Liturgia católica – Anos A, B e C

Liturgia

Dezembro 2019 a Novembro de 2020 – Liturgia católica: ANO A

29 de dezembro: Sagrada Família: Jesus, Maria e José

Sagrada Família: Jesus, Maria e José

Jesus, Maria e José nos deixam o exemplo de família que vive o amor, a compreensão e o cuidado mútuo. Esta liturgia nos anime a defender nossas famílias e zelar por elas. Agradeçamos a Deus esse tão grande dom, pelo qual Ele se mostra presente em nosso meio, fazendo chegar até nós seu amor e sua proteção.

Todos somos responsáveis para que nossas famílias sejam ambientes de respeito, diálogo, fraternidade e amor.

A CASA DO INTERIOR

Quem nasceu e viveu no interior ou, ao menos, teve a infância ali, por onde quer que vá, leva, no coração e no corpo todo, o sentimento de pertença ao lugar de origem. E quanto mais longe tiver de ir, terá o cantinho dos primeiros afetos sempre mais perto de si. Não há como não se lembrar do cheiro da terra, do aroma do mato, da brisa, do excessivo colorido dos bichos, do sabor da comida e da beleza das coisas. Isso diz respeito aos afetos que marcam para sempre nossa existência. Um colega me disse, certa vez, que se lembra até das pedras.

Antes de o sol nascer, ouve-se o canto do galo, a euforia dos capotes e perus, o berro do gado, o canto dos pássaros. Sente-se o cheiro do curral. Ouvem-se os passos suaves de papai passando pelo corredor, indo abrir a porta da frente da casa. No alpendre, o esperto Jupi o cumprimenta com sua alegria vira-lata.

A filharada ainda ressona, enquanto da cozinha exala o cheiro do café de mamãe. Feito amor, o aroma do café se espalha por todos os cômodos. No rádio, a poesia matuta se faz ouvir no programa que vai ao ar ao raiar do dia como uma espécie de despertador do coração sertanejo. A voz do locutor é familiar.

Lá fora a natureza é uma festa. Antes árida e tostada, agora explode em vida. Após as primeiras chuvas, o sertão vira jardim. Borboletas de todas as cores e tamanhos fazem verdadeiro balé e se enamoram das flores, que desabrocham com fartura. Todas as criaturas fazem festa com o milagre da natureza. Até os sapos, outrora sumidos, como que se desencantam e fazem coral nos lagos e poças. O sol desponta com força no horizonte, e o rosto dos trabalhadores se banha logo cedo de suor redentor.

Nesse cenário telúrico, a família está no centro. Ela deveria ser como casa do interior: simples e aconchegante; o lugar dos afetos, o espaço alegre e feliz onde a vida tem poesia e encanto. E tem problemas também. Afinal, não há família perfeita. Todas têm dificuldades. Mas é lá o melhor lugar do mundo. É por essa condição de imperfeição que a família requer cuidados. Assim como a natureza, a família fica mais linda quando aprende a lidar com as diferenças e, em vez de cultivar intrigas, mesmo que haja brigas, sabe o valor do abraço.

Inspiradas na Família de Nazaré, longa vida às nossas famílias!

Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp / Portal Kairós

22 de dezembro: 4º Domingo do Advento

4º Domingo do Advento

Aproximando-nos do Natal de Jesus, celebremos na certeza de que o Pai nos ama e por isso quer estar entre nós, fazer parte da nossa vida e conduzir a humanidade no amor e na paz. O exemplo de Maria e José nos ensine a viver nossa fé na obediência à vontade de Deus.

Maria e José são exemplos de confiança em Deus e de generosidade na acolhida e no cumprimento de sua vontade.

O ANÚNCIO DO ANJO A JOSÉ

José era esposo de Maria, porém, conforme o costume da época, ele ainda não morava junto com ela. Não tiveram relações conjugais. É natural que José achasse estranho ver Maria grávida, gestando um bebê que não era fruto de sua relação com ela. Como se explicaria isso? Certamente José, “homem justo”, rezou muito e pediu a Deus luzes, antes de tomar qualquer decisão.

Há um pensamento do bem-aventurado Tiago Alberione que apoia nossa intuição: “O Senhor vai acendendo as lâmpadas, diante de nós, à medida que caminhamos e precisamos delas”. Foi o que aconteceu com José: Deus se manifestou a ele, em sonho, e esclareceu: “José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado provém do Espírito Santo”. Então, a gravidez de Maria não é resultado de ações humanas; é uma obra de Deus. A maternidade de Maria não é obra de José, mas do Espírito Santo.

Uma vez que José compreende o mistério que se realiza em Maria, poderá assumir a missão que Deus lhe confia: “Ela dará à luz um filho, e você o chamará com o nome de Jesus”. O nome Jesus, que significa “Deus salva” ou “Salvador”, reflete sua missão: “Ele salvará seu povo dos seus pecados”. Pôr o nome em um recém-nascido era função própria do pai. Com isso, José é reconhecido como o pai legal do filho de Maria e dará sua contribuição para que o menino faça parte da descendência de Davi.

