Senhor como Rei é também é definido nos primeiros séculos da nossa Igreja por São Cirilo de Alexandria, quando escreve: “Numa palavra, possui o domínio de todas as criaturas, não pelo ter arrebatado com violência, senão em virtude de sua essência e natureza”.
Encerrar o Ano Litúrgico com a Solenidade de Cristo Rei é consagrar a Nosso Senhor o mundo inteiro, toda a nossa história e toda a nossa vida. É entregar à sua infinita misericórdia um mundo onde reina o pecado.
Portal Kairós / Catequistas em Formação
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2018/11/cristo-rei-coroa.png6621000Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2018-11-22 16:10:382018-11-25 03:21:18Saiba a história da festa de Cristo Rei
Aproxima-se a Solenidade de Cristo Rei. Nesta festa litúrgica, que ocorre no último domingo do ano litúrgico, é comemorado o dia dos cristãos leigos e leigas, que em 2018, será no domingo 25 de novembro. A Arquidiocese de Montes Claros realizará, nesse dia, a Celebração da Paz e da Unidade, no Ginásio Poliesportivo de Montes Claros.
Será a oportunidade de agradecermos a realização do Ano Nacional do Laicato. O evento terá início às 12h. A oração de abertura será conduzida por alunos de diversas escolas da cidade. Em seguida, haverá apresentações artísticas e culturais, com grupos de dança e cantores regionais. Às 15h30 será celebrada a santa missa. Ao redor do altar da Eucaristia se reunirão os arcebispos, os presbíteros, os diáconos, consagrados e consagradas, leigos e leigas de todas as comunidades e paróquias da Arquidiocese. Será uma bonita expressão de fé, de comunhão e de compromisso para a edificação de uma Igreja Missionária, Comunidade de Comunidades, vivendo a Boa Nova do Evangelho.
Na Igreja há um só Senhor, Jesus Cristo. Ele reina quando sua lei do amor e da misericórdia é vivida entre os discípulos e discípulas, na comunidade de seus seguidores. Jesus reina quando escutamos sua voz e damos testemunho da verdade (cf. Jo 18,37). Jesus reina quando o reconhecemos presente nos pobres e pequenos (cf. Mt 25,40). Jesus reina quando se busca a justiça (cf. Mt 6,33). Jesus reina quando tudo fazemos para ser Um como Ele e o Pai são (cf. Jo 17,11). Jesus reina quando nos tornamos construtores da paz (cf. Mt 5,9). Jesus reina quando seu Evangelho é proclamado e testemunhado (cf. Mt 28,19-20). Enfim, o reinado de Jesus Cristo se prolonga na história por meio do agir dos cristãos.
A Celebração da Paz e da Unidade reunirá as forças vivas da Arquidiocese de Montes Claros para proclamar que Jesus Cristo é nossa paz e que n’Ele somos chamados a viver na unidade, como irmãos e irmãs. Da nossa vida e da nossa Igreja, Ele é o único Senhor.
No intuito de promover e estimular a maior participação, estabelecemos que nas comunidades e paróquias de nossa Arquidiocese se celebre a Festa de Cristo Rei no sábado, dia 24/11. Onde for possível, também no domingo, dia 25/11, apenas pela manhã, pois todos os diáconos e presbíteros deverão participar da Eucaristia prevista para o horário de 15h30. Quem não puder estar presente na Celebração da Paz e da Unidade poderá se organizar para celebrar no sábado ou no domingo pela manhã em algum dos horários oferecidos pelas paróquias.
Todavia, o Ginásio Poliesportivo comporta um número limitado de pessoas, menor do que gostaríamos de contar numa celebração arquidiocesana. A comissão organizadora, orientada pelas normas de segurança do Corpo de Bombeiros, precisou limitar a participação das comunidades. Razão pela qual, foi entregue a cada paróquia determinado número de pulseiras que possibilitarão o ingresso no local do evento. Não será permitido o acesso a quem não estiver com a pulseira.
Neste momento de graça de nossa Igreja local, é grande o desejo de nós bispos nos encontrarmos com vocês, irmãos e irmãs, unidos em oração, na escuta da Palavra e na fração do Pão. Esperamos e desejamos que todas as comunidades da Arquidiocese estejam representadas nesse momento de encontro e de testemunho. Será, também, uma ocasião especial para agradecer a Dom José Alberto Moura, Arcebispo Metropolitano – que recentemente celebrou seus 75 anos — seu ardor e compromisso com a missão evangelizadora na Igreja de Montes Claros.
Roguemos, pois, ao Espírito Santo, que sustente em nossos corações o empenho pela paz e o sentido da unidade. Maria, Mãe da Igreja, padroeira da Arquidiocese de Montes Claros, nos acompanhe no caminho rumo ao encontro com seu Filho Jesus, Mestre e Senhor, Servo e Messias.
