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1º de dezembro: 1º Domingo do tempo do Advento

1º Domingo do Advento

Com esta liturgia, iniciamos novo ano litúrgico. O tempo do Advento nos ajuda a nos prepararmos para a celebração do nascimento de Jesus. Somos convocados hoje à atitude de vigilância, para acolhermos com muita esperança e amor o Filho de Deus, nosso salvador, que virá no Natal.

A solidariedade, o amor e a generosidade – especialmente com as pessoas necessitadas – são atitudes que nos preparam para bem celebrarmos o Natal.

MOTIVOS PARA ESTAR SEMPRE ALERTAS

O tempo do Advento nos leva a considerar três modalidades da vinda de Deus ao nosso mundo e ao nosso coração. Antes de tudo, o Advento recorda o nascimento de nosso Salvador, Jesus Cristo. Quando o cruel rei Herodes governava a Judeia, Jesus nasceu em Belém. Nasceu de Maria e foi acomodado numa manjedoura. É fato histórico, ocorrido há mais de 2 mil anos. No dia 25 de dezembro de cada ano, celebramos este importantíssimo acontecimento da história da salvação: Deus se faz homem e vem morar entre nós. É o mistério da Encarnação.

Outro sentido do Advento é preparar-nos para a vinda gloriosa de Cristo, no final dos tempos. O Catecismo da Igreja Católica afirma que, “ao vir no fim dos tempos para julgar os vivos e os mortos, Cristo glorioso revelará a disposição secreta dos corações e retribuirá a cada um segundo suas obras e segundo tiver acolhido ou rejeitado sua graça” (n. 682).

O tempo entre as duas vindas do Senhor oferece ocasião para as constantes visitas que Deus nos faz a cada dia. Essas visitas podem realizar-se de diversas maneiras. As celebrações dos sacramentos são momentos privilegiados da presença de Deus em nossa vida, já que são sinais eficazes da graça divina. De resto, toda ação litúrgica é Deus agindo e nos salvando. Deus nos visita também na oração e na meditação, quando entramos em comunhão com ele. Igualmente, faz-se presente quando a assembleia dos fiéis está reunida em seu nome. Ainda, de forma bastante concreta, Deus se manifesta nos pobres. Servir aos pobres é servir a Deus: “Todas as vezes que vocês fizeram isso a um desses meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizeram” (Mt 25,40). Sabemos e sentimos que não existem limites para as manifestações de Deus. Ele vem nos visitar quando quer. Gratuitamente.

Às vezes, de modo surpreendente. Virá também na hora de nossa morte, para nos conduzir à glória eterna. Por isso, temos motivos de sobra para estar sempre alertas: não aconteça que Deus venha até nós repleto de graças e nos encontre distraídos, ausentes, preocupados unicamente com os bens terrenos. Sem condições de acolher o Hóspede divino.

No primeiro domingo do advento, qual vela acende?

As cores são importantes na Liturgia. Cada cor litúrgica tem seu significado. Entrando na igreja no primeiro domingo do Advento, você vai notar a presença da cor roxa.

Mais sobre o Advento

 

Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp / Portal Kairós

Você sabe realmente o que é Advento?

O que é o Ano Litúrgico?

O Ano Litúrgico é a celebração da vida de Jesus Cristo ao longo de um ano. A cada ano, os cristãos revivem as etapas mais importantes da vida de nosso Senhor: seu nascimento, a morte, ressurreição, ascensão e o envio do Espírito Santo… No ano civil, somos orientados pelas estações (primavera, verão…) e pelas festas cívicas (Carnaval, Tiradentes, Independência…); no Ano Litúrgico, nossa caminhada de fé é marcada pelos momentos fortes da vida do Senhor.

O povo da primeira Aliança, o povo judeu, também tinha (e tem) seu Ano Litúrgico. No começo, o ritmo da vida deles era marcado pelas festas ligadas à terra (animais e lavoura): mudança de uma pastagem a outra (páscoa), primeiros frutos, colheita da cevada, ceifa do trigo etc. Com o passar do tempo, incorporaram a essas festas fatos da vida nacional, criando outras celebrações: a Páscoa se tornou comemoração da libertação do Egito; Pentecostes celebrava o dia da entrega da Lei; Tendas ainda hoje recorda o tempo de Moisés, no deserto, quando o povo viveu em cabanas etc.

