Ouvir os jovens

Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta
No caminho do Sínodo dos Bispos sobre Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, cuja Assembleia Geral Ordinária acontecerá em outubro de 2018, a Igreja é desafiada a crescer na atitude da “escuta”. Primeiro, porque não existe evangelização se faltar a atenta acolhida da vida das pessoas, com seus desafios e perguntas. Neste sentido, a “escuta”, das pessoas e de Deus, é uma condição para que o Evangelho penetre os corações e sacie a sede. Em segundo lugar, porque no processo sinodal, o primeiro passo é escutar o que os jovens têm a dizer. Isto porque o Santo Padre Francisco quer “pedir aos próprios jovens para ajudá-la [a Igreja] a identificar as modalidades hoje mais eficazes para anunciar a boa-nova” (Sínodo dos bispos, Documento Preparatório). A Igreja não se propõe a ensinar, mas acompanhar os jovens a acolher o chamado à alegria do Evangelho. Não se trata, portanto, de uma relação de quem já tem experiência de vida, os adultos, e ensinam quem é inexperiente, os jovens. O Sínodo é dos jovens. Eles são os protagonistas e estão “no coração” e “no centro da atenção” da Igreja. Este é o sentido e a espiritualidade de um “sínodo”: trilhar juntos o caminho.
Como precisamos aprender a escutar! Num mundo hiperconectado, precisamos voltar a aprender a escutar e a dialogar. Sim, pois a escuta é o pressuposto da fé: “Ouve, ò Israel” (Dt 6,4), é o grande preceito bíblico. A escuta atenta da Palavra move, desde o interior, a uma resposta livre e generosa a Deus, a fé. A escuta atenta e crítica da realidade permite-nos, a partir da fé, discernir os sinais de Deus, de vida ou de morte existentes no mundo. A escuta faz-se ainda mais necessária no ambiente familiar. Os pais sabem que a educação é um paciente processo de escuta e diálogo com seus filhos. Isto se torna ainda mais necessário na fase da adolescência e juventude. Quantas vezes ouvimos expressões como: “Ninguém me escuta. Ninguém me entende.” Quem escuta, valoriza, acolhe, demonstra amor e compreensão, mesmo que, no processo, nem sempre se concorde com a posição da outra pessoa. Mas o importante foi que “fui ouvido”. Afinal, foi essa a atitude que Jesus viveu e nos ensinou: o olhar amoroso ao jovem (Mc 10, 21); o caminhar ao lado e ouvir atentamente os dois discípulos de Emaús (Lc 24,13-35); o fazer-se próximo como o Samaritano (Lc 10 25-37); a escuta misericordiosa e sem preconceitos da vida da mulher samaritana (Jo 4,1-41).
O Papa nos pede para escutarmos os jovens. Não somente os jovens presentes em nossos grupos e comunidades, mas também aqueles que estão mais distantes (cf. Documento Preparatório, Questionário). Escutar com humildade e sem preconceitos. Todas as Paróquias e grupos organizados façam chegar o questionário que foi preparado para o Sínodo a todos os jovens. Que todos tenham a possibilidade de manifestar suas preocupações, interrogações, esperanças, alegrias e, até, indignações. Que em nossas comunidades eles tenham espaço e sua palavra seja ouvida. Aproveitemos este momento de graça que é o Sínodo, para aprendermos a escutar os jovens. Afinal, o educador e evangelizador precisam escutar sempre!
Sabendo escutar, será possível acompanhar o caminho dos jovens e fazer com eles um processo de amadurecimento na fé e construção de um projeto de vida. “Acompanhar os jovens exige sair dos próprios esquemas pré-confeccionados, encontrando-os ali onde estão, adequando-se aos seus tempos e aos seus ritmos; significa também levá-los a sério em seu esforço para decifrar a realidade em que vivem e para transformar um anúncio recebido em gestos e palavras, no esforço cotidiano para construir a própria história e na busca mais ou menos consciente de um sentido para as suas vidas” (Documento Preparatório, Cap. III).
 

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Card. Filoni na Guiné Equatorial: na fraqueza confiar no Espírito Santo

Malabo (RV) – “Para Deus não é importante se nossas ações terão resultado, o importante é ter coragem, jamais se cansar de dar testemunho da nossa fé e deixar-nos guiar pela força do Espírito Santo.”

Foi o que disse o prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, Cardeal Fernando Filoni, esta quarta-feira (24/05) em Ebebiyn, na Guiné Equatorial – país da costa ocidental da África –, durante a missa com a tomada de posse do novo bispo da diocese, Dom Miguel Nguem Bee.

O prelado de 47 anos, que até sua nomeação episcopal era superior provincial dos salesianos, foi ordenado bispo pelo próprio Cardeal Filoni sábado passado, dia 20. “O Santo Padre o escolheu porque, embora jovem, é uma pessoa com válida experiência de vida sacerdotal e de preparação humana e espiritual”, disse o purpurado.

Crer sempre na ação da graça

Os votos do prefeito de Propaganda Fide a Dom Miguel foram o de “crer” na ação da graça, de não desencorajar-se e, como São Paulo, fortalecido pelo encontro com Cristo, colocar n’Ele toda a confiança.

“Geralmente não se veem logo os resultados, então é preciso dar tempo para o crescimento deles. Muitas vezes somos tentados pela necessidade de ver resultados das nossas obras, a ponto de alguém perguntar se vale a pena fazer algo quando não temos a certeza de obter retorno”, enfatizou o Cardeal Filoni.

A força da Igreja vem do Alto

“A força da Igreja, a força do catolicismo na Guiné Equatorial e na Diocese de Ebebiyn é a força que vem do Alto. Esta força é mais forte do que nossas possibilidades, é capaz de transformar nossos esforços – que parecem pouco promissores – num rio de graça”, prosseguiu

O purpurado indicou como modelo o anúncio do Evangelho feito pelos santos apóstolos Pedro e Paulo: “Tudo foi obra do Espírito Santo que agia neles e através deles. Tenham a coragem de deixar-se guiar pela potência e pelos dons do Espírito!”

Olhar para Maria Auxiliadora quando nos sentimos fracos

Dirigindo-se ao novo bispo de Ebebiyn, o prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos indicou a Virgem Maria, no dia da festa de Nossa Senhora Auxiliadora, como mãe sempre solícita a escutar e oferecer “seu auxílio materno, em particular, quando temos momentos de desencorajamento ou de medo, quando nos sentimos fracos diante dos desafios que parecem maiores do que nossas possibilidades.” (RL/PO)

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Jovens ao Papa: se poderosos da terra não se comovem, o que será de nós?

Roma – “Se os sete homens mais poderosos da terra não se comovem diante de uma criança que atravessa o mar para fugir de morte segura… o que será deste mundo? O que será de nós?”

É o que escrevem numa carta ao Papa Francisco 22 adolescentes (garotos e garotas) da Itália, Gâmbia, Nigéria, Costa do Marfim, Albânia e Paquistão que se reuniram para o encontro de cúpula Unicef Junior 7, que todos os anos reúne as vozes dos adolescentes dos países do G-7 para discutir os temas da agenda do encontro de cúpula do G-7 e prepara uma mensagem conjunta para os chefes de Estado.

