Como superar momentos difíceis da vida?

A vida é muito boa. Essa é a verdade original que em certos momentos parece ficar tão ofuscada que corremos o risco de cair na falta de esperança. Esse ofuscamento provém da nossa natureza caída que, depois do pecado original e de cada pecado pessoal, tem dificuldade de ver a Deus e o seu Plano de Amor. Dessa situação nascem todas as dificuldades da nossa existência. Jesus veio para nos salvar e é nele que precisamos nos aferrar para continuar caminhando pelo Bom caminho nos momentos mais difíceis da vida.

Quando o povo de Israel caminhava pelo deserto, Deus lhes concedeu as tábuas dos dez mandamentos. Mas já no profeta Jeremias vemos que as tábuas da Lei não eram a palavra final de Deus. “Eis, no entanto, a Aliança que celebrarei com a comunidade de Israel passados aqueles dias”, afirma o SENHOR: “Registrarei o conteúdo da minha Torá, Lei, na mente deles e a escreverei no mais íntimo dos seus sentimentos: seus corações. Assim, serei de fato o Deus deles e eles serão o meu povo”! .

 

A realização dessa profecia se dá justamente em Jesus, que é o Verbo que se fez carne. De maneira especial se realiza na Eucaristia, quando comungamos do próprio Cristo que se faz alimento por nós. A carta aos hebreus retoma a profecia e diz que o Senhor colocará suas leis no âmago dos nossos corações, as inscreverá profundamente em nossas mentes. Ou seja, seguir o Senhor não é um simples cumprir regras externas, mas um descobrir que essas leis estão gravadas em nosso interior e que ao cumpri-las, nos realizamos como pessoas, como filhos e filhas de Deus.

E isso é fundamental para os momentos difíceis que atravessamos na vida. Porque nesses momentos o último que queremos é que nos digam regras que cumprir, preceitos que realizar para que Deus nos ajude a atravessar a dificuldade. Mas se nesses momentos difíceis se descobre renovadamente que lá no fundo do nosso mesmo ser existe um desejo de estar mais próximos ainda de Deus, não afundaremos nas ondas agitadas da vida, mas alçaremos nossa voz a Deus como o fez São Pedro quando começou a afundar enquanto caminhava sobre as águas: “Senhor ajuda-me pois estou perecendo”. Esse grito só pode vir de alguém que, mesmo atordoado pelas tribulações da vida, possui essa Lei de Deus inscrita no coração.

É evidente, então, que para não sucumbir nesses momentos difíceis é preciso ter uma vida espiritual forte. Dessa forma, não daremos às costas a Deus, pelo contrário, nos aproximaremos ainda mais dele em cada dificuldade que passarmos. E, no fundo, esse é o intuito de Deus quando permite alguma provação. Ele quer que purifiquemos nossa fé de todas as falsas seguranças que nós todos temos. Essas dificuldades fazem parte da pedagogia divina porque Ele quer que, pouco a pouco, aprendamos a confiar cada vez mais nele e menos em todas as outras coisas nas quais nos agarramos porque nossa fé ainda é pequena.

Vale a pena ter um pequeno “arsenal” de passagens Bíblicas para que nesses momentos possamos rezar e não sucumbir. Nesse sentido alguns salmos podem ajudar bastante porque eles mostram a Deus que em nosso coração está a sua Lei e a Ela queremos ser fiéis.

Alguns exemplos de Salmos:

Sal 119, 11: No meu coração atesourei tua palavra, para não pecar contra ti.

Sal 40, 8: Meu prazer é fazer a tua vontade, meu Deus; tua lei está dentro do meu coração.

Sal 17, 5: Meus passos ficaram firmes pelos teus caminhos. Meus pés não vacilaram.