A expressão “Ano Litúrgico” começou a ser usada no século XIX, quando surgiu o Movimento Litúrgico. Esse Movimento para a renovação da Liturgia foi coroado no século passado, no Concílio Ecumênico Vaticano II. Seu primeiro grande fruto foi a constituição Sacrosanctum Concilium, sobre a Liturgia. Antes de se chamar “Ano Litúrgico”, recebera outros nomes, por exemplo, “Ano da Igreja” e “Ano cristão”.

Como se divide o Ano Litúrgico?

Sendo a celebração da vida de nosso Senhor ao longo de um ano, o Ano Litúrgico tem etapas, e com elas nós avançamos e somos introduzidos no coração do projeto de Deus.

Há dois modos de perceber a organização do Ano Litúrgico

01 – O primeiro se caracteriza por ciclos. Ciclo é um “período em que ocorrem fatos históricos importantes a partir de um acontecimento, seguindo uma determinada evolução”. O primeiro fato histórico importante da vida de nosso Salvador é seu nascimento, o Natal. Portanto, Ciclo do Natal. O fato mais importante está cercado de outros acontecimentos que o precedem e o seguem. Dessa forma, o Ciclo do Natal está composto da seguinte forma: Advento, Natal (com oitava), Sagrada Família, festa da Mãe de Deus, Epifania e Batismo do Senhor.
O segundo fato histórico importante é a Páscoa. Temos, portanto, o Ciclo da Páscoa, assim formado: Quaresma, Semana Santa, Tríduo Pascal, Páscoa (com oitava), domingos da Páscoa (Ascensão), Pentecostes.
Temos, ainda, o período mais longo do ano, com 34 (33) domingos, chamado de Tempo Comum.

02 – Outro modo de perceber a organização do Ano Litúrgico é por tempos. Tempo do Advento (4 domingos antes do Natal), Tempo do Natal (até o Batismo do Senhor), Tempo da Quaresma (5 domingos mais Semana Santa), Tempo Pascal (da Páscoa até Pentecostes) e Tempo Comum (34 domingos, assim distribuídos: da festa do Batismo do Senhor até o início da Quaresma; de Pentecostes até o 34º Domingo Comum).

Quando começa e quando termina o Ano Litúrgico?

O Ano Litúrgico não segue o calendário civil. Começa antes e, portanto, termina antes. Sendo celebração da vida de nosso Senhor ao longo de um ano, é lógico começar pela preparação ao seu nascimento. Por isso, o primeiro domingo do Advento marca o início do Ano Litúrgico. E, consequentemente, a última semana do Tempo Comum é também a última semana do Ano Litúrgico. No 34° domingo do Tempo Comum celebra-se, todos os anos, a solenidade de nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. É a coroa do Ano Litúrgico, que parte da encarnação e termina na glorificação.

CICLO DO NATAL

O que é o Ciclo do Natal?

É o período que parte do primeiro domingo do Advento e termina com a festa do Batismo do Senhor. Chama-se Ciclo do Natal porque essa solenidade é seu ponto alto. É o Natal que dá sentido ao que veio antes, como preparação (Advento) e ao que vem depois, como celebração e complemento.

ADVENTO

O que é o Advento? O que significa Advento? Por que não começa sempre no mesmo dia?

A palavra Advento vem do latim (Adventus) e significa chegada, vinda. É o tempo de preparação próxima para a solenidade do nascimento do Salvador. Alguns fatores contribuem para que o Ano Litúrgico não comece sempre no mesmo dia. Em primeiro lugar, o fato de o Natal ser sempre no dia 25 de dezembro, podendo cair em qualquer dia da semana. Em segundo lugar, o Advento tem sempre 4 domingos. As três primeiras semanas do Advento são cheias, mas a última é quase sempre incompleta. Por isso, a cada ano, o Advento tem dias a mais ou a menos em relação ao ano anterior.

Quando se começou a celebrar o Advento?

Não é possível determinar com exatidão quando e onde teve início o costume de celebrar o Advento. Sabe-se que em várias regiões, entre os séculos IV e VII, já se celebrava o Advento como preparação ao Natal. Em certas regiões, como na Espanha e na antiga França, desde o
início esse tempo era marcado pela prática do jejum e da abstinência de carne. Em Roma, pelo fim do século VII, o Advento começa a ser identificado com a preparação para a segunda vinda de Cristo. Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas.