Fuga de guerras, da fome e da pobreza

“Vivemos numa época bastante difícil, há tantos seres humanos, tantas crianças, em fuga de guerras, da fome e da pobreza. Nossos mares que deveriam unir, muitas vezes dividem, quem está melhor quer estar melhor ainda e quem está pior, ao invés, estende a mão para nós e nós, comumente, a deixamos escorregar para o fundo do mar”, escrevem.

Os adolescentes pedem aos grandes do planeta que “invistam na educação e conhecimento para dar a todos a possibilidade de viver da melhor forma possível este extraordinário dom que é a vida”.

Todos devem ter direitos humanos assegurados

“Queremos apertar com força a sua mão – dirigem-se ao Papa – e gritar juntos que todos devem ter seus direitos humanos garantidos, direitos que são universais e sem distinção de raça ou religião.”

“Estar juntos nas diversidades é uma necessidade universal, é o décimo primeiro ‘mandamento’ do futuro, que nos comprometemos a subscrever hoje, cada um com suas diversidades, a própria religião, seus estilos de vida, mas sempre no respeito recíproco”, ressaltam.

O 43º encontro de cúpula do G-7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo) vai se realizar nos dias 26 e 27 deste mês de maio em Taormina, na Sicília, sul da Itália. (RL)

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Missionária leiga em Moçambique

Amigas e amigos,
Estimados padres, leigas e leigos, o desejo de uma Igreja em Saída é que nos une.
Me chamo Victória Holzbach e sou leiga missionária, enviada pela Arquidiocese de Passo Fundo e pelo Regional Sul 3 para Moma, no norte de Moçambique. Sou natural de Passo Fundo e desde criança participo da comunidade da paróquia Catedral Nossa Senhora Aparecida. Os grupos de jovens, o Setor Juventude e a experiência como jornalista da Arquidiocese despertaram ainda mais em mim este desejo missionário. Com 25 anos cheguei a África, em setembro de 2016 e hoje já são 8 meses de missão.
Acredito que um mundo muito melhor se constroi quando somos capazes de compreender com compaixão e empatia a cultura, a religião, os costumes, as opções e os contextos sociais, políticos e históricos de um povo.
A Igreja Católica do Rio Grande do Sul mantem há 24 anos este projeto de apoio à Arquidiocese de Nampula, em Moçambique. A pequena vila de Moma, no litoral leste da África, é nossa casa, centro da missão, que acolhe a equipe missionária composta por mim e pelos padres Domingos Rodrigues (Diocese de Bagé), Atílio Zatycko (Diocese de Cachoeira do Sul) e Luiz Alves (Diocese de Itabuna – BA).
Daqui, nos deslocamos para mais de 150 comunidades nas duas paróquias que atendemos. Algumas destas comunidades se distanciam até 110km de nossa casa, em estradas precárias cortadas por rios e matos. Ainda há aquelas comunidades em que só é possível chegar com Bicicleta ou passo a passo. Mas estes caminhos desafiadores também complementam a nossa alegria na missão.
Aqui, o nosso projeto missionário também se preocupa em ir além do atendimento religioso e sacramental. Atentos à realidade social do povo local, desenvolvemos alguns projetos sociais na Vila de Moma, como uma Biblioteca Comunitária (foto ao lado), uma Associação de Fotocopiadoras, um projeto de alfabetização e reforço escolar para crianças e adultos, acompanhamento nutricional para recém-nascidos e produção e distribuição de remédios naturais.
Nossos dias têm tudo, menos rotina. Muitas vezes fazemos planos para o dia seguinte, que são alterados por inúmeros motivos. Ou falta energia, ou o carro estraga, ou surge alguém que precisa de ajuda, ou chove muito e bloqueia a estrada.
Sempre acreditei muito mais no coração das pessoas do que naquilo que aparentam ser. Por isso a simplicidade daqui me encanta. É um país pobre, com pessoas pobres, em sua maioria camponeses. Nossas “roupas de andar em casa” aí são “roupas de ir na missa” por aqui.
São todos muito humildes e desprovidos até do básico para viver, o que faz com que qualquer coisa pequena seja sinal de alegria. Isso torna a vida muito mais simples, porque nos faz perceber o que é realmente essencial..
Para as crianças, em casa há pouco para fazer. Não há caixa de brinquedos, carrinhos, bonecas, videogames, televisão ou tecnologias. Brinquedo é aquilo que se acha na rua, se (re)constrói, se (re)cria. As crianças que vão à escola são poucas e as motivações para irem menores ainda.
As alegrias, desafios e esperanças da missão nos movem e nos fazem seguir caminhando. Neste caminho, esperamos não estar sozinhos. Contamos sempre com as orações daqueles que fogem de uma Igreja tranquila e sonham e lutam por uma Igreja missionária, que arrisca se acidentar para ir ao encontro de suas ovelhas.
Esta construção acontece também através de gestos concretos pela missão, expressos, entre outras formas, na Coleta de Pentecostes. O Espírito Santo que nos fortalece e nos anima, também nos impele  a oferecer aquilo que temos no dia 04 de junho, através das coletas de nossas paróquias e comunidades. Em nosso Estado, os valores ofertados neste dia pelos católicos nas celebrações são destinados integralmente para a ação missionária do Regional Sul 3 da CNBB. Dentro desta ação, está o projeto Igreja Solidárias, que envia os missionários e mantem os projetos da missão aqui em Moçambique.
Contamos com a sua sensibilidade e colaboração porque partilhamos da crença de que uma Igreja Missionária é verdadeira testemunha da misericórdia e do amor.
O melhor lugar do mundo é onde somos capazes de ser amantes e amados. Ousemos sempre amar.
Seguimos juntos, em ação missionária pela vida e pelo novo mundo que acreditamos.
 
 
Em sintonia,
Victória Holzbach

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Filipinas: terroristas fazem reféns e incendeiam catedral, prisão e escolas

Manila (RV) – Terroristas do grupo islâmico “Maute” – ligado ao autoproclamado Estado Islâmico – “atacaram a Catedral Católica de Marawi City, sequestrando 15 pessoas entre fiéis, um sacerdote e religiosas que estavam rezando na igreja”, informou à Agência Fides o Bispo Edwin De la Pena, responsável pela Prelazia de Marawi City, cidade na Ilha de Mindanao, sul das Filipinas.

“Hoje é a Festa de Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos. Os fiéis estavam na igreja para rezar a Maria no último dia da novena. Os terroristas entraram na igreja, fizeram alguns reféns e os levaram para uma localidade desconhecida. Entraram na residência do Bispo e sequestraram o Vigário Geral, Pe. Teresito Soganub. Depois colocaram fogo na Catedral e na sede do episcopado. Tudo está destruído. Estamos consternados”, relatou o prelado à Ag. Fides.

O bispo salvou-se por estar em visita pastoral à paróquia de um povoado distante de Marawi.

Abrir canais de negociação

“Os terroristas ocuparam a cidade. As pessoas estão aterrorizadas fechadas em casa. Agora se espera a reação do exército. Por agora, se pensa em retomar a cidade com o menor derramamento de sangue possível. Dos reféns não se sabe nada. Ativamos nossos canais, a Igreja, os líderes islâmicos, e esperamos poder em breve abrir canais de negociação para que sejam todos libertados sãos e salvos”, afirmou Dom Edwin, recordando que nos meses passados a Igreja havia recebido ameaças.