Dom João Justino de Medeiros Silva Arcebispo Coadjutor de Montes Claros
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2018/11/cristo-rei-festa.png6421000Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2018-11-22 15:57:402018-11-23 02:55:32Solenidade de Cristo Rei: Celebração da Paz e da Unidade
A convocação para a realização da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, com o tema “Os Jovens, a fé e o discernimento vocacional”, desencadeou na Igreja um grande processo de envolvimento e participação de todos os setores eclesiais no grande debate sobre as mudanças que afetam as Juventudes também no campo das escolhas vocacionais. Será na esteira desta reflexão que se inserirá o IV Congresso Vocacional do Brasil, que terá como tema “vocação e discernimento” e como lema “mostra-me, Senhor, os teus caminhos!” (Sl 25,4).
O Congresso, proposto pela Comissão para os Ministérios Ordenados e Vida Consagrada (CMOVC), em parceria com outras instituições, como a CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil) e o IPV (Instituto de Pastoral Vocacional), acontecerá na cidade de Aparecida/SP de 05 a 08 de setembro de 2019.
Ao conclamar o Sínodo sobre a Juventude, o papa Francisco lançou um apelo à Pastoral Vocacional para que seja formadora de “guias especializados” que saibam acompanhar os jovens desta nova geração. Jovens marcados pelos desafios e belezas desta “mudança de época”.
Para responder a esse apelo, será de fundamental importância que o tempo de preparação do IV Congresso Vocacional seja marcado por uma mudança profunda de mentalidade e ação nos animadores e animadoras vocacionais: passar do recrutamento de agentes sociais a verdadeiros discípulos de Jesus, mediante a pastoral do encontro com o Senhor. Para isso é necessário o contínuo movimento de descida ao complexo chão da realidade, onde a “experiência de fé cristã se encontra hoje em uma espécie de estado generalizado de busca e recomeço”, como afirma o documento sobre a Iniciação Cristã em seu número 52.
Descer à realidade para “ver e escutar” a pluralidade das juventudes no contexto atual e escutar o grito que nasce no coração dos jovens que não suportam as injustiças e não desejam inclinar-se à cultura do descarte, nem ceder à globalização da indiferença.
Jovens que desejam empreender um verdadeiro itinerário de discernimento para descobrir e viver o projeto de Deus sobre sua vida; jovens que desejam ser construtores do Reino de Deus e agentes de transformação da realidade. Neste contexto é necessário o discernimento e a profecia para superarem as tentações da ideologia e do fatalismo, para descobrirem, no relacionamento com o Senhor, os lugares, os instrumentos e as situações através dos quais Ele chama.
Portal Kairós / Ir. Clotilde Prates de Azevedo, ap – Assessora Executiva CRB Nacional
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2018/11/logomarca-do-congresso-vocacional-2019.png721750Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2018-11-22 15:35:392018-11-25 03:18:43IV Congresso Vocacional do Brasil
O Papa Francisco incentivou os jovens a participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que acontecerá no Panamá em janeiro de 2019, com uma mensagem de vídeo que a Santa Sé divulgou no dia 21 de novembro de 2018.
A seguir, o texto completo da mensagem de vídeo do Papa Francisco:
Queridos jovens!
Vai-se aproximando a Jornada Mundial da Juventude, que será celebrada no Panamá em janeiro do próximo ano e terá como tema a resposta da Virgem Maria à chamada de Deus: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38).
As suas palavras são um «sim» audaz e generoso; o sim de quem compreendeu o segredo da vocação: sair de si mesmo e pôr-se ao serviço dos outros. A nossa vida só encontra sentido no serviço a Deus e ao próximo.
Há muitos jovens, crentes ou não crentes, que, no final dum período de estudos, mostram desejo de ajudar os outros, fazer algo pelos que sofrem. Esta é a força dos jovens, a força de todos vós, que pode transformar o mundo; esta é a revolução que pode desbaratar os «poderes fortes» desta terra: a «revolução» do serviço.
Para colocar-se ao serviço dos outros não basta estar pronto para a ação, é preciso também entrar em diálogo com Deus, numa atitude de escuta, como fez Maria. Ela escutou o que o anjo Lhe dizia e, depois, respondeu. A partir deste relacionamento com Deus no silêncio do coração, descobrimos a nossa identidade e a vocação a que nos chama o Senhor; a vocação pode expressar-se em várias formas: no matrimônio, na vida consagrada, no sacerdócio… Mas todas elas são caminhos para seguir Jesus. O importante é descobrir aquilo que o Senhor espera de nós e ter a audácia de dizer «sim».
Maria foi uma mulher feliz, porque generosa com Deus, aberta ao plano que tinha para Ela. As propostas de Deus para nós, como a que fez a Maria, não são para satisfazer sonhos mas para acender desejos; para fazer com que a nossa vida dê fruto, faça desabrochar muitos sorrisos e alegre muitos corações. Responder afirmativamente a Deus é o primeiro passo para ser feliz e tornar felizes muitas pessoas.