Quando começamos a preparar-nos para o Natal?

Pode-se falar de preparação próxima e de preparação remota. A preparação próxima se concentra no Advento. É um tempo de fortes apelos para acolher a vida, promovê-la e defendê-la. A liturgia dos 4 domingos do Advento, os cantos próprios desse tempo, as novenas de Natal, os mutirões para um Natal sem fome… são algumas formas de preparação próxima para essa solenidade. O fato de pensarmos nos outros, de presentearmos as pessoas, de reunirmos familiares distantes e amigos, também pertence ao espírito natalino que povoa nosso imaginário nesse período. Evidentemente, quem só pensa em presentes e festas de fim de ano está muito longe da proposta que o Natal tem a oferecer.

Mas pode-se falar também de uma preparação remota. De fato, ao longo do ano, a Liturgia nos educa e prepara a essa grande solenidade, seguindo os passos da mãe de Jesus. Nove meses antes do Natal – 25 de março – celebramos a solenidade da Anunciação do Senhor (Lucas 1,26-38). Nessa ocasião, o anjo Gabriel disse a Maria que Isabel estava no sexto mês de gravidez.
Lucas 1,39-56 narra a visita de Maria a sua prima, e nós celebramos esse acontecimento no dia 31 de maio, festa da Visitação de Nossa Senhora. É o encontro de duas mães e o encontro do Precursor com o Salvador.

No dia 24 de junho – em clima de festas juninas – celebramos a Natividade de São João Batista, e é interessante imaginar Maria ajudando Isabel no parto de João. Enfim, podemos preparar-nos com a festa do aniversário de Maria, no dia 8 de setembro (não se sabe ao certo
quando ela nasceu). Sua natividade foi o ponto de partida para que o Messias chegasse até nós.

Qual a cor litúrgica do Advento e o que significa?

As cores são importantes na Liturgia. Cada cor litúrgica tem seu significado. Entrando na igreja no primeiro domingo do Advento, você vai notar a presença da cor roxa. Ela estará nas vestes do presidente da celebração (estola e casula), na ornamentação da Mesa da Palavra (ambão) e da Mesa da Eucaristia (altar). Dependendo da criatividade e dos recursos da comunidade, a cor roxa se manifestará em flores, panôs etc. Ela é um convite àquilo que João Batista anunciava: “Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão aplainadas; as estradas curvas ficarão retas, e os caminhos esburacados serão nivelados. E todo homem verá a salvação de Deus” (Lucas 3,4b-6).

O roxo pede mudanças profundas para a vinda do Senhor. É também a cor da Quaresma.
No terceiro domingo do Advento pode-se usar a cor rosa, e seu significado é alegria. A razão é esta: a antífona de entrada desse domingo é tirada de Filipenses 4,4-5, e é um convite à alegria: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: Alegrai-vos! O Senhor está perto!”. A alegria também faz parte da preparação ao Natal.

O que é a coroa do Advento?

A coroa do Advento se tornou comum em nossa cultura e ajuda na preparação ao Natal. Ela teve origem na Alemanha, entre as famílias protestantes. Porém, a coroa não nasceu de tradições cristãs. Os protestantes a adaptaram de costumes pagãos. Lá, no Natal é inverno, as horas de sol são poucas, e as noites, longas. Sendo inverno, tem-se a impressão de que toda a natureza morre.

Por isso acendiam-se velas, enfeitadas com ramos de pinho, que se mantêm verdes também no inverno. Esperava-se, à luz das velas, a chegada da primavera, quando a natureza renasce.
Enfeitavam a coroa com fitas vermelhas. As velas eram roxas ou púrpuras, a cor da realeza. Os cristãos “batizaram” esse costume. Para eles, a quarta vela devia ser rosa, para expressar alegria.

Na noite do Natal, uma vela branca, símbolo de Cristo, era acesa e colocada no centro. Como se vê, a coroa do Advento nasceu nas casas, em família, quando ainda não havia luz elétrica. É interessante resgatar a coroa como algo a ser cultivado em família. Nas igrejas, ela tem basicamente quatro velas enfeitadas (coloridas), uma para cada domingo. Vão sendo acesas sucessivamente ao longo do Advento. Luz das velas, ramos verdes, coroa em forma de círculo sugerem aprofundamentos.