Apelo ao Papa

Isto “ocorreu justamente na véspera da Festa de Maria: pedimos ajuda a ela, que é o auxílio dos cristãos. Pedimos a salvação dos nossos fiéis. Somente ela pode vir em nosso socorro. Dirigimos um apelo também ao Papa Francisco para que reze por nós e possa pedir aos terroristas para libertar os reféns, em nome de nossa comum humanidade. Violência e ódio trazem somente destruição: peçamos aos fiéis em todo o mundo para rezarem junto conosco pela paz”.

Diante da invasão da cidade pelos militantes, o Presidente Duterte interrompeu sua viagem a Moscou, retornando às pressas ao país.

O grupo terrorista se entrincheirou em Marawi, incendiando também a prisão e duas escolas. O Exército cercou a cidade.

O Prefeito pediu às Forças Armadas para não bombardearem a cidade onde vivem cerca de 200 mil civis, a maioria muçulmanos.

(Fides/je)

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Papa recebe Trump e lhe dá de presente Encíclica Laudato sì

Cidade do Vaticano (RV) – Com um aperto de mão e um sorriso de ambos, começou na manhã desta quarta-feira (24/05) no Vaticano o primeiro encontro entre o Papa Francisco e o Presidente dos EUA, Donald Trump.

Atravessando uma cidade blindada desde sua chegada, na noite de terça-feira (23/05), Trump deixou a Villa Taverna, residência do embaixador dos Estados Unidos onde estava alojada sua delegação, e chegou ao Pátio de São Dâmaso às 08:20 (03:20 em Brasília), sob fortes medidas de segurança e uma comitiva presidencial de dezenas de automóveis.

O Presidente entrou no Estado do Vaticano através da porta do Perugino, depois de seguir pela Via da Conciliação sob os olhos de centenas de passantes e fiéis que estavam a caminho da Praça São Pedro, para participar da audiência geral.

Trump estava acompanhado de sua esposa, Melania, a filha mais velha, Ivanka, o genro, Jared Kushner, e uma delegação de cerca de 20 pessoas, 12 das quais entraram no Palácio e estiveram com o Papa.

A audiência particular, a portas fechadas, na biblioteca privada, começou às 8h33 (3h33 em Brasília) e durou 27 minutos. Foi possível ouvir Trump referir que esta era uma ‘grande honra’.

Durante a audiência, esposa e filha do Presidente dos EUA visitaram a Capela Paulina e a Sala Regia, e depois aguardaram conversando com a delegação e representantes do Vaticano em uma sala adjacente.

Em seguida, a comitiva foi chamada para o momento da troca de presentes e os habituais cumprimentos diante dos fotógrafos.

O Papa ofereceu a Donald Trump as edições em inglês da mensagem para o Dia Mundial da Paz 2017 – dedicada à não-violência -, assinada especialmente para o Presidente dos EUA; das exortações “A Alegria do Evangelho” e “A Alegria do Amor”, sobre a família; bem como do documento sobre o cuidado da casa comum, a carta encíclica “Laudato sí”, que abrange a questão ecológica.

Como é tradição em audiências a Chefes de Estado, Francisco ofereceu também um medalhão do seu Pontificado com dois ramos de oliveira entrelaçados, símbolo da paz que se sobrepõe à guerra, explicando detalhadamente o seu significado.

Por sua vez, o líder estadunidense presenteou o Papa com uma coletânea dos cinco livros escritos por Martin Luther King e uma peça do monumento de granito que honra o ativista afro-americano em Washington e uma escultura de bronze. Um dos livros, “The Strength to Love” (“A Força do Amor”, 1963), traz a assinatura de Luther King.

De acordo com nota da Casa Branca, a peça do monumento em granito é uma “homenagem à esperança, visão e inspiração do ativista para as gerações vindouras”. Com a peça e os livros, Trump também entregou uma cópia do discurso que o Papa ofereceu a uma sessão do Congresso dos EUA em setembro de 2015, na qual foi celebrado o legado de Luther King.

Já a escultura de bronze foi feita à mão por um artista estadunidense não-identificado e representa “a esperança de um amanhã pacífico”, pois evoca dois valores universais: a unidade e a resistência, ainda segundo a Casa Branca.

Antes das fotografias, Francisco cumprimentou com cordialidade Melania Trump, a quem perguntou “se já haviam comido uma pizza” e abençoou um terço que a esposa do Presidente tinha nas mãos. Também a filha, Ivanka, disse algumas palavras ao Papa, que a ouviu em silêncio.

Depois de se despedirem do Pontífice, Trump e sua delegação, incluindo o Secretário de Estado, Rex W. Tillerson, e o conselheiro de Segurança Nacional, H. R. McMaster, se reuniram com o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, acompanhado por Dom Paul Gallagher, secretário do Vaticano para as relações com os Estados.

Segundo a programação, o Presidente e toda a delegação visitou a Capela Sistina e a Basílica de São Pedro; e na sequência, a primeira-dama foi até o Hospital Pediátrico do Menino Jesus, propriedade da Santa Sé, enquanto a filha, Ivanka, seguiu para a Comunidade de Santo Egídio, no bairro de Trastevere.

(CM)

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Audiência: Jesus nos oferece a “terapia da esperança”

Cidade do Vaticano (RV) – A terapia da esperança: foi o que propôs o Papa Francisco aos cerca de 20 mil fiéis reunidos na Praça S. Pedro na Audiência Geral da quarta-feira (24/05).

Em sua catequese, o Pontífice comentou a experiência dos dois discípulos de Emaús, de que fala o Evangelho de Lucas. Dois homens caminhavam desiludidos após a morte de Jesus. Caminhavam tristes, porque viram morrer as esperanças que tinham depositado em Jesus, sendo a cruz erguida no Calvário o sinal mais eloquente da derrota que não tinham previsto.

O encontro de Jesus com os dois discípulos parece casual. Caminham pensativos e um desconhecido se aproxima: é Cristo, que então começa a sua “terapia da esperança”. “Quem a faz? Jesus. Antes de tudo, pergunta e escuta, pois o nosso Deus não é um Deus intrometido”, disse o Papa.

Mesmo conhecendo o motivo da desilusão, deixa que falem de sua amargura. O resultado é uma confissão que mais se parece com um refrão da existência humana: «Nós esperávamos, mas…»

“Quantas tristezas, quantas derrotas, quantas falências existem na vida de cada pessoa! No fundo, somos todos um pouco como esses dois discípulos. Quantas vezes nos encontramos a um passo da felicidade e ficamos desiludidos. Mas Jesus caminha com todas as pessoas cabisbaixas. E caminhando com elas, de forma discreta, lhes restitui a esperança.”

A verdadeira esperança passa através de derrotas. Nos Livros Sagrados, não se encontram histórias de heroísmo fácil, nem campanhas fulminantes de conquista. Deus não gosta de ser amado como um General que leva o seu povo à vitória, aniquilando os adversários. A presença do Senhor lembra uma chama frágil que arde num dia de frio e vento; e, para aparecer ainda mais frágil esta sua presença neste mundo, foi esconder-Se num lugar que todos desdenham.

Com os dois discípulos, Jesus repete o gesto fulcral da Eucaristia: tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, o entregou. Neste gesto está também o significado de como deve ser a Igreja: o destino de cada um de nós. Jesus nos toma, pronuncia a bênção, e espedaça a nossa vida – porque não há amor sem sacrifício – e a oferece aos outros, a todos.