Queridos jovens, tende a coragem de entrar, cada um, no próprio interior e perguntar a Deus: Que quereis de mim? Deixai que o Senhor vos fale, e vereis a vossa vida transformar-se e encher-se de alegria.
Na iminência da Jornada Mundial da Juventude no Panamá, convido-vos a preparar-vos, acompanhando e participando em todas as iniciativas que se vão realizando. Isto ajudar-vos-á a caminhar para tal meta. Que a Virgem Maria vos acompanhe nesta peregrinação e o seu exemplo vos induza a ser audazes e generosos na resposta.
Boa caminhada rumo ao Panamá! E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Até breve!
Vaticano / Portal Kairós
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2018/10/jmj-2019-catequese.png10001000Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2018-11-22 15:28:192023-08-23 01:02:07Mensagem do Papa Francisco para a JMJ Panamá 2019
“Com o lema “serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27), a CF 2019 visa aprofundar o que são as Políticas Públicas enquanto garantidoras de direitos. São muitos os problemas e desafios da sociedade atual. É preciso olhar sobretudo para a realidade das pessoas que mais sofrem as consequências de um sistema que impede a vida com dignidade”, escreve Rui Antônio de Souza, graduado em Filosofia e Teologia, mestre em Comunicação Social e com especialização em Bioética. Membro do Laboratório de Políticas Públicas de Porto Alegre (LAPPUS).
Arrisco dizer que a Campanha da Fraternidade 2019 pode ser chamada “a campanha das campanhas”. O motivo é o tema, “Políticas Públicas”, muito bem escolhido pelos bispos, ainda mais se considerarmos o contexto social, econômico e político que estamos vivendo em nosso país.
Antes de abordar Políticas Públicas é bom reforçar aquilo que já foi dito pelo Papa Paulo VI, atualizado pelo Papa Francisco e que está bem expresso na Doutrina Social da Igreja: “a política é a melhor forma de fazer caridade”. Pois é somente através da política que se universalizam os bens, os serviços e que se promove a equidade. Por isso, das nossas decisões políticas depende o futuro de milhões de pessoas que terão acesso ou não à condições dignas de vida.
As Políticas Públicas são um direito da cidadania e servem para garantir os direitos fundamentais à saúde, educação, moradia, trabalho, cultura, lazer, acesso às tecnologias, preservação do meio ambiente, entre outros. E falar de Políticas Públicas é justamente falar de uma forma de ação do Estado, desde a elaboração, execução, participação popular até a avaliação, num percurso que dificulta a corrupçãoe a politicagem, além de permitir que se chegue a resultados concretos e que mudam a vida das pessoas. É diferente de serviços públicos, pois estes são a tarefa diária das administrações públicas na manutenção de serviços sanitários, saneamento, pavimentação, transportes, escolas, etc.
As Políticas Públicas tem em vista garantir a eficiência dos investimentos na resolução de problemas sociais e coletivos, superando o debate político tão somente ideológico e pouco atento aos efeitos e às consequências reais da realização ou não das ações do Estado em favor da população.
Com o lema “serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27), a CF 2019 visa aprofundar o que são as Políticas Públicas enquanto garantidoras de direitos. São muitos os problemas e desafios da sociedade atual. É preciso olhar sobretudo para a realidade das pessoas que mais sofrem as consequências de um sistema que impede a vida com dignidade. Muitos ainda enfrentam problemas dos direitos básicos, como saneamento, habitação, alimento, saúde, emprego e educação.
Desde 1964, a CNBB propõe um tema relevante para a sociedade brasileira refletir e engajar-se durante a Campanha da Fraternidade. O método ver, julgar, agir conduz a uma prática transformadora diante das situações de injustiça e de agressão à vida. Aqui, podemos perceber algo em comum e que faz desta “a campanha das campanhas”. Ou seja, tanto as Políticas Públicas como a Campanha da Fraternidade – com o método ver, julgar, agir – exigem que o resultado sejam ações transformadoras da realidade.
Oriundo da Ação Católica, esse método foi criado pelo Cardeal Josef Cardijn, na década de 1950, na Bélgica, onde exercia seu ministério pastoral entre os trabalhadores. E foi reconhecido oficialmente pelo Papa João XXIII na Encíclica Mater Et Magistra, em maio de 1961. O método propõe os seguintes passos:
Ver: estudo da realidade. Especial atenção é dada, neste olhar, para as pessoas e famílias mais necessitadas e excluídas da sociedade. Para escolher as Políticas Públicas a serem implementadas, as administrações precisam fazer escolhas, preferencialmente com a participação popular, definindo os problemas mais urgentes e que afetam a qualidade de vida da população.