Sal 25, 3: Certamente nenhum dos que esperam em ti será defraudado…

 

Irmão João Antônio
A12

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Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos

A Transmissão da fé

Quando Jesus Ressuscitado enviou os apóstolos em missão, lhes disse: “Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos” (Mt 28, 19). Está claro, desde o início, que recebem o mandato de transmitir tudo o que haviam vivido e escutado na companhia do Mestre. É por causa desta missão [“vão”] que os apóstolos se organizam. Anunciam o que viram e ouviram: “Porque a Vida se manifestou, nós a vimos, dela damos testemunho, e lhes anunciamos a vida eterna” (1Jo 1,2). Nossa fé, que hoje vivemos, está fundada nos apóstolos, na fidelidade aos ensinamentos de Jesus Cristo e na sua ininterrupta continuidade na história. Passou, em grande parte, o tempo em que as pessoas pelo fato de nascerem num ambiente cristão iam adotando comportamentos e valores a partir do meio religioso: família, escola, comunidades. Este cristianismo herdado e transmitido como herança cultural encontra dificuldades de transmitir a fé, de encantaras novas gerações no seguimento de Jesus Cristo. O anúncio de Jesus Cristo e do seu evangelho, que se dava por suposto, hoje precisa encontrar caminhos novos para que chegue aos corações sedentos de Deus, na nossa geração. “O encontro com o Messias (Jo 1,35-51), no mundo contemporâneo, é possível. Mas precisa ser proposto de maneira a cativar mais as pessoas, para que se possa fazer a experiência impactante da verdadeira adesão a Jesus” (CNBB, Iniciação à vida cristã: itinerário para formar discípulos missionários, Doc. 107, n.54).

Sentimos a necessidade de um caminho para formar discípulos, que chamamos de Iniciação à Vida Cristã. Trata-se do “processo de ser conduzido para dentro do mistério amoroso do Pai e de ser inserido na comunidade eclesial, para professar, celebrar, viver e testemunhar a fé em Jesus Cristo, no Espírito Santo.” (Idem, n. 61). Temos certeza e testemunhamos que todos os que se encontram com Jesus Cristo, tal qual a Samaritana, os apóstolos, Maria Madalena, os discípulos de Emaús e tantos homens e mulheres do nosso tempo, fazem a experiência do amor gratuito de Deus misericordioso, que ilumina o caminho da vida e convida à conversão e à missão. A partir deste anúncio fundamental, do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo, inicia-se um caminho, um processo, que culmina na celebração dos sacramentos da iniciação cristã, com sua inserção na comunidade cristã e o testemunho cristão no mundo. Para os batizados já são adultos, os missionários devemir ao seu encontro e testemunhar a alegria de ter uma comunidade de irmãos e irmãs que juntos vivem e celebram a fé. Muitos, talvez, não se sentem vinculados a Jesus Cristo, como seus discípulos, e à Igreja, por causa de uma catequese que tiveram, unicamente doutrinal.

“Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos” (Mt 28, 19)

Toda a Igreja sente-se envolvida neste novo e desafiador caminho de evangelização. A Iniciação à Vida Cristã é “um eixo unificador, uma bússola que direciona os esforços de toda a Igreja no Brasil, em sua tarefa de renovação pastoral para maior fidelidade à missão que o Senhor nos confiou” (Idem, n. 248).

Nesta missão, os(as) catequistas têm um lugar especial. A catequese se compreende a serviço desta missão de formar discípulos missionários de Jesus Cristo.Os(as) catequistas anunciam, pelo testemunho e pela Palavra de Deus, a alegria de ser cristão. Parabéns a todos(as) catequistas pela passagem de vosso dia!

 

Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta
CNBB

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A missão do pai hoje em dia

Em um de seus momentos de maior aflição, Jesus reza a Deus e o chama de Abbá. Com isso nosso Senhor nos revela uma intimidade profunda entre ele e o Pai que está nos céus. Essa relação de Jesus com seu Pai certamente pode nos revelar algo sobre como os pais humanos estão chamados a se relacionarem com seus filhos, buscando fazer de suas famílias um reflexo da Santíssima Trindade.