O encontro de Jesus com os dois discípulos é rápido. Mas nele está todo o destino da Igreja. Nos fala que a comunidade cristã não está fechada numa cidadela fortificada, mas caminha no seu ambiente mais vital, isto é, na rua. E ali encontra as pessoas, com suas esperanças e suas desilusões. A Igreja oferece escuta a todos, para depois oferecer a Palavra de vida. E então o coração das pessoas volta a arder de esperança.

“Todos na nossa vida tivemos momentos difíceis, momentos em que caminhávamos tristes, desiludidos, sem horizonte, somente com um muro diante de nós. Jesus sempre está do nosso lado, para nos dar esperança,. Para nos aquecer o coração. Ele nos diz: vai avante, estou com você, prossiga.”

O segredo do caminho que conduz a Emaús está aqui: apesar das aparências contrárias, nós continuamos a ser amados por Deus; Ele jamais deixará de nos querer bem.

“Deus caminhará conosco sempre, sempre, mesmo nos momentos mais dolorosos, nos momentos mais duros, de derrota. Ali está o Senhor. E esta é a nossa esperança, prossigamos com esta esperança, porque Ele está do nosso lado caminhando conosco, sempre!”

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Cepal e Unicef pedem proteção à infância na América Latina

Santiago (RV) – A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fizeram nesta segunda-feira (22) um chamado a reforçar os sistemas de proteção social da infância nos países da América Latina devido à sua vulnerabilidade perante os desastres naturais. As informações são da agência EFE.

“Os meninos e as meninas da América Latina e o Caribe, particularmente os que vivem em contextos de pobreza, são altamente vulneráveis aos desastres e experimentam os seus efeitos de forma desproporcionada e crescente”, disseram a Cepal e o Unicef em uma nota conjunta.

Desastres na América Latina e no Caribe

“A frequência de desastres na América Latina e no Caribe aumentou 3,6 vezes em meio século. Na década de 1960 houve, em média, 19 desastres por ano e na primeira década do século XXI essa média aumentou para 68 fenômenos anuais”, disseram os dois órgãos das Nações Unidas. A maior parte dos desastres na região está relacionada a fenômenos meteorológicos e hidrológicos, como furacões, tempestades, inundações e secas.

A catástrofe com maior número de mortos na região, no entanto, foi o terremoto do Haiti, em 2010, que deixou mais de 222 mil mortos, destaca a publicação. Garantir níveis básicos de investimento e acesso a serviços como saúde, educação e moradia, entre outros, fortalece a prevenção e a capacidade de resposta e reduz a vulnerabilidade aos desastres, diz o documento.

A proteção social

“A proteção social constitui uma política pública fundamental para fazer frente aos desastres antes, durante e após sua ocorrência”, destacaram a Cepal e Unicef. Para os organismos é crucial aumentar a coordenação entre instituições para atender os pontos vulneráveis das crianças e adolescentes perante os desastres, bem como promover a inclusão das experiências dos menores na elaboração de políticas sobre o tema. (SP-EFE)

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Combonianos celebram 150 anos de missão na África

Roma (RV) – Os missionários Combonianos festejam 150 anos de atividades e missão na África, organizando um simpósio que terá início, na próxima quinta-feira (25/05) até 1º de junho, em Roma, na Casa Geral.

Segundo informações da Agência Sir, o evento faz parte de um programa de celebrações que envolvem todas as circunscrições dos Combonianos no mundo. O objetivo é “requalificar o serviço missionário em resposta aos desafios do mundo atual e renovar a vocação ‘em saída’”.

A missão precisa ser repensada para atualizar a intuição de Daniel Comboni que, em 1867, em Verona, fundou o Instituto para as Missões Africanas.

Na sexta-feira, 26 de maio, o Pe. Fidel Gonzalez, falará sobre a história do instituto. No sábado, 27, o Pe. Diego Farés abordará o tema da visão missionária do Papa Francisco.

No domingo, 28, os participantes visitarão os lugares combonianos, em Roma, e participarão do Angelus na Praça São Pedro.

Na segunda-feira, 29, Pe. Teresino Serra falará sobre o instituto e da nova mensagem de Deus para a Igreja missionária. No dia seguinte, Pe. Enrique Sanchez fará uma palestra sobre os desafios futuros do instituto.

Em 10 de junho de 1867, em Verona, sob a pressão de Propaganda Fide que exigia garantias para o futuro da missão na África Central, Daniel Comboni fundou o Instituto para as Missões Africanas. A sua finalidade era a evangelização da África.

Em 1872, o Comboni funda, em Verona, o Instituto das Pias Madres da Negritude. Morre em Cartum, em 10 de outubro de 1881, aos 50 anos, sem consolidar as instituições que se desenvolveram no âmbito internacional.

(MJ)

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Consistório: nomeação surpreende Arcebispo de Bamako

Bamako (RV) – “Positivamente surpreso”: esta foi a reação do Arcebispo de Bamako, no Mali, Dom Jean Zerbo ao tomar conhecimento de sua nomeação para Cardeal.

O anúncio foi feito pelo Papa Francisco no Regina Caeli de domingo, 21 de maio. “Dom Zerbo não esperava de fato a nomeação”, afirmou à Agência Fides o Secretário Geral da Conferência Episcopal do Mali, Pe. Edmond Dembele.

Segundo ele, “a notícia foi muito bem acolhida no país. O Presidente Ibrahim Boubacar Keïta dirigiu uma mensagem de saudação ao Arcebispo, expressando sua gratidão ao Papa Francisco. Os bispos malianos estão felizes, assim como os fiéis católicos. A comunidade de Bamako expressou sua alegria com cantos e aplausos”.

O sacerdote acrescentou que os malianos viram esta nomeação de Dom Zerbo como uma mensagem do Papa Francisco dirigida em primeiro lugar à Igreja local, para que continue a missão iniciada tempo atrás e, sobretudo, para perseverar nos esforços de reconciliar o país. “Mas também é um apelo lançado a todo o Mali para sair da crise iniciada em 2012 e caminhar na estrada da reconciliação e da paz.”

Crise

Na crise de 2012, o norte do país foi conquistado vários grupos jihadistas. A intervenção francesa, numa missão da ONU, permitiu a libertação das áreas ocupadas, mas como disse Pe. Dembele, “o Mali deve agora enfrentar um conflito assimétrico, com ataques de grupos armados contra as localidades do norte e do centro do país, que causaram forte insegurança”.

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Pesar do Papa pelas vítimas de Manchester: ataque bárbaro

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco manifestou seu pesar pelas vítimas do atentado perpetrado por um camicase, nesta segunda-feira (22/05), em Manchester, Inglaterra, onde 22 pessoas morreram, incluindo crianças e adolescentes, e 59 ficaram feridas.

O atentado ocorreu no final do show da cantora teenager estadunidense Ariana Grande que faz muito sucesso entre crianças e adolescentes.

Telegrama do Papa

“Uma ataque bárbaro. Um ato de violência sem sentido”, afirma o Papa Francisco no telegrama assinado pelo Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin.

O Pontífice manifesta seu pesar pelo atentado que causou a “trágica perda de vidas”. Elogia os “esforços generosos dos socorristas e agentes de segurança, e oferece suas orações pelos feridos e por todos os que morreram”.