Julgar: análise e julgamento a partir de alguns referenciais, especialmente da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, servindo como luz que ilumina nossas ações. Outros instrumentos, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Carta da Terra, a Constituição Cidadã, também são importantes para que os cristãos possam enxergar a sociedade como um todo e não apenas os que participam da vida eclesial.
Agir: são as considerações sobre as perspectivas pedagógicas e comportamentais que se abrem, com vistas a uma ação social transformadora. No caso das Políticas Públicas, significa propor às administrações públicas, políticas que busquem transformar as situações mais gritantes de injustiça e que causam sofrimento às pessoas, famílias e comunidades do município, estado ou país.
O cardeal que ensinou a Igreja a “ver, julgar e agir”
Em 2011 marcou o 50 º aniversário da adoção por parte da Igreja do método ver-julgar-agir como parte do ensino e prática sociais católicos. O Papa João XXII reconheceu formalmente o método ver-julgar-agir em sua encíclica Mater et Magistra publicada no dia 15 de maio de 1961.
A reportagem é do sítio Cardijn Movement News, 20-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Em um comunicado, a Comunidade Internacional Cardijn lembra que foi o falecido cardeal Joseph Cardijn (foto), fundador do movimento da Juventude Operária Cristã – JOC, que sugeriu ao Papa João que publicasse uma encíclica para marcar o 70º aniversário da histórica encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII.
Em resposta, o Papa João pediu que Cardijn providenciasse um esboço das questões a serem abordadas na encíclica. Ele fez isso em um memorando de 20 páginas apresentado ao pontífice.
Quando a Mater et Magistra apareceu pouco mais de um ano depois, a encíclica observava que, “para levar a realizações concretas os princípios e as diretrizes sociais, passa-se ordinariamente por três fases” (n. 235). Primeiro, o “estudo da situação” concreta, escreveu João XXIII. Em segundo lugar, a “apreciação da mesma à luz desses princípios e diretrizes”. Em terceiro, o “exame e determinação do que se pode e deve fazer para aplicar os princípios e as diretrizes à prática”.
Esses “são os três momentos que habitualmente se exprimem com as palavras seguintes: ver, julgar e agir”, continuava a encíclica.
“Acreditamos que até mesmo Cardijn ficou surpreso ao descobrir a extensão desse reconhecimento na encíclica”, comentou o organizador da Comunidade Internacional Cardijn, M. J. Ruben.
“Desde então, o método ver-julgar-agir foi reconhecido e adotado por toda a Igreja”, continuou Ruben. “Isso mostra como Cardijn foi um mestre para toda a Igreja – não só para os jovens trabalhadores”, disse. “Essa é outra razão pela qual esperamos que Cardijn, um dia, seja reconhecido como Doutor da Igreja”, concluiu.
IHU / Portal Kairós
https://portalkairos.org/wp-content/uploads/2018/11/cf2019-ver-julgar-agir.png7391000Portal kairóshttps://portalkairos.org/wp-content/uploads/2019/09/portalkairos-site.pngPortal kairós2018-11-21 03:31:262018-11-21 03:30:45Fraternidade e Políticas Públicas: ver, julgar e agir
Saiba a história da festa de Cristo Rei
/em Artigos católicosPor que damos o título de “Rei” a Jesus Cristo se Ele viveu a absoluta simplicidade quando esteve entre nós?
Cristo Rei é um título de Jesus baseado em várias passagens bíblicas e, em geral, usada por todos os cristãos. A Igreja Católica, a Igreja Anglicana, bem como várias outras denominações cristãs protestantes, incluindo os presbiterianos, luteranos e metodistas, celebram, em honra de Cristo sob este título, a Festa de Cristo Rei no último domingo do ano litúrgico, antes que o novo ano comece com o primeiro domingo do Advento, podendo cair entre 20 e 26 de novembro.
Foi celebrada pela primeira vez no dia de Halloween em 1926. Originalmente, a data da solenidade foi estabelecida para o último domingo de outubro, antes da Festa de Todos os Santos. No ano de 1926, quando foi celebrada pela primeira vez, esse domingo coincidiu com o dia 31 de outubro. Foi o papa Paulo VI que, em 1969, revisou a festa e lhe deu o nome e a data atuais, dando-lhe seu atual título completo: Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo e transferiu a data para o último domingo do ano litúrgico.
Origem da solenidade
As principais ideias sobre o reinado de Cristo estão expressas na Encíclica Quas Primas do Papa Pio XI, publicada em 1925 e em diversos documentos do Vaticano. O Papa Pio XI instituiu esta solenidade em 1925 com o intuito de fortalecer a fé dos cristãos, devido ao crescimento de correntes de pensamento seculares e laicistas que se opunham aos valores cristãos.