Um pai responsável quer sempre o que é melhor para os seus filhos. Nesse sentido, uma das primeiras responsabilidades que o pai tem é a de transmitir o maior tesouro que ele mesmo recebeu um dia: A filiação divina. E recebe-se essa filiação de modo muito concreto no batismo. O Catecismo nos ensina que os pais cristãos precisam reconhecer que a prática de batizar os filhos ainda bebês corresponde “à sua função de alimentar a vida que Deus” lhes confiou. Não fazer isso, pelo motivo que seja, é privar a criança da graça inestimável de tornar-se Filho de Deus.

Talvez possamos dizer que todas as outras responsabilidades paternas derivem dessa e podem ser vistas como uma continuação da mesma. Isso porque talvez possamos resumir a missão paterna em uma intima colaboração com Deus para que o fruto dessa união matrimonial possa chegar a ser uma pessoa plena, santa, um verdadeiro filho de Deus, como Cristo. Essa filiação começa no batismo mas precisa ser cuidada e acrescentada durante toda a vida.

E o pai faz isso em todos os momentos da sua vida. Primeiramente com o próprio testemunho de uma vida cristã, amando de verdade a esposa e os filhos, valorizando o que de verdade importa na vida e não se deixando levar pelas superficialidades que o mundo propõe como importante. Sendo solícito para com todos, participando ativamente da vida da Igreja local, como um discípulo de Jesus. Com esse testemunho em primeira pessoa, os filhos serão naturalmente levados a colocar a própria relação com Deus no centro de suas vidas e poderão, chegado a maturidade, optar livremente pela vida cristã.

Além do testemunho pessoal, os pais precisam se preocupar com a educação dos filhos na fé, para que eles possam, pouco a pouco, ir se aproximando do mistério de Deus com mais consciência. Por isso é importante velar para que os filhos cresçam em um ambiente que favoreça esse contato com o Senhor em casa, na Igreja, na escola, com os amigos, etc. Tudo isso sem se esquecer da única missão de fazer com que o filho vá se tornando cada vez mais como o Filho único, Jesus Cristo.

Claramente não podemos tocar aqui todos os aspectos do que implica na vida de uma pessoa a paternidade. No fundo precisamos sempre ter presentes que a paternidade é uma missão que vai além das forças de qualquer pessoa se a entendemos como essa missão cristã. E por isso é preciso contar com aquela paternidade primeira, a Paternidade de Deus, que ama o pais e filhos de tal forma que os auxilia com sua Graça para que possam chegar a viver um dia a plenitude dessa filiação no Céu. Afinal somos todos, pais, filhos, mães, irmãs, antes de mais nada, filhos queridos de Deus.

 

Irmão João Antônio
A12

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A Vocação e amor na Família

Estimados Diocesanos!

É com alegria e espírito de gratidão que celebramos neste domingo, no Mês Vocacional, o dia dos pais e iniciamos a semana da família. Podemos dizer que o dom da vocação à vida matrimonial, contempla a dimensão do ser pai, do ser mãe e a construção de uma família em nome do amor. Na exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, A Alegria do Amor, Papa Francisco, reflete sobre o amor no matrimônio e na família. Não sobre a palavra “amor”, que é seguidamente mencionada de forma desfigurada, faltando o sentido da presença de Deus, da partilha e do cuidado da vida da pessoa amada.

O amor não exige que o outro seja perfeito para aceitá-lo, mas “possui sempre o sentido de profunda compaixão, que leva a aceitar o outro como parte da minha vida e deste mundo, mesmo quando age de modo diferente daquilo que eu desejaria. Na vida familiar, não pode reinar a lógica do domínio de uns sobre os outros, nem a competição para ver quem é mais poderoso, porque esta lógica acaba com o amor e destrói a serenidade na vida familiar.