 

Portal Kairós

16 de dezembro: 3º Domingo do Advento

ALEGRIA VERDADEIRA

O Senhor nos reúne para celebrarmos o terceiro domingo do Advento, chamado de “domingo da alegria”. A liturgia nos convida a cantar alegres e agradecidos a Deus, porque Jesus vem ao mundo para nos trazer a salvação e renovar nossa esperança num mundo de fraternidade e paz. Nossa coroa do Advento ficará mais bonita e iluminada, pois acenderemos a terceira vela.

LIÇÃO DE VIDA
Nossa alegria em celebrar o Natal se torna maior quando realizamos gestos de solidariedade, amor e fraternidade em favor de nossos irmãos e irmãs.

O terceiro domingo do Advento, conhecido como “domingo da alegria”, convida-nos a nos alegrarmos no Senhor, pois sua vinda se aproxima.

A alegria cristã tem um fundamento: a certeza de que Jesus é a Luz que ilumina os caminhos e as realidades, é o Messias e Profeta que batiza no Espírito Santo para recriar a humanidade segundo o projeto de Deus.

João Batista testemunhou, como ninguém, a vinda dessa Luz. Sua missão inspira cada cristão a viver como testemunha da Luz. Pois é Jesus o início, o fim e o centro, e nossa missão só tem sentido se fundamentada em Jesus e direcionada a ele.

O verdadeiro encontro com Jesus leva a reconhecê-lo como Aquele que vem da parte de Deus na dignidade de Messias. É encontro que leva necessariamente ao encontro dos outros, sobretudo dos pequenos, a quem Jesus veio revelar a Boa-Nova.

O Advento é tempo especial para preparar o caminho do Senhor. Preparamos a sua vinda preparando o nosso coração com a conversão da mente, assumindo hoje os mesmos sentimentos de nosso Senhor. Assim podemos ser, a exemplo de João Batista, voz profética que, transformando o coração, ilumina e transforma as realidades. Pois nosso batismo é no Espírito, que transforma e santifica. E não pode haver maior alegria, para os cristãos, do que encontrar Jesus, encontrando os menores do Reino.

O mundo está cansado de palavras e carente de testemunhos. Evangelizar é testemunhar a alegria de seguir Jesus, é expressar a certeza de que Deus vem caminhar conosco e nos ajuda a espalhar a luz do seu projeto de vida, vencendo as trevas da injustiça e da morte.

Não se trata da alegria consumista e individualista tão em moda, como diz o papa Francisco (exortação Gaudete et Exsultate, n. 128). Com efeito, “o consumismo só atravanca o coração; pode proporcionar prazeres ocasionais e passageiros, mas não alegria”. A alegria cristã é aquela “que se vive em comunhão, que se partilha e comunica” como amor fraterno.

 

Pe. Paulo Bazaglia, ssp

9 de dezembro: 2º Domingo do Advento

TEMPO DE CRESCER NO AMOR

Esta liturgia nos ajude a viver este tempo de esperança, preparando-nos para acolher Jesus, a salvação de Deus para a humanidade. Por meio da voz de João Batista, o Senhor nos guiará por caminhos de misericórdia, justiça e paz. Simbolizando a progressiva proximidade do Natal, acenderemos hoje a segunda vela da coroa do Advento.

LIÇÃO DE VIDA
Jesus nos acompanha e nos encoraja em nosso esforço de viver a conversão.

Desde pequeninos, ouvimos dizer que devemos crescer na vida. Geralmente o crescer, nesse sentido, tem que ver com sucesso, fama e outros atributos que nos situariam numa espécie de categoria privilegiada. Ocorre que a vida nos pede muito mais que isso. Seria muito triste uma existência baseada tão somente na frieza do status e na superficialidade dos cargos. A vida pede mesmo é afeto.

É claro que o intuito aqui não é desfazer da importância de uma boa carreira profissional e de um trabalho digno. Evidentemente a questão não é essa. Mas seria um desperdício grande gastarmos as energias de nossa curta travessia neste mundo numa espécie de luta para galgarmos o lugar de destaque e, depois, fazemos de tudo para mantê-lo.