O Santo Padre recorda de forma particular “as crianças e os jovens que perderam a vida e suas famílias”, e pede a Deus para que conceda paz e força a toda a nação.

Arcebispo de Westminster

Mensagens de solidariedade e oração chegaram também de vários outros líderes religiosos do mundo. O Arcebispo de Westminster, Cardeal Vincent Nichols, Presidente da Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales, escreveu uma carta ao Bispo da Diocese de Salford, Dom John Arnold, a qual pertence a cidade de Manchester.

“Foi com grande pesar que ouvi da imprensa as notícias sobre a atrocidade vivida na noite passada em Manchester. Que Deus conceda força e fé a todos aqueles que perderam seus familiares, aos feridos e pessoas que ficaram traumatizadas. Que Deus acolha em sua misericórdia todos os que morreram, converta os corações daqueles que cometem o mal e faça com que entendam o seu desejo e suas intenções para a humanidade.”

“Choramos a perda de tantas vidas humanas e rezamos pelo descanso eterno de todas as vítimas”, concluiu o Cardeal Nichols.

O Estado Islâmico reivindicou nesta terça-feira a autoria do ataque suicida. A polícia britânica deteve um jovem de 23 anos por suspeita de conexão com o atentado.

Arcebispo de Armagh

O Arcebispo de Armagh, Dom Eamon Martin, Primaz da Irlanda, enviou uma mensagem para expressar a solidariedade do episcopado na oração e de todos os irlandeses à cidade de Manchester. “Este ataque terrível nos desafia a nos comprometer na construção da paz, da solidariedade e da esperança em todo lugar”, afirma na nota.

Arcebispo de Mumbai

O Presidente da Federação das Conferências Episcopais Asiáticas, Cardeal Oswald Gracias, Arcebispo de Mumbai, na Índia, manifestou pesar em nome da Igreja na Ásia: “O nosso coração sofre com as famílias e pedimos a Deus para que as console.”

O purpurado renova “a oração pela paz a Nossa Senhora de Fátima a fim de que a paz possa nascer de nossos corações, na luta entre o bem e o mal”.

“Rezemos com mais fervor pela paz em nosso mundo. Rezemos também para que através da intercessão de Nossa Senhora de Fátima Deus possa tocar os corações dos autores dessa violência, que possa ter fim a destruição e a violência. Nunca devemos perder a nossa esperança pela paz. O mal não vencerá jamais. A paz é a única resposta. A paz que é dom de Deus”, concluiu o Gracias.

Bispo anglicano de Manchester

O bispo anglicano de Manchester, David Walker, condenou o atentado num comunicado divulgado esta manhã. “Um dia para chorar os mortos, rezar com suas famílias e feridos, e reiterar a nossa determinação a fim de que não sejamos derrotados por aqueles que matam e destroem.”

Segundo a Agência Sir, o bispo fez um apelo inter-religioso “a todas as Igrejas da cidade para que encontrem tempo e espaço para quem deseja um momento de oração”.

“Como outras grandes cidades, Manchester é um alvo claro para os terroristas”, disse ele, “mas o que torna este último atentado particularmente horrível é a escolha deliberada de um concerto em que estariam presentes muitos jovens fãs”.

O bispo Walker recordou também as “muitas vidas que foram ceifadas para sempre por essa tragédia” e disse que “a raiva que se sente diante desses fatos trágicos deve ser transformada em força para o bem”.

(MJ)

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Presidente coreano pede ajuda ao Papa para a reconciliação na península

Seul (RV) – O Presidente sul-coreano Moon Jae, pediu ajuda ao Papa Francisco na mediação da crise entre as duas Coreias.

Segundo a Agência Yonhap o Presidente da Conferência Episcopal Coreana, Dom Kim Hee Joong, está no Vaticano com o objetivo de entregar ao Pontífice uma carta de Moon sobre o tema, pedindo a ele “para rezar pela paz e a reconciliação” na península coreana.

O pedido é inspirado no papel desempenhado pelo Papa na normalização das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos em 2014.

A este respeito, a Secretaria da Presidência de Seul precisou que a Coréia do Sul pediu ao Papa Francisco ajuda para restabelecer a paz e a reconciliação na península coreana e não para mediar um encontro de cúpula entre as Coreias, como chegou a ser anunciado por algumas agências.

“É previsto que o Arcebispo Kim entregue uma carta pessoal do Presidente ao Papa”, afirmou o porta-voz Park Soo-hyun em um comunicado.

“De qualquer forma, a carta não contém o pedido ao Papa para ajudar a mediação de um vértice entre Norte e Sul”. Neste sentido, devido aos repetidos testes com mísseis por parte de Pyongyang, não existe condições para um encontro de cúpulas entre as duas Coréias, precisou o porta-voz.

(JE/Ansa)

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Inep promove debate sobre Anísio Teixeira

Como parte de uma série de encontros programados até o fim deste semestre em comemoração aos seus 80 anos de fundação, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) realiza nesta terça-feira, 23, um debate sobre o educador Anísio Teixeira (1900 – 1971). Ele é considerado o “inventor” da escola pública no Brasil. Entre os convidados expositores estão os professores Clarice Nunes, da Universidade Federal Fluminense (UFF); Libânia Xavier, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e João Augusto Rocha, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
“É sempre importante promover a reflexão em torno de entidades governamentais, como o Inep, e personalidades essenciais à educação brasileira, a exemplo de Anísio Teixeira, para a construção de uma escola mais aberta, plural e democrática”, lembra Libânia Xavier. Autora do livro O Brasil como Laboratório: Educação e Ciências no Projeto do Centro Brasileiro de Pesquisa Educacional – CBPE/INEP/MEC (1950-1960), ela destaca o Brasil como “um país diversificado social e culturalmente”.
Democracia – A professora Clarice Nunes, em seu artigo “Um mestre pela escola pública”, afirma que o legado de Anísio Teixeira encarna “o que o país tem de melhor na tradição pedagógica, por sua admirável persistência na defesa da democracia”. Ela ressalta que “a meta era e ainda é a maioridade do povo brasileiro, não só pela valorização da cultura popular, mas também pela sua transformação em instrumento efetivo de construção da sua autonomia.”
Para João Augusto Rocha, organizador da obra Anísio em Movimento, Anísio Teixeira está cada vez mais atual. “Anísio chama nossa atenção para [o fato de] que não existe democracia sem escola pública de qualidade para todos”, resume. Entre as obras do educador, ele destaca Educação não é Privilégio, lançada em 1957: “É considerada a principal referência para a contínua luta que travamos pela escola pública universal, gratuita e laica”.
Fonte: MEC
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Papa Francisco: “estava sempre no gol, porque era perna de pau”

Cidade do Vaticano (RV) – Futebol, vocação, máfia e respeito: estes foram alguns dos temas do encontro do Papa Francisco com os paroquianos da paróquia de São Pedro Damião de Acilia, município ao sul de Roma. Na tarde de domingo, o Pontífice deixou o Vaticano para visitar a 15ª paróquia na periferia da capital italiana.

Na programação do Papa, constava a celebração da missa, o encontro com as crianças e os jovens, com os assistidos pela Caritas local e com os membros do caminho neocatecumenal.

Perna de pau

Com as crianças, Francisco recordou os tempos em que jogava futebol, mas era escalado sempre para ficar no gol, pois era «pata dura» (perna de pau).