No início do século XX, o mundo, que ainda estava se recuperando da Primeira Guerra Mundial, fora varrido por uma onda de secularismo e ódio à Igreja, como nunca visto na história do Ocidente. O fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, o comunismo na Rússia, a revolução maçônica no México, anticlericalismos e governos ditatoriais grassavam por toda parte. É neste contexto que, sem medo de ser literalmente “politicamente correto”, o Papa Pio XI institui uma festa litúrgica para celebrar uma verdade de nossa fé: mesmo em meio a formas diversificas e injustas de governo e perseguições à Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo continua a reinar sobre toda a história da humanidade.
As origens do reconhecimento do reinado de Cristo se encontram no próprio evangelho. Cada um dos escritores dos quatro evangelhos colocou uma ênfase especial em seu livro, mesmo que todos eles proclamassem a mesma mensagem: Mateus fala de Cristo, o Rei; Marcos mostra Cristo, o Servo; Lucas apresenta Cristo, o Homem; João anuncia Cristo em Sua divindade.
O Evangelho do Rei, que é Mateus, menciona claramente que os magos do Oriente procuravam um rei: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo” (Mt 2.1-2).
Porém a menção direta, mais literal, ao Rei cujo reinado jamais teria fim não é encontrada em Mateus, mas em Lucas, tão preocupado em mostrar Jesus como Homem, Lucas fala sobre o nascimento de um Rei: “…ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim” (Lc ,33).
Há mais uma passagem em um dos quatro evangelhos onde nosso Senhor é chamado de Rei. Está no Evangelho de João. No contexto da entrada triunfal de nosso Senhor em Jerusalém no Domingo de Ramos, João cita Zacarias 9.9: “Não temas, filha de Sião, eis que o teu Rei aí vem, montado em um filho de jumenta” (Jo 12.15). Essa é, sem dúvida, uma clara indicação da honra real que cabe a Jesus Cristo.
Cristo não reina de acordo com categorias humanas, o seu reinado, esclarece, não é deste mundo. A Cristo pertence o Reino de Deus. Em um importante diálogo com Pilatos, durante o seu julgamento, afirma o seu reinado. “Tu és Rei? ” Pergunta Pilatos diante no tribunal. “Tu o dizes, eu sou rei. Para isso nasci e vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta minha voz” (Jo 18,37). Jesus é rei da verdade. Pilatos pergunta-lhe: “O que é a verdade? ” Mas não espera a resposta. E Jesus já tinha respondido: “Eu sou a Verdade e a vida” (Jo 14,6). O fundamento sobre a dignidade e poder de Nosso Senhor como Rei é também é definido nos primeiros séculos da nossa Igreja por São Cirilo de Alexandria, quando escreve: “Numa palavra, possui o domínio de todas as criaturas, não pelo ter arrebatado com violência, senão em virtude de sua essência e natureza”.
Encerrar o Ano Litúrgico com a Solenidade de Cristo Rei é consagrar a Nosso Senhor o mundo inteiro, toda a nossa história e toda a nossa vida. É entregar à sua infinita misericórdia um mundo onde reina o pecado.
Portal Kairós / Catequistas em Formação
Solenidade de Cristo Rei: Celebração da Paz e da Unidade
/em Notícias CatólicasCristo Rei
Aproxima-se a Solenidade de Cristo Rei. Nesta festa litúrgica, que ocorre no último domingo do ano litúrgico, é comemorado o dia dos cristãos leigos e leigas, que em 2018, será no domingo 25 de novembro. A Arquidiocese de Montes Claros realizará, nesse dia, a Celebração da Paz e da Unidade, no Ginásio Poliesportivo de Montes Claros.
Será a oportunidade de agradecermos a realização do Ano Nacional do Laicato. O evento terá início às 12h. A oração de abertura será conduzida por alunos de diversas escolas da cidade. Em seguida, haverá apresentações artísticas e culturais, com grupos de dança e cantores regionais. Às 15h30 será celebrada a santa missa. Ao redor do altar da Eucaristia se reunirão os arcebispos, os presbíteros, os diáconos, consagrados e consagradas, leigos e leigas de todas as comunidades e paróquias da Arquidiocese. Será uma bonita expressão de fé, de comunhão e de compromisso para a edificação de uma Igreja Missionária, Comunidade de Comunidades, vivendo a Boa Nova do Evangelho.
Na Igreja há um só Senhor, Jesus Cristo. Ele reina quando sua lei do amor e da misericórdia é vivida entre os discípulos e discípulas, na comunidade de seus seguidores. Jesus reina quando escutamos sua voz e damos testemunho da verdade (cf. Jo 18,37). Jesus reina quando o reconhecemos presente nos pobres e pequenos (cf. Mt 25,40). Jesus reina quando se busca a justiça (cf. Mt 6,33). Jesus reina quando tudo fazemos para ser Um como Ele e o Pai são (cf. Jo 17,11). Jesus reina quando nos tornamos construtores da paz (cf. Mt 5,9). Jesus reina quando seu Evangelho é proclamado e testemunhado (cf. Mt 28,19-20). Enfim, o reinado de Jesus Cristo se prolonga na história por meio do agir dos cristãos.