Passamos, então, das antigas promessas e profecias à realidade. Deus, feito homem, vem morar entre nós, assumindo em tudo, menos no pecado, a condição humana: “Eis que a virgem vai engravidar e dar à luz um filho, e o chamarão com o nome de Emanuel, que significa Deus conosco”.

Reconhecemos que foi uma prova difícil para a fé do homem reto, José. Ele, porém, com responsabilidade madura, entregou-se como colaborador de Deus na história da salvação. Em outras palavras: na pessoa de José, o plano de Deus se encontra com a vontade e a colaboração humana. Figura altamente estimada pelo povo, José é modelo não apenas de profunda fé e de íntima comunhão com Deus; distingue-se também pelo sincero amor e respeito para com sua esposa, Maria.

Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp / Portal Kairós

15 de dezembro: 3º Domingo do Advento

3º Domingo do Advento

A liturgia deste terceiro domingo do Advento nos convida à alegria, porque se aproxima o Natal de Jesus. Ele vem ao nosso encontro para nos trazer esperança, paz e salvação. Esta celebração nos anime a viver este tempo fortalecidos na fraternidade, no amor e na solidariedade com todas as pessoas.

A exemplo de João Batista, todos somos chamados a ser mensageiros da alegria, da paz e da salvação que Jesus vem trazer para o mundo.

TEMPO DE ALEGRIA

Preparando-nos para o Natal, celebramos, neste terceiro domingo do Advento, o chamado “domingo da alegria”. Esperando e preparando a vinda do Senhor, todos somos todos convidados a enxergar, aqui e agora, os sinais do amor divino.

Alegrar-nos no Senhor é reconhecer que, apesar das tribulações e incertezas, somos amados por Deus, o qual se manifesta nas ações de libertação, no resgate da vida, no anúncio da Boa-nova aos pobres.

O próprio João Batista, profeta anunciador do Messias, teve suas dúvidas. Ele nos faz pensar em nossas incertezas, na dificuldade de enxergar os sinais de vida do Reino de Deus em meio a tantas situações de injustiça e morte.

A alegria cristã não é imaginar que tudo seja um mar de rosas, sobretudo vendo tantos sofrendo injustiça ou sendo vítimas do preconceito e da ganância humana. A alegria que somos convidados a viver hoje, em vez, é a alegria do evangelho, que nos projeta para um tempo em que Deus terá a última palavra. Um tempo em que a bondade triunfará sobre todo mal, em que o amor vencerá todo ódio, em que Deus será tudo em todos.

Até lá, na alegria de quem tem fé e se compromete com a construção da paz, preparamo-nos preparando a vinda definitiva do Senhor. Como João Batista, que preparou o caminho do Senhor vivendo vida simples e austera, convidando à conversão, à mudança de mentalidade. Suas incertezas não o impediram de realizar a missão que Deus lhe havia confiado. Levado à prisão por sua coerência de vida, João nos mostra que, mesmo aprisionados, nas adversidades, podemos enxergar os sinais do Messias na vida e na ação de quem se compromete em favor dos doentes, sofredores e pobres.

Para os que se abrem a Deus, de fato, a fé operante leva à autêntica alegria, tal como expressou o papa Francisco: “A alegria daquela esperança que Jesus espera de nós; a alegria que, nas cruzes e nos sofrimentos desta vida, se expressa de outra maneira que é a paz, na certeza de que Jesus nos acompanha e está conosco”.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp / Portal Kairós

8 de dezembro: Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora

Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora – 2º Domingo do Advento 

Vivendo o tempo do Advento em preparação para o Natal, recordamos que o Salvador veio ao mundo pelo sim de Nossa Senhora, um sim amoroso e obediente a Deus. O exemplo de fé e amor de Maria imaculada nos inspire a acolher Jesus nesta celebração e segui-lo a cada dia como seus discípulos e discípulas.

Maria nos ensina que a verdadeira felicidade está em amar e servir com generosidade a Deus e aos irmãos e irmãs.

O FILHO NO COLO

Certa vez visitei uma jovem que, poucos dias antes, havia dado à luz o primeiro filho. Ela chorava ao amamentar o bebê. Como eram os primeiros dias de amamentação, seus seios estavam feridos e até sangravam. Enquanto o neném mamava, a dor só piorava. Situação difícil. Mesmo assim, a mãe precisava saciar a fome do pequeno, que ficava aos prantos se não fosse atendido. Não vi o pai presente. Sabemos que muitos deles fogem da responsabilidade.

Hoje, no Brasil, mais de 80% das crianças têm como primeira responsável a mulher. É igualmente grande o número daquelas que não têm o nome do pai no registro de nascimento. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), são quase 6 milhões de crianças nessa situação. Isso mostra a realidade de muitas mães que carregam sozinhas as inúmeras dificuldades na luta pela sobrevivência.

Tal realidade tem implicações pastorais. Por exemplo, com referência ao batismo. Outro dia, ao batizar um pequeno, estavam presentes a mãe, com o filhinho no colo, a madrinha, o padrinho, os avós, as tias. Mas o pai não estava presente.

O papa Francisco tem insistido sobre a sensibilidade pastoral. Em uma de suas homilias, logo quando se tornou pontífice, comentou o exemplo de uma mãe que procura a igreja para batizar o filho: “Pensem em uma mãe solteira que vai à igreja, à paróquia e ao secretário: ‘Quero batizar meu filho’. E depois esse cristão, essa cristã, lhe diz: ‘Não, você não pode porque você não é casada!’ Mas, veja, essa jovem teve a coragem de levar adiante a sua gravidez e não devolver o seu filho ao remetente, e o que ela encontra? Uma porta fechada! Esse não é um bom zelo! Afasta do Senhor! Não abre as portas! E assim, quando estamos nesse caminho, nessa atitude, nós não fazemos bem às pessoas, ao povo, ao povo de Deus. Jesus instituiu sete sacramentos, e nós, com essa atitude, instituímos o oitavo: o sacramento da alfândega pastoral!” Em outro momento, o papa afirmou: “Não existe mãe solteira. Mãe não é estado civil”.

Na festa da Imaculada Conceição, venerando a Mãe do céu, comprometemo-nos a apoiar e respeitar as mães da terra nas suas lutas, angústias e esperanças, evitando todo e qualquer preconceito.

Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito, ssp / Portal Kairós

1º de dezembro: 1º Domingo do tempo do Advento

1º Domingo do Advento

Com esta liturgia, iniciamos novo ano litúrgico. O tempo do Advento nos ajuda a nos prepararmos para a celebração do nascimento de Jesus. Somos convocados hoje à atitude de vigilância, para acolhermos com muita esperança e amor o Filho de Deus, nosso salvador, que virá no Natal.

A solidariedade, o amor e a generosidade – especialmente com as pessoas necessitadas – são atitudes que nos preparam para bem celebrarmos o Natal.

MOTIVOS PARA ESTAR SEMPRE ALERTAS

O tempo do Advento nos leva a considerar três modalidades da vinda de Deus ao nosso mundo e ao nosso coração. Antes de tudo, o Advento recorda o nascimento de nosso Salvador, Jesus Cristo. Quando o cruel rei Herodes governava a Judeia, Jesus nasceu em Belém. Nasceu de Maria e foi acomodado numa manjedoura. É fato histórico, ocorrido há mais de 2 mil anos. No dia 25 de dezembro de cada ano, celebramos este importantíssimo acontecimento da história da salvação: Deus se faz homem e vem morar entre nós. É o mistério da Encarnação.

Outro sentido do Advento é preparar-nos para a vinda gloriosa de Cristo, no final dos tempos. O Catecismo da Igreja Católica afirma que, “ao vir no fim dos tempos para julgar os vivos e os mortos, Cristo glorioso revelará a disposição secreta dos corações e retribuirá a cada um segundo suas obras e segundo tiver acolhido ou rejeitado sua graça” (n. 682).

O tempo entre as duas vindas do Senhor oferece ocasião para as constantes visitas que Deus nos faz a cada dia. Essas visitas podem realizar-se de diversas maneiras. As celebrações dos sacramentos são momentos privilegiados da presença de Deus em nossa vida, já que são sinais eficazes da graça divina. De resto, toda ação litúrgica é Deus agindo e nos salvando. Deus nos visita também na oração e na meditação, quando entramos em comunhão com ele. Igualmente, faz-se presente quando a assembleia dos fiéis está reunida em seu nome. Ainda, de forma bastante concreta, Deus se manifesta nos pobres. Servir aos pobres é servir a Deus: “Todas as vezes que vocês fizeram isso a um desses meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizeram” (Mt 25,40). Sabemos e sentimos que não existem limites para as manifestações de Deus. Ele vem nos visitar quando quer. Gratuitamente.

Às vezes, de modo surpreendente. Virá também na hora de nossa morte, para nos conduzir à glória eterna. Por isso, temos motivos de sobra para estar sempre alertas: não aconteça que Deus venha até nós repleto de graças e nos encontre distraídos, ausentes, preocupados unicamente com os bens terrenos. Sem condições de acolher o Hóspede divino.

No primeiro domingo do advento, qual vela acende?

As cores são importantes na Liturgia. Cada cor litúrgica tem seu significado. Entrando na igreja no primeiro domingo do Advento, você vai notar a presença da cor roxa.

Mais sobre o Advento

Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp / Portal Kairós

Palavra oficial do Papa