Depois, lembrou as travessias com os irmãos, de se jogar com o guarda-chuva do balcão para brincar de paraquedas. “Meu irmão está vivo por milagre”, afirmou. E falou de sua vocação, quando aos 16 anos sentiu de modo fulminante o chamado para se tornar sacerdote. Por fim, evocou o respeito por todos, mãe, pai, avós, “que fazem tantos sacrifícios”, respeito pelos bons e malvados, inclusive pelos mafiosos.

Aos neocatecúmenos, Francisco afirmou que a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração.

Depois de confessar quatro paroquianos, o Pontífice abraçou doentes, idosos e pais de crianças batizadas e celebrou a missa, como fizeram Paulo VI em 1972 e João Paulo II em 1988.

Linguagem da doçura

Em sua homilia improvisada, o Papa falou que a linguagem do cristão é uma linguagem de doçura e respeito.

“E isso pode nos ajudar a pensar em como é o nosso comportamento de cristãos: é um comportamento de doçura ou de ira? Ou amargo? É feio ver pessoas que se dizem cristãs mas são cheias de amarguras.”

E contou que, uma vez, um pároco lhe disse que alguns dos paroquianos podiam comungar da porta da Igreja, de tão comprida a língua. Alguns de vocês podem me dizer: ‘mas, padre, sempre o mesmo assunto!’. Mas é a verdade, isso nos destrói. Desculpem se insisto, mas creio que este seja o inimigo que destrói as nossas comunidades: a fofoca”.

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Papa: converter-se é passar de um estilo de vida morno ao anúncio alegre de Jesus

Cidade do Vaticano (RV) – Muitas pessoas consagradas foram perseguidas por terem denunciado atitudes de mundanidade: o espírito mau prefere uma Igreja sem risco e morna. Foi o que disse o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta.

Em sua homilia, o Pontífice comentou o capítulo 16 dos Atos dos Apóstolos, que narra Paulo e Silas em Filipos. Uma escrava que tinha um espírito de adivinhação começou a segui-los e, gritando, os indicou como “servos de Deus”. Era um louvor, mas Paulo, sabendo que esta mulher estava possuída por um espírito maligno, um dia o expulsou. Paulo – notou o Papa – entendeu que “aquele não era o caminho da conversão daquela cidade, porque tudo permanecia tranquilo”. Todos aceitavam a doutrina, mas não havia conversões.

Muitos consagrados perseguidos por terem dito a verdade

Isto se repete na história da salvação: quando o povo de Deus estava tranquilo, não arriscava ou servia – não “digo aos ídolos” – mas “à mundanidade”, explica Francisco. Então o Senhor enviava os profetas que eram perseguidos “porque incomodavam”, como ocorreu com Paulo: ele entendeu o engano e mandou embora esse espírito que, apesar de dizer a verdade – isto é, que ele e Silas eram homens de Deus – no entanto, era “um espírito de torpor, que tornava a igreja morna”. “Na Igreja – afirma – quando alguém denuncia tantos modos de mundanidade é encarado com olhos tortos, não deve ser assim, melhor que se distancie”:

“Eu lembro na minha terra, tantos, tantos homens e mulheres, consagrados bons, não ideólogos, mas que diziam: ‘Não, a Igreja de Jesus…’ – ‘Ele é comunista, fora!’, e os expulsavam, os perseguiam. Pensemos no beato Romero, não?, o que aconteceu por dizer a verdade. E muitos, muitos na história da Igreja, também aqui na Europa. Por quê? Porque o espírito maligno prefere uma Igreja tranquila sem riscos, uma Igreja dos negócios, uma Igreja cômoda, na comodidade do torpor, morna”.

No capítulo 16, se fala ainda dos patrões dessa escrava, que ficaram bravos com ela porque não podiam mais ganhar dinheiro às suas custas por ter perdido o poder de adivinhação. O Papa destacou que “o espírito maligno sempre entra pelo bolso”. “Quando a Igreja está morna, tranquila, toda organizada, não existem problemas, mas olhem onde há negócios”, afirmou Francisco.

Mas além do dinheiro, há outra palavra ressaltado pelo Pontífice, que é a “alegria”. Paulo e Silas são arrastados pelos patrões da escrava diante dos juízes, que ordenaram que fossem açoitados e levados à prisão. O carcereiro os leva para a parte mais escondida da prisão. Paulo e Silas cantavam. Por volta da meia-noite, há um forte tremor de terremoto e todas as portas da prisão se abrem. O carcereiro está para se matar antes que fosse assassinado por ter deixado os prisioneiros escaparem, mas Paulo o exorta a não se machucar, porque – disse – “estamos todos aqui”. Então o carcereiro pede explicações e se converte. Lava as feridas deles, é batizado e fica cheio de alegria”:

“E este é o caminho da nossa conversão diária: passar de um estado de vida mundano, tranquilo, sem riscos, católico, sim, sim, mas assim, morno, a um estado de vida de verdadeiro anúncio de Jesus Cristo, à alegria do anúncio de Cristo. Passar de uma religiosidade que olha demasiado para os lucros para uma religiosidade de fé e de proclamação: ‘Jesus é o Senhor’”.

Este é o milagre que o Espírito Santo faz. O Papa exortou então a ler o capítulo 16 dos Atos para ver como o Senhor “com os seus mártires” leva a Igreja para frente:

“Uma Igreja sem mártires não dá nenhuma confiança; uma Igreja que não se arrisca provoca desconfiança; uma Igreja que tem medo de anunciar Jesus Cristo e afugentar os demônios, os ídolos, o outro senhor, que é o dinheiro, não é a Igreja de Jesus. Na oração pedimos a graça e também agradecemos o Senhor pela renovada juventude que nos dá com Jesus e pedimos a graça que ele mantenha esta renovada juventude. Esta Igreja de Filipos foi renovada e tornou-se uma Igreja jovem. Que todos nós tenhamos isso: uma renovada juventude, uma conversão do modo de viver morno ao anúncio alegre que Jesus é o Senhor”. (BF-SP)

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Futebol, fé e o bispo jogador: confira reflexões sobre o esporte do Brasil

São Paulo (RV) – A segunda rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol terminou nesta segunda-feira, dia 22, e torcedores do país inteiro já estão envolvidos pelo torneio de futebol nacional considerado o mais equilibrado do mundo. A paixão pelo futebol, a fé e o ato de torcer por um clube foram temáticas apontadas para a reflexão do bispo auxiliar de São Paulo (SP), dom Luiz Carlos Dias, um prelado que desde muito jovem está envolvido com o esporte e que até mantém a prática jogando semanalmente.

Pesquisas estimam que cerca de 161,2 milhões de brasileiros torcem pelos times nacionais. Treze dos 20 times que disputam a Série A do Brasileirão, como é chamada a primeira divisão do torneio, detém quase 70% dos torcedores do Brasil, com destaque para Flamengo, Corinthians, São Paulo e o atual campeão, Palmeiras, cujo número de torcedores corresponde a 61 milhões de pessoas.

“Hoje o futebol é o esporte que mais desperta interesse e paixão pelo mundo afora”, observa dom Luiz. “A economia de mercado aproveita-se deste esporte ao qual se liga grandes marcas. Os valores envolvidos no ‘mercado do futebol’ são astronômicos. Os clubes aprenderam a explorar o potencial consumidor da paixão de suas torcidas”, revela o bispo.