A Celebração da Paz e da Unidade reunirá as forças vivas da Arquidiocese de Montes Claros para proclamar que Jesus Cristo é nossa paz e que n’Ele somos chamados a viver na unidade, como irmãos e irmãs. Da nossa vida e da nossa Igreja, Ele é o único Senhor.
No intuito de promover e estimular a maior participação, estabelecemos que nas comunidades e paróquias de nossa Arquidiocese se celebre a Festa de Cristo Rei no sábado, dia 24/11. Onde for possível, também no domingo, dia 25/11, apenas pela manhã, pois todos os diáconos e presbíteros deverão participar da Eucaristia prevista para o horário de 15h30. Quem não puder estar presente na Celebração da Paz e da Unidade poderá se organizar para celebrar no sábado ou no domingo pela manhã em algum dos horários oferecidos pelas paróquias.
Todavia, o Ginásio Poliesportivo comporta um número limitado de pessoas, menor do que gostaríamos de contar numa celebração arquidiocesana. A comissão organizadora, orientada pelas normas de segurança do Corpo de Bombeiros, precisou limitar a participação das comunidades. Razão pela qual, foi entregue a cada paróquia determinado número de pulseiras que possibilitarão o ingresso no local do evento. Não será permitido o acesso a quem não estiver com a pulseira.
Neste momento de graça de nossa Igreja local, é grande o desejo de nós bispos nos encontrarmos com vocês, irmãos e irmãs, unidos em oração, na escuta da Palavra e na fração do Pão. Esperamos e desejamos que todas as comunidades da Arquidiocese estejam representadas nesse momento de encontro e de testemunho. Será, também, uma ocasião especial para agradecer a Dom José Alberto Moura, Arcebispo Metropolitano – que recentemente celebrou seus 75 anos — seu ardor e compromisso com a missão evangelizadora na Igreja de Montes Claros.
Roguemos, pois, ao Espírito Santo, que sustente em nossos corações o empenho pela paz e o sentido da unidade. Maria, Mãe da Igreja, padroeira da Arquidiocese de Montes Claros, nos acompanhe no caminho rumo ao encontro com seu Filho Jesus, Mestre e Senhor, Servo e Messias.
Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo Coadjutor de Montes Claros
IV Congresso Vocacional do Brasil
/em Notícias CatólicasIV Congresso Vocacional do Brasil
A convocação para a realização da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, com o tema “Os Jovens, a fé e o discernimento vocacional”, desencadeou na Igreja um grande processo de envolvimento e participação de todos os setores eclesiais no grande debate sobre as mudanças que afetam as Juventudes também no campo das escolhas vocacionais. Será na esteira desta reflexão que se inserirá o IV Congresso Vocacional do Brasil, que terá como tema “vocação e discernimento” e como lema “mostra-me, Senhor, os teus caminhos!” (Sl 25,4).
O Congresso, proposto pela Comissão para os Ministérios Ordenados e Vida Consagrada (CMOVC), em parceria com outras instituições, como a CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil) e o IPV (Instituto de Pastoral Vocacional), acontecerá na cidade de Aparecida/SP de 05 a 08 de setembro de 2019.
Ao conclamar o Sínodo sobre a Juventude, o papa Francisco lançou um apelo à Pastoral Vocacional para que seja formadora de “guias especializados” que saibam acompanhar os jovens desta nova geração. Jovens marcados pelos desafios e belezas desta “mudança de época”.
Para responder a esse apelo, será de fundamental importância que o tempo de preparação do IV Congresso Vocacional seja marcado por uma mudança profunda de mentalidade e ação nos animadores e animadoras vocacionais: passar do recrutamento de agentes sociais a verdadeiros discípulos de Jesus, mediante a pastoral do encontro com o Senhor. Para isso é necessário o contínuo movimento de descida ao complexo chão da realidade, onde a “experiência de fé cristã se encontra hoje em uma espécie de estado generalizado de busca e recomeço”, como afirma o documento sobre a Iniciação Cristã em seu número 52.
Descer à realidade para “ver e escutar” a pluralidade das juventudes no contexto atual e escutar o grito que nasce no coração dos jovens que não suportam as injustiças e não desejam inclinar-se à cultura do descarte, nem ceder à globalização da indiferença.
Jovens que desejam empreender um verdadeiro itinerário de discernimento para descobrir e viver o projeto de Deus sobre sua vida; jovens que desejam ser construtores do Reino de Deus e agentes de transformação da realidade. Neste contexto é necessário o discernimento e a profecia para superarem as tentações da ideologia e do fatalismo, para descobrirem, no relacionamento com o Senhor, os lugares, os instrumentos e as situações através dos quais Ele chama.