A segunda leitura da liturgia de hoje é um bom exemplo para crescermos naquilo que vale a pena. O apóstolo Paulo, quando escreveu à comunidade dos filipenses, encontrava-se preso. A prisão se deu porque Paulo era um homem comprometido com a causa do evangelho, isto é, com a boa notícia. Os poderosos daquele tempo o encarceraram como forma de lhe calar a voz. Paulo estava se tornando uma ameaça aos homens do poder. Foi preso porque o mundo dos que detêm o poder da força odeia quem leva em seu coração o poder do amor. Amor que escolhe o lado dos que são desprezados e humilhados, feridos na carne e na alma.

Paulo, porém, sabia em quem acreditava. Ele tinha os olhos fixos naquele que dá sentido à vida: Jesus, o Filho de Deus que se fez menino. O apóstolo tinha no coração a mesma compaixão que Jesus sentia pelos sofredores do mundo. Embora tivesse capacidade de ocupar os melhores cargos profissionais, porque tinha formação para isso (uma vez que estudara nas mais renomadas escolas de seu tempo), Paulo preferiu fazer uso de sua sabedoria para ajudar os desprezados a encontrar um lugar no mundo.

Este tempo do Advento é momento oportuno para nos deixarmos inundar por bons sentimentos. Assim como Paulo apóstolo se derrama em ação de graças para a comunidade dos filipenses, também nós hoje somos chamados a sentir a alegria da boa notícia, que é Jesus. Ele quer nascer em nossa vida. Embora fosse Deus, fez-se pequeno, fez-se menino. Isso é revolucionário. Isso muda tudo. As grandezas do mundo são passageiras. O amor de verdade é eterno e enche nossos olhos de luz. Quem ama jamais se deixa cegar diante dos desafios do tempo presente. Jesus é o tempo perfeito que transforma nossa vida.

 

Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp

2 de dezembro: 1º Domingo do Advento

TEMPO DE ESPERA E ESPERANÇA

Cheios de esperança, iniciamos o Advento, tempo favorável para ajustarmos nossos passos em direção à alegre celebração do Natal do Senhor. A liturgia nos ajude a viver intensamente este tempo, voltando nosso coração para o grande acontecimento do nascimento de Jesus entre nós. Queremos entrar neste novo ano litúrgico vigilantes e firmes na oração, a fim de acolher com fé a salvação de Deus, que vem ao nosso encontro.

LIÇÃO DE VIDA
O propósito de nossa preparação para o Natal é acolher Jesus, que se revela, de forma especial

No evangelho proposto para hoje, Jesus não pretende assustar ninguém. Aliás, em geral ele fala da bondade do Pai, da consolação do Espírito Santo e da vida gloriosa para os que fazem a vontade de Deus. Por outro lado, Jesus conhece a realidade que o envolve. Ele vê e sente que no mundo há maldade, injustiça, opressão dos poderosos sobre os mais fracos, conflitos, guerras entre nações. Percebe também que sua mensagem de amor não é acolhida por todos; que muitos o criticam porque ele tem boa convivência com doentes e pecadores; que os chefes do povo, incluindo os dirigentes das instituições religiosas, querem matá-lo como se fosse um malfeitor perigoso. Essa é uma parte do panorama nos dias terrenos de Jesus.

Por volta do ano 70, o exército romano invade Jerusalém, destrói a cidade e profana o Templo. O cruel massacre se dá no meio de lamentos, correrias, fugas para outros lugares e mortos; muitos mortos. Essa é uma página dolorosa que o povo de Israel escreveu com o próprio sangue. Jesus tinha previsto que assim aconteceria. Outro dado a considerar é o início da Igreja, com violentas perseguições aos cristãos e tribulações de todo tipo. Tempos difíceis para os seguidores de Cristo, mas também hora oportuna para darem testemunho a favor dele.

Em linguagem figurada, Jesus está nos dizendo que o império do mal vai acabar, o bem e a verdade vão triunfar – também com o empenho dos cristãos. Ao mesmo tempo, está apresentando à comunidade cristã a situação desconfortável que é ser cristão no mundo e as consequências inevitáveis para quem é coerente seguidor seu. Por isso, de modo solene, ele diz a seus discípulos de todos os tempos: “Ergam a cabeça, porque a libertação de vocês está próxima”. E aponta para todos nós um caminho cheio de esperança: “Vigiem, portanto, rezando a todo momento, a fim de terem forças para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficar de pé diante do Filho do homem”. A comunidade precisa estar sempre de prontidão, praticando a justiça do reino de Deus.

 

Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp