Liturgia católica

Liturgia

13 de janeiro: Batismo do Senhor

O BATISMO DE JESUS E O NOSSO BATISMO

“A festa do Batismo do Senhor, que hoje celebramos, nos recorda que todos somos filhos e filhas amados de Deus. O Pai do céu hoje nos chama a ouvir a sua voz e participar da missão de Jesus de anunciar ao mundo o amor, a fraternidade, a paz e a alegria da salvação”

LIÇÃO DE VIDA:
Pelo batismo nos tornamos todos irmãos e irmãs na fé, chamados a viver no amor a Deus e ao próximo.

Revestido do Espírito Santo e confirmado como Filho de Deus, Jesus inicia, de modo solene, a missão para a qual o Pai o enviou. No seu batismo, sentimos fortemente a presença da Santíssima Trindade: o Pai apresenta o Filho Jesus, e o Espírito Santo o consagra para a implantação do reino de Deus no mundo.

Ao juntar-se à multidão que João batizava, Jesus se mostra como aquele que assume os pecados da humanidade. Coloca-se no mesmo nível dos pecadores, os quais ele veio redimir e salvar. A esse respeito, o apóstolo Paulo escrevia aos coríntios: “Aquele que não conheceu pecado, por nós Deus o tratou como pecador, para que nós, por seu intermédio, fôssemos justos diante de Deus” (2Cor 5,21).

O batismo de Jesus é, na verdade, o grande momento da manifestação solidária da Santíssima Trindade. A voz do Pai celeste ecoa e esclarece: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu benquerer”. Esse amor do Pai sustenta toda a vida de Jesus, incluindo a hora de sua morte na cruz: “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito” (Lc 23,46). Quanto ao Espírito Santo, ele paira sobre Jesus, em forma corpórea de pomba, símbolo da criação (cf. Gn 1,2) e da nova criação (cf. Gn 8,8-12). Movido pelo Espírito de Deus, Jesus realiza nova criação. São Paulo afirma: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas antigas passaram…” (2Cor 5,17).

Pois bem, toda a realidade que envolve o batismo de Jesus é o que acontece quando uma pessoa é batizada em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Existe, porém, um perigo: que a catequese oferecida hoje a pais e padrinhos de batismo acentue aspectos secundários (roupa, horário, fotografia, certidão) e trate de modo superficial os aspectos fundamentais (implicações do batismo, compromissos com a Igreja).

O fato é que, a partir do batismo, passamos a pertencer à comunidade de Jesus Cristo. Nosso distintivo é a prática do amor a Deus e ao próximo. Assumimos responsabilidades com a Igreja e adquirimos o direito de participar da sua vida litúrgica e sacramental. Na qualidade de discípulos e discípulas de Jesus, decidimos caminhar no ritmo dele, observar o que ele nos ordena, certos de que ele é o único Caminho que nos leva ao Pai.

Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp

6 de janeiro: Epifania do Senhor

SOLENIDADE DA EPIFANIA

“Jesus é a manifestação de Deus ao mundo”

COMPROMISSO DE VIDA:
Vou me esforçar para demonstrar às pessoas com quem convivo o amor que tenho por elas.

O ano civil se inicia justamente na fase final do tempo do Natal, quando celebramos a Epifania e o Batismo do Senhor. Jesus manifesta-se ao mundo na visita dos sábios do Oriente, e, quando cumpre o rito do batismo no rio Jordão pelas mãos de João Batista, revela-se o Deus Trindade.

Que essas “epifanias” marquem nosso início de ano, para que o encontro com o Senhor transforme nossa vida, fazendo-a mudar de rumo. Temos certeza de que sempre haverá “uma luz em nosso caminho” para nos conduzir Àquele que é a Luz do mundo e que veio para iluminar a todos.

Somos chamados a refletir o rosto de Deus para os irmãos e irmãs. Assim como os sábios do Oriente voltaram para a sua terra iluminados pela verdadeira luz que é Cristo, também devemos resplandecer para os irmãos um brilho que não tem sua origem em nós, mas é obra do Senhor. E isso se manifesta por meio do nosso próprio testemunho cotidiano.

“Deus é vizinho, o seu Reino está próximo (cf. Mc 1,15): o Senhor não quer ser temido como um soberano poderoso e distante, não quer permanecer num trono celeste ou nos livros da história, mas gosta de mergulhar nas nossas vicissitudes de cada dia, para caminhar conosco” (papa Francisco, homilia na santa missa pelos 1.050 anos de batismo da Polônia).

Muitas vezes, somos estranhos para aqueles que moram perto de nós ou até dentro de nossa casa! Assim como Deus se fez vizinho a nós, aprendamos a ver no outro o nosso próximo. Conforta-nos saber que do pequeno e do anônimo Deus se serve com predileção. Em cada pequeno gesto fraterno, há uma epifania do amor de Deus.

Neste ano civil que se inicia, que possamos ser espelhos da luz divina de que o mundo de hoje tanto necessita, para que ela penetre as trevas do nosso tempo e nos aponte a esperança no futuro.

Estamos unidos aos jovens que se reúnem no Panamá, entre os dias 22 e 27 deste mês, para a Jornada Mundial da Juventude. Após termos celebrado, em outubro passado, o Sínodo dos Bispos sobre a juventude, agora o tema da “vocação e discernimento” se aprofunda com a resposta de Maria: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,38). Que a luz do Senhor permeie, de modo muito especial, a nossa juventude neste novo ano e nos aponte a esperança para o futuro.

Orani João Tempesta, O. Cist.
Cardeal Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro

1º de janeiro: Maria, Mãe de Deus

IR AO ENCONTRO DO MENINO JESUS

O evangelho deste primeiro dia do ano, em que celebramos Maria, a Mãe de Deus, traz-nos a visita dos pastores ao menino Jesus, recém-nascido. Pessoas simples, os pastores eram desprezados pelo fato de não terem condições de cumprir as leis mosaicas.

Vão às pressas a Belém e encontram o menino Jesus deitado numa manjedoura, ao lado de Maria e José. Sim, eles têm pressa, pois os aguarda uma grande notícia. Estão curiosos para ver o que o anjo lhes anunciou. As boas notícias deveriam correr velozes! Entretanto, são as más notícias que costumam se espalhar mais rapidamente e sufocar as boas.

Quanto a Maria, discreta e silenciosa, guardava e meditava no coração o que ouvia falar do filho, o qual é o centro de todo o relato. Ela é imagem da comunidade que acolhe a palavra de Deus, a medita em seu coração e a vive no cotidiano da vida.

Além de serem os primeiros a receber a notícia e visitar o menino, os pastores são os primeiros a divulgar a boa-nova do nascimento do Messias. Seguindo o exemplo deles, corramos ao encontro do recém-nascido e proclamemos, ao longo de todo o ano, essa Boa-Nova aos quatro cantos do mundo.

Deixemos que essa movimentação positiva em torno do acontecimento contagie também a nossa vida, para podermos caminhar, durante o ano, com maior otimismo e esperança. Valorizemos, de forma realista, os pequenos gestos positivos, que são os fundamentos do reino de Deus.

Como o assombro pelo nascimento de Jesus passa de boca em boca, espalhemos essa boa notícia com nossas palavras, gestos e vivência. O anúncio alegre da chegada do recém-nascido suscite, também hoje, festa e alegria entre os pobres e humildes.

Neste dia mundial da paz, lembremos que ela é fruto da justiça (cf. Is 32,17). Enquanto não houver justiça na sociedade, dificilmente se viverá de forma serena e pacífica. Lembremos também que a violência não se combate com mais violência. A paz se constrói com atitudes pacíficas e tolerantes. Somos chamados a construir pontes, em vez de levantar muros.

Pe. Nilo Luza, ssp

30 de dezembro: Sagrada Família

SAGRADA FAMÍLIA DE NAZARÉ

Nesta liturgia agradecemos a Deus pela Sagrada Família. O seu exemplo de amor e fé é inspiração para nós e para todas as famílias que se esforçam para progredir na união, na solidariedade e na paz. Enviando o seu Filho ao mundo para viver com Maria e José, Deus nos mostra que a família é um dom que ele nos oferece para ser cuidado por todos com amor.

LIÇÃO DE VIDA
Imitando Jesus no amor a Deus, à família e ao próximo, teremos um mundo de fraternidade e paz.

“No clima de alegria que é próprio do Natal, celebramos neste domingo a festa da Sagrada Família […].

O evangelho de hoje convida as famílias a descobrir a luz de esperança que provém da casa de Nazaré, na qual se desenvolveu com alegria a infância de Jesus, o qual – diz são Lucas – ‘crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens’ (2,52). O núcleo familiar de Jesus, Maria e José é, para cada crente, especialmente para as famílias, uma autêntica escola do evangelho. Aqui admiramos o cumprimento do desígnio divino de tornar a família uma especial comunidade de vida e de amor. Aqui aprendemos que cada núcleo familiar cristão é chamado a ser ‘igreja doméstica’, para fazer resplandecer as virtudes evangélicas e tornar-se fermento de bem na sociedade. Os traços típicos da Sagrada Família são: recolhimento e oração, compreensão mútua e respeito, espírito de sacrifício, trabalho e solidariedade.

[…] Nossa Senhora e são José ensinam a acolher os filhos como dons de Deus, a gerá-los e educá-los, cooperando de forma maravilhosa na obra do Criador e doando ao mundo, em cada criança, um novo sorriso. É na família unida que os filhos levam a sua existência ao amadurecimento, vivendo a experiência significativa e eficaz do amor gratuito, da ternura, do respeito recíproco, da compreensão mútua, do perdão e da alegria.

[…] A verdadeira alegria que se experimenta na família não é algo casual nem fortuito. É uma alegria fruto da harmonia profunda entre as pessoas, que faz apreciar a beleza de estar juntos, de nos apoiarmos reciprocamente no caminho da vida. Mas na base da alegria há sempre a esperança de Deus, o seu amor acolhedor, misericordioso e paciente para com todos. Se não abrirmos a porta da família à presença de Deus e ao seu amor, a família perde a harmonia […]. Ao contrário, a família que vive a alegria, a alegria da vida, a alegria da fé, comunicando-a espontaneamente, é sal da terra e luz do mundo, é fermento para toda a sociedade.

Jesus, Maria e José abençoem e protejam todas as famílias do mundo, para que nelas reinem a serenidade e a alegria, a justiça e a paz, que Cristo, nascendo, trouxe como dom à humanidade” (alocução antes do Ângelus em 27/12/2015).

25 de dezembro: Natal

CONTEMPLAÇÃO, ADORAÇÃO E ESPERANÇA

Proponho que celebremos o Natal deste ano movidos por três atitudes: contemplação, adoração e esperança. Diante de uma paisagem maravilhosa ou de um espetáculo deslumbrante, ficamos como que paralisados, boquiabertos, encantados. O nascimento de Jesus é algo assim: fato tão grandioso ocorrido em nossa história, que nos pega de surpresa, nos deixa sem palavras. Com efeito, como compreender que Deus se faz homem, nasce de uma mulher (cf. Gl 4,4), é colocado numa manjedoura (cf. Lc 2,7.12.16)?! É assim que Jesus se apresenta ao mundo. Visto que não conseguimos entender esse mistério, resta-nos contemplá-lo.

Adoração é outra atitude que nos cabe assumir na presença do Menino Jesus. Só se adora a Deus. É o caso, pois Jesus é Deus. Vem como nosso redentor e salvador. A ele toda honra e toda glória: “Ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, na terra e sob a terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fl 2,10-11). Fica definido que só Jesus é o nosso guia. Ele vem para implantar o direito e a justiça sobre a face da terra. Sua vinda e permanência entre nós custaram-lhe caro. São Paulo dizia: “Alguém pagou alto preço pelo resgate de vocês. Então glorifiquem a Deus com o próprio corpo” (1Cor 6,20). Foi por sua morte que Jesus nos garantiu a vida para sempre. Ao contemplar o Menino de Belém, revivemos nossa experiência de cristãos. Sabemos o que significa sua encarnação. Por isso, brota em nós um impulso, um profundo desejo de adoração.

Em terceiro lugar, somos animados pela esperança. Só Deus é a razão última de nossa esperança. Ora, Deus resolveu investir no ser humano, a ponto de morar em nosso meio, assumindo em tudo, menos no pecado, a condição humana. Se fez isso, é porque acredita no potencial da pessoa humana. Jesus veio para criar um ambiente de fraternidade e de paz entre todos os povos. Viveu esse ideal e morreu por ele. Agora é a nossa vez de fazer o que o Mestre fez. Com isso, dispomo-nos a celebrar o Natal não só como contemplativos, não só como adoradores do verdadeiro Deus. Celebramos o Natal como bons aprendizes na escola de Jesus. A prática dos seus ensinamentos é que alimenta e transforma o mundo.

Pe. Luiz Miguel Duarte, ssp