Portal Kairós / Ir. Clotilde Prates de Azevedo, ap – Assessora Executiva CRB Nacional
Mensagem do Papa Francisco para a JMJ Panamá 2019
/em Formação Católica, JMJ 2019, Jornada Mundial da JuventudeJMJ Panamá 2019
O Papa Francisco incentivou os jovens a participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que acontecerá no Panamá em janeiro de 2019, com uma mensagem de vídeo que a Santa Sé divulgou no dia 21 de novembro de 2018.
A seguir, o texto completo da mensagem de vídeo do Papa Francisco:
Queridos jovens!
Vai-se aproximando a Jornada Mundial da Juventude, que será celebrada no Panamá em janeiro do próximo ano e terá como tema a resposta da Virgem Maria à chamada de Deus: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38).
As suas palavras são um «sim» audaz e generoso; o sim de quem compreendeu o segredo da vocação: sair de si mesmo e pôr-se ao serviço dos outros. A nossa vida só encontra sentido no serviço a Deus e ao próximo.
Há muitos jovens, crentes ou não crentes, que, no final dum período de estudos, mostram desejo de ajudar os outros, fazer algo pelos que sofrem. Esta é a força dos jovens, a força de todos vós, que pode transformar o mundo; esta é a revolução que pode desbaratar os «poderes fortes» desta terra: a «revolução» do serviço.
Para colocar-se ao serviço dos outros não basta estar pronto para a ação, é preciso também entrar em diálogo com Deus, numa atitude de escuta, como fez Maria. Ela escutou o que o anjo Lhe dizia e, depois, respondeu. A partir deste relacionamento com Deus no silêncio do coração, descobrimos a nossa identidade e a vocação a que nos chama o Senhor; a vocação pode expressar-se em várias formas: no matrimônio, na vida consagrada, no sacerdócio… Mas todas elas são caminhos para seguir Jesus. O importante é descobrir aquilo que o Senhor espera de nós e ter a audácia de dizer «sim».
Maria foi uma mulher feliz, porque generosa com Deus, aberta ao plano que tinha para Ela. As propostas de Deus para nós, como a que fez a Maria, não são para satisfazer sonhos mas para acender desejos; para fazer com que a nossa vida dê fruto, faça desabrochar muitos sorrisos e alegre muitos corações. Responder afirmativamente a Deus é o primeiro passo para ser feliz e tornar felizes muitas pessoas.
Queridos jovens, tende a coragem de entrar, cada um, no próprio interior e perguntar a Deus: Que quereis de mim? Deixai que o Senhor vos fale, e vereis a vossa vida transformar-se e encher-se de alegria.
Na iminência da Jornada Mundial da Juventude no Panamá, convido-vos a preparar-vos, acompanhando e participando em todas as iniciativas que se vão realizando. Isto ajudar-vos-á a caminhar para tal meta. Que a Virgem Maria vos acompanhe nesta peregrinação e o seu exemplo vos induza a ser audazes e generosos na resposta.
Boa caminhada rumo ao Panamá! E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Até breve!
Vaticano / Portal Kairós
Fraternidade e Políticas Públicas: ver, julgar e agir
/em Artigos CF 2019, Campanha da Fraternidade, Campanhas da Igreja, CF 2019“Com o lema “serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27), a CF 2019 visa aprofundar o que são as Políticas Públicas enquanto garantidoras de direitos. São muitos os problemas e desafios da sociedade atual. É preciso olhar sobretudo para a realidade das pessoas que mais sofrem as consequências de um sistema que impede a vida com dignidade”, escreve Rui Antônio de Souza, graduado em Filosofia e Teologia, mestre em Comunicação Social e com especialização em Bioética. Membro do Laboratório de Políticas Públicas de Porto Alegre (LAPPUS).
Arrisco dizer que a Campanha da Fraternidade 2019 pode ser chamada “a campanha das campanhas”. O motivo é o tema, “Políticas Públicas”, muito bem escolhido pelos bispos, ainda mais se considerarmos o contexto social, econômico e político que estamos vivendo em nosso país.
Antes de abordar Políticas Públicas é bom reforçar aquilo que já foi dito pelo Papa Paulo VI, atualizado pelo Papa Francisco e que está bem expresso na Doutrina Social da Igreja: “a política é a melhor forma de fazer caridade”. Pois é somente através da política que se universalizam os bens, os serviços e que se promove a equidade. Por isso, das nossas decisões políticas depende o futuro de milhões de pessoas que terão acesso ou não à condições dignas de vida.
As Políticas Públicas são um direito da cidadania e servem para garantir os direitos fundamentais à saúde, educação, moradia, trabalho, cultura, lazer, acesso às tecnologias, preservação do meio ambiente, entre outros. E falar de Políticas Públicas é justamente falar de uma forma de ação do Estado, desde a elaboração, execução, participação popular até a avaliação, num percurso que dificulta a corrupçãoe a politicagem, além de permitir que se chegue a resultados concretos e que mudam a vida das pessoas. É diferente de serviços públicos, pois estes são a tarefa diária das administrações públicas na manutenção de serviços sanitários, saneamento, pavimentação, transportes, escolas, etc.