Depois do amor que nos une a Deus, o amor conjugal é a “amizade maior”, nos lembra Santo Tomás de Aquino. É uma união que tem todas as características duma boa amizade: busca o bem do outro, reciprocidade, intimidade, ternura e estabilidade. Mas também é capaz de superar os desafios, não tem medo de lutar, renascer, reinventar-se e recomeçar sempre de novo para estar ao lado da pessoa amada. Poucas alegrias humanas são tão profundas e festivas como quando duas pessoas que se amam conquistaram, conjuntamente, algo que lhes custou um grande esforço compartilhado. Percorrer um caminho juntos, mesmo se difícil, pode ser uma oportunidade para se apreciar melhor o que se tem e quem está ao nosso lado. Com os olhos do amor e do coração, podemos ver valores e qualidades, que nunca tínhamos percebido na pessoa que está ao nosso lado caminhando conosco, nos momentos alegres e difíceis da nossa vida.

Neste dia dos pais, manifesto minha gratidão ao meu pai, mas também a Deus, por todos os pais, que com amor e doação consomem a vida para cuidar com dignidade da família que construíram. Que o Senhor vos abençoe e voz proteja.

 

Dom José Gislon
Bispo de Erexim
CNBB

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Terra boa, coração sempre aberto

O objetivo daquele que semeia é que a semente caia em terra boa. Mas, na realidade, ela cai na terra. E, algumas vezes, a terra não está preparada. A semente pode se perder pelo caminho, não produzindo os frutos desejados. Assim como a semente, quando a Palavra de Deus cai em “terra boa”, na terra do nosso coração, aí sim essa Palavra dá fruto.

Jesus Cristo nos lança a sua Palavra. E como é fundamental, nos dias de hoje, podermos ouvir a Palavra de Deus, deixando que ela caia, em nosso coração, como terra boa, para produzir frutos. A terra boa é a terra preparada. E nessa terra, que se coloca adubo, se não der chuva, que se coloque irrigação para molhá-la. E o nosso coração, assim como a terra, tem que estar preparado para receber a Palavra de Deus. Ele precisa ter estas condições: estar aberto, acolhedor, sem nenhum obstáculo para que a Palavra caia, germine, produza os frutos desejados.

Quando você sai de casa, para participar da Eucaristia, sabe que a Missa é num determinado horário. Aí você toma banho, veste roupa, pega e olha o relógio – sabe o tempo que gasta para chegar à igreja. E chega na hora certa na igreja, e lá faz uma oração, alguns vão ao Santíssimo, fazem uma visita ao Cristo Sacramentado, tem um diálogo com Ele. Depois se coloca no momento para a Celebração, cantando, participando, rezando, e ouvindo com atenção à Palavra. Depois da Proclamação da Leitura, você senta para ouvir o comentário, a homilia do sacerdote ou do Arcebispo. Essa preparação que você faz, sempre que vai à Missa, ela é muito importante, porque você está fazendo isso para ir receber a Palavra de Deus.

O coração preparado é o coração aberto para receber a Palavra com alegria, e com o compromisso de, saindo da igreja, colocá-la em prática. Ela é como a chuva que cai. Ela não volta para Deus – escorre produzindo os frutos desejados, sendo realizado aquilo que Deus diz e quer. A chuva vem fecundar a terra, gerar vida, transformar a realidade. A Palavra de Deus que cai na terra do nosso coração, como chuva divina, vem mudar a nossa vida, transformar o nosso ser, moldar a nossa existência, para que tomemos a feição de filhos e filhas do Pai. Isso é maravilhoso! E a Palavra de Deus muda a nossa vida. Ela nos corrige, ela nos exorta, ela nos faz compreender e nos convence do que é bom, do que devemos fazer, ela nos entusiasma, e nos anima, para continuarmos no caminho do Senhor. A Palavra de Deus nos enche de esperança. E nos compromete para o bem, para a verdade, com a justiça e com a paz.

 

Dom Manoel Delson
Arcebispo da Paraíba
CNBB

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