Apesar da exploração econômica, para dom Luiz Carlos o jogo dentro das quatro linhas continua a exercer deslumbramento cativante, assim como, as discussões intermináveis acerca das partidas e de seus lances mais engenhosos, habilidosos ou duvidosos: “Para os apreciadores, uma partida de futebol dura bem mais que os seus 90 minutos, alimentando ainda mais uma paixão por excelência”.

Futebol e fé

Assim como o bispo, os fiéis católicos também estão inseridos entre os torcedores apaixonados por algum clube. Dom Luiz não vê nenhuma incompatibilidade entre a prática da fé e a prática de torcer. A fé, observa, por colocar o ser humano em relação com Deus, deve irradiar-se por todas as dimensões da vida. “A pessoa de fé, em todas as suas atividades procura ser coerente com a fé. O ato de torcer, também leva o torcedor (a) a nutrir uma relação especial com um determinado clube esportivo, e onde quer que esteja ou no exercício de qualquer atividade, cultivará aquele vínculo”, afirma.

Dom Luiz ressalta, no entanto, que a fé deve ser a fonte dos valores da pessoa e inspiração para suas opções fundamentais e decisões cotidianas. “Dessa forma, o ato de torcer é relativizado no confronto com a fé”.

Violência

O bispo ainda destaca que, para quem se nutre da fé, é uma “grande incoerência tomar parte de atos de violência em nome de sua equipe esportiva”, uma prática tão relacionada às chamadas torcidas organizadas. “Tais manifestações indicam que o ato de torcer é colocado no centro da vida da pessoa, um grande equívoco”, afirma.

“A violência como elemento sistêmico do ato de torcer como vemos nas torcidas organizadas indica a transposição de tais grupos da dimensão lúdica, na qual se insere o esporte para a esfera da violência de gangues que se digladiam com o desejo de eliminar o inimigo”, comenta.

Os atos de violência às vezes estão ligados a interesses que invadem o ambiente das torcidas, com grupos que “abrigam pessoas que infelizmente estão vinculadas ao crime” e as atrelam a práticas ilícitas. “Isto precisa ser coibido para que o esporte não venha a afugentar as pessoas ainda mais destes saudáveis momentos lúdicos”, acredita dom Luiz.

Paixão pelo esporte

Além da torcida, os brasileiros também praticam o futebol com frequência. Para dom Luiz, representa vida saudável, inserção em um grupo promovendo amizades e lazer. Além disso, a prática esportiva, como a do futebol, também é pedagógica: proporciona muitos ensinamentos aos seus praticantes. “Se em campo somos o que somos, aí pode-se aprender a importância da organização (tática), desenvolver habilidades motoras, conviver com as pessoas das mais diversas em clima amistoso, aprender a lutar até o fim, como a ter responsabilidade, pois cada uma exercerá uma função pelo grupo”, enumera.

Em 2013, quando era secretário executivo de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o então padre Luiz foi destaque em uma série do Globo Esporte sobre os “peladeiros” do Distrito Federal. (SP-CNBB)

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Rota Jesuítica espera bênção de Francisco

Buenos Aires (RV) – O apoio do Papa Francisco e do Vaticano para que o circuito jesuítico integrado seja declarado como de “interesse mundial para o turismo religioso”.

Esta foi uma das decisões tomadas pelo Conselho de Ministros de Turismo do Mercosul, reunido na sexta-feira (19) em sua XVIII reunião em Buenos Aires, onde foram tratados diversos temas relacionados ao incremento do turismo na região, em especial a Rota Jesuítica. Neste sentido, os Ministros subscreveram uma carta que será enviada ao Papa Francisco.

A Ministra do Paraguai, Marcela Bacigalupo, expôs no encontro os avanços e os desafios na conformação da Rota Jesuítica Multidestino, que engloba Paraguai, Argentina, Brasil, Uruguai e Bolívia.

“Temos tratado deste processo desde 2014 com a Organização Mundial do Turismo (OMT) e agora despertou o interesse do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), graças ao apoio do Ministro Gustavo Santos, com uma linha de financiamento que não afetará o CUPO de recursos destinado aos países”, declarou Bacigalupo ao final da reunião.

Por outro lado, especialistas do BID presentes no encontro explicaram aos Ministros que os projetos elaborados no marco do corredor internacional jesuíta, uma vez aprovado oficialmente o financiamento, passarão a fazer parte do Programa de Apoio à Integração.

A este respeito, o Ministro Santos destacou que a Rota Jesuítica Multidestino pretende ser “um modelo virtuoso” para encarar outros circuitos integrados, a fim de responder a demanda de países com alta emissão de turistas como os asiáticos, a tempo de dar uma resposta à crescente necessidade de empregos nos países do Mercosul, como consequência da revolução tecnológica.

Rio Grande do Sul

Como remanescentes no Brasil da obra dos jesuítas no período colonial, encontram-se os Sete Povos das Missões, nome dado ao conjunto de sete aldeamentos indígenas fundados pelos Jesuítas espanhóis no Continente do Rio Grande de São Pedro, atual Rio Grande do Sul, composto pelas reduções de São Francisco de Borja, São Nicolau, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo Custódio. Os Sete Povos também são conhecidos como Missões Orientais, por estarem localizados a leste do Rio Uruguai.

Participaram das deliberações os Ministros Gustavo Santos, da Argentina; Marcela Bacigalupo, do Paraguai; Liliam Kechichián, de Uruguai; e os Vice-Ministros Alberto Alves, do Brasil e Javiera Montes, do Chile, segundo informou a SecretarIa Nacional de Turismo (Senatur) da Argentina.

(JE/La Nación)

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Prefeito eleito de Belém, na Terra Santa: ocupação deve acabar

Belém (RV) – “Belém é uma cidade universal, de profundos significados religiosos e históricos. Todas as nações do mundo são chamadas a apoiá-la e ajudá-la. Todas as instituições religiosas, não somente as católicas, são chamadas a fazer o mesmo. Belém precisa de ajuda em muitos setores da sua vida. Sobretudo agora que a cidade natal de Jesus foi escolhida capital da cultura do mundo árabe para 2020.”

Foi o que disse o novo prefeito de Belém, o advogado Anton Salman. Trata-se de um dos resultados das eleições municipais do último dia 13 de maio. Presidente da Sociedade caritativa Antoniana de Belém e advogado da Custódia da Terra Santa, Salman era líder de uma lista cívica denominada “Todos somos Belém”, vencedora do pleito.

Diálogo com todas as pessoas de boa vontade

“Sou um palestino de fé católica. Busco o diálogo com todas as pessoas de boa vontade que queiram ajudar-nos nos campos da política e na busca da paz e com todas as pessoas que queiram cooperar para edificar o bem comum, a justiça e a liberdade”, disse o prefeito eleito de Belém ao responder à agência Sir sobre o significado que tem para ele desempenhar este encargo que por lei e tradição cabe a um cristão.

Ocupação israelense deve acabar e Belém deve ser livre

A propósito de liberdade, Belém é circundada por um muro israelense, acrescentou Salman. “Belém é uma cidade sob ocupação, confinada pelo muro israelense. Aquilo que foi colocado em prática em nossa cidade e em toda a Cisjordânia por parte de Israel não é tolerável. A ocupação israelense deve acabar e Belém deve ser uma cidade livre para todos, para o mundo inteiro, para todas as religiões”, afirmou. (RL – fonte Sir)

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Duas novas coleções de DVS apresentam o Vaticano e seus Museus

Cidade do Vaticano (RV) – “Na Descoberta dos Museus Vaticanos”e “Na descoberta do Vaticano e dos Museus Vaticanos”: estes são os títulos da nova coleção de DVDs apresentada em uma coletiva de imprensa na sexta-feira (19/05), nos Museus Vaticanos.

Produzidos pelo Centro Televisivo Vaticano (CTV), em colaboração com Rai Com, os DVDs tem como guia o divulgador científico Alberto Angela, que acompanha o espectador em um inédito percurso dentro da Cidade do Vaticano e de seus Museus. A Rádio Vaticano conversou a este respeito com Barbara Jatta, Diretora dos Museus Vaticanos:

“Queremos mostrar a complexidade destes Museus que têm uma declinação no plural, porque são realmente um complexo de coleções diferentes, de museus diferentes, de arte, história e cultura e também de fé. São precisamente declinações de tipologias diversas”.

RV: Existe algum aspecto inédito dos Museus Vaticanos que é revelado nestes DVDs?

“Sim, existem porque são também tantos lugares que geralmente não são abertos ao grande público, que foram claramente filmados e comentados por nossos 14 curadores, coordenados pelo esplêncido Alberto Angela”.

Os DVDs – em oito línguas – representam uma oportunidade – para quem já visitou os Museus – para descobrirem coisas novas. Ao mesmo tempo, para aqueles que ainda não conseguiram visitá-lo pessoalmente, uma oportunidade de poder conhecê-los em uma viagem virtual, como nos explica Monsenhor Dario Viganì, Prefeito da Secretaria para a Comunicação:

“É uma grande viagem, porque a bem da verdade trata-se de seis DVDs: três são uma viagem na descoberta do Vaticano – não o Vaticano das grandes cerimônias, mas o Vaticano um pouco escondido, cotidiano, do trabalho – e depois outros DVDs são um caminho pelos vários corredores, as salas dos Museus. A novidade é que ele se torna a coleção oficial dos Museus Vaticanos. A coisa mais importante é esta: é em oito línguas e entre estas o russo, o chinês e o japonês, porque pensamos que existe uma vasta população com desejo de conhecer este tesouro artístico, um tesouro de história, de arte, de fé, de valores e portanto, é precisamente uma operação a serviço do serviço cultural”.

RV: Que tipo de mensagem chegará a quem o assistir?

“Para quem o assistir pela primeira vez, ou antes de vir a Roma para visitar o Vaticano, se tornará certamente um momento de preparação, portanto, também de pré-disposição e também de um olhar para uma experiência que é sempre mais envolvente e importante. Para quem, pelo contrário, usará a série, e sobretudo os DVDs após uma visita, se tornará a ocasião para um aprofundamento, para um repensar. A mensagem é justamente esta: o belo, o verdadeiro e o bom coincidem”. (MarT/JE)

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Santuário do Despojamento inaugurado em Assis

Assis (RV) – A Igreja de Santa Maria Maior, em Assis, foi proclamada na tarde de 20 de maio, como Santuário do Despojamento, em missa presidida pelo Arcebispo Dom Domenico Sorrentino.

Para a ocasião, em 16 de abril passado, o Papa Francisco havia enviado ao prelado uma carta, em que considerava o novo santuário como uma “pérola no panorama espiritual de Assis”. A Rádio Vaticano conversou com Dom Sorrentino a respeito:

“É um evento que o próprio Papa quis sublinhar com uma mensagem estupenda que me enviou e que remete à visita que fez aqui em Assis em 4 de outubro de 2013. O despojamento evoca o gesto que Francisco fez quando, aqui no episcopado, despojou-se até a nudez total diante de seu pai, Pietro Bernardone, e diante do Bispo Guido, para manifestar que era um homem de Cristo, todo de Deus e todo dos irmãos. E nós quisemos solenizar de alguma forma, dar visibilidade a este ícone bem conhecido, mas que nunca havia sido bastante valorizado no panorama religioso e franciscano de Assis. Assim, quis instituir um novo Santuário na antiga Catedral anexa ao episcopado – a Igreja de Santa Maria Maior – para sugerir aos peregrinos esta ulterior etapa tão importante, porque o despojamento é algo que toca de perto o sentido de nossa vida. No entanto o despojamento é o mistério próprio de Jesus porque Ele, como Filho de Deus, despojou-se da sua glória para se fazer um de nós até morrer por nós. Depois, o despojamento é aquilo que nos é pedido no Batismo, quando mergulhamos n’Ele, entregando a Ele a nossa vida com todas as nossas misérias, a fragilidade, “o homem velho” – como diz a Escritura – para ressurgir com Ele, como homens novos. Aqui Francisco reviveu, de alguma forma, o seu Batismo: despojou-se de si mesmo e se revestiu de Cristo. Portanto existe um projeto de vida, um projeto batismal a ser vivido em maneira plena e que tem tantas consequências de origem pessoal, comunitária e social. Para nós, portanto, o Santuário do Despojamento é algo de muito provocatório: nos compromete, nos envolve e nos sugere uma vida nova”.

RV: Como se apresenta este Santuário?

“É um Santuário articulado, porque existe a antiga Igreja de Santa Maria Maior, realmente muito bonita, uma preciosidade, muito sóbria nas suas linhas e precisamente com esta sobriedade se presta para ser o Santuário do Despojamento. Existe a sala do bispado onde nós seguidamente fazemos reviver este evento de Francisco; depois existe o lugar onde, com toda probabilidade, o próprio fato ocorreu: o pequeno claustro que está entre o bispado e a antiga Catedral de Santa Maria Maior. Normalmente, quando se pensa neste episódio, se considera que tenha ocorrido na praça; mas não me parece que tenha sido assim: aconteceu dentro do bispado, onde o bispo costumava receber as pessoas também para estes momentos de caráter público, judiciário. Portanto, é justamente dentro do bispado que o fato ocorre e é aqui, portanto, que nós buscaremos revivê-lo. Devo dizer que há meses existe um fluxo de peregrinos realmente muito edificante. Tivemos uma semana de encontros, momentos de oração e momentos de aprofundamento muito, muito participativos. Existe realmente a bênção de Deus para este evento e também para esta iniciativa”.

RV: O Papa na carta endereçada ao senhor, disse que este novo Santuário nasce como profecia de uma sociedade mais justa e solidária…

“O Santuário se apresenta realmente como uma profecia. Pede a todos nós alguma coisa e reflete uma situação no mundo que realmente não é segundo o coração de Deus e deve absolutamente ser mudada. Nós cristãos devemos nos sentir em primeira linha nesta mudança. Temos o Evangelho que nos acompanha; é realmente a hora de um comprometimento novo, sério, profundo, que nos coloque como crentes também na condição de estimular uma mudança geral dos costumes da sociedade, para que não domine mais tanta pobreza e tanta miséria, para que aqueles que têm tanto – são poucos em relação à multidão de indigentes – aprendam como Francisco a doar-se e a doar para que exista mais justiça e solidariedade”. (SC/JE)

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