As Políticas Públicas tem em vista garantir a eficiência dos investimentos na resolução de problemas sociais e coletivos, superando o debate político tão somente ideológico e pouco atento aos efeitos e às consequências reais da realização ou não das ações do Estado em favor da população.
Com o lema “serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27), a CF 2019 visa aprofundar o que são as Políticas Públicas enquanto garantidoras de direitos. São muitos os problemas e desafios da sociedade atual. É preciso olhar sobretudo para a realidade das pessoas que mais sofrem as consequências de um sistema que impede a vida com dignidade. Muitos ainda enfrentam problemas dos direitos básicos, como saneamento, habitação, alimento, saúde, emprego e educação.
Desde 1964, a CNBB propõe um tema relevante para a sociedade brasileira refletir e engajar-se durante a Campanha da Fraternidade. O método ver, julgar, agir conduz a uma prática transformadora diante das situações de injustiça e de agressão à vida. Aqui, podemos perceber algo em comum e que faz desta “a campanha das campanhas”. Ou seja, tanto as Políticas Públicas como a Campanha da Fraternidade – com o método ver, julgar, agir – exigem que o resultado sejam ações transformadoras da realidade.
Oriundo da Ação Católica, esse método foi criado pelo Cardeal Josef Cardijn, na década de 1950, na Bélgica, onde exercia seu ministério pastoral entre os trabalhadores. E foi reconhecido oficialmente pelo Papa João XXIII na Encíclica Mater Et Magistra, em maio de 1961. O método propõe os seguintes passos:
Ver: estudo da realidade. Especial atenção é dada, neste olhar, para as pessoas e famílias mais necessitadas e excluídas da sociedade. Para escolher as Políticas Públicas a serem implementadas, as administrações precisam fazer escolhas, preferencialmente com a participação popular, definindo os problemas mais urgentes e que afetam a qualidade de vida da população.
Julgar: análise e julgamento a partir de alguns referenciais, especialmente da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, servindo como luz que ilumina nossas ações. Outros instrumentos, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Carta da Terra, a Constituição Cidadã, também são importantes para que os cristãos possam enxergar a sociedade como um todo e não apenas os que participam da vida eclesial.
Agir: são as considerações sobre as perspectivas pedagógicas e comportamentais que se abrem, com vistas a uma ação social transformadora. No caso das Políticas Públicas, significa propor às administrações públicas, políticas que busquem transformar as situações mais gritantes de injustiça e que causam sofrimento às pessoas, famílias e comunidades do município, estado ou país.
O cardeal que ensinou a Igreja a “ver, julgar e agir”
Em 2011 marcou o 50 º aniversário da adoção por parte da Igreja do método ver-julgar-agir como parte do ensino e prática sociais católicos. O Papa João XXII reconheceu formalmente o método ver-julgar-agir em sua encíclica Mater et Magistra publicada no dia 15 de maio de 1961.
A reportagem é do sítio Cardijn Movement News, 20-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Em um comunicado, a Comunidade Internacional Cardijn lembra que foi o falecido cardeal Joseph Cardijn (foto), fundador do movimento da Juventude Operária Cristã – JOC, que sugeriu ao Papa João que publicasse uma encíclica para marcar o 70º aniversário da histórica encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII.
Em resposta, o Papa João pediu que Cardijn providenciasse um esboço das questões a serem abordadas na encíclica. Ele fez isso em um memorando de 20 páginas apresentado ao pontífice.
Quando a Mater et Magistra apareceu pouco mais de um ano depois, a encíclica observava que, “para levar a realizações concretas os princípios e as diretrizes sociais, passa-se ordinariamente por três fases” (n. 235). Primeiro, o “estudo da situação” concreta, escreveu João XXIII. Em segundo lugar, a “apreciação da mesma à luz desses princípios e diretrizes”. Em terceiro, o “exame e determinação do que se pode e deve fazer para aplicar os princípios e as diretrizes à prática”.
Esses “são os três momentos que habitualmente se exprimem com as palavras seguintes: ver, julgar e agir”, continuava a encíclica.
“Acreditamos que até mesmo Cardijn ficou surpreso ao descobrir a extensão desse reconhecimento na encíclica”, comentou o organizador da Comunidade Internacional Cardijn, M. J. Ruben.
“Desde então, o método ver-julgar-agir foi reconhecido e adotado por toda a Igreja”, continuou Ruben. “Isso mostra como Cardijn foi um mestre para toda a Igreja – não só para os jovens trabalhadores”, disse. “Essa é outra razão pela qual esperamos que Cardijn, um dia, seja reconhecido como Doutor da Igreja”, concluiu.
IHU / Portal